terça-feira, 24 de maio de 2016

Back to Black

Porque hoje é terça.
Angelina Jordan fez renascer uma Amy Winehouse.
Escolheu uma das canções mais simbólicas da vida de Amy.
Obviamente, adaptada à pouca idade de Angelina.
Ela diz que teve só um dia, antes da gravação, para adaptar os versos originais e construir  a sua
própria versão de Back do Black. Mais compatível com a experiência de vida dela.
Menos explícita que a original. Nem por isso, menos visceral.

Go ahead!

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

A voz de um anjo, sim senhor.

Angelina Jordan
Rapaz!
O que é a voz dessa menina?

Aliás, eu sei. Ou imagino. Imagino que ela seja a materialização da voz divina. Um anjo qualquer, mandado pra preencher com delicadeza e harmonia o espaço deixado por Amy Winehouse e Billie Holiday.

Creio que seja isso.
E mesmo que não seja, vou seguir acreditando e me emocionando com Angelina Jordan, seus oito anos e o milagre de sua voz.


Até onde sei, ela venceu um programa de cantores mirins na TV Norueguesa, em 2014. Tinha oito anos na época. Deve estar às vésperas de completar dez. E tem, em uma janela imensa aberta à sua frente, o mundo por conquistar.






domingo, 24 de janeiro de 2016

A beleza, o estranho e o afeto


O que é a beleza? E o estranho?
Nossos olhos acostumaram-se a um tipo de belo. E, ao resto, tudo é feio. Ou, estranho. Ou, causa repulsa.

Sexta à tarde, eu e meu irmão, Iram, almoçávamos e falávamos da vida, de suas feiúras e belezas. Até que nos decidimos pelo "sequestro" de meu pai e minha mãe por algumas horas. Dessas decisões que surgem do nada e caem como uma luva em horas roubadas. Eles jamais esperavam uma investida dessas, sem preparação anterior, sem rito, sem combinação.

Um telefonema, um aviso... Melhor, um comunicado e em pouco tempo, lá estavam os dois angustiados pra saber onde os levaríamos.

Foi divertido vê-los "chutando" possibilidades. Meu pai, que só pensa em comida, chutava nomes de restaurantes. mas era sexta-feira e o horário estava entre o almoço e o jantar. Pouca chance, minha mãe dizia.

Entre o comunicado por telefone e a nossa chegada à casa deles, a angústia pra saber o programa falou mais alto e minha mãe ligou para a nossa irmã. pra, quem sabe, descobrir uma pista. "Tiro n'água". Isa não sabia de nada.

O mistério se desfez quando nos aproximamos do CCBB. Nosso destino era a exposição ComCiência, da australiana Patrícia Piccinini. Nela, seres imaginários tomam forma. Homem-animal-vegetal fundidos em um ser só. Em vários seres. Mutantes estranhos e afetuosos. Difícil de decifrar e traduzir, na forma. Fácil de compreender no olhar.
A grande mãe
O visitante

A esfinge

No começo, minha mãe se assustou com algumas coisas. Meu pai também. Seus olhares não estavam acostumados aquela provocação.

  • Tão difícil definir entre o belo e o assustador! 
  • Será que são meus olhos de desentender? 
  • São monstros?
  • Vão fazer algum mal?
  • Mas tem um olhar tão humano, tão doce!
E ai estava a questão. Os pelos exagerados, em locais inusuais, as garras gigantes, os corpos meio-humano, meio-animal, aos poucos se equilibravam numa sensação de que algo tranquilizador era mais forte que o medo. 

O golpe
A confortadora

Pois bem, a cada peça, uma descoberta. Até que aconteceu a melhor coisa: Sim, sem que houvesse planejamento ou combinação, nossa ida à exposição coincidiu com o momento em que a própria criadora, Patrícia Piccinini, falava sobre a sua criação a um conjunto de jovens monitores. 
Patricia Piccinini
Ao fundo, Patrícia fala sobre a sua obra a um grupo de monitores.
E nós, entre eles. 

Era um treinamento de primeiro dia de exposição. Depois disso, são esse monitores que vão traduzir parte do sentido daquelas peças aos surpreendidos visitantes. 

Que sorte a nossa. Horas roubadas com nossos pai e mãe. Horas de compartilhamento entre a nossa beleza e a beleza imaginária de um mundo que não estamos acostumados a ver. Horas de vida ganhas ao sabor do acaso. 

Ao final, depois de seguir Patrícia em várias de suas paradas e ouvir de sua própria voz a explicação de cada sentido, paramos diante de uma imagem de um menino e amigo-monstro-imaginário. E ali, ela traduziu a peça como o melhor retrato da intimidade. E em suas palavras nos disse que seu entendimento de amor é a capacidade que cada um de nós tem de se permitir ser amado, por quem quer que seja, da forma que seja, sem barreiras. 

Quando as pessoas se afastaram um pouco, cheguei perto dela. Uma artista acessível, simples, encantadora. Trocamos umas poucas palavras e eu lhe disse que tinha ficado feliz com a sua definição de amor. Que ela era perfeita. 
Sorte de principiantes, carinho da expositora.
E lhe apresentei meus pais. Ela demonstrou uma alegria verdadeira em vê-los ali e os cumprimentou, carinhosamente. Meu irmão e sua máquina registraram o nosso encontro. 
Viegão, Isabel e Iram, meu irmão. 
As fotos que ilustram essa postagem são dele, exceto essa última, que é da minha safra. A alegria de um programa inesperado, em companhia dos velhos, é nossa. Beleza casual da nossa vida. É o que vale. 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Junto com você

Guilherme Rondon, Almir Sater e Michel Teló.
Vida, bela vida. 

Uma preciosidade.

Vida bela vida. É mais que uma frase. É mais que um desejo. É uma música, quase uma prece. Nasceu de uma parceria entre dois bons e velhos amigos dos tempos de Campo Grande, da beira do pantanal. Paulinho Simões e Guilherme Rondon.

A música é linda, desde que nasceu. Paulinho já a havia gravado. Guilherme, também. Almir e Michel, cada um a seu modo e a seu tempo, também já haviam feito suas versões.

Agora, o Guilherme publica em sua página do Facebook uma versão improvisada e valiosa. Gravada durante o encontro dos três, para a produção do programa "Bem Sertanejo", que Michel Teló conduziu no programa Fantástico, da Rede Globo.

Nem precisa dizer muito mais. Ouça. Desfrute. Deseje. Como quem faz uma prece.



quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Para qualquer coisa, para viver

Chove a cântaros, lá fora.
Peter Toledo linkou um vídeo irresistível em sua página no Facebook.

Abro.
E a chuva lá fora ganha trilha sonora.
E a vida aqui dentro ganha trilha sonora.

E me dou conta:
Música serve mesmo pra qualquer coisa.
Essencialmente, música pra viver.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Hoje à noite. Sempre.


Bowie se foi.
É o Século XX fechando mais uma de suas portas.

Mas tudo vai ficar bem, hoje à noite.
E sempre.


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

An - O sabor da vida


Acabo de sair do cinema.
Um presente de quase duas horas que me dei.
Dessas horas que a gente rouba do dia, por puro prazer,
para ser um cadinho feliz. 
Assim, foi. 
Assim, fui ao cinema.

Nem sabia direito o que assistir. Fui às cegas, mas fui ao cinema que
mais gosto de frequentar, o Cine Cultura, no Liberty Mall. 

Nesse horário, às três horas da tarde, somos eu e um bando de velhinhas bem vestidas, 
cheirosas, elegantes e distintas. Elas quase nunca são as mesmas. Embora, muitas vezes, queira me
parecer que elas me mirem com uma cumplicidade de amigos de infância.
(Neste caso, de jardim de infância).

Entre as possibilidades de horário, havia um filme que, por coincidência, 
eu queria há muito assistir. Um filme de uma diretora japonesa, Naomi Kawase. Essa da foto, ai embaixo.
Naomi Kawase
Sei pouco sobre ela. Nada além do que as páginas oficiais dizem. Sei que ela nasceu em Nara, no Japão, em 1969 e foi casada com um outro cineasta japonês. No ano passado, dirigiu esse filme "AN - O sabor da Vida", que teve uma belíssima aceitação no Festival de Cannes.

O filme é uma delicadeza.
Trata de uma forma sensível algo que muita gente já fez: usar a comida para abordar temas humanísticos, para contar histórias pessoais, sem pieguice. Eu conhecia nada da filmografia de Naomi, mas pelo visto, ela usou toda a sensibilidade para dirigir este. E conseguiu. Foi de extrema competência.

Cartaz original do filme
A história se passa entre um pequeno empresário, vendedor de dorayaki, uma espécie de panqueca, recheada com uma pasta de feijão vermelho, doce (o AN, do título original do filme) e uma senhora de 75 anos.

Ele, entristecido por ser escravo do trabalho. Ela, entristecida por não ter nada a fazer. Ela pede trabalho pra ele. Quer ajudar na cozinha. Ele reluta, mas aceita depois de provar a pasta de feijão que ela faz e constatar que é muito melhor que a que ele faz.

A partir dai o filme acrescenta os dramas pessoais de cada um deles. Ela é uma das milhares de vítima da hanseníase do Japão pós-guerra. Fruto de várias gerações que sofreram preconceito até há bem pouco tempo.

Ele tem uma tragédia no passado que o fez cumprir uma pena e tornar-se devedor ao dono da loja em que ele é gerente.

Em meio a isso tudo, a juventude de estudantes japoneses, a leveza dos pássaros e a espetacular lindeza das cerejeiras. Misture com uma trilha sonora comovente e está ai o belo filme.

No seu ritmo e na sua doçura, nos faz impossível conter algumas lágrimas. As velhinhas que estavam atrás da minha poltrona molharam uns quantos lenços.

Eu sai recompensado por ter roubado essas horas pra mim e por ter acertado na escolha do filme. Tendo oportunidade, assista. Você vai adorar, eu aposto. Pela magia das soluções orientais, pela paciência do fazer a comida, pelo equilíbrio entre vida, alimento, natureza e morte. Pelo sabor que a vida ganha com isso.