sábado, 31 de agosto de 2013

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O peixe vivo


Foto de Marcos Amend

O tempo no nordeste é inverno. As nuvens de chuva ficam ali, olhando pra  a gente, como quem diz: Põe o pé na rua que eu deságuo. Mas, nem isso soa como ameaça. Neste lugar, as horas começam cedo, passam como lesmas em pedra nova, sem compromissos de chegar. Tudo aqui carrega um pouco de poesia.

Visto meu tênis, ponho o calção e vou correr na praia. O mar aberto e a ausência de gente me faz achar que sou dono do meu tempo. O mar reduz a margem de areia e amplia o horizonte da mente. Avança sob meus pés, brinca comigo uma brincadeira de vai-e-vem. E eu me distraio. Corro por prazer e alegria. Não sinto dor no corpo, mesmo fazendo mais força pra correr.

De repente, vejo algo saltando num balé de alegria (ou desespero). Me aproximo e vejo um peixe novo. Se fosse gente, teria só uns dezesseis anos, um adolescente. Tem os olhos bem abertos, pula como se quisesse alcançar o mar, mas está na areia.

Me dou conta de que a euforia dele tem um quê de desespero. Veio numa onda que o deixou e foi-se embora, antes que ele (o peixe novo) pudesse entender o risco que corria – ficar sozinho, fora d'água. Não custo a perceber: Aquele peixe foi enganado por um drible do mar. A brincadeira virou risco de vida. E eu, sua única chance de sobrevivência.

Me aproximei, tomei-o nas mãos e ele se acalmou. Caminhei em direção ao mar. E num gesto, devolvi-lhe à vida. Antes de seguir, o peixe ainda saltou duas vezes – acho que ele não acreditava ter uma segunda chance. Se fosse um adolescente teria dito: "Valeu, tio!"

A poucos metros dali, depois de uma ponta de areia, um pescador em sua rede de pesca nas costas contemplava o mar. Impávido. Com se ouvisse uma sinfonia silenciosa. Com um olhar cúmplice e respeitoso, de quem entende - existe hora certa para lançar-se ao mar.

Como se soubesse, ali brincam peixes adolescentes. Desses que, por vezes, se arriscam a tomar um drible do mar e acabam ficando fora d'água. Eles, os peixes novos, ignoram que sair do mar também exige ciência. Vez por outra, um encontro casual devolve à vida os mais ousados. Hoje, foi comigo. Deu peixe em minhas mãos. Na rede do pescador, não. 

P.S.: A foto que ilustra este texto foi gentilmente cedida por Marcos Amend. Tendo oportunidade, visite a página dele e descubra um belo trabalho de fotografia que ele faz.  

Nenhuma palavra de amor


Em 1998, Maria Teresa e Enrique viveram uma briga de casal. A briga resultou em uma separação de uns poucos dias. Nesse tempo, Teresa que estava em um apartamento de uma amiga, ligou desesperadamente em busca de um contato com Enrique. Ela fazia perguntas e esperava respostas que não vinham nunca e a deixavam cada vez mais angustiada. Até que, em uma das ligações, Enrique atende. A vida segue sua rotina. 

Niño Rodrigues
Quinze anos se passaram entre esse episódio da vida real acontecer e a fita cassete em que os recados ficaram gravados fosse resgatada por um jovem diretor de cinema argentino, Niño Rodrigues, num mercado de antiguidades. A secretária eletrônica que Niño comprou trazia uma fita cassete com os originais da sequência de recados.  

Com a matéria prima nas mãos, Niño imaginou um roteiro e realizou um curta-metragem. São 8 minutos da história que se tornou um sucesso mundial. O filme, "Ni una sola palavra de amor" já recebeu nove prêmios, tem uma carreira promissora pela frente e, postado no início do mês no You Tube,  já foi visto mais de 900 mil vezes. 

Andrea Carballo, em cena, no filme. 
Andrea Carballo interpreta uma Maria Teresa de forma magistral. Angustiada, raivosa, carente, esperançosa, decidida, insegura, ardilosa, dissimulada. A direção é limpa e equilibrada. A montagem tem ritmo e bons cortes. A trilha é perfeita. A história é magnífica. Eis a receita para um filme vencedor. 

Maria Teresa e Enrique, hoje.
A vida segue entre ausências e compreensões.
Depois do furor causado pelo filme, uma repórter do Jornal O Clarin, de Buenos Aires, encontrou o casal, que ainda está junto e vive em uma área rural de Mar del Plata. Numa rápida entrevista, Teresa conta que demorou a perceber que se tratava de um diálogo íntimo entre ela e seu marido. Que riu muito e que surpreendeu-se com a súbita popularidade que ganhou, depois do episódio. (Leia a entrevista completa aqui.) Do anonimato ao estrelado foi um pulo. Talvez, pela genialidade da solução encontrada por Niño para fazer o filme. Talvez, porque a história de Maria Teresa e Enrique seja igual a de milhões de casais espalhados pelo mundo. Quem sabe...

Gaste oito minutos e não se arrependa. O filme, a história, a interpretação, tudo vale a pena. 


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Dia de Ingrid

Ingrid Bergman nasceu e morreu em um dia 29 de agosto. Uma grande mulher, um mito do cinema. Digna da música com a qual ficou mundialmente conhecida, numa cena do filme Casablanca, em que contracenava com Humphfrey Bogart. As Time Goes By, porque hoje é sexta.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Meus eus

O presente. Duas caixas em uma. Nuca e Viegas.

Meus dias de Nuca Viegas ganharam forma real. 
Vieram em uma caixa de correio, cuidadosamente embalada.
Dentro, mais do que um presente, um pedaço de minha alma.

A caixa do Nuca.
Baladeira, balas, pastilhas, jujubas e chicletes. 
Caixa do Viegas.
O vinho.
A caixa contém outras duas caixas dentro. Minhas duas porções. Meus eus
De um lado, um menino, Nuca, guardado em memórias de pastilhas doces, balas chita,
jujubas e baladeiras. (Baladeira é como se chamam os estilingues em minha terra).
Ao lado do menino, o homem feito, espelho do tempo, em outra caixa.
Viegas, vinho, guardanapo de taça, sabor para ser degustado em conjunto.

Nuca Viegas é a síntese do que sou.
É como carinhosamente minha mãe costuma me chamar
quando ela está feliz. A partir de aqui, é também a forma de 
aguçar a minha memória para a virada que o tempo me impõe, aos 51.

Outra escala se inicia. Outra ladeira 
(que, dependendo do ponto de vista, pode alternar subida também).
Como na música de Milton Nascimento:

Caminho por uma rua 
que passa em muitos países, 
se não me vêem, eu vejo 
E saúdo velhos amigos! 

De quebra, recebi um outro presente, um amigo imaginário (que eu creio, deva existir de verdade). Kiko/Cláudio. O fazedor de estilingues ( as baladeiras, lá no meu Maranhão).
Foi ele quem fez a minha baladeira. Com forquilha de goiabeira (que é a melhor),
e com borracha de pneus (dessas raridades que não se encontram mais por ai). 
Guardadas as proporções, ganhei a "Ferrari" das baladeiras. 

Kiko é obra de pesquisa. Fabrica baladeiras e organiza jogos de pontaria. 
Zela com tal zelo o menino que habita o Cláudio (seu alterego) que os torneios, lá em Maringá, se multiplicam em números e participantes - quem poderia imaginar isso,
em pleno Século XXI?

Espero conhecê-los (Kiko e Cláudio) e agradecer pessoalmente.
O presente, o relicário, o resgate da criança em mim.

Há um menino, há um moleque...
A minha baladeira está no pescoço.
O presente, obra de Mariza Poltronieri, minha amiga, mais amiga nessa vida, 
está bem cuidado, no real e no imaginário. 
Que maravilha é viver!

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Inútil Paisagem

Começando a segunda-feira em boa companhia, com Esperanza Spalding e Gretchen Parlato, cantando Jobim. Inútil Paisagem.

domingo, 18 de agosto de 2013

Um amor brasileiro


Um Rio que não está mais lá. Um história que pouca gente sabia ter acontecido. Uma mulher forte e decidida. A outra, contida e repleta - de poesia. Duas mulheres surpreendentes. Um amor surpreendente, ousado, sensível e inovador. Um filme brasileiro, com sotaque americano, que nem por isso lhe tira a brasilidade . Uma mistura com jeito de combinação, dessas que vieram para dar bem certo.

Bruno Barreto
Bruno Barreto resgatou uma história esquecida em alguma gaveta do tempo. Aconteceu aqui, no Brasil,  entre os anos 50 e 60, em meio a um período de mudança de rumo político que marcaria o Brasil por várias décadas. O lapso de tempo que marcou a triste passagem da democracia para a ditadura militar feriu profundamente a liberdade. Mas nem isso impediu uma intensa história de amor acontecer. Flores Raras é mais do que um filme sobre um amor homossexual. É um filme de amor e poesia.

Bishop e Lota, na vida real.
Um amor entre Lota de Macedo Soares, no filme vivida magistralmente por Glória Pires, uma arquiteta sobre quem, confesso, eu pouco ou nada sabia, e Elizabeth Bishop, interpretada pela australiana Miranda Otto, uma poeta americana, que floresce para a poesia e para o mundo enquanto viveu seu grande amor brasileiro.

Glória e Miranda, em cena, como Lota e Bishop
Um belo roteiro, uma direção de arte impecável, uma trilha sonora encantadora. É filme que pormete ter uma trajetória vencedora. Se tiver chance, não deixe de assistir.

Manoel de Bosco

reprodução da capa do Caderno Diversão e Arte
Correio Braziliense deste domingo

Corro os olhos ávidos de notícia pelo jornal. Mortos no Egito. Dilma escolhendo novo procurador. Falta de água no Lago Norte. Sampaio Correia contra o Braziliense, no Serejão. Política, economia, polícia... Lá fora, um domingo cinzento. Dor nas costas e relatório por fazer. O domingo vai ser cinzento.

Até que meus olhos batem na capa do Caderno Diversão e Arte e dão de cara com Manoel de Barros. Aflição gostosa. Meu peito se enche de alegria e prazer. A poesia de Manoel e o domingo se ilumina. A velocidade dos olhos fica mais lenta. Um deleite visual ver o meu poeta "velhinho" de corpo inteiro e sorriso largo, na capa do Correio.

Como quem bebe um licor raro, percorro o texto e me surpreendo outra vez. Quem assina a matéria? Bosco Martins. Dupla alegria. Manoel escrito por Bosco. Uma ponte imaginária nos liga, os três. É bom reencontrar amigos. Ainda que assim.

 O texto cheira a domingo. A alma lavada. Caprichos da natureza poética. Valeu, Bosquinho. A bênção, poeta. Que  seu domingo seja de luz e cor. Como o meu acaba de ficar.

Querendo ler um pouco mais da reportagem, clic aqui.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Olhar de fotógrafo

Um olhar perdido no tempo

Higa, nos velhos
tempos.
(Arquivo pessoal)
Corria o ano de 1971. Roberto Higa era só um jovem fotógrafo, mas já trazia na alma o dom de registrar em foto o que o mundo lhe pusesse à frente. Usava a máquina (como usa até hoje) como extensão do seu corpo. As fotos do Higa tem a digital dele. Desde aquela época.

São como texto escrito em forma de imagem. Carregam dor e alegria, aventura e emoção, cotidiano e raridade, com a mesma leveza, com a mesma magia. Higa, o poeta da imagem, o lambe-lambe indomável, o fixador das horas, o guardador da memória no relicário impessoal do tempo.

Eis que, lá um dia, na redação do Jornal Diário da Serra, chega a notícia de que um acidente de carro vitimara uma família de agricultores. Eles vinham do Paraná, de muda para os campos de Camapuã. Buscavam uma nova vida. Encontraram a tragédia no meio do caminho. Do acidente em que todos os adultos morreram, restara uma menininha, que deveria ter não mais do que três ou quatro anos.

A menina, o olhar, o passado mais presente
do que nunca, a pergunta ainda no ar.
(Foto Roberto Higa - 1971)
Ela chegara ao jornal nos braços de um policial interessado em fazer a notícia correr mundo, em busca de alguém que cuidasse e desse destino àquela menina. Higa estava lá. E fez a foto, e registrou para sempre o olhar triste e enigmático daquela criança. A redação comovida. Repórteres, fotógrafos, todos, tinham tantas perguntas e para todas, uma ausência de respostas... Uma foi atropelada pela rotina do jornal e perpetuou-se no vazio do ar: O que vai acontecer com essa criança, sem nome, sem casa, sem endereço, sem família?

O jornal, clic. A polícia, clic. A menina, clic. A redação, clic. O general, o político, o carro, o prédio, o campo, o pobre, o Papa, o índio, o natal, a flor, o mel, a abelha, o pasto, o boi, o ano novo, muitos natais e anos novos, o tempo passando, cli, clic, clic, clic... Higa, testemunha ocular de um mundo em transformação. Vida que segue.

Higa e a foto de 41 anos atrás.
O que foi feito dela?
(Foto de João Carrigó)
Quarenta e três anos e milhares de clics depois, numa tarde de agosto de 2013, o olhar perdido no tempo daquela menininha ainda impressiona o hoje "velho" fotógrafo Roberto Higa.  A foto de papel lhe vem às mãos e a mente voa para o passado. O que foi feito dela? Ainda é uma pergunta vazia, impregnada no ar. E os olhos da menina se confundem com os olhos orientais do Higa. Clic. Vida que segue.

Texto inspirado em reportagem de Paula Maciulevicius para o Lado B do Campo Grande News

Life is a long song


A vida é uma bela e longa música. Jethro Tull. Porque hoje é quinta.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Short cuts galísticos

Tic-tac, tic-tac ...


Os dias passam na velocidade incontrolável dos ponteiros. Tic-tac, tic-tac, tic-tac... Há dias que nem percebo o tempo passar. E ele passa, independente da minha percepção. No domingo, ganhei de presente do meu pai um livro que será lançado oficialmente amanhã. Tic-tac, tic-tac, tic-tac...

Desde domingo, tento escrever sobre o assunto sem conseguir conter o tempo. Escrevo agora, incontido, antes do lançamento do livro.

O nome é sugestivo: "Galos da Academia". Quem organiza é a Academia Brasiliense de Letras e o conteúdo, como não poderia deixar de ser, são contos e causos que envolvem galos, cercas e quintais.

O último solo do Pavarotti


Meu pai é apaixonado por galos. O conto dele está lá também. Ainda não parei pra ler o livro. Tic-tac, tic-tac, tic-tac... mas me lembro do Pavaroti, um galo cantador que ele tinha lá no quintal. Sim, "seo" Viegas gosta de atribuir nomes aos seus galos (a namorada do Pavarotti era a "Maria Callas").

Um dia, Viegão esqueceu de trancar o galinheiro. Nina, uma boxer alegre e incontida em suas graças, como o tempo, percebeu o galo solto no quintal. Correu um bom tempo divertindo-se com as tentativas de fuga do Pavarotti. Matou-o no cansaço. Que eu me lembre, foi o último (voo) solo do Pavarotti.  

domingo, 11 de agosto de 2013

A caneta


Na última viagem, perdi uma caneta tinteiro. Uma que havia ganhado de minha irmã. Foi uma dorzinha chata. Dessas que a gente não se dá conta de ter por objeto. E que só sabe que tem quando sente.

Nessas circunstâncias, a gente percebe que alguns objetos transcendem à coisa. São mais que isso. São como uma extensão da gente. No aeroporto, quando percebi a perda, liguei pro hotel. Não acharam. Liguei pro motorista do carro que nos deixou lá. Ele também não achou. Passei a viagem pensando nela. Desembarquei sentindo falta da sua escrita. Sua leveza em minha mão. Em casa, dividi a perda. Houve um silêncio solidário.


Hoje, acordei com a sensação de ter recuperado uma alegria. Coisa simples. Coisa besta. Dessas besteiras que entram no coração da gente pra ajudar a escrever novas histórias. Pai que sou, vi o silêncio da família, aquele silêncio cúmplice de antes, transformar-se em alegria de menino. Uma caneta tinteiro tem mais propriedade que a tinta que escorre em sua pena. Valeu, Mara, Mariana e Gabriel! Vocês me ajudam a escrever minha história. A nossa história.

Florence

Sunday celebrate! Florence and the Machine. Cosmic Love.

Short cuts de domingo

Álbum de Figurinhas


O jornal chegou. Dentro dele, notícias e um álbum de figurinhas. Larguei as notícias e peguei o álbum. Ao abri-lo, não sei se por sugestionamento, senti aquele cheiro de livro novo, tão comum quando a gente era criança, em começo de ano letivo. As primeiras páginas viradas dos livros novos tinham um cheiro próprio, inconfundível.

Junto do álbum, vieram os primeiros seis pacotes de figurinhas auto-colantes. Gastei um tempo colando figurinhas como fazia em criança. Mariana e Gabriel, a certa altura, me flagraram colando figurinhas no álbum. "Inorbel, você parce criança", me diz Mariana.

Sim, filhos. De vez em quando isso acontece. Cheiros, sabores, imagens tem essa propriedade de nos tirar do presente e nos levar pra algum lugar do passado. Viagem rápida, segundos apenas, mas quase sempre, recheados de uma alegria que a gente - por adulto - esquece de que ainda carrega dentro de si.

Chapinhas de ouro


Dos álbuns que tive em infância, o "Chapinhas de ouro" é o que me traz mais lembranças. Primeiro pela característica das figurinhas. Elas eram pintadas em chapas de metal. Pesavam muito e eram uma novidade tremenda quando surgiram.

Era uma época em que tudo servia para motivo de coleção. Futebol, marcas famosas, signos, profissões... Até o chamado "Milagre Brasileiro", período em que o ufanismo corria solto resultava em figurinhas para coleção. Os álbuns traziam os símbolos nacionais, os ministros (sim, eles eram tão poucos e passavam tanto tempo no exercício do cargo, que dava tempo de fazer álbum de figurinhas com o nome e a imagem deles).

Não me lembro nunca de ter completado um álbum. Algo comum aos dias de hoje. Não vou completar esse que me chegou às mãos agora também. Mas a missão dele, estender uma ponte entre o passado e o presente já está plenamente cumprida. Tem repetida, pra trocar?

Shiver

Lucy Rose. Pra começar o domingo. Shiver.

Um pouco, doe só um pouco

Nos meus tempos de adolescente, o Supertramp era uma banda mágica. Give a Little Bit, uma canção de amor que falava em doação e que me emocionava. A voz de Roger Hodgson, líder da banda, permanece gravada em minha mente, como naqueles tempos.

Hoje, mesmo quando a Coca-cola se apropria da canção em seus comerciais de TV, mesmo assim, ela não perde a capacidade de emocionar. Volto no tempo, fecho os olhos e fico com o original. Um pouco do amor doado volta como se fosse novo. Como se fosse hoje.

sábado, 3 de agosto de 2013

Hobbits no ar

Celso Grecco me escreveu faz pouco e eu divido com vocês:


Maranhão, 

Você postou sobre a British Airways naquele comercial maravilhoso. Olha aqui o vídeo de bordo da Air New Zealand. Para promover o país como destino de Turismo, aproveitaram a fama do filme Hobbits. O filme passa de verdade nos vôos da companhia.

abs!

Ahorita, otro Oscar a los hermanos*

Juan Jose Campanella
Juan José Campanella é certamente o mais famoso diretor de cinema argentino. Das mãos dele já nasceram filmes premiadíssimos como "O segredo dos seus olhos" (vencedor, em 2010, do Oscar de melhor filme estrangeiro) e "O filho da noiva", dois dos maiores responsáveis pelo reconhecimento mundial da boa qualidade do cinema dos nossos hermanos.

Agora, Juan e os argentinos tem um motivo a mais para celebrar. Há poucas semanas chegou às telonas o filme "Metegol", uma animação cujo tema principal é outra paixão nacional: O futebol.  Mais de um milhão de argentinos já assistiram a história de um time de totó (pebolim) que ajuda um jogador a acertar as contas em uma partida de futebol.

Cartaz do filme, que no Brasil vai se chamar:
"Um time show de bola"
O filme, inspirado no conto "Memórias de um ponta-direita", de um respeitado cartunista argentino, Roberto Fontanarossa, deve chegar aos cinemas brasileiros em novembro, mas já é considerado um dos dez mais importantes do cinema argentino pela qualidade dos efeitos e pela riqueza da história.

É razão suficiente para acreditar que a Argentina vive um momento especial. Se depender de torcida e de reza, já, já pinta outro Oscar para os hermanos*.  É bom não nos esquecermos que de futebol e fé, o Papa Francisco (também argentino e torcedor declarado do San Lorenzo) entende muito.

Meninos, eu vi!


por Innocêncio Viégas *
Viegão em sua Harley

Um desfile de motos incomparável. Cada uma delas, mais bela que as outras. Melenas que fogem dos capacetes querendo sentir a brisa, ondulam no horizonte das estradas, e, quando soltas, desabafadas, enamoram a todos os olhares invejosos daquela vida sem freio de mão, dos anjos da velocidade.

As motos invadem a Ponte JK
Brasília se engalanou para sediar o que foi o maior evento sobre duas rodas – às vezes sobre três – da América Latina. Aproximadamente 320.000 pessoas apaixonadas pela Liberdade momentânea, tinham no rosto todos os ventos, e nos ouvidos, o sussurro inebriante de todos os roncos de potentes motores. Isso sim é que é ter prazer.
Quantas saudades meus companheiros, irmãos e amigos. Ah! Eu também, nos meus vinte anos, senti na alma o que é “cavalgar” um Rocinante de Aço. Saudades eternas. O deslizar–nas estradas, nas ruas das cidades e dos povoados acolhedores–nos proporciona ver ao longe o infinito que se projeta, e nos convida a vencer tamanha distância.

Viegão e Isabel - Easy Riders
Nesses dias de congraçamento, passeei no pavilhão do estacionamento entre as “possantes”, matando a saudade da minha modesta BSA de tantas aventuras. E quando eu estiver conversando com os meus netos, e eles falarem sobre motos e me contarem suas aventuras, aí lhes contarei deste encontro inesquecível, e igual ao velho Timbira do poema I-Juca-Pirama de Gonçalves Dias, lhes direi saudoso... meninos, eu vi.


Innocêncio Viégas * Escritor, teólogo, membro da Academia de Letras de Brasília, da Academia Maçônica de Letras do DF, da Academia Maçônica Internacional de Letras e da Ass. Nacional dos Escritores (ufa!!!) e apesar de tudo isso, ainda lhe sobra tempo pra ser meu pai.