segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Você tem um amigo

Faz quarenta anos. Carole King gravou o seu maior sucesso. Tapestry, 2° trabalho da cantora e compositora foi gravado em janeiro de 1971. O álbum transformou-se num sucesso avassalador no início dos anos 70. O LP atingiu o n° 1 da Billboard por 15 semanas consecutivas.

Até hoje, é o disco lançado por uma mulher que por mais tempo ficou nesta posição, figurando por 6 anos nas paradas. O álbum também ganhou quatro prêmios Grammy, incluindo Álbum do Ano, Melhor Performance Vocal Pop Feminina, Gravação do Ano (It’s Too Late), e Canção do Ano (You’ve Got a Friend).

Depois disso, os bailes de garagem nunca mais foram os mesmo. Pra fechar a noite desta segunda, Carole King.


domingo, 27 de fevereiro de 2011

Coincidências da vida, ou da ausência dela

Moacyr Scliar
Acordo. Ligo o computador e, está lá, num post do Facebook de Nilo Correa, ainda na madrugada: Moacyr Scliar se foi.

Imortal da Academia de Letras, Moacyr Scliar morreu aos 73 anos de falência múltipla dos órgãos. O escritor gaúcho estava internado desde 11 de janeiro quando deu entrada para a retirada de pólipos (formações benignas) no intestino. A cirurgia foi bem sucedida, mas Scliar acabou tendo um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e morreu nesta madrugada.

Entre suas obras mais importantes estão os romances O exército de um homem só (1973), O centauro no jardim (1983) e A mulher que escreveu a Bíblia (1999), o ensaio Saturno nos trópicos, a melancolia europeia chega ao Brasil (2003), os livros juvenis O tio que flutuava (1988) e Um sonho no caroço do abacate (1995), e a coletânea de crônicas O imaginário cotidiano (2001). Atualmente, Scliar escrevia colunas semanais para os jornais Zero Hora e Folha de S. Paulo.

Respiro, inspiro, tomo um café. Visito as  páginas de jornais em busca de outras notícias e a cada nova página, a notícia da morte do Scliar se confirma. Ok, aconteceu mesmo. Abro a caixa de correspondências. E por uma dessas estranhas coincidências da vida, a primeira mensagem que recebo é da Eliane di Quarto, relatando mais uma partida.
Caro Maranhão...

A nonna Tana partiu... finalmente. Nos deixou ontem às 22h30. Resistiu à viagem até o fim mas como era previsto, como estava escrito, era hora. Roubou, ainda, um mês de vida à morte. Um mês que não serviu pra nada a não ser para que os filhos orassem para que ela fosse embora.
Um grande abraço, com serenidade!

Eliane

Nonna Tana
Não faz uma semana, o texto de estreia da Eliane aqui no blog falava exatamente da Nonna Tana. Ontem, percorrendo a blogosfera, descobri que fazia 15 anos da partida de outro grande escritor Brasileiro, Caio Fernando Abreu, como você pode conferir, num texto mais abaixo, nessa página mesmo.
 
Coincidência ou não, a ausência da vida resolveu preencher o início da manhã de sábado. Não faz mal. Faz sentir a necessidade de refletir. São ciclos de vida que se fecham. Fecho o computador. Chamo a Maria e o Alfredo, um casal de Lhasa que nos acompanha aqui em casa, e vou caminhar. Vida que segue.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Caio Fernando Abreu - Para sempre

Faz quinze anos. Num dia como hoje, saía de cena Caio Fernando Abreu, escritor gaúcho, um dos maiores do Brasil. Jornalista, dramaturgo, poeta, Caio combinava com muita coisa, não com superficialidade. Viveu intensa e profundamente cada um dos seus 47 anos de vida. Escrevia como poucos. Fala sobre sexo, drogas, homossexualidade, contracultura, loucura. Tudo isso intercalado com poesia e doses extras de lirismo.

Saiu de Santiago em 1963. Foi para Porto Alegre. Estudou letras e artes cênicas na UFRGS, mas não terminou nenhum dos dois cursos. Em São Paulo, foi repórter de Veja, em 1968. Integrou o Geração 68, movimento brasileiro de contracultura. Perseguido pelos militares, refugiou-se na casa de sua grande amiga, a poeta Hilda Hist.

Passou uma longa temporada exilado na Europa e voltou ao Brasil na década de 70. Em 1994, depois de uma viagem à França, descobriu que era portador do virus da aids. Morreu dois anos depois, em decorrência de complicações da doença.

Caio é autor de obras importantes da literatura brasileira, como Limite Branco (contos, 1971), Morangos Mofados (contos, 1982), Os Dragões não conhecem o paraíso (contos, 1988), e Onde andará Dulce Veiga? (romance, 1990), este último foi adaptado para o cinema, resultando no filme homônimo lançado em 2007.

Em dezembro do ano passado, começou a ser rodado o documentário poético “Sobre sete ondas verdes espumantes”, sobre a história da vida de Caio. Para compor o longa, a equipe de produção percorreu cidades que têm alguma relação com ele, dentre elas Santiago (RS), Amsterdan (Holanda), Berlim e Colônia (Alemanha), Paris e Saint-Nazaire (França), além de Londres (Inglaterra).

Com direção de Bruno Polidoro e Cacá Nazario, o filme colheu depoimentos de artistas e amigos de Caio, como Adriana Calcanhoto, Grace Gianoukas e a escritora Maria Adelaide Amaral.

Quinze anos depois de sua partida, Caio continua mais vivo do que nunca. Sua obra segue atual. Seus textos seguem transgredindo, causando dor, alívio e emoção. Veja, aí abaixo, o trailer do documentário "Sobre sete ondas verdes espumantes".

Cantada goiana - Quem resistiria?

O beijo - óleo sobre tela de Gilberto de Abreu - 1997
Kameni, filha de Marquinhos (um jornalista, amigo desde os tempos da UNISINOS) e amiga de Mariana, minha filha,  foi pra Goiás. Voltou impressionada, maravilhada mesmo, com uma cantada que recebeu.

A forma singular (ou plural) do goiano se expressar carrega uma  inconfundível mistura. Algo que nasce lá, bem dentro, no interior de Minas Gerais. Algo que vem dos sertões e que assimila o jeitão da cidade grande sem perder a sua riqueza semântica jamais.

Por conta disso, a fala sai cantada e de um modo muito peculiar. Encurtando as palavras, invertendo a ordem das frases, atribuindo novos sentidos aos verbos, o "goianês-amineirado", em sua simplicidade cabocla é capaz de criar pérolas como esta que descrevo a seguir, dita por alguém que se apaixonou à primeira vista, pela a beleza da menina:

"Mô, pirei no sorriso seus. Cumé que organiza preu beijar a boca suas?"

Eu não sei se a Kameni caiu. Mas só a originalidade da cantada já valeria mais que um beijo.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Certeza Leve - a música

Meu maestro, Lula Theodoro, atacou de novo. Nas frequentes visitas que faz ao Blog, ele está sempre de olho em uma nova poesia, algo que tenha chances de virar música. Pois, aí está a nossa mais nova parceria virtual. Certeza Leve é uma poesia que postei aqui, tempos atrás, com o título de "Dúvida, me leve".

Não sei se estou certo, mas fui remetido a uma certa batida de João Gilberto, coisas de bossa nova. Ou, Francis Hime. Nao sei. Sei que é um luxo escrever. Mais ainda, é poder contar com a maestria de alguém, um ser transformador, que tira as letras do papel - ou da tela - e atribui a elas um som, uma harmonia, um compasso, uma melodia. E o que era poesia, vira música.

Lula trabalha em silêncio, mexeu pouca coisa na letra, só um ajuste, justo e necessário. Ele é assim. Carioca com jeito de mineiro. Quando o material está no ponto, ele me provoca: E aí, parceirinho, quando é que vem por a voz? De vez em quando, resisto. De vez em quando, não. Por enquanto, Certeza Leve, na voz e violão de Lula Theodoro.


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Vida breve

Eu já tinha encerrado o dia.
Mas não resisti. Meu amigo Hye, lá de BH, me mandou o seguinte recado:

"Maranhão, às vezes, os publicitários acertam na veia." E eu sou obrigado a concordar que, dessa vez, eles acertaram. Confira aí.

Pra quem não conseguir acompanhar o texto, logo abaixo do vídeo eu ponho a tradução.



Texto do vídeo:

Este é um fato verídico.
Nesses tempos de crise, reunimos o homem mais velho com o bebê mais novo.

Madri. Aitana Martinez. A três horas de nascer.
- Olá, Aitana. Meu nome é José Mascaró e tenho 102 anos.
Sou um sortudo.
Sorte por ter nascido.
Como você.

Por poder abraçar minha esposa.
Por ter conhecido meus amigos.
Por ter me despedido deles.
Por continuar  aqui.

E você vai me perguntar: Por que venho te conhecer hoje?
É porque muitos lhe dirão que você veio ao mundo num momento ruim.
Que há crise, isso e aquilo.

Isto vai torná-lo forte.
Eu vivi momentos piores que este.

E no final, você só vai lembrar das coisas boas.
Não perca tempo com bobagens.
E corra em busca do que lhe faz feliz.
Porque o tempo passa muito rápido.

Já vivi 102 anos e garanto
que a única coisa de que  não vai gostar na vida
é que ela  vai parecer muito curta.

Você está aqui para ser feliz!

Sem tempo pra sonhar

Charles Bradley tinha um sonho: ser cantor. Passou uma vida inteira sonhando. Agora, ao 62 anos, ele lança o seu primeiro disco, cujo título, curiosamente, sentencia:No time for dreaming. Ele é o que se pode chamar – sem essa frescura de politicamente correto – um negão de respeito. Até há bem pouco tempo, completamente desconhecido.

Ai, como água mole, batendo em pedra dura, ele juntou uns trocados do esforço de uma vida inteira, formou uma banda, a Mehanan Street Band, gravou um single no final de 2008 e, finalmente, o mundo descobriu “o cara” que havia por trás do cozinheiro modesto.

Agora, depois de tornar-se um pouco mais conhecido e respeitado, ela lança No Time For Dreaming, um excepcional álbum de soul music para apaixonados pela velha escola, que tem em Mr. James Brown o seu mestre maior.

O som guarda a originalidade de um arquivo que ficou esquecido nos porões da motown. Pra quem não sabe ou não está lembrado, motown era como se chamava a cidade de Detroit, no meio oeste-americano. Lar de algumas das mais importantes indústrias automotivas mundiais, experimentou o auge, seguido de uma derrocada da qual nunca mais se recuperou.

Daqueles anos de decadência econômica, porém, surgiu das cinzas de Detroit uma outra Motown que revolucionaria a música e a própria indústria fonográfica norte-americana, uma gravadora que colocaria em destaque alguns dos maiores anjos negros da música e alçaria a seu devido status de importância ritmos como o soul e o rhythmn n' blues.

Pois é esse o som que brota das entranhas deste sujeito que, no visual, lembra um composto de Tony Tornado com James Brown. Aos 62 anos, ele estreia na música como um veterano. Vale a pena curtir o som dele, pra fechar essa tarde de quarta.

La ragazza, la Nonna e la vita

*Eliane Oliveira di Quarto é uma querida amiga, jornalista, brasileira, radicada há muitos anos em Milão, na Itália. Eliane é casada como Andrea, editor italiano; e mãe de Lorenzo e Sophia (que aparece agarradinha com ela, na foto aí ao lado).

A meu convite e depois de muita provocação, ela passa a escrever para este blog. Na frequência que quiser, sobre o assunto que achar melhor. Apenas com o compromisso de traduzir com os olhos de brasileira a vida italiana. Na estréia, como vocês poderão acompanhar a seguir, ela já diz a que veio.


A nonna Tana tá indo embora, aos 95 anos! Tá indo aos poucos. Sem querer ir. Com sofrimento. Chamo-a de nonna por respeito, por carinho, por afeto a esta senhora que me recebeu de braços abertos, como neta, mesmo. De verdade, nonna do Andrea.

Lembro-me do primeiro natal que “a brasileira” organizou na Sicília. Debaixo da árvore vão os presentes, sim senhor. Não se abre nada antes. Ela e os sobrinhos do Andrea, habituados a abrir tudo na medida em que iam chegando, olharam-me com ar desconfiado mas, logo, gostaram da idéia. Magia, expectativa, fantasia! A nonna Tana, apelido de Gaetana, no final do "espera, abre, sorri, agradece, espera", de dois natais seguidos comentou em um estreito dialeto siciliano: “da quando c’è questa ragazza il nostro natale è piu bello!”

Nonna Tana
Pra nonna Tana não era previsto ir embora. Simplesmente porque ela nunca pensou em partir. Nunca quis. Não ela. Esta viagem era para os outros. Não pra ela. Nos vimos no último verão, quando ao me ver chegar com um barrigão de 7 meses, um filho de 5 anos, duas malas, quase à meia-noite, comentou: “Boh... questa ragazza prende un aereo da sola, con questo pancione, un figlio e senza marito...”

A nonna Tana é dos tempos em que mulher não saia de casa sem marido, imagine viajar de avião sozinha, só com um filho e, ainda por cima, vestindo camiseta justa que pouco disfarçava os 7 meses de gravidez. Mas a nonna Tana é, também, mulher que, no período da guerra, quando dinheiro não se via no bolso, inventou sapatos de cortiça para calçar os filhos. É mulher que pesava o pão duro pra dividir em partes iguais entre os quatro filhos. É mulher que levava à mesa sempre a mesma, e pouca, sopa no almoço e no jantar. A guerra não duraria pra sempre.

Os filhos oram para que ela vá. Para que parta de uma vez. A despedida já está se fazendo longa demais. Sofrida demais. E quando ela se for, na mesma casa em que a família por tantas vezes reuniu-se, haverá o último encontro. Um recomeço. Os amigos mais chegados se ocuparão de preparar o almoço ou o jantar. As mulheres arrumarão uma longa mesa, a mesma onde poucas horas antes parentes e amigos despediam-se da nonna Tana. Pasta, pão e vinho.

Um olhar desatento pensaria em um uma festa. Não. É o jeito siciliano de dizer que a vida começa, acontece, termina e recomeça ali, à mesa. É o modo siciliano de não deixar a família sozinha. É o brinde a uma existência. As pessoas conversarão um pouco de tudo. Farão um esforço pra sorrir. Um sorriso sóbrio, quase silencioso. E o ùltimo encontro se faz o primeiro.

Na primeira vez em que participei de uma despedida assim me surpreendi. Fazia o possível para que não transparecesse a minha surpresa. Quase um choque. Hoje penso que, de qualquer forma, é um belo modo de festejar a vida. De ir adiante, de continuar. Pão, vinho e um sóbrio sorriso.

E agorinha mesmo, quando abaixei meus e-mails recebi a notícia que hoje, às seis da manhã, em Campo Grande, minha irmã trouxe à luz um menino. Heitor. Aqui, pão, vinho e um sorriso. Aberto ou sóbrio. Um sorriso!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Poesia maranhense

Assis Medeiros aparece, via email, pra uma ação de guerrilha poética maranhense (quando eles se juntam, sai de baixo). É que o poeta maranhense Celso Borges lança amanhã, 23 de fevereiro, na livraria Café com Letras, seu novo trabalho, Belle Époque. O livro traz como encarte o CD Quase, em que o autor apresenta o silêncio como “resposta” ao barulho e à fúria do mundo moderno. O projeto gráfico é de Andréa Pedro, responsável pela identidade gráfica dos discos lançados pela Saravá Discos, selo de Zeca Baleiro (outro maranhense ilustre).

Belle Époque é o terceiro livro-CD poeta lançado pelo artista. A trilogia começa com XXI (2000) e prossegue com Música (2006). Nesses trabalhos, Celso Borges faz referências que vão da música popular brasileira às experiências sonoras de vanguarda e dialoga com mais de 50 compositores e poetas brasileiros, entre eles Chico César, Vitor Ramil, Zeca Baleiro, Assis Medeiros, Ademir Assunção, Rita Ribeiro, Sérgio Natureza, Ceumar, Micheliny Verunschk e o DJ Otávio Rodrigues.

Poeta, jornalista e letrista, Celso Borges viveu 20 anos em São Paulo e voltou a morar em São Luís em 2009. Parceiro de Chico César e Zeca Baleiro, entre outros, além dos livros-CDs, possui cinco livros de poesia publicados: Cantanto (1981), No Instante da Cidade (1983), Pelo Avesso (1985), Persona Non Grata (1990) e Nenhuma das Respostas Anteriores (1996).

Nos últimos seis anos, Celso Borges tem levado a poesia para o palco com os projetos Poesia Dub, que desenvolve com o DJ e pesquisador Otávio Rodrigues, e A Posição da Poesia é Oposição, com o guitarrista Christian Portela. Eles já se apresentaram no Tim Festival (SP-2004); Baile do Baleiro, do compositor Zeca Baleiro (SP-2004); Festival Londrix (Londrina-2006); Catarse (Sesc Pompéia- 2009) e Projeto Outros Bárbaros (Itaú Cultural, SP- 2005 e 2007).

Celso Borges tem poemas publicados nas revistas de arte e cultura Coyote e Oroboro e já ministrou oficinas de poesia em São Luís, Imperatriz (MA) e Palmas (TO). Atualmente, apresenta na Rádio Uol o programa Biotônico ao lado de Zeca Baleiro e do DJ Otávio Rodrigues, além de editar a revista Pitomba, ao lado dos escritores Reuben da Cunha Rocha e Bruno Azevedo.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Memórias da profissão - Eisenstein e Junio

Para Junio Cheze

Em 1984 eu era um jornalista recém-formado. E enquanto dicidia o que fazer da vida, vim para Brasília, onde meus pais já moravam. Uma tarde, recebi um telefonema de Mara, à época, minha namorada, lá em São Leopoldo, onde fizemos a faculdade de jornalismo.

- O Junio procurou por ti. Tem uma vaga de repórter na TV Bandeirantes, em Dourados, Mato Grosso do Sul. Ele diz que o trabalho é a tua cara. Foi o suficiente. Mochila nas costas (naquela época, nosso mundo cabia em uma mochila), lá fui eu.

Começava ali a minha relação com o mundo profissional, pelas mãos do Junio Cheze. O mesmo Junio, colega de turma, que eu tinha visto caminhar descalço, auditório da UNISINOS a dentro, para apresentar o documentário "Terra de Índio", em que ele contava a história da luta de Marçal Guarani, o Tupã Y, líder indígena assassinado em Dourados.

Eu agora faria parte daquela terra de índios. Terra que me viu crescer na profissão, que viu meus filhos nascerem. Que viu a vida do Junio mudar, de repente.

Foi naqueles anos, não demorou muito, Junio montou um semanário. E deu a ele o nome do nosso jornal laboratório, na UNISINOS: Enfoque. O jornal o fez virar gente e também provocou a sua primeira morte. Em busca de notícias, Junio se embrenhava naquelas estradas viscinais. Até que um dia sofreu um acidente que o deixou tetraplégico.

Ainda assim, ele prosseguiu fazendo jornalismo. Ressurgiu depois de 15 dias em coma. E seguiu lutando e escrevendo bravamente. Toda vez que nos encontrávamos, ele pedia pra que eu falasse sobre o filme "O Encouraçado Potemkin", do diretor russo Sergei Eisenstein.

Na última vez em que estive em Dourados, junho do ano passado, junto com o Rodrigo Pael, fui visitar o Junio. Fazia muitos anos que não nos víamos. Ele se emocionou. E eu mais ainda. Apesar do tempo e da distância, nossa amizade se mantinha viva, como se não tivéssemos saído daquela faculdade, lá no Rio Grande do Sul. Como se tivessemos nos encontrado ontem, na entrada de Dourados, onde o inicio da minha trajetória profissional ficou registrado.

Ontem à tarde, Junio Cheze nos deixou, aos 48 anos de idade. O jornalismo perdeu um grande cara. O amigo vai deixar muita saudade. Ainda bem que eu pude encontrá-lo no ano passado. E falar de novo do filme que ele tanto admirava.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Hora de mexer no tempo

Acabou o horário de verão.
Quando ele acaba,
começa outro horário.
Será o do inverno?

Por via das dúvidas
e sem certeza da
resposta que quero
mexo no relógio

Brinco com o tempo
e fico uma hora a mais
na cama.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

De Julieta, para Ada

Ada  Liz é uma adorável amiga jornalista. Irmã da Myriam, com quem trabalhei na TV Senado, em Brasília. Mas a minha ligação a com a Myriam vem de muito antes. Lá dos tempos da TV Guanandi/Bandeirantes, em Campo Grande. Ela era ainda uma estudante de comunicação, quando cheguei à emissora para ajudar a montar um novo departamento de jornalismo. Um tempo rico e apaixonante, como já contei aqui.

Hoje, lembrei da Ada, por conta de uma mentira boba e boa. Dessas que só servem pra a gente dar risadas, que têm a marca da molecagem ingênua. Dessas que fazem a vida ser mais divertida. Eu não sabia, mas a Ada é apaixonada por uma cantora mexicana, chamada Julieta Venegas. Um dia, encontrei a Ada no Congresso. Eu estava com um DVD, recém comprado, da Julieta e a Ada quase pulou no meu pescoço de tanta felicidade.


Julieta Venegas, a "prima" mexicana

Diante daquela euforia toda, não resisti e apliquei uma mentira boba, sem imaginar que alguém pudesse acreditar: - Você gosta da música que a minha prima faz? A Ada quase caiu pra trás. Você é primo dela? Eu dei corda - sim, claro. Quer dizer, ela faz parte do lado mais esnobe e mais afastado da família. Tanto que, chegando ao México, fez logo uma alteração no sobrenome, de Viegas para Venegas. Eu, sério. A Ada, acreditando. Cada vez mais.

Sério, Maranhão? E você tem falado com ela? Ai eu resolvi sofisticar um pouco.  Fazia tempo que eu não falava (disse, mais sério do que cachorro embarcado), mas agora ela descobriu que eu trabalho na TV Senado e, como está com um disco novo, tem feito contatos, querendo vir fazer shows aqui em Brasília. Nessa altura da conversa, a Ada já estava me arrastando pelos corredores, me apresentando aos seus amigos como primo da Julieta Venegas, famosa cantora mexicana.

Achei prudente não desmentir de imediato. Fui embora, prometendo conseguir um DVD com dedicatória para a Ada. Era o mínimo que eu poderia fazer por aquela fã, número um.

De volta à TV, contei a história pra Myriam que me aconselhou: É melhor contar logo a verdade. A Ada não vai te perdoar. Eu resolvi passar uns dias ainda na condição de "primo" da cantora mexicana. Não me lembro direito, mas para por um ponto na brincadeira e continuar vivo, acho que tive que dar um DVD da Julieta de presente pra Ada. Evidentemente, com um pedido de desculpas e sem o autógrafo da "ex-prima" famosa.

O parentesco era de mentirinha, mas a Julieta é uma cantora de verdade, que vem conquistando um espaço cada vez maior por estas bandas. No Brasil, já gravou com Lenine e Otto. E um dos seus trabalhos mais conhecidos por aqui é "Ilusion", que gravou em dueto com Marisa Monte e que está no Acústico que ela fez para a MTV. Por lembrar dessa história, mando de presente o vídeo que está aí embaixo. Pra Ada Liz e pra todo mundo que já conhece, ou que ainda está por conhecer a minha "prima mexicana".

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Hye, a chuva, o circo e os Beatles

Agora chove. Mais forte que ontem. Ontem, quando deu de ficar noite, repartimos a comida com um outro novo “velho amigo”, Hye Ribeiro. Primeiro, ele rememorou a história do seu nome. Um judeu que se apaixonou por uma negra, lá bem longe no tempo. E que, dessa paixão, resultou a tradição de ter um Hye, sempre na família. Nos contou que a origem é Yesus, que em hebraico significa Jesus.

Assim, ele vem de uma família que, há décadas, carrega um Hye entre os seus. A história é bonita. Mas ele teve os mesmos problemas que o Inorbel (este que vos fala) teve na escola, quando criança. A hora da chamada era sempre o momento mais tenso. Nenhum professor acertava o nome. Na sala de espera do médico, a mesma coisa.

Hoje, tanto ele quanto eu lidamos bem com a excepcionalidade dos nomes. Eu acho o meu bonito, distinto, quase um título familiar. Eu e ele temos algo em comum – nunca encontramos um homônimo. E essa exclusividade nominal é de muita serventia.

Pois bem, Hye, eu e Mara jantávamos e falávamos. Não necessariamente nessa ordem. Penso que mais falamos do que jantamos. Mas estava tudo muito bom. O vinho, a comida, o papo. Até a água tinha um sabor diferente.

Lá pelas tantas, Hye contou de uma viagem aos Estados Unidos. Ele assistiu um show em Las Vegas, num teatro construído exclusivamente para a apresentação do Cirque du Soleil. Uma homenagem ao legado dos Beatles. De volta ao hotel, abriu o computador e visitou o meu blog. E lá, pela mais absoluta coincidência, havia um texto meu falando… sobre os Beatles.

Hye estava emocionado com o resultado do show e escreveu imediatamente, pro blog, falando da coincidência. Ontem, enquanto a noite derramava uma chuva intensa lá fora, ele nos fez jurar que um dia vamos assistir a esse show. Está jurado. Um dia, acontece.

Enquanto isso, a gente curte uma reportagem do Fantástico, que foi ao ar em setembro de 2006, e que mostra um pouquinho do que o Hye está falando. Um espetáculo imperdível. Fantástico, mesmo.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Hora do recreio

Tem dia que...

Tem dia que eu vou ao Blog da Elisa só pra ver o que ela anda aprontando. Porque a Elisa Mendes sempre apronta. Dia destes, ela me fez pensar no sentido da imagem que produziu. Aliás, essa é uma das características da Elisa. Ela sempre faz a gente pensar nas imagens que ela produz.

Pra essa que tá aí embaixo, fiquei pensando:
Quanto tempo levou até que a mão achasse o ângulo certo, que impedisse o calcanhar de se enroscar no algodão da calcinha?



Nessa outra, fui levado a pensar: a vida tem muitos nós. Nenhum que justifique o desespero. Nenhum que não guarde uma beleza qualquer, que não justifique a vontade da gente de querer desatá-los.



Valeu, Elisa Mendes! Bonito isso!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O fim e o começo

Ronaldinho, o fenômeno, parou. É notícia de domingo à noite. E há um misto de tristeza e alegria nessa decisão. Alegria de ver um sujeito que visitou o céu e o inferno com a mesma velocidade, sem perder a alegria de viver. E de ver que ele resistiu vivo às duas viagens.

Tristeza, porque ele está indo embora, está deixando os gramados para trás. Mas, como disse o Falcão, agora há pouco na TV, ele foi sempre um menino inteligente. E mostra inteligência, mais uma vez, parando agora. Porque daqui pra frente seriam apenas cobranças. E se tem alguém que não deve ser cobrado, esse alguém é ele.

Que siga em paz e que desfrute de tudo o que o futebol lhe deu. Nós aqui, reles mortais, agradecemos consternados as lindas imagens que a sua genialidade proporcionou nos campos, por este mundo a fora. Valeu, Ronaldo. Vida que segue, agora, sem o fenômeno.

Se o domingo marcou o fim para o Ronaldo, pra mim, marcou também o começo do Davi. Davi é o filho de Cris, que é irmã do Fernando, filha do Sérgio e, também, da Flora. A Flora é uma amiga do coração, de quem eu já falei aqui, e que já não está mais entre nós. Ela agora vigia a gente, com bons olhos, de algum ponto desse imenso universo.

Antes de ir-se, porém, a Flora viu a Cris gerar o Davi. E o viu crescer em seus dois primeiros anos de vida. Pois hoje, dia em que o fenômeno Ronaldo anunciou que pára de jogar futebol, a Cris me mandou as fotos dizendo que o Davi começou. Esta semana ele foi pela primeira vez à escola. E quem o levou, foi o Sérgio. O Davi encarou bem a história. Quem parece que vai ter que se adaptar à ausência temporária do filho é a Cris.

Como na canção de Lulu Santos, na voz de Milton Nascimento, A vida é mesmo assim... E assim, fecho o domingo, para recomeçar amanhã, uma vez mais. Vida que segue, agora, com o Davi.






A conquista do espaço

Eu já falei aqui, algumas vezes, do trabalho musical das meninas do Sapa Bonde. Hoje, reportagem de capa do Caderno Diversão e Arte, do Correio Braziliense também abriu espaço para as meninas. Não só para elas, mas para um grupo heterogêneo de novos artistas que vem tomando conta da cena cultural de Brasília e estendendo seu trabalho para além das fronteiras do país.

Mariana está viajando, mas eu não tive dúvidas em ligar para ela e dividir a boa notícia. Pra quem ainda não leu, aí está parte da reportagem feita por Irlam Rocha Lima, com fotos de Zuleika de Souza.

Do samba ao sertanejo, uma geração de bons
artistas começa a se formar

A música em Brasília exibe vigor com chegada da segunda década do século 21. Numa cidade que hoje se caracteriza pela diversidade de sons e ritmos, o que não falta são caras novas mostrando trabalho. Em segmentos como rock, samba, funk, choro, axé, hip-hop e sertanejo, grupos e cantores começam a se destacar e surgem como boas revelações.

Entre eles, alguns estão praticamente no começo da carreira e aos poucos vão sendo descobertos pelo público. Outros, porém, com trajetória maior, já têm até fãs conquistados em apresentações ao vivo ou pela internet, ferramenta utilizada por muita gente que quer ver e ser vista. O Correio foi atrás desses jovens artistas da cidade e destaca o eles que vêm fazendo.

As feras do Sapa Bonde: performances,
muito funk e convite para gravar um CD no exterior
Dos novos no heterogêneo universo sonoro brasiliense quem faz mais barulho é o Sapa Bonde, grupo de funk formado por oito cantoras assumidamente lésbicas. Com apenas um ano de música e sem disco lançado, tornaram-se conhecidas no Brasil e no exterior ao utilizarem de estratégia tecnológica: postaram vídeo amador na internet, que não demorou muito para ter algo em torno de 40 mil visualizações.

“Nós sempre fomos ligadas à música. Cada uma de forma diferente. Eu e a Marie somos DJs (Holy Bitches), Jubinha e Tava G vieram de bandas de rock; enquanto Anfetasmina, Nina, Mari Versátil e Luara Marola de Fogo gostam de MPB”, lembra Carol Bitch, uma espécie de porta-voz da turma. “Antes de formar o grupo, tudo o que fazíamos nesta área era de brincadeira. Foi assim, por exemplo, o vídeo da música Eus sapa, que gravamos durante férias em Fortaleza, em janeiro do ano passado”, acrescenta.

Depois de Eus Sapa, chegou à internet, via YouTube, Sapabonde di rolê. Os dois funks — de criação coletiva —, com letras de temática explicitamente lésbica e forte apelo sexual, ganharam remixes de DJs nacionais e internacionais. A repercussão foi tão grande que as meninas foram convidadas por um selo europeu para gravar um CD. Material para o álbum é que não falta. “Depois do agito inicial, compomos mais oito músicas. A mais recente é Maria passivona”, anuncia Carol. Trecho da letra diz: “…Te ligo hoje à noite/Cê sabe eu tô a fim/Eu caio na tua casa/ Não dá mole, cai ni mim..”

No dia 22 do mês passado o Sapa Bonde levou ao delírio a plateia presente no teatro do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Convidadas pelo produtor e DJ João Brasil, elas participaram do show de encerramento do projeto Sai da rede. “Tomar parte na festa-show do João Brasil foi bacana, ainda mais porque dividimos o palco com dois ídolos nossos, Marina Gasolina e Gaby Amarantos”, afirma Carol. Antes, elas haviam feito apresentação na boate Blue Space. “Temos show marcado para o dia 19 próximo no Club Glória, em São Paulo”, adianta.

Leia a reportagem completa aqui.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Carta de amigo, texto de poeta

Marco Antônio Pontes, um novo "velho amigo" que fiz por estas plagas, me escreve. Ao ler o seu texto, me emociono e percebo que é injusto guardá-lo apenas para mim. Aí vai:

Salve!, Maranhão, cadê você?

Sim!, a Meschiya Lake é ótima. Conhecera-a ligeiramente dia desses (foi na tv) e também tive a sensação de que a visão desmentia a audição: estivesse vendado juraria ouvir a fantástica Billie Holiday.

Interessantes, as observações sobre branca com voz negra. Não sei como explicar o fenômeno, mas sempre dá certo. Temos na mpb excelentes exemplos: quer voz mais negra que a de Clara Nunes? Até Elis Regina, a maior cantora brasileira (Elizete Cardoso é hors concours) tem interpretações -- não todas, que é pluralíssima -- em que a voz parece ascender de porão de navio negreiro; ou da cozinha, como escorregou no preconceito o Fernando Henrique.

Esperava encontrá-lo em nossos almoços sexta-feirais para comentar seus "Passos na areia". Esclarecedor, o relato da origem do apelido. Eu bem poderia ter adotado o pseudônimo"Gerais"; ficaria plural...

Você só não explicou por que diabos um natural da linda São Luís foi dar com os costados no outro extremo do Brasil, onde não há palmeiras, sabiás nem paisagem extra-terrestre como a dos Lençóis.

Deliciei-me com a reação de "seu" Opílio, cuidadoso cumpridor do racionamento, ante o esbanjamento energético do pau-de-luz. (Tive a sorte de conviver longos anos com o avô materno: "sô" Plínio Dias desentortava com um martelinho os pregos que arrancava de caixotes para reaproveitá-los quando necessário; recolhia pela casa cada pedacinho de barbante -- você sabe o que é isso? --, formava um grande novelo e suportava estoicamente o riso de mofa da mulher, filhos e netos a chamá-lo "pão-duro"; mas quando alguém precisava amarrar qualquer coisa, fazer um embrulho -- naquele tempo não havia fita adesiva, sacos plásticos, essas comodidades -- era sua vez de rir e partilhar sem avareza o tesouro.)

Muito bonita, sua foto dos Lençóis. Já reparou como a arquitetura de Brasília tem algo daquelas curvas e contrastes? Quem sabe? Niemeyer conheceu a região, antes de projetar, por exemplo, o Museu da República.

Eu descobri os Lençóis assim meio por acaso. Em 1974 sobrevoava o Delta do Parnaíba num pequeno monomotor, a fotografar Luís Correa, Pedra do Sal, Lagoa do Portinho, Sobradinho... Ao revelar o filme (era assim, naquele tempo...) não reconheci algumas fotos, bem diferentes da paisagem do lado piauiense do Delta. Dia seguinte pedi ao piloto que refizesse o trajeto e maravilhei-me com o seu "deserto" dourado entremeado de lagoas em inacreditável azul -- pena que fizesse fotos em p&b...

Finalmente, destaco-lhe frase que particularmente me tocou: "Estive distante sem nunca ter partido."

É que me assalta igual impressão a cada vez que retorno à pequena Rio Novo, cidade que entre outros méritos teve o de me ver nascer, perdida entre as serranias e vales da Mantiqueira, Zona da Mata de Minas. Noutra forma de dizer o mesmo, eu saí daquelas montanhas mas elas não saíram de mim. Temos, eu e os irmãos, a sorte de conservar a velha casa, construída por meu pai quando eu tinha cinco, seis anos.

Nas noites que atravesso a ler ou escrever nas reincidentes voltas ao lar paterno, habitualmente na companhia de um Red Label, o "cachorro engarrafado" de Vinícius ("não é o melhor amigo do homem?" -- explicava), sinto-me como no verso do "poetinha": "No silêncio profundo daquela casa cheia de montanha em torno."

Pois é isso, caro amigo. Viu? no que deu provocar reminiscências de velho escriba. Sou econômico no falar porém pródigo no escrever. E isso vem de décadas: só consegui conquistar a primeira namorada -- quando já me constrangia por que na provecta idade de 12 anos ainda não sabia como era um beijo na boca -- ao enviar-lhe um bilhete na sala de aula, na verdade umas três folhas de caderno a enaltecer-lhe a beleza. Por sorte, ela gostou.

E ainda não termino (claro, você tem a alternativa de deletar-me a prolixidade a qualquer momento...). Falta dizer que sentimos sua ausência, a cada semana, nos encontros com os vinhos e demais delícias do Francisco; explicam-me que tem estado ocupado; percebo que descumpre a Lei de Vera Brandt: "Quem não ganhou a semana até o meio-dia de sexta-feira pode deixar tudo pra segunda que não vai mais ganhar."

Memória que puxa memória, tem a historinha do empresário britânico que, prestes a deixar o escritório na City para encontrar os amigos no clube para o sagrado lunch das sextas-feiras, que se prolongaria até a inevitável happy hour, recebeu um telegrama (assim chegavam as notícias naquele tempo) a informar-lhe de que numa de suas minas de ouro na África do Sul houvera um desabamento, dezenas de operários morreram, suas ações em bolsas mundo afora despencavam e urgia adotar providências. Pois ele atirou o telegrama na gaveta, trancou-a à chave e comentou com a secretária: "Oh!, Mary, lamentável; vou estar muito preocupado segunda-feira de manhã."

Receba (ufa!) um abração do

M. A.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Estranho como somos

Difícil de deixar de gostar desse indie/folk, presente no album de estreia da banda de Seatlle, Campfire OK.

Lançado nos primeiros dias de fevereiro, "Strange Like We Are" prima desde logo pela excelente produção e sonoridade das suas canções. É boa música pra começar a sexta-feira.


Strange Like We Are from Christian Sorensen Hansen on Vimeo.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

De Billie, para Lake!

Guarde esse nome: Meschiya LakePra nunca mais esquecer. Quando um dia você ouvir essa moça cantar, experimente fechar os olhos. Seu senso comum o levará para New Orleans, para uma rua cheia de negros vigorosos, com o jazz na alma.


Quando então você abrir os olhos, enxergará uma branca, de alma negra. Como Jannis. Ou uma negra de alma rigorosamente negra, como Billie Holiday. Cantando um tipo de música que nunca vai morrer. Como o nosso samba. O Jazz tem essa magia. Música de artistas da rua, de cidadãos errantes.



Hoje, quem circular pelas ruas incertas da Loisianna, pode dar de cara com os trejeitos de Meschiya Lake. Uma guria talentosa,  que aos 30, não deixa dúvida, descende diretamente de uma cepa artística que encontrou nos becos e esquinas o habitat perfeito para o seu tipo de som.

Pra fechar a noite de quinta e inaugurar o começo do fim de semana, jazz da melhor qualidade. Vai com fé, eu garanto.

A força e o Besouro Negro

O Super Bowl é para os americanos o equivalente à final do campeonato brasileiro de futebol. Um evento de massas, que reúne milhares de pessoas nas arquibancadas e milhões de telespectadores nos Estados Unidos e pelo mundo todo.

Claro, um evento assim é disputado “a tapas” pelas agências de publicidade, para a veiculação de novos comerciais ou para o lançamento de novos produtos. O custo é alto, mas o retorno é garantido.

Pois, foi exatamente o que fez a Volkswagen, no Super Bowl deste ano, que rolou no domingo passado. Ela pagou caríssimo para levar ao ar dois comerciais de 30 segundos: um, exclusivo para a América do Norte, mostrando o novo Passat. O outro, para o mundo todo, marcando o lançamento do novo Fusca 2012.

O primeiro filme foi produzido com a ajuda da Lucas Film Ltda, a companhia do cineasta George Lucas. Por isso mesmo, a história e a trilha sonora remetem a um episódio de “Guerra nas Estrelas”. Um garotinho, vestido de Darth Vader, tenta sem sucesso invocar “a força”. Até que encontra com o novo passat na garagem. A versão de 30 segundos é boa, mas a de um minuto é muito melhor. Confira aí:



O outro filme mostra a aventura de um besouro negro, turbinado e soberano, na floresta. A trilha sonora inclui uma nova versão do sucesso "Black Betty", do grupo Jon Spencer Blues Explosion, um trio novaiorquino de rock alternativo, que faz imenso sucesso por lá. O filme é genial.Olhe só:

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Volta pra casa e volta às aulas

por Mariza Poltronieri*

Há um sentimento que toma conta de muitas pessoas no retorno das férias familiares. Enquanto o fim de ano se enche de uma expressa melancolia por encerrar um ciclo, a sensação de não ter concretizado tudo, o recomeçar vem cheio de energia, com vontade de novidades, mesmo que esteja tudo no lugar de sempre.

Este vigor nos faz ter novas idéias, a busca de uma real mudança.

Percebemos também que as crianças, em seu progresso escolar, afinal passaram de ano, estão com a corda toda, animadíssimas por saber quem irão encontrar na nova série, na nova turma. Sempre tem um amiguinho novo entre os iguais, o material escolar segue a moda da hora, o uniforme não vem com os rasgados da guerra do ano anterior. Estão tinindo com as cores da escola.

Se tudo parece tão renovado, porque não mudamos o comportamento alimentar com nossos pequenos? Sei que a falta de tempo se mistura com a preguiça, mas é possível fazer lanchinhos deliciosos e saudáveis para agradar o paladar e a saúde das crianças.

Vai ser divertido e alegre fazer. Afinal, sempre queremos o melhor para nossos filhos, para isso trabalhamos e ficamos com o tempo reduzido. Então, todos para a cozinha para preparar um ícone do desejo alimentar infantil: O Senhor Hambúrguer. Agora repaginado, de um jeito bem saudável.

Hambúrguer Feliz

Ingredientes:

• 500 g de patinho moído duas vezes
• Sal a gosto
• ½ noz-moscada ralada na hora
• 2 dentes de alho picado
• Fatias de pão integral ou pão bolinha integral
• 200 g de queijo cottage
• 1 unidade de cenoura ralada
• 1/2 colher de chá de mostarda
• Alface crespa picada (o necessário)
• Tomate em fatias (o necessário)

Modo de preparo:

• Misture o cottage, a cenoura, o sal e a mostarda. Misture bem.
• Em um recipiente coloque a carne moída, o sal, a noz-moscada, o alho e a salsinha. Misture bem e modele os hambúrgueres.

OBS: Use uma tampa de vidro para conserva para modelar. Basta fazer bolinhas da carne temperada, colocar entre duas folhas plásticas e apertar com a tampa. Os hambúrgueres sairão todos iguais. Você pode congelar depois de modelar.

• Em uma frigideira quente, leve para grelhar os hambúrgueres.
• Toste os pães um pouco.
• Monte o sanduíche: uma fatia de pão, o cottage com cenoura, depois a alface, o tomate e por último o hambúrguer. Sirva em seguida.

*Mariza Poltronieri é culinarista em Maringá, PR. E tem espaço garantido aqui, para escrever sempre que quiser, sobre alquimia gastronômica. Ou, sobre o que ela desejar.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Margot visitou Neruda

Hoje, foi dia de encontros. E despedidas.

Minha comadre Margot, às primeiras horas desta segunda, me mandou um e-mail. Foi ao Chile. Ela e o Mané Marinho (um poeta ao alcance das mãos – porque os poetas parecem sempre estar longe. O Mané, não) foram ao Chile.

Havia qualquer coisa lá que envolvia teatro e poesia. O Mané é poeta e artista de teatro. Então acho que foi isso. Lá se foram os dois.

Margarida, que é uma das mulheres da minha vida, é também apaixonada por Neruda. Fico imaginando-a, por lá. Isla Negra. Poesia. Os versos. As paixões. Os vinhos. Foi tanto e tão intenso, que Margarida escreveu. Escreveu muito e lindo. Como eu sei que ela sabe escrever.

Hoje, foi dia de reencontro e partida. Soraya ligou. Estava triste pela partida. Uma pessoa muito próxima se foi, a cunhada dela. Soraya não costuma ligar. Ligou porque precisava. O irmão dela perdeu a companhia. E vai ter que encarar a vida assim. Pedi a ela que segurasse a onda. E que quando fosse possível, sorrisse. A vida segue e a gente ainda vive.

Hoje, foi dia de sintonia. A Lu me escreveu pra dizer que a vida não anda fácil. E que, apesar de tudo, está dando um jeito de achar coragem pra mudar. Ela sabe aonde vai. Ela sabe o que quer. E ainda que seja o desconhecido, acho que vai conseguir.

Hoje, foi dia de pedir calma. Mara falou dos desafios, das inconseqüências, das incertezas, do despreparo de quem tem que informar. E no meio de tudo, ela viu a dor de quem não teve tempo de casar. A amiga de trabalho que perdeu o noivo, num acidente de moto. Mara viu a morte de perto. E eu pedi um limite. Porque alma alguma suporta a dor sem fim.

Hoje, desencontrei-me dos meus amigos. “Los quatro amigos”. Eles estiveram lá, em volta da mesa. E viram o meu lugar vazio. E porque o tempo é outro, também o Dom Francisco não estava lá. Pedi que compreendessem. Não foi preciso. Eles sabem.

Hoje, enquanto eu tomava um vinho, pra completar a virada dos ponteiros e terminar esse dia intenso, pensava em todo mundo que passa pela minha vida. Pensava nas minhas paixões, nas minhas saudades, nas companhias. Hoje, os homens e mulheres da minha vida estiveram em mim. E me achei inteiro.

Hoje, se Deus me permitisse, assinaria Pablo.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Deolinda, o Fado renovado

O "Deolinda" é um dos mais expressivos representantes da nova geração do Fado, em Portugal. O que eles fazem equivale a uma revolução nos costumes. Acrescentam bom humor e irreverência à tradição lusitana.

Ao invés de lamentos ou temas sombrios, a alegria e a leveza de um fado renovado, que nos leva a querer dançar. Não à toa, o grupo virou mania entre os apreciadores da world Music na Europa. Amália Rodrigues deve estar revirando na cova, diante da voz límpida e da alegria juvenil de Ana Bacalhau (não, não é piada de português. A vocalista do grupo se chama Ana Bacalhau).

No clipe aí embaixo, o Deolinda interpreta "Um contra o outro", música que faz parte do novo disco: Dois selos e um Carimbo. Delicioso, pode confiar!

Pássaro noturno, beleza espacial

Do alto da Estação Espacial da NASA, o astronauta olha pra baixo e enxerga a terra. Naquele exato momento, lá embaixo, as poderosas lentes da estação permitiram que ele enxergasse um pássaro noturno. E por ser noite, o pássaro estava iluminado.

Curioso, quis saber mais sobre aquele pássaro e descobriu que ele se chama Brasília. Descobriu que ele é fruto da imaginação humana e do esforço de milhares de trabalhadores. E que aquela luz própria, por vezes, se apaga. Mas o pássaro nunca perde a beleza.

Brasília. Na visão do astronauta, uma imagem inconfundível. Pousada entre o Parque Nacional, o Lago Paranoá e imensas plantações de soja. É bom saber que alguém, lá no alto, nos enxerga assim. É bom saber que a beleza da imaginação e do esforço humano transcende o espaço e ainda assim, permanece bela.

O novo cinema está chegando

Daniel Ribeiro, de camisa amarela, e sua troupe 
Alvíssaras! O cinema brasileiro comemora a entrada em cena de uma nova geração. Gente de cabeça arejada. Gente sem medo de experimentar. Gente como Daniel Ribeiro, um guri de 29 anos e muita habilidade para tratar de temas complexos.

Daniel é formado pela Escola de Comunicação e Artes, da USP e tem no currículo dois bons filmes: Café com Leite e Eu não quero Voltar Sozinho. O primeiro foi feito em 2007 e cumpriu uma carreira vitoriosa, ganhando muitos prêmios aqui e lá fora. Entre eles, o Urso de Cristal de melhor curta metragem no 58º Festival de Cinema de Berlim (2008) e o Lente de Cristal de melhor curta metragem no 12º Brazilian Film Festival of Miami (2008).

O seu segundo filme, realizado em 2010, conquistou quatro dos principais prêmios do 3º Festival Paulínia de Cinema e, mesmo sendo um curta, promete ter vida longa o suficiente para transpor oceanos e trazer mais prêmios que ajudem a compor a nova história do cinema brasileiro.

O filme está aí abaixo. Tem 17 minutos de duração. Mas eu garanto que você não vai despregar os olhos enquanto não chegar ao fim da história. Então, como diría o velho e bom Odorico Paraguassú, "deixemos dos entretantos e passemos aos finalmentes". Com vocês, o melhor do cinema brasileiro da nova geração. Bom filme.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Réquiem para Maria

Eu estava à mesa da cozinha com o Bi e a Mara. Já tinha feito o meu último post do dia. Já tinha corrido meus quatro quilômetros na esteira. Já tinha visto a Mara  fritar um filé. Já estava tomando a minha taça de vinho.

O dia de ontem já era quase hoje. Quando a manchete do Jornal da Globo mostrou uma cena de Marlon Brando e Maria Schneider, que eu só vi de relance e fiquei tentando adivinhar o que tinha acontecido.

Gritei, o Marlon Brandon morreu. A Mara me corrigiu: Ele já foi, faz tempo. Putz, então, então... Então faz 40 anos de "O Último Tango em Paris". Não, pensei... 1972... 40 anos vai fazer no ano que vem. Putz. Então, morreu a Maria Schneider! Bingo. Morreu.

Corri pro computador. E ele, frio, me confirmou: Ela morreu de câncer, aos 58 anos de idade.

Maria tinha 20 e vivia no mesmo apartamento de Brigite Bardot quando foi descoberta por Bernardo Bertolucci, que a fez contracenar com Marlon Brando em O Último Tango em Paris. A história do filme era banal: Uma relação breve e ardorosa entre uma adolescente e um viúvo americano de passagem por Paris.

O filme, que passou um bom tempo proibido no Brasil, tornou-se uma referência da ousadia dos anos 70, sobretudo por causa de uma cena em que os dois faziam sexo anal. O mundo assumiria para sempre uma excêntrica ligação entre a mateiga e o sexo.

Maria Schneider transformou-se em ícone sexual e pagaria muito caro pela ousadia da cena. Sua carreira praticamente sucumbiu. Nos anos seguintes, salvo em excepções como Profissão: Repórter, de Michelangelo Antonioni (1975), ou Violanta, de Daniel Schmid (1977), só lhe ofereceram papéis semelhantes ao de O Último Tango.

Mais tarde, numa entrevista, Maria Schneider diria ter "perdido sete anos" da sua vida, entre drogas, overdoses, uma tentativa de suicídio e um internamento numa clínica psiquiátrica em Roma. Escalada para um dos filmes de maior sucesso de Luis Buñuel, "Esse obscuro objeto do desejo", não segurou a onda e foi demitida. Depois, virou militante feminista e continuou a aparecer no cinema e na TV, quase sempre em papéis secundários. O seu último filme foi Cliente, de Josiane Balasko, em 2008.

Maria morreu. Mas a cena em que ela e Brandon dividem prazer e dor vai ficar para sempre no imaginário de cada um de nós. Sobretudo, no imaginário de todo aquele que um dia rompeu os limites da censura para aprender a ver o mundo sob o prisma da modernidade, da quebra de tabus, o sexo livre. Eu fui um dos que não deixou de espiar o mundo pela janela do último tango em Paris.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Maresia

Vagas que não me lembro
risco de virar pó

Melhor é andar bem junto
que o risco de ficar só

fim no limite da linha
água de sal mareia
pedra de mar
marinha

Filminho de animação pra completar esse dia cheio.


Eatliz - Lose this child animation music video from Eatliz on Vimeo.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

No ninho do Urubu


 *Ilustração de Quinho, para o Jornal O Estado de Minas

Ronaldinho desambarca hoje, oficialmente, nos campos brasileiros. Vai vestir a mística camisa 10 do Flamengo. A mesma que foi imortalizada por Zico, o Galinho de Quintino.

Não se espera aí uma substituição de paixão. O flamenguista juramentado não aceita paixão passageira. Amor desses, não se troca assim. Ao Zico, o que é de Zico. Uma história eterna, de superação e sucesso, de um tempo em que o futebol era mais romântico e menos business.

A Ronaldinho, deseja-se que ele seja iluminado. Do mesmo jeito que já foi um dia. E que brilhe por aqui, senão tudo, pelo menos parte do que já brilhou nos campos europeus. Encerrar a carreira vestindo a amarelinha da seleção e disputar uma Copa do Mundo em solo brasileiro é a meta dele. Alcançar essa meta, são outros quinhentos.

Short Cuts

Formigueiro
Circulei pela Esplanada dos Ministérios, ontem. Passei em frente ao Congresso Nacional. Não havia espaço para mais carros. Havia um burburinho típico dos dias de estreia. Quase um formigueiro humano. De quatro em quatro anos, Brasília é assim. Velhos líderes inaugurando a última fase da vida. Novos líderes inaugurando ternos, sapatos e broches dourados de deputados e senadores. O Brasil espera muito deles. Eles esperam muito do poder.

Bravura Indômita
Fui visitar Marco Aurélio no estaleiro hospitalar. Uma diverticulite o tirou de cena por uns dias. Mas só por uns dias. Impaciente com o que ele considera "um longo tempo de molho", angustiado por estar logo nas lides jornalísticas, Marquinho não se contém. Quando a moça que mede a pressão sai do quarto, ele pula da cama, calça os chinelos e sai pelos corredores do hospital, lépido e faceiro, arrastando a traquitana que carrega o tubo de soro. Não haverá dia morno enquanto ele permanecer por lá. Há pouco, ao telefone, ele me disse: "Maranhão, hoje à tarde eu saio". Bravo Marco Aurélio. Você faz falta aqui fora.

Calvário alimentício

Meu pai, seu Viegas, não esconde de ninguém: adora uma comida temperada, carne gorda, fartura e exagero gastronômico. "Na nossa idade, é o grande prazer que temos. Sem isso, a vida não vale mais nada", diz ele como se estivesse sempre correndo contra o tempo. Besteira. Mas o Viegão enfiou o pé na jaca, nas festas de fim de ano e passa por um período de dieta rigorosa.

"Gordura zero" é o lema da Dona Isabel, minha mãe, guardiã incorruptível das orientações médicas. Encontro com ela e ele. E aí, pai, como estão as coisas? Pergunto. Ele faz cara de maior abandonado e diz: "Estou aqui, definhando." Não aguento e solto uma gargalhada. Ele mesmo se dá conta e ri também.

Dona Isabel, relata: "Teu pai está impossível. Se faz de lerdo e sai comendo coisas que não deve. Quando eu vejo, está com a boca cheia. E sempre vem com a desculpa - "Esqueci... Não podia, né? Mas agora já foi, só um pedacinho." E assim ele segue seu calvário gastronômico. Prometi pra ele um bom assado de costela e vinho. Assim que a saúde estiver recuperada. Sem exageros. Mas com muito prazer.

Secret Heart
Pra terminar, uma balada do músico e compositor canadense, Ron Sexsmith. Ele está na estrada desde muito cedo. Tinha 14 anos de idade quando começou a fazer canções que desde lá são admiradas pelo público, pela crítica e por artistas famosos, como Paul McCartney e Elvis Costello. Hoje, aos 46 é uma estrela de brilho próprio. Ouça a balada Secret Heart, um dos primeiros sucessos do cara em 1994, e uma das canções que fez a cabeça de Elvis Costello.


Nunca antes ....

Nunca antes na história dos Faraós se viu um movimento popular como o que se vê agora no Egito. Milhares de pessoas estão nas ruas pedindo a saída do presidente Mubarak. Uma manifestação fruto de um longo período de governo: 30 anos de poder.

Se nada acontecesse e ninguém se manifestasse, esse poder passaria de pai para filho por tempo indefinido. Os riscos de uma convulsão social são grandes. Aquela é uma zona de conflito eterna. O que muita gente teme é que se saia de uma ditadura familiar e se caia em uma ditadura fundamentalista.

Em meio a essa guerra por mudanças, a comunicação através da internet tem sido uma arma valiosa. O governo censurou a internete, as ligações por celulares, os jornais e as rádios. Mas a juventude insatisfeita encontrou formas de fazer chegar ao mundo as imagens dos protestos, da violência policial, dos conflitos.

Graças a isso, estão contendo a interferência violenta dos órgãos de segurança e conseguindo chamar a atenção do mundo inteiro para os problemas do Egito. Na foto lá em cima, postada originalmente na Coluna do Cláudio Humberto, um manifestante protesta contra a censura à internet, usando símbolos conhecidíssimos na rede mundial para compor o nome do seu país: Egito.