terça-feira, 30 de abril de 2013

Para Carol

Minha sobrinha, meu chapéu!
Ela tem estilo.
Carol, minha sobrinha, faz aniversário no mesmo dia que meu filho, Gabriel. Revendo o Blog, encontrei uma postagem de dois anos atrás, em que eu falava dela. Carol cresceu um pouco mais. Agora tem dez anos. Mas a carinha continua a mesma. E o estilo, cada vez mais apurado. Republico ai embaixo o texto que encontrei. Com todo o meu carinho. Feliz aniversário, Carol.


Caroline quando crescer

Caroline, hoje.

Corinne, hoje. Quem sabe, Carol - quando crescer.
Carol, filha de Isabel, minha irmã,cortou cabelo. Não sei se a negociação foi dura ou não. Mas ela que já era lindinha com os cachos compridos, ficou mais linda ainda, com os cachos curtos. O fato é que lá pelas tantas a Isa disse que ela havia ficado parecida com uma cantora inglesa, a Corinne Bailey Rae.

Carol olhou a imagem da moça e se convenceu do "parecimento":
- É mesmo, né mamãe! Tem foto dela pequena?

Não, não tem Carol. Mas quem sabe, olhando assim, a gente já tenha uma noção de como você vai ficar quando crescer, viu!

Pra comemorar esse raciocínio ingênuo e delicioso, curta aí a "Carol crescida", cantando um dos seus grandes sucessos.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Meu pequeno grande amor!

Gabriel, moleque arteiro do jardim de infancia.
Não faz muito tempo, meu filho era só um moleque arteiro. Gabriel é desses que gosta de fazer diferente do combinado. Nas peças de teatro da escola, por exemplo, ele sempre dava um jeito de voltar depois que a cena terminava, fazia uma macaquice e arrancava risos da plateia. Invariavelmente.

Macaquice 1: ele é o primeiro da esquerda pra direita (calção preto e verde).
Fazendo macaquice na piscina
Acho que isso, de fazer macaquice, tem a ver com a vida dele. Quando ele chegou, levei um susto. Levamos, todos, melhor dizendo. O parto normal estava combinado. Mara nem queria anestesia de tão tranquila que estava, mas terminou topando uma peridural. O médico errou e fez uma raquidiana, sem que ninguém ali soubesse. O parto foi tenso. Ele nasceu brigando e sorrindo.

Não esqueço a primeira frase que a Mariana disse ao vê-lo no berço, com os olhos espremidos pelas primeiras risadas involuntárias: Ele é japonês? Eu não quero um irmão japonês?

Por um tempo, o Bi chorou muito, nos primeiros meses. Desconfio que estava escrito que iria sorrir muito mais depois, pelo resto da vida. Dai, as macaquices. São raras as fotos de criança em que ele não está fazendo uma. Do mesmo jeito que a irmã, Gabriel também se criou entre redações e equipes de TV, produtoras de comerciais e campanhas políticas.

Outdoor da escola. Sorriso e aparelho nos dentes.
Não demorou pra virar garoto propaganda de comerciais de TV e outdoors. Até spots gravou, apesar do longo período que passou indo à fonoadióloga. As palavras trocadas eram uma dificuldade, mas eram também um charme do menino.



O Bi, meu filho Gabriel, está fazendo 21 anos hoje. E é emocionante pensar nesse tempo todo que passou. Me vejo nele, ao mesmo tempo em que o vejo em mim. Ele é a composição do que somos. E assim sendo, vai construindo sua própria história.

Eu, sendo Gabriel...
... Gabriel em mim.
Das coisas dele que me emocionam, enxergo uma habilidade para a escrita, uma tendência a não se contentar com as saídas mais simples e a mesma mania de cultivar suas raízes e fazer amizades resistirem ao tempo e ao espaço. O Bi cuida dos amigos como quem rega pequenas plantas que um dia se tornam árvores definitivas. Isso, certamente, vai lhe assegurar um futuro em boa companhia.

Daniel Possari e Gabriel, em dois tempos. Na infância e hoje.
Grande amigos nunca se perdem.


Bons amigos e aventureiros.
Bons amigos e irmãos. 
Bons amigos, companheiros.
Los três amigos (Clarice, Mariana e Gabriel)
Macaquice e irmandade.
Precisou, me chame. Conte comigo, filho. 
Dos tempos de ontem, que passaram tão rápido, me lembro das noites em que cantei pra ele dormir. Feliz aniversário, meu filho! Se precisar, filho, vou seguir cantando. É só me chamar.



  

Volta por cima

Vanzolini, um homem de moral. 
Terminei o domingo sabendo da morte de Paulo Vanzolini. Morrer é o fechamento de um ciclo da natureza humana. A morte em si e inevitável. Todos o sabemos. Da mesma forma, inevitável é o lamento, toda vez que ela nos leva alguém próximo. Ainda que essa proximidade se dê apenas no imaginário.

Assim era a minha proximidade com Vanzolini. Imaginária. Uma proximidade construída desde as minhas audições ocasionais de infância. Quando o rádio era o meio mais veloz de comunicação entre os seres humanos, a nossa internet do passado.

A música de Vanzolini ocupava as ondas do rádio pela voz de grandes artistas. E nos invadia o cotidiano em canções que grudavam em nossa mente como um saboroso drops de anis. Ontem, os noticiários me fizeram recordar que, além de sambista e letrista vigoroso, Paulo era também um cientista de mão cheia. Vivia uma vida dupla entre a ciência de viver e o viver de cantar.

A morte, como disse lá em cima, nos é inevitável. No caso de Paulo Vanzolini, foi-se o corpo, ficaram as canções. Ai embaixo, o trailer do documentário "Um homem de Moral",  feito em 2009, pelo cineasta Ricardo Dias, que conta um pouco da história do autor de, entre tantas outras canções inesquecíveis, "Volta Por Cima".

terça-feira, 23 de abril de 2013

Dança profunda e final

Está perto de terminar o dia. Meus dedos percorrem a esmo o teclado. E me levam pra um vídeo de dança. Não um vídeo comum. Um em que mãe e filho dançam de verdade.

Mas era uma dança especial.
Profunda, no sentido semântico, no sentido léxico e no sentido poético da palavra.

Mãe e filho (os artistas são sim, de verdade, mãe e filho) dançam no fundo de uma piscina como se flutuassem num ambiente sem a força da gravidade. O filme, um curta metragem, foi produzido em 2010 e dirigido por  Conor Horgan. É uma alegoria de útero onde cabem em harmonia mãe e filho. Eles coabitam, e dançam, e se divertem, como se fosse a primeira dança. Ou, quem sabe, a última dança. Como se fosse pra ontem, como se fosse pra sempre.

Meus dedos me levam, uma vez mais, direto para a poesia. Desta vez, no fundo, bem no fundo da alma. E eu agradeço. Antes que o dia e a dança acabem.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Beijo sem

Segunda-feira pede beijo. Marisa e Adriana garantem. Beijo sem.

domingo, 21 de abril de 2013

Brasília - Por Leminski

claro calar sobre uma cidade sem ruínas
(ruinogramas)

      Em Brasília, admirei.
Não a niemeyer lei,
      a vida das pessoas  
penetrando nos esquemas
      como a tinta sangue
no mata-borrão,
      crescendo o vermelho gente
entre pedra e pedra,
      pela terra a dentro.

      Em Brasília admirei.
O pequeno restaurante clandestino,
      criminoso por estar
fora da quadra permitida.
      Sim, Brasília.
Admirei o tempo
      que já cobre de anos
tuas impecáveis matemáticas.

      Adeus, Cidade.
O erro, claro, não a lei.
      Muito me admirastes,
muito te admirei.


Poema escrito por Paulo Leminski durante sua visita a Brasília em 1984, após um almoço numa pensão na W3S, com Ivan "Presença", Nicholas Behr e Alice Ruiz. Paulo deixou o manuscrito com o também poeta Nicholas Behr. Originalmente, o poema foi publicado em “Tira Prosa” a revista cultural do Feitiço Mineiro, Número 11 out. / nov. / 1998.

Uma homenagem poética, no dia em que Brasília completa 53 anos de existência.

sábado, 20 de abril de 2013

O aniversário

Brasília, 53. é amanhã. Mas a imagem da cidade pede festa hoje. Então, parabéns!


sexta-feira, 19 de abril de 2013

Buena Vista

O mar, a tempestade, o sol: Buena vista!
Em João Pessoa o tempo é de chuva.
Chuva como as que me acostumei a ver, em criança, típicas do Nordeste Brasileiro. Chove um pouco. Intensamente. Uma chuva quente que seca num instante. Tão rápido quanto veio, vai-se embora.

Chuvas assim não estragam o dia.
Dão um frescor ao tempo, arejam a alma, são capazes de alterar o humor da gente, mas sempre pra melhor.

Hoje, enquanto corria, a minha corrida matinal foi temperada por uma dessas chuvas ligeiras. Os pingos em meu rosto. A água em meu caminho. A paisagem úmida à minha frente. Buena vista, me veio à cabeça, que iluminou-se de uma trilha sonora.

Pensei em Compay Segundo. Pensei numa música de Cuba que só deve existir no meu imaginário. Pensei e ouvi Chan Chan enquanto corria na chuva. Coisa simples. Chuva ligeira, que faz valer a vida.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Na chincha!

* Por Innocêncio Viégas

Innocêncio e Isabel:
Quarenta e dois passos, sobre uma lajota.
"Na chincha"!
Meus caros amigos, vocês talvez não se lembrem dessa palavra - chincha - mas no decorrer da leitura logo lembrarão.

Casei-me com a Bel em 1962 e já se passaram mais de cinquenta anos bem vividos. Eu, quando solteiro, em plena juventude, dançava vez por outra e até me saía bem. As más línguas diziam que eu chegava a fazer quarenta e dois passos de um tango, sobre uma lajota. Pura maldade, inveja da turma que não sabia balançar o esqueleto.

Bel não gosta de dançar agarradinho, diz que assim, erra o passo e eu só danço no "arrocho", "na chincha".

Passamos a vida assim. Dançamos uma vez, passamos um bom tempo sem dançar. Voltamos a dançar, e nisso, a penúltima vez que dançamos foi na comemoração das Bodas de Ouro do mano Jair Félix e da cunhada Lizete. Foi uma festa supimpa. A orquestra fenomenal. Boleros antológicos, canções eternas, tangos imortais, rumbas de Ruy Rey com o som lá do Caribe, fox-trot à moda Sinatra e a valsa vienense da coroação da festa.

Hoje, nós na cozinha preparávamos o almoço. A Bel tratava o peixe - uma corvina - e eu cuidava do vinagrete. A TV mostrava o programa da Fátima Bernardes - Encontro - e na telinha o violinista holandês André Riê, com a sua famosa orquestra.

Logo o maestro tocou uma conhecida valsa. Linda, convidativa. A Bel, sem avisar, me agarrou e já saímos dançando. Lembrei-me logo dos velhos tempos e já a "chamei na chincha".

Ela me empurrou e disse - não me apertes! Reduzi o aperto sem, soltar a prenda. E a valsa continuava e nós, bailando.

O espaço era pequeno. Estávamos entre o fogão, a mesa de jantar, algumas cadeiras, o balcão da pia com o peixe que nos olhava piedosamente, com inveja. Sobre a mesa,  cebolas, tomates, limão, cheiro verde, alecrim, a faca, a tábua onde corto os temperos, o azeite de oliva, o sal, o vinagre balsâmico e uma toalha de mão.

Nós continuávamos dançando. Mas o tempo na TV é muito curto e logo a "parte" acabou. Comemoramos.

O almoço foi divino. O peixe muito gostoso, que só a Bel sabe fazer. Servi-lhe o suco de caju. Abri uma garrafa de um bom vinho branco, seco, como manda o figurino e degustei o néctar dos deuses. O resto do dia foi maravilhoso.

Ah! Quase esqueci de lhes dizer o nome da sublime valsa: Danúbio Azul. E a nossa dança? Ora, a dança foi... "na chincha"!


*Innocêncio Viegas é teólogo, membro da Academia de Letras de Brasília, da Academia Internacional de Letras da Maçonaria, sócio fundador da Confraria dos Amigos da Boa Mesa, e especialista em tango. (Dizem as más línguas) Faz, como ninguém, quarenta e dois passos em uma lajota. É meu pai e, há mais de cinquenta anos,  marido de minha mãe, Isabel. Os dois, agora deram pra isso, de virar meninos de novo. Minha mãe não pode ouvir uma valsa na cozinha, que agarra meu pai. E sai dançando. E o velho nunca perde uma oportunidade de tentar trazer a Dona Isabel "na chincha".  

Burning Desire

Lana.
Simplesmente, Lana. Porque hoje é terça.

sábado, 13 de abril de 2013

Eu te dedico


Quando não havia internet, o mundo era menor. Pode ser. Ou, talvez, o mundo fosse do tamanho que sempre foi, mas algumas partes dele eram inalcansáveis. Com a invenção da internet, alcançar partes inalcansáveis do mundo tornou-se possível, basta um clic.

Penso assim, enquanto escrevo, porque percebo que gasto boas horas do meu dia na internet. Uma parte delas, pela natureza do meu trabalho. Outra parte, por prazer, diversão, curiosidade. Em alguns segundos, vou e volto de lugares em que nunca estive. Converso com pessoas que não conheço, senão virtualmente, como se fôssemos amigos de infância. E me inspiro com histórias e ideias que fazem a vida valer a pena.

Nessas horas, não vejo o tempo passar. Leio poesia, cartas de amor, descobertas científicas, assisto filmes, ouço músicas de grupos africanos (que jamais chegariam a mim por outro meio). Foi assim que descobri, clicando, clicando, um blog que se especializou em colecionar dedicatórias de livros.

A idéia do "Eu te dedico" é simples e deliciosa. E quem explica é a própria autora do blog, Mariana Gogu:




O PROJETO
Mariana Gogu
Um livro com dedicatória é um livro com duas histórias, uma que começa no primeiro capítulo e uma que começou antes de se passarem as páginas.
Dedicar é gravar uma intenção ou sentimento, e a proposta deste projeto é registrá-los. Contribua! veja as instruções.
>também estamos no facebook
>para entrar em contato: marianagogu@gmail.com ou @marianagogu
Claro que um navegador curioso como sou, dos sete mares da blogosfera, mergulhei fundo. E depois de algumas belas dedicatórias, julguei necessário não só dividir a descoberta, como contribuir, ainda que de forma indireta, com uma história de dedicatória, das mais lindas que já li. 
Há algum tempo, uma postagem no facebook tinha como título, simplesmente: P.S. Eu te amo! E no corpo da postagem, uma única frase, com um link anexado, dizendo: Leia, acho que você vai gostar. 
O link me enviou para uma reportagem escrita pela jornalista Mariana Filgueiras publicada no jornal O Globo, em 25 de novembro de 2011. Conta a história de uma dedicatória. E por trás da dedicatória, há uma história de amor, e por trás da história de amor, uma história de vida e um personagem vivo.  
Depois de lê-la, e me emocionar muito, corri para a minha estante para reler algumas dedicatórias de livros e lembrar de quem as escreveu. Para ler a reportagem, clic aqui. Eu tenho absoluta certeza de que você vai concordar comigo em gênero, número e grau. E vai passar a prestar ainda mais atenção nas dedicatórias, toda vez que um livro for parar em suas mãos.  
Pra fechar essa publicação, recorro ao exemplo de um outro projeto que ganhou dimensões globais através da internet. E deixou o mundo muito menor do que ele já foi um dia, usando a música como canal de comunicação entre diferentes povos e nações. What a Wonderful World. Numa versão produzida pelo projeto Playing for Change.  Que maravilha de mundo!


Noite e dia

Celene Araújo dormiu pensando em Leminski. Eu acordei.



"Acordei bemol 
tudo estava sustenido 
fazia sol 
só não fazia 

sentido."


Paulo Leminski

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Faltou luz, mas era dia!

No Acre, na selva,
no silêncio. 
Na selva amazônica, o calor é úmido e o suor escorre pela testa a qualquer hora do dia. No Acre é assim. Foi assim, naquele início dos anos 2000. Três meses de Amazônia. Três meses de Acre, três meses de distância, solidão e reflexão.

Em tempos de campanha aprende-se muito. Sobre as pessoas, sobre os lugares e sobre si mesmo. Quando estive por lá aprendi a ser sozinho na selva. O silêncio da selva é barulhento de mato, e rio, e bicho, e passarinho. Toda vez que o silêncio virava exagero, a música urbana me salvava da solidão que angustia.

Dia após dia, a rotina era a mesma. De manhã cedo, uma kombi pegava a equipe no hotel. No percurso até a produtora, as caras de sono e cansaço predominavam. No meu diskman (havia isso, diskmans, que eram os equivalentes aos Ipods de hoje) um CD do Rappa rodava quase até furar. Era assim que a gente dizia, nos tempos em que os discos de vinil tocavam tão repetidas vezes que chegavam a furar, sob o impacto da agulha de cristal.

O que sobrou do céu era a minha preferida. Talvez porque começasse dizendo a verdade mais comum daqueles dias no Acre: Faltou  luz, mas era dia, dia... Talvez...

L.O.V.E.

Pra começar bem a sexta. Andrea Motis. L.O.V.E.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Esticando as linhas.



Caro leitor. 

Para compreender o texto a seguir, sugiro que leia a postagem anterior. Mas se o tempo for escasso, eu encurto a explicação: 

Na metade dos anos 80, do Século passado (putz, dito assim, dá um peso!) eu estive diretor de jornalismo da afiliada da TV Globo, em Mato Grosso do Sul, TV Morena. Um dia, atendi um jovem estudante que queria me ouvir sobre a profissão de jornalista. 

Esse menino cresceu e ontem, assim sem aviso prévio, me mandou uma mensagem  pelo facebook, que me fez voltar no tempo e roubar alguns minutos do dia para fazer o que continua sendo um dos meus maiores prazeres - escrever. 

Buenas! 
Cezinha Galhardo (como ele assina) deve ser uma alma boa e um bom profissional. Escrevi pra ele umas curtas linhas confessando a falha no meu disco rígido (que não conseguia resgatar as cenas daquele encontro do passado) e me dizendo emocionado com a mensagem dele. E também, querendo saber mais. Sobre a vida dele e sobre aquele instante em que estivemos juntos, lá na redação da TV Morena e que acaba de ficar perpetuado em nossa memória.

A resposta dele é um primor. E eu tenho que dividir com vocês. 
Obrigado, Cezinha!  Um grande e caloroso abraço.
A! E mais: A casa aqui (no blog) é sua. 
Escreva sempre que tiver vontade.   

Esticando as linhas



Sabe quando você espera que do lado de lá volte um sinal de fumaça como resposta? Então... recebi uma apresentação da esquadrilha da fumaça.

Putz, Viegas!!! Não é à toa que a Fabi me disse adorar seus textos!
 Hoje trabalhamos juntos na comunicação institucional em um órgão público: somos os publicitários rodeados por jornalistas. Ela trabalha com produção e fotografia e eu cuido do visual. Nos divertimos bastante.

Vou te contar como nosso encontro aconteceu, pelo meu olhar: 
Era um trabalho de escola, onde existia uma força de incentivo para que os alunos começassem a pensar no seu futuro profissional, afinal querer ser astronauta quando crescer já não valia mais. A sala foi loteada em grupos e nosso ficou com a profissão "jornalista". Na minha cabeça, profissão era ser médico, dentista, alfaitate, açougueiro... mas e jornalista? O que que esse rapaz faz? Pra mim jornalista, até então, era o apresentador oriental do jornal local e o Cid Moreira. Mas, ok.

Ligo na TV Morena e vejo se há a possibilidade de um jornalista me atender, numa hora vaga (hahahahaha!) para responder a algumas questões de um trabalho de colégio. "- Sim, pode vir. Ao chegar procure por Maranhão Viegas". Pronto! Lá fui eu ansioso para a entrevista. Não tinha nenhuma ideia que eu ia entrevistar quem entrevistava os outros. Se tivesse essas preocupações adultas em mente, talvez teria sido um total desastre, afinal eu nunca tinha feito aquilo.

Dizem que quanto mais básicos são os sentidos, mais tempo as impressões ficam na memória. Pois é. Entro na redação da TV Morena e a imagem que tenho é de um ambiente levemente enfumaçado, de coloração amarelo-esverdeada, cheio de mesas e pessoas andando de um lado para o outro com papéis na mão e cigarros na boca.

Nas mesas não me lembro de computadores, mas sim de Olivettis, Remingtons e similares, somadas a papéis, canetas e cinzeiros. O som era o constante tec-tec das máquinas de escrever e o falatório da turma, vez ou outra interrompido pela voz de alguém que chamava a atenção dos colegas para algum assunto.

O aroma de nicotina parecia minar de todos os objetos que me cercavam, misturado com um tom de madeira e couro.

A nossa conversa começou com um gravador, desses de fitinha, em cima da mesa, onde disse que depois escreveria o que nós conversaríamos. Foi quando você, gentilmente, perguntou se eu não me incomodaria de conversar em meio ao trabalho, já que vc tinha que resolver um problema da pauta (!?). Por mim ok, não queria atrapalhar o que quer que você tivesse que resolver com essa moça, afinal, ela devia ser importante ali.

Lembro que nossa conversa ter durado cerca de meia hora, pois eu sabia que esse era o tempo que cabia na fita minicassete. As questões foram acerca da natureza da sua escolha de jornalista como profissão, e também de como era ser um jornalista.
 Não é a toa que não se recorde do nosso encontro, afinal eu era uma esponja seca caindo de pára-quedas ali e você tinha que cuidar dos seus afazeres profissionais, além do xereta na sua frente.

Suas respostas eram em parte de frente pra mim, e em parte de lado, pensando e digitando com apenas 3 dedos de cada mão (e muita velocidade). Aliás, ficava imaginando "- Puxa, se ele digitasse com todos os dedos seria muito mais eficiente". Anos depois, ao conhecer a frase dita por Antonio Maria "- Tolos! pensam que escrevo com as mãos!", lembrei-me da imagem de te ver digitando aquela barulhenta máquina de escrever, na hora, e da ignorância do meu pensamento.

Analisando hoje, vejo que as respostas mais importantes que eu tive não estavam no gravador, mas fora dele. Eu vivi, durante meia hora um pouquinho do que é ser um jornalista e trabalhar na redação de um jornal. Obrigado por me proporcionar isso.

Falando um pouco de mim, fui estudar em Campinas, onde concluí o curso de publicidade e propaganda.

Depois, devido a um cliente, me mudei para São Paulo, onde continuei meus estudos por lá e casei. Montei um estúdio de design gráfico, onde sou desde o proprietário ao motoboy. Trabalhei com muitos jornalistas, mas sempre dentro da área visual (padrão jornalistico, capista, etc).

Voltei para Campo Grande a 3 anos, para trabalhar com comunicação institucional (sempre visual). Continuo atendendo os clientes de fora, mas morando aqui, o que ajudou a interromper a queda dos meus cabelos.

Se passar por aqui, será um prazer nos encontrarmos para "um chopes e dois pastel". Aposto que a Fabi vai curtir a ideia, também.


A propósito, tirei 10 no trabalho, obrigado!

Um abração!


Cezinha Galhardo