terça-feira, 21 de maio de 2013

Música de ser feliz

Hora de ser feliz com a play list de Mariana
Hoje acordei com saudades de Mariana. E encontrei suas digitais em músicas que, segundo ela, servem para ser feliz.

Mariana, minha filha, é assim.
Às vezes, surpreendente.
Às vezes, intensa. Nunca a mesma.

Há uns dias, eu estava viajando quando recebi um e-mail seu. Assim, do nada. Sugerindo que eu achasse tempo pra ouvir uma play list preparada por ela (nesse inglês instantâneo, play list, é como nossas crianças identificam sua relação de músicas preferidas).

Ela sabia da minha viagem e achou que eu viajei pra ser feliz. E que isso merecia uma trilha sonora. E foi o que ela fez. Organizou uma trilha sonora pra minha viagem e pra minha felicidade.

Coisa boba, simples e absolutamente comovente.
Capaz de me deixar feliz à toa.
Capaz de dar sentido às longas e divertidas horas daquela infância em que nós descobríamos sons e letras, gravadas em vinis de antigamente. Horas de audição que fizeram dela, sem a menor sombra de dúvida, uma menina muito mais feliz do que a média.

Obrigado, filha, pela dose de felicidade que salva.
Obrigado pela play list.  Gostei de todas. Mas essa, ai embaixo, foi uma das que eu mais curti.

sábado, 18 de maio de 2013

Olhar de fotógrafo

Há tempos, Ronaldo Silva não me manda uma foto. Hoje, mandou.
Uma fotografia é o registro de uma realidade presente, que acabou de passar.
Ferreira  com seu olho mágico flagrou um momento de fé. Desses, que mesmo passando, costumam ficar eternizados em seu olhar.

E como diz o poeta e cantador Gilberto Gil:

Mesmo 
a quem 
não tem 
a fé costuma
acompanhar


Andar com fé
eu vou
que a fé 
não costuma 
falhar!

Foto: Ronaldo Silva

domingo, 12 de maio de 2013

Ride

Porque o domingo merece. O filme é longo, mas Lana Del Rey faz a gente nem perceber o tempo passar. Ride - O filme. A música. A moça.

Whitman e Dona Isabel

Dona Isabel, de volta à casa e à leitura. 
Minha mãe, Isabel,  me pediu um livro. Quem me avisou que ela queria foi meu pai, Inocêncio. Tua mãe pediu para comprar um livro pra ela, "Folhas de Relva", disse-me ele, meio desconfiado da própria existência do livro.

Cheguei à livraria e pedi. O rapaz que me atendeu também  fez uma cara de desconfiança quando eu disse que o livro era para a minha mãe. Ele pesquisou e me trouxe um exemplar de Walt Whitman. Eu mesmo comecei a desconfiar do pedido. O que teria feito "Dona Isabel", aos 70 anos,  ir atrás de um poeta revolucionário e maldito americano?

Wlat Whitman, o poeta maldito de minha mãe.
Comprei. Embrulhei e levei de presente. Mãe, está aqui o livro, mas eu queria que a senhora me disse como é que chegou a esse título e a esse poeta.

Ela riu e rindo me explicou. Diz ela:

Eu estava assistindo o programa da Ana Maria Braga. Ai, aquele cara que faz o personagem do Russo, aquele que é bem malvado com as meninas, na novela das oito, chegou para ser entrevistado por ela. Ele é ruim na novela, mas só lá. "Ao vivo", dando entrevista, ele é uma pessoa bacana. 

E a Ana perguntou se ele estava lendo algum livro naquele momento e ele disse que tinha acabado de ler "Folhas de Relva", do Walt Whitman. E falou tão bem do livro que eu fiquei com vontade de lê-lo. Foi isso. 


Faz dez dias que lhe dei o livro. Ela o lê à sua medida (dia destes, pulei umas partes que não gostei. Achei meio tristes, diz ela.) Na semana passada, a leitura foi interrompida por um susto, uma febre, uma infecção e um internação hospitalar.

Hoje, dia das mães, foi ela quem me deu o presente. Está de volta em casa. Retomando a vida ao lado de meu pai e de seu poeta maldito, Walt Whitman. Beijo, minha mãe.  Feliz dia das mães e feliz retorno à sua casa.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Maio

Há muito tempo, eu tinha um poema de Maiakovski na parede do meu quarto. Acho que era Maio.
Depois, mais tarde, conheci Paulinho Simões fazendo música e poesia em Campo Grande. Acho que era Maio.

Maiakovski, maio, poesia, música, Paulinho...
Acho que veio tudo junto, ao mesmo tempo, agora.

Então, porque é maio e porque o dia está terminando (e porque eu quero mesmo que ele termine bem), Mês de maio. Poesia e música de Paulinho Simões.


Mês de Maio

Azul do céu brilhou

O mês de maio 
enfim chegou
 
Olhos vão se abrir 
pra tanta cor
 
É mês de maio
 
A vida tem seu esplendor 

Raio de sol entrou

Pela janela, 
me convidou

Pra tarde tão bela 
e sem calor

É mês de maio

Saio e vou ver 
o sol se por 

Horizontes de aquarela

Que ninguém jamais pintou

E o enxame de estrelas

Diz que o dia terminou 

Noite nem se formou

E a lua cheia 
já clareou

Sombras podem ir, 
façam o favor

É mês de maio

É tempo de ser sonhador 

Quem não se enamorou

No mês de maio, 
bem que tentou

E quem não tiver 
algum amor

Dos solitários

O mês de maio 
é protetor 

Boa terra, 
velha esfera

Que nos leva 
aonde for

No futuro 
quem me dera

Que te dessem 
mais valor.

domingo, 5 de maio de 2013

Memórias da profissão - O repórter

Em ação, como repórter, em começo de carreira.
O cinegrafista da direita, Ramon Carlos, foi meu grande parceiro
de aventuras jornalísticas. Seguramente, um dos melhores com quem trabalhei.
Na metade dos anos 80 eu cheguei à TV Morena, afiliada da TV Globo em Mato Grosso do Sul, na condição de repórter. Foi um passo importante para a minha vida profissional. Deixei o grupo e a Globo, na condição de Diretor de Jornalismo, nos primeiros anos da década de 90.  De lá, guardo boas lembranças e grandes lições.

Era uma época em que se praticava um jornalismo um pouco diferente do que se faz hoje. Época em que era elementar saber um mínimo sobre o assunto da reportagem, antes de chegar ao entrevistado ou à fonte. Hoje, com raras exceções, os repórteres parecem não querer gastar tempo com "tamanha bobagem". Exigem que as informações sejam reunidas e repassadas pela assessoria de imprensa. Querem tudo mastigado e ficam nervosos quando alguém não faz o serviço que deveria ser  feito por eles. Mas isso é detalhe. Sórdido, mas é.

Nos estúdios da TV Morena, entrevistando Roberto Freire,
então candidato a presidente da República, pelo PPS. 
Julio Cotting, jornalista.
Esta semana, fui surpreendido com uma mensagem de um amigo virtual, Júlio Cotting, jornalista da nova geração lá em Mato Grosso do Sul, que encontrou um filme com uma edição do MSTV Terceira Edicão, de outubro de 1986.

O Terceira Edição foi um jornal inventado para que pudéssemos ocupar mais tempo com o jornalismo local. Ia ao ar quase na madrugada, mas ia. Era o espaço possível. Um pequeno e aguerrido exército de jornalistas trabalhava as notícias do dia com um pouco mais de tempo na abordagem. As entrevistas eram maiores e havia espaço para algum nível de opinião.

Quem apresentava o jornal era Bosco Martins. Na produção e redação, Denise Dal Farra; na Edição, Luca Miranda e Ciro de Oliveira; a Direção de Jornalismo era de Ecilda Stefanelo e eu fazia parte, junto com Thomas Krause e outros, de um pequeno time de repórteres que topava aquela aventura. Sim, era uma aventura. Trabalhávamos mais para produzir um terceiro jornal, com textos e conteúdos diferentes.

Como eu disse um pouco antes, o Julio me surpreendeu com a cópia inteira (dez minutos) de uma edição do jornal. Nela, para minha alegria, há uma pequena reportagem em que eu apareço exercendo o papel de repórter. Eu tinha 24 anos de idade. Era um menino, recém chegado à profissão. Mas já estavam lá a minha paixão pelo jornalismo e a minha mania de querer fazer bem feito o que quer que eu me metesse a fazer.

O repórter em ação.
O assunto era a falta de bois nos frigoríficos e a entrada em ação da Polícia Federal para confiscar os animais que os grandes pecuaristas escondiam no pasto e sonegavam à indústria. Tempos de governo Sarney. Tempos de inflação galopante. Tempos de incerteza.

No meu caso, um tempo de desafios profissionais. Hoje, olhando para trás, vejo que a minha caminhada valeu a pena. Rever um pouco do jornalismo que eu fiz, lá no começo da profissão, me tranquiliza. Me dá a certeza da escolha que fiz e traduz o respeito que sempre tive pela profissão.
Valeu, Julio. Pelo resgate e pelo presente.

P.S.: Minha reportagem se completa nos quatro primeiros minutos do jornal. Mas assisti-lo inteiro dá uma boa ideia do que era notícia naquele tempo, na Capital do Mato Grosso do Sul.
     

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Um abraço e um conforto

Celso Grecco
Celso Grecco é um novo velho amigo. Desses que entram na vida da gente para ficar, para sempre. Hoje, está sendo um dia difícil para ele. Sua mãe nos deixou. E por essas razões que a própria razão desconhece, eu fui a primeira pessoa a alcançá-lo pelo telefone depois dele receber a notícia.

Quis dar-lhe um abraço, mas Celso já estava na sala de embarque, preste a seguir para São Paulo. Lembrei de uma conversa que tivemos sobre música, fé, poesia e paixão. E lembrei que ele me falou sobre uma poesia que escreveu e que foi musicada. Uma poesia, quase oração.

Busquei na web e encontrei. Não consegui abraçá-lo ainda. Mas dou-lhe aqui o meu abraço virtual. A música é mesmo linda, quase uma oração. E cabe como um conforto nesse momento de dor.