sábado, 31 de dezembro de 2011

Nova jornada

E então, 2011 terminou.

Me lembro do primeiro dia. Mesa posta, luzes, roupas brancas, abraços, desejos e emoções. Pouca certeza, muita vontade, alguma esperança e um feixe de dúvidas.

São essas dúvidas que nos movem.
Vai dar certo?
Vou conseguir?
Vamos alcançar?
Vai ter muito?
Será pouco?
Vai ser bom?
Vai durar?
Teremos coragem?
E resistência?
E paciência?
Seremos compreensivos?
Vão nos compreender?
Protestar?
Acolher?
Acreditar?
Prosseguir?
É pra chorar?
Dá pra rir?


Foram doze meses de respostas distintas. Uma para cada situação. Milhares delas ao longo dos dias. E, enfim, fechamos um ciclo a mais. Não posso dizer que dei conta de tudo. Mas chego aqui com um orgulho danado: Atravessei mais um ano.

Ao longo desses últimos 365 dias procurei ser mais de mim mesmo. Tenho razões pra achar que amadureci. E que a vida ficou melhor. Mesmo com todas as dificuldades e desafios que surgiram. A vida ficou melhor.

2012 está chegando. Falta pouco, muito pouco, mesmo. E a única certeza possível são as dúvidas, as mesmas dúvidas que virão com ele. Pois, que venha. Com pouca certeza, muita vontade, alguma esperança e um feixe de dúvidas. Eu e muita gente estaremos aqui. De braços abertos. Dispostos a caminhar uma vez mais. 365 dias, quem sabe.

Boa caminhada a todos nós.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Sessão da tarde

Batalha do amor é um curtametragem realizado por "Los Perez", que é como se intitulam Tânia Verduzco e Adrian Perez - dois jovens espanhóis, criadores, produtores, roteiristas e diretores de cinema.

O filme conta uma história de amor através da linguagem da música e da dança. São bons cinco minutos para preencher essa tarde de quinta. A música é boa, os bailarinos são bons, e a direção é melhor ainda. É só dar o play para conferir.

Love Battle-CatPeople from Los Pérez on Vimeo.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Quem de nós...

Tarzã e sua inseparável amiga, Chita
Quem da minha geração não guarda na memória o grito do Tarzan, imortalizado no cinema pela figura de Johnny Weissmüller? As aventuras do Rei da Selva ocupam lugar especial no meu relicário imagético infanto-juvenil.

Hoje, abri o computador e corri os olhos nas notícias. Muitos acidentes, muitas tragédias, muitas dúvidas e muita futilidade. Escondida em um canto de página, a notícia que me fez vidrar os olhos e me remeteu ao passado: Chita, a macaca que interpretou a inseparável companheira de Tarzã, nos filmes da década de 30 do século passado, morreu aos 80 anos, num santuário de animais, na Florida, na noite de Natal.

Chita, Boy, Tarzã e Jane
Chita viveu o dobro do que se tem de expectativa de vida para os macacos. Durou mais até do que o seu companheiro Tarzã. Johnny Weissmüller morreu aos 79 anos, em 1984.

Para os que não tiveram a chance de ver Tarzã em ação, resgatei um filme curto, são apenas dez segundos, suficientes para traduzir o impacto desse som na memória de quem, criança como eu, ficava arrepiado toda vez que o Rei das Selvas se impunha, literalmente no grito, diante de uma nova aventura.




 

Léo e Bia

Em 2008, no apartamento de Oswaldo Montenegro. Uma sessão de encontros com novos amigos e velhas canções. Aqui, um maranhense ilustre o acompanha em Léo e Bia. Pra começar bem o dia, no centro deste Planalto Central.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Vida, bela vida

Guilherme Rondon
Vida, bela vida, é um clássico do cancioneiro sul-matogrossense. Gravada pela primeira vez em 1993, ela é fruto de uma rica parceria entre Paulinho Simões e Guilherme Rondon, dois dos mais expressívos músicos, letristas e poetas que nasceram nas terras ao sul do antigo Mato Grosso, hoje, Mato Grosso do Sul.

Algumas das mais belas criações dos dois tornaram-se conhecidas nacionalmente na voz e nos acordes de violeiros como Renato Teixeira e Almir Sater. Agora, a poesia e a música de Paulinho e Guilherme ganham destaque nacional uma vez mais.

O jovem fenômeno da música sertaneja, também cria da leva de "sertanejos românticos" forjados em terras sul-matogrossenses, Michel Teló, incluiu uma versão acústica de "Vida, bela vida" em seu novo DVD. Particularmente, não sou adepto desse estilo sertanejo, sobretudo esse que resvala em composições duvidosas e arranjos sofríveis, que se tornam mega-sucessos populares de curta duração.

Mas, mesmo repartindo espaço com coisas como "Ai se eu te pego" ou "Beijo, me liga",  ao escolher uma canção rica em letra e melodia, como "Vida, bela vida", Michel Teló acertou a mão. Vale a pena investir os próximos minutos para assistir o clip oficial do novo show do rapaz.


Para quem não conhece o autor dessa bela canção, busquei na blogosfera um vídeo recente, de uma apresentação feita em São Paulo, onde Guilherme Rondon canta a sua canção, em companhia de Adriana Sanchez. Vida, bela vida, com Guilherme Rondon.

O amor é tudo

Porque, afinal, o que importa é o amor. O que a gente dá. O que a gente recebe. O que a gente imagina. O que a gente vive. E o que se sonha. O amor é tudo o que a gente precisa. Pra começar bem a última semana de 2011. The Beatles. All you need is love.


domingo, 25 de dezembro de 2011

Antes de qualquer coisa

Antes de nascer. Antes de morrer. Antes de dormir. Lana Del Rey. Dispensa discurso. É só aumentar o som.

LANA DEL REY - Born to die from Yoann Lemoine on Vimeo.

Remédio e poesia

Patrícia (com medo do fotógrafo) e o Juca que virou
o hoje Dr. Matta Machado, no colo do pai, o velho "Mattão".

Uma consulta com o Dr. Matta Machado nunca é uma simples consulta. A começar pela música clássica, que, invariavelmente, preenche o vazio do ar e o tempo de espera até que sejamos atendidos.

Depois, porque ele nunca se limita a enxergar o que há em nossos olhos. Vai mais longe e vê também o que existe por trás deles, quase alcançando a nossa alma. E nisso de enxergar a alma, também se expõe. Nos permitindo ver, no caminho inverso, que além do oftalmologista há um poeta, um cronista, um escritor, um contador de histórias de mão cheia. Um sujeito de sensibilidade aguçada. Um mineiro da gema, da melhor estirpe de contadores de causos que aquela terra já deu.

Antes do ano fechar passei pelo consultório dele para renovar as lentes e... ouvir boa prosa. Já no início da consulta ele me mostrou uma foto do pai. O velho Matta, que com o tempo virou o "Mattão" e que, tempos mais tarde, alcançado pela experiência e pela idade, viraria o "Mattinha".  

A foto traz ele, ainda uma criança, e a irmã Patrícia, um pouco maiorzinha, no colo do pai. E foi a partir dela que ele começou a falar da irmã. "Sabe por que ela está com cara de choro na foto?" Não Faço idéia, disse. "Porque tinha medo de fotógrafo", respondeu ele. Imediatmente, trouxe a irmã e o medo  de infância para o tempo presente.

Me disse que Patrícia, a irmã que tinha medo de fotógrafo, cresceu, superou uns medos e adquiriu outros. E foi por conta de um desses medos que persistem, o de ajudar uma pessoa querida a enfrentar um período de doença ela recorreu ao "Juca", que é como chamam em família o Dr. Matta Machado. Pediu remédios que lhe aliviassem a dor e lhe dessem coragem para não fraquejar.

Se fosse apenas um médico, o Matta teria lhe dado uma receita. Ao invés disso, escreveu-lhe uma carta poema que fez questão de dividir comigo e me autorizou a dividir com vocês. A carta está transcrita aí embaixo. Revela o tanto de carinho do irmão pela irmã. E a fonte que alimentou essa união entre os dois, Dona Stella, mãe de ambos.

Um poema de amor feito em carta. Do Doutor para a irmã. Uma aula de carinho, memória e afeto. O Matta Machado, cuidador dos olhos e artesão das letras, no seu melhor estilo.

Brasília, 11 de agosto de 2009


Patrícia,

Aí vão seus medicamentos.
Prestam-se na medida para aquela menina que tem medo da morte, das doenças, das caras feias e de... fotógrafos!

Servirão também para quem se angustia com o sofrimento alheio, com a pobreza, a ignorância e a solidão. E talvez te ajudem, mas só um pouco, quando tudo isto não for alheio, mas próximo, afetando quem se mais ama.

Na verdade Patrícia, queria ter para ti uma vacina contra todos os males do mundo e da vida.
Somente posso emprestar-te, porém, um pouco da coragem que eu talvez tenha herdado daquela valorosa pessoa que foi Dona Stella.

Um beijo e todo o afeto!

Juca

É tempo de papagaios

por Innocêncio Viégas*

A tarde estava radiante; céu de brigadeiro; sol de piquenique; e um vento norte agitando as folhas de todos os coqueiros. Peguei o meu papagaio – pipa – e fui para a barreira, uma elevação que deixava a rua lá embaixo.

O vento convidava para empinar o meu papagaio colorido feito de papel de seda nas cores verde, vermelha e amarela, feito por mim, o que era muito importante. No céu, a jamanta do Clóvis Baleia – um coroa que levava consigo todos os meninos do meu bairro para ver as suas belas lanceadas – reinava absoluta “matando e cortando” os pobres papagaios de linha vinte, marca “Olho”, menos resistente.

A minha vontade era não deixar a jamanta matar e cortar o meu papagaio e, se possível, o que era impossível, cortar a linda jamanta de linha zero, que guinava soberba ao sabor do vento ameaçando os nossos pequenos papagaios.

A jamanta – um enorme papagaio feito com talas de madeira leve – vinha varrendo o céu e cortando os papagaios. Alguns, humilhados, estavam pendurados em sua linha. Era o que chamávamos “matar e cortar”. Matar era enroscar a rabiola na linha, e cortar era arrebentar a linha do outro.

A grande diferença que eu achava nos meus 10 anos era que a jamanta o Clóvis comprava na venda do Zezé Caveira, no Largo de Santiago, e o meu papagaio era feito por mim, e eu o dominava em todas as manobras, tanto para a direita quanto para a esquerda e até contra o vento, o que nós chamávamos de “tentear”, isto é, ir levando o “pássaro” para onde se queria, e assim fugir dos ataques da pesada jamanta, o que irritava o velho mestre Clóvis Baleia.

A torcida a favor da jamanta era grande, mas alguns que haviam perdido os seus papagaios me davam força para vencer o grande “carcará” que queria nos engolir.

Restavam apenas dois guerreiros no ar, o meu e o do Agenor de Leonor, meu colega de todas as brincadeiras. O Clóvis só entrava por baixo, levantava o papagaio adversário e o cortava em segundos. Assim o fez com o do Agenor e só se ouviu a garotada gritar! – “Lá vaaaaaaiiii!” – era o grito de vitória sempre que se cortava um papagaio.

Fiquei só no campo de batalha, a minha vez estava chegando. Dei linha para sair do raio de ação da jamanta. O velho Clóvis posicionou-se para a minha direita. Ele, no Largo da Madre Deus, onde jogávamos bola, e eu na barreira da Rua Quatro, onde ficava minha casa.

A jamanta guinava numa constante, quase parada, sinal que o Clóvis estava fumando o seu cigarro Astória ponta de cortiça, que ele gostava. Aproveitei para fazer uns floreios, dei vários sacalões, dei uma enterrada rumo ao solo, dei uma descarga de linha e o papagaio atendeu e voltou a subir incólume. Não demorou muito e já estávamos no combate. Fugi duas vezes, mas na terceira tentativa ele, que só entrava por baixo, mudou a tática e veio por cima, cobriu, desceu e o “saco” de sua linha fez um ângulo na minha. Tentei dar uma descarga de linha, foi tarde, senti a linha morrer em minha mão ao mesmo tempo em que os moleques gritavam o “lá vai” estridente. O que eu queria era ver o meu pequeno pássaro navegar solto no espaço em direção ao Rio Bacanga. Ele cortou mas não matou.

Nesse momento os moleques passaram correndo com suas enormes varas de bambu, na esperança de alcançar, no ar, o papagaio “esticado”, cumprindo a velha máxima de que “papagaio no ar não tem dono”. Mas o meu tinha, foi pousar no rio solenemente e foi levado pela corrente, em direção à Baía de São Marcos.

O sol já se escondia por trás da casa de Dona Maroca, esposa do Sargento Cordolino, um velho músico do Exército que era amigo do meu saudoso pai, com quem conversava sobre caçadas e pescarias.

A tarde lentamente se encaminhava para a noite. Enrolei no carretel a linha que sobrara enquanto a jamanta, invicta em sua tarde de constante guerra, iniciava a sua descida.

Os meninos do meu tempo já são poucos. O velho Clóvis Baleia e o Zezé Caveira são saudades e devem estar conversando lá em cima enquanto olham para baixo, as lanceadas dos meninos de hoje, que alegram o festivo bairro da Madre Deus da minha infância e juventude.

Às vezes me pego olhando para o límpido céu de Brasília, e o menino que ainda mora em mim, sente vontade de gritar com toda força dos pulmões: - “Lá vaaaaiiiii!”

Dezembro está terminando, os meninos estão em férias. O céu continua convidativo, o vento norte traz o cheiro do mar. Vamos falar a esses meninos de hoje para que deixem de lado os computadores, olhem para o céu e vejam que... é tempo de papagaios.

Innocêncio Viégas* é maranhense, da Madre D'eus. É membro da Academia de Letras de Brasília e da Academia Maçônica de Letras do Brasil. É fundador da Confraria dos Amigos da Boa Mesa. É marido de Isabel, minha mãe. E é meu pai. E-mail: Inocencio.viegas@gmail.com

 
 
 
Comentário meu: Meu pai sempre foi louco por papagaios (pipas). Um dia destes, Marcelo Domingues, marido da Isabel, minha irmã, o flagrou empinando uma pipa no quintal de casa. Foi um lance rápido. Mas suficiente para ficar eternizado no youtube.
 
O filme dá veracidade às suas aventuras de menino. Um velho menino novo, que viu a vida passar, sem perder o amor pelos papagaios.
 

sábado, 24 de dezembro de 2011

Existem coisas na vida

Alzira Espíndola
Alzira Espíndola é dessas pessoas que pertencem à minha vida sem que eu me dê conta. Busquei no tempo quando foi que nos encontramos pela primeira vez. Foram várias, mas uma está inscrita sem que alguém possa tirar. Nem eu mesmo.

Eu era repórter da Globo em MS. E fui cobrir um show da Família Espíndola, junto com Almir Sater, Paulinho Simões e um tanto de outros amigos comuns àquela terra. E, por que não, ao Brasil.

Foca que eu era, me empolguei. Me encantei com as músicas e fiz uma reportagem de 18 minutos, para um telejornal local que tinha ao todo 20. E como o editor era o Ciro de Oliveira, outro apaixonado por música, a reportagem foi ao ar como eu a escrevi, do jeito que eu imaginei.

Quase fui demitido. Em parte, devo a minha permanência na TV à sensibilidade do "seu" Jorge Zahran e ao poder de argumentação do Ciro. E, claro, à qualidade da música dos Espíndolas. Foi nesse dia que Tetê, Alzira, Geraldo (pra ficar nos três mais conhecidos) entraram na minha vida, definitivamente.

Hoje, ao chegar em casa e abrir o computador, vejo um recado postado no Facebook da Alzira: "Ney Matogrosso me ligou e mandou escutar. Corri pro quintal. Era mais uma parceria minha e do Itamar Assunção, de um tempo que eu nem me lembrava mais. Não importa o ano. A vida de cada um de nós repleta de momentos incíveis".

Faço minhas as palavras de Alzira. Obrigado, Ney. Obrigado, Alzira. A vida segue. Com momentos cada vez mais incríveis.

   

Fica decretado

A criação de Adão - Michelangelo Buonarotti
Paro para pensar e concluo: Apesar de o ano estar chegando ao fim, a minha dose de trabalho não diminuiu. Ao contrário. Parece que a proximidade do fim faz com que todos exigam um pouco mais de tempo, uma última reunião, em que se aponte uma última solução, um derradeiro feito, como se o mundo fosse acabar amanhã.

Ontem, estive em quatro reuniões e cancelei a última. Não tinha mais forças, nem paciência. Troquei por dois chopps e um pastel, com a sensação de missão cumprida. E fiz um pedido aos que estavam à mesa (a Mara, inclusive):

Por favor, vamos considerar, parafraseando o que disse um dia o poeta Thiago de Melo, que fica decretado, a partir deste instante, que 2011 acabou. Com as suas novidades e com as suas mazelas. Que o quê foi feito, se fez. E o que não aconteceu, vai esperar um pouco mais.

A partir deste momento, fica estabelecido que toda a tristeza, por mais justa e intensa que seja, não roubará o espaço da alegria - ainda que em menor dose.

A partir deste momento, está consignado o tempo de alívio, de tomada de fôlego, de boa expectativa, ainda que tudo isso não passe de uma doce ilusão, típica dos inícios de ano.

Que as pessoas se enxerguem no espelho e possam dizer, do ano que está indo embora, que a vida valeu a pena. Que a luta foi justa e que estar vivo e consciente é, sim, um grande feito. Talvez, o maior e o mais importante deles.

Porque, meus amigos, a partir deste instante - se isso me fosse posível - eu decretaria um hiato de paz na guerra urbana de cada um de nós. E o preencheria com poesia e luz. Com ternura e equilíbrio. Com êxtase e sensibilidade, para reabastecer as nossas energias.

E decretaria:  Está permitido que se faça aquilo que, no fundo, no fundo, move toda a humanidade: acreditar na proximidade de um sopro de esperança, de um vento bom, de uma vida melhor. Tudo isso vindo a galope no "cavalo baio" do ano que se inicia.

Embora sejam desejos sinceros, guardo comigo, sincera e intimamente, a consciência de que não passam disso. E que se a mim fosse dado o poder de concretizar tudo isso, ao final do sétimo dia, eu descansaria!
 
Feliz natal e boas festas a todos!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

EL POEMA

*Por  Ramón Rocha Monroy

En prosa o en verso

Efímero y único

Como la flor

Que se toma su tiempo

... Como la oruga

Que teje su capullo

Como el ave

Que sale del huevo

Como la gota que horada la roca

Como el puñal

Afilado por el uso

Como la vida

Burilada por la muerte

Como la piedra

Cincelada por el tiempo

La lluvia

El viento


*Ramón Rocha Monroy é um dos mais importantes jornalistas bolivianos da atualidade. Escritor de romances, roteirista e documentarista consagrado, vencedor de três prêmios nacionais de literatura e, há anos, adotou o pseudônimo de Ojo de vidrio.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

ainda bem

O dia terminou. Ainda bem. Mariza Monte. E isso me basta.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Bárbara, por ai

Porque o sábado já vai tarde. Um pouco Bárbara. Um pouco genial. Bárbara Eugênia. Por ai.


Hoy


Hoy descubrí que soy vulnerable,

que mis pies son sólo dos,

que el camiño es largo,

que mis ojos pueden ver dentro de mí

y guiarme sin necesidad de brújulas,

que el verde en el camino significa esperanza,

que la lluvia limpia el alma,

que siempre habrá un sol mañana,

y yo estaré aquí,

camiñando,

siempre.

Esse texto é atribuído a um camarada chamado Arioc Tessari. Peço perdão pela ignorância de não saber falar mais sobre ele. Encontrei esse poema numa postagem antiga do Blog Bonito Isso, da Elisa Mendes, uma linda amiga virtual que fiz, tempos atrás. Achei que cabia aqui. E achei que essa foto minha tinha jeito de alguém que vai seguir caminhando, sempre.

Nada a ver

Chove por aqui em Brasília. Chove a cântaros, como dizia minha avá Antonieta. Como se fosse o fim do mundo. Não é. Mas é um sábado com chuva, com gosto de choro e pesar. Não há culpa, mas há um certo lamento pela perda de três figuras de proa das artes.

Cesária Évora, a dama dos pés descalços; Sérgio Brito, um dos mais respeitaveis senhores do teatro brasileiro; e Joãozinho Trinta, o carnaval em pessoa. Os três nos deixaram hoje. Partiram para outro plano. Não acho que tenham combinado de fazer isso ao mesmo tempo. Mas deixaram o mundo mais pobre.

A última vez que estive com Joãozinho foi durante a campanha política do ano passado. Ele era candidato a deputado distrital aqui em Brasília. E eu acompanhei a sua chegada à produtora onde eram gravados os programas de rádio e televisão. Nosso encontro foi curto e emocionante. E ficou registrado aqui no Blog com um texto que eu faço questão de dividir com vocês agora. Para lê-lo, basta clicar aqui. Eu li e me emocionei.

Sobre Cesária, também já confessei aqui a minha paixão. Aquela negra de olhar tranquilo, sorriso ancho e voz macia me seduzia com sua música. Não faz muito, ela teve que cancelar, por ordens médicas, as exibições ao vivo. Quando fiquei sabendo disso, escrevi aqui no blog um pequeno texto que também faço questão de dividir com vocês. Para lê-lo é só clicar aqui. Ali, eu já lamentava os palcos ficarem sem os pés dela. Hoje lamento a sua ida. Foi-se o corpo, fica a alma e a voz.

Sobre Sérgio Brito não escrevi nada. Mas o admirava pelos inúmeros trabalhos que vi. Ele esteve na TV enquanto eu crescia. Ele fez do teatro uma devoção. E foi com devoção que assisti há pouco a atriz Fernanda Montenegro falar sobre ele, num curto depoimento dado ao Jornal Nacional.

Para assistir a reportagem, basta clicar neste link que publico aqui:

http://g1.globo.com/videos/jornal-nacional/t/edicoes/v/sergio-britto-trabalhou-ate-o-fim-da-vida-como-ator-e-apresentador/1735581/

Tudo isso, hoje. Um sábado nada a ver.





quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Lá vem Manoel, na voz de Camillo

Capa do CD Crianceiras, com poesias de Manoel e músicas de Marcio
Há quatro anos, Marcio de Camillo se esforça por tornar realidade um projeto que eu classifico como um sonho: musicar poesias de Manoel de Barros. Marcio batizou o projeto de Crianceiras. Correu, brigou, pulou, se mexeu, virou bicho, até que conseguiu. No  final de outubro o projeto deixou de ser projeto, virou coisa pronta e acabada.

Acordo na manhã dessa quarta-feira e recebo uma mensagem com um link para um dos vários vídeos que já foram gravados. Esse, em especial, me fascina. Um bem-te-vi.  Vou falar pouco. Aprendi com Manoel. E, apesar de mouco, agora ouço mais. Na voz de Marcio e de umas crianças, coisa mais linda.

Que seja uma quarta-feira abençoada.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Os barbeiros da Carolina do Norte

Matt Morris
Em 2007, o cineasta americano Matt Morris dirigiu um documentário curto chamado "Pickin & Trimmin". O filme revela o cotidiano de uma tradicional barbearia em Drexel, Carolina do Norte. Lawrence Anthony e David Shirley são dois senhores de idade que cumprem a mesma rotina há décadas: Cortam cabelo, fazem a barba e jogam conversa fora com os seus clientes. Até aí, nada de mais.

Mas há um segredo que torna esse lugar e esses personagens absolutamente especiais. A sala do fundo da barbearia é um reduto secreto, palco improvisado para alguns dos melhores instrumentistas da região. Ponto de encontro para os apreciadores da mais legítima música americana, desfilando com maestria por um repertório que vai do Folk ao Blues.

O filme já foi exibido em dezenas de festivais de cinema ao redor do mundo e ganhou vários prêmios. A partir do filme, outras pessoas começaram a descobrir aquele ambiente. A maioria ficou surpresa com a existência de um lugar assim. A barbearia tornou-se um espaço especial na vida de todos que passaram por suas portas, seja para um corte de cabelo, para ouvir música ou simplesmente para ter uma conversa animada ao som de uma bela trilha sonora.


Cartaz do Filme
No final de 2009, Lawrence Anthony, o barbeiro-chefe da loja, faleceu. Seu filho Carroll pretende cumprir o desejo do pai e manter a loja aberta, preservando o mesmo espírito de funcionamento da casa, da mesma forma simples e descontraída que marcou a história da barbearia. Mas a tarefa não será fácil. Assista o filme, curta a música e  se apaixone pela fórmula deliciosa que músicos de todas as idades encontraram para se divertir. Depois conheça a campanha que está sendo desenvolvida para ajudar a preservar a barbearia.

Não se espante com o tempo do filme. Serão 20 minutos de deslumbramento para os seus olhos e ouvidos. Pode acreditar.

Pickin' & Trimmin' from Matt Morris Films on Vimeo.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Pra não esquecer

Alene Lins e seu filho, Arthur.
Alene Lins é uma amiga jornalista com quem convivi pouco, pessoalmente, mas com quem mantenho uma ligação virtual constante. Ela vive na Bahia de Todos os Santos, mais precisamente, em Salvador. Experimentou o jornalismo e escolheu a academia. É uma transferidora de conhecimentos. Ensina novas gerações de comunicadores a ler, pensar, experimentar e, por fim, transferir conhecimento, outra vez.  E assina um blog que tem no título uma confissão  que eu julgo desnecessária "Antes que me esqueçam". Penso que quem conhece a Alene não vai esquecê-la com facilidade. Mas, vá lá...

Há pouco, Alene postou um texto falando da sua vontade de estar perto dos amigos. Daqueles que se fizeram presentes em várias etapas da sua vida, daqueles que se foram, mas não passaram. Dos que estiveram, mas não se foram. Daqueles amigos aos quais nem querendo a gente esquece. Se quiser dar uma olhadinha no bom texto dela, é só clicar aqui.

Seu roteiro de amizades cruza oceanos, rios e montanhas. Corta o Brasil de Norte a Sul. E para no coração. Exatamente como acontece às amizades verdadeiras. Pensando na impossibilidade de fazer o roteiro e festejando a existência dessa infovia virtual e ilimitada, Alene indica um vídeo que é a mais sincera tradução desse sentimento.

O filme faz parte do projeto "Playng for Change". Uma idéia legal, que une cantores, músicos, instrumentistas de várias partes do mundo, cantando ao mesmo tempo a mesma canção. É um trabalho refinado, profissional, caro e dedicado. A idéia central do projeto é que tocando ou cantando, é possível conectar e melhorar o mundo.

Alene dedica a música aos amigos distantes. Muitos dos amigos dela são meus amigos também. Então, divido com vocês o filme e a alegria de poder alcançar tanta gente distante, de uma forma tão próxima. E, antes que eu me esqueça, amigo assim, a gente não esquece. Nem querendo. Viu, Alene!

Especialmente, hoje

A música não é nova. É de 2007. A versão, sim. Foi gravada nos estúdios de Abbey Road, especialmente para trilhar o comercial de um perfume - Burberry Body. Caso você queira assistir o filme do perfume, clic aqui. Se não quiser, curta a música. Ela é a melhor trilha para começar o domingo chuvoso, aqui em Brasília.

sábado, 10 de dezembro de 2011

O cinema na minha estrada

O cinema sempre esteve presente em minha vida. Desde cedo. Desde sempre. Em 24 quadros por segundo, tenho a ilusão de que me movimento como um personagem, como num filme. Um longa-metragem que me trouxe da Madre Deus e me levou pro mundo.

24 quadros por segundo. No Paraná, minha primeira parada, bem no início da década de 70, aos 8 anos de idade, não perdia por nada as matinês do Cine Star, toda quarta-feira à tarde. Ali descobri os faroestes, os italianos, os épicos, sem saber direito o que eu assistia. Mas meus olhos já se encantavam com a telona, e com a beleza das fitas projetadas a 24 quadros por segundo.

Quando desembarquei no Rio Grande do Sul, no início da década de 80, a Geração Super 8 começava a ganhar fama e prestígio. Uma juventude inovadora e descolada chegava às telas em ousados longa-metragens produzidos naquelas maquininhas mágicas que fizeram história. O cinema Super 8 formou uma geração de artistas, técnicos, roteiristas e diretores e inaugurou uma nova fase da produção cinematográfica gaúcha.

"Deu pra ti Anos 70" abriu a fila, encheu as salas de cinema, conquistou público e crítica e tornou-se um clássico de uma sequência que traria ainda, "Coisa na Roda", "Inverno" e vários outros títulos. Giba Assis Brasil e Carlos Gerbase viraram gente grande, para o cinema, a partir desse movimento. Da mesma forma, surgiram Werner Schunemann, Carlos Gruber, Nilo Cruz, Rude Lagemann e Ivonete Pinto.


Nessa época, no curso de jornalismo da UNISINOS, a gente ensaiava todos os movimentos possíveis no teatro, na literatura e no cinema também. Era um tempo de experimentação. Desafiado pelo Guaracy, professor da cadeira de Cinema, dirigi o meu primeiro média-metragem, em super 8. "Qualquer coisa a ver com o Paraíso" era uma fantasia poética de 20 minutos, rodado durante uma noite inteira, entre a Avenida Farrapos e o Mercado Central de Porto Alegre. NUma dessas voltas ao Sul vou tentar obter uma cópia desse filme que hoje faz parte do acervo da universidade.

Em 81, numa rápida volta a São Luis do Maranhão, conheci Carlito Silva e com ele embarquei no projeto de um documentário, feito também em super 8, que contava a história de um grupo de famílias cuja vida acontecia em função do mais rico folclore maranhense, o Bumba Meu Boi.

Durante duas semanas filmamos a história que deu origem ao documentário "Rei da União". Com ele, recebemos o prêmio do juri popular do primeiro Festival Guarnicê de Cinema, no Maranhão. Durante os dias que passamos em Pindaré Mirim, cidade no coração amazônico maranhense, pude compreender os detalhes de uma festa que misturava o sagrado e o profano, num sincronismo de dança e de ritmos que povoaram toda a minha infância e ainda hoje, aceleram o meu coração.

Na foto postada aí acima, eu, homem feito, criei coragem e pus o chapéu de um dos brincantes do boi. Um sonho de infância, um reencontro com as minhas raizes, uma alegria sincera.

O tempo passou, o filme da vida deu muitas voltas e eu cheguei à TV. Ao jornalismo. Mas nunca abandonei o cinema, nunca deixei de produzir roteiros e de dirigir documentários. Recentemente, o cinema bateu de novo à minha porta. Fruto de um convite feito por Roberto Além Rojo, um premiado diretor de cinema Boliviano, fui chamado para colaborar com o roteiro de um filme que vai contar um pedaço esquecido da história da Bolívia. Sobre esse novo projeto já falei aqui no Blog e se você quiser conhecer melhor essa história é só clicar aqui.

Hoje, vasculhando a blogosfera, dei de cara com uma nova safra do jovem cinema gaúcho. E senti vontade de repartir com vocês a simplicidade deliciosa desse filme, feito por alunos de uma faculdade de cinema de Santa Maria. Ele tem 15 minutos. Mas eu penso que você não vai se arrepender se parar para assistir. É um belo jeito de encerrar a noite de sábado. A 24 quadros por segundo. Como num filme.


Freguês da meia-noite

Acaba de sair do forno o novo clipe de Criolo. Freguês da Meia Noite é o segundo de Nó Na Orelha, álbum lançado no início deste ano pelo rapper.

A faixa com um quê de Reginaldo Rossi foi ambientada num clima de filme noir na cidade de São Paulo, sob a direção de Arthur Rosa França e Samuel Malbon, com Criolo mostrando mais uma vez seu lado ator. As informações são do site Rock'n Beats. Dê o play para assistir:

http://www.rocknbeats.com.br/2011/12/09/clipe-criolo-fregues-da-meia-noite/

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Porque é preciso seguir

Há dias em que o barco fica vazio.
No vazio, sei, falta o ar.
O mar, não.
É eterno e vasto.

E como se a vastidão fosse minha
é que sigo.

E como se o mar fosse verdade
prossigo.

E quando te falta um pouco de tudo
nesse exato momento, justo agora,
quero que saibas
que o barco,
meu barco
está aqui.

Pronto para seguir
na vastidão desse mar sem fim

Que talvez, alcance;
ou, quem sabe, nunca
algum porto seguro.

Mas que nem toda incerteza
será capaz de impedi-lo
de seguir navegando.

(Para Mara, que haverá de seguir navegando, sempre)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Short Cuts 1 - dezembro

Passei no Pastelzinho, do Maurilo. Tá lá, o Tempo. Copiei pra cá. Maurilo diz, curta, objetiva e poeticamente, que o tempo existe, é algoz, bênção ou maldição. Nós, talvez não.

Cabe pensar. Cabe sentir.
Por isso, cabe lá. Mas cabe também aqui.


Pai Noel

Subia as escadas do Shopping, saindo da garagem e seguindo para o piso térreo. Meus olhos deram de frente com uma figura comum, nessa época do ano. Papai Noel. Mas havia algo de incomum nele. Estava se preparando para trabalhar. Mais do que isso, estava encostado no balcão da lavanderia.

Não resisti e fiz uma foto. A primeira, sem que ele percebesse. Na segunda, ele virou e me chamou, todo sorridente - como devem ser sempre os "Papais Noel". E aí, pai Noel, descansando um pouco? Nada, disse ele. Entro em campo daqui a pouco. Limpinho e cheiroso.

Foi a primeira vez que presenciei a intimidade de papai Noel. Saindo da lavanderia. Limpinho e cheiroso.

Alfredo, uma obra de arte

Alfredo Lafaiete (primeiro e único)
Hora do almoço, restaurante cheio. Telefone tocando. O Garçom. O pedido. A fome. A salada. A carne. A conversa. Tudo ali, ao mesmo tempo, agora. De repente, olho pa parede. Uma exposição de quadros de um artista popular.

Alfredo na parede - obra de pura arte
Entre os quadros, enxerguei a figura de uma africana e a imagem de um Llasa Apso (um cachorro chinês, de companhia) igualzinho ao Alfredo Lafaiete - o cachorro de Mariana, minha filha. Pensei comigo - Pronto! O Alfredo virou uma obra de arte.

Alfredo já é "tinhoso", cheio de manias, um lorde inglês em depressão. Imagine se tivesse noção de que virou um quadro! Imagine!!!

Luiz, o escritor

Recebo um e-mail do meu professor de Física, Luiz Roberto Evangelista, lá dos idos de 79, no Colégio Marista, com quem tive o prazer de me reencontrar um dia destes e de retomar o convívio, ainda que virtual:

Caríssimos:
Assim que recebi a notícia, eu pensei em vocês! Tomei, pois, a liberdade de enviar-lhes esta publicidade do primeiro volume...
Tendo em vista o estrondoso sucesso de público e de crítica, a Editora já pensa em uma "semana de autógrafos" e não em uma "noite" ou em uma "tarde"! De certo modo, isso começou com as "aulas" de história no Marista, para as quais alguns de vocês serviram de cobaia!
Um grande abraço,
Luiz (o "modesto").
 
A mensagem dele se refere ao lançamento do livro "Perspectiva em História da Física - Dos Babilônios à Síntese", de sua autoria. O evento oficial de lançamento acontece em Maringá. Como não poderei estar por lá, trato de reproduzir aqui a apresentação do livro e já deixo avisado - reserve o meu exemplar. Viu, Luiz!
 
A história da Física aqui apresentada enfatiza algumas das grandes descobertas feitas pelo homem para estabelecer uma descrição da realidade física, o que lhe permitiu compreender o funcionamento do mundo natural e descobrir uma receita simples, mas de grande eficácia, para o seu domínio.

O ponto de partida é uma rápida incursão pelas civilizações do Crescente Fértil e uma análise mais detida da primeira das revoluções científicas, a “invenção do cosmos”, feita pelos pensadores gregos das origens, seguida de uma análise das obras de Platão e Aristóteles.

O período medieval, vasto e complexo, é abordado por meio de dois fios condutores: de um lado, o problema da persistência do movimento ou do Princípio de Inércia; de outro, o problema do movimento nos céus, cuja abordagem culmina na obra de Copérnico.

Depois, o surgimento de uma nova Física é analisado e a atenção volta-se para o período que medeia o De revolutionibus, de Copérnico, e os Principia, de Newton. No meio do caminho, travamos conhecimento com as obras de gigantes, como Tycho Brahe, Kepler, Galileu, Descartes e Huygens.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Porta Negra

Vânia e Soli Santos
Soli Santos e Vânia são amigos que conheci em viagem. Dessas amizades que começam casualmente e se tornam mais sólidas à medida que o tempo passa. Ontem, Soli me escreveu: "Maranhão, como é o nome daquela cidade onde existe uma construção romana, chamada de Porta Negra? Em que país fica? Tens fotos?"

Soli e Vânia têm mais tempo de vida do que eu. E começaram, não faz muito, uma nova etapa, libertos dos afazeres domésticos e desprendidos de suas raízes gaúchas. Quando a vontade bate, eles dizem, juntam um par de roupas nas malas e seguem viagem, com destinos cada vez mais distantes.

Das duas, uma. Ou bateu uma saudade daquela viagem onde nos encontramos, ou o Soli está preparando um roteiro para uma nova investida. Pois, que seja. A pergunta dele me fez buscar na memória aquele momento.

A cidade a que ele se refere é Trier e fica na Alemanha, bem pertinho do Rio Mosela. É lá que encontra-se uma bela construção romana denominada Porta Negra (ou Nigra, em latim).

Porta Negra
Conta a história que Trier foi tomada por legionários romanos a serviço de Júlio César, em 56 a. C., durante a Guerra das Gálias, logo sofrendo as modificações próprias da Romanização. Era mania dos construtores romanos erguerem fortificações que pudessem ter tanto de belo como de sólido.

É o caso deste imponente edifício, obra defensiva robusta, atendendo ao carácter estratégico da cidade e sua localização numa fronteira perigosa. A Porta Negra é ladeada por paredes formadas por enormes pedras de cantaria apenas justapostas e sem qualquer tipo de "cimento". Falsas janelas e colunas exteriores, à boa maneira romana, ornamentam o edifício, assim ele tem uma estética bem mais agradável do que a sua função militar original lhe conferia.

O povo de Trier, admirador do seu monumento mais célebre, tratou logo na Idade Média de lhe levantar uma igreja românica. O escurecimento das pedras ao longo dos séculos deu o nome a esta construção, situada na primeira capital belga, já antes residência de imperadores romanos.

Devo dizer que a imponência da construção obriga a gente pensar na nossa pequenês humana. Como quase tudo o que se vê na velha Europa. Um jogo do tempo que mistura o velho (quase perene) e o novo, supreendente e arrojado. No dia em que passei pela Porta Negra, o sabor universal de um café quente me tomou a boca. Agora, nesse instante, pensando lá, escrevendo aqui, me alegro e me comovo. E agradeço a lembrança. Para onde quer que vá, Valeu, Soli. Grande abraço, beijo na Vânia e boa viagem aos dois.  

domingo, 4 de dezembro de 2011

Lana Del Rey, porque é domingo

Pra fechar a noite de domingo e começar bem a semana, o novo clip que dá nome ao disco de Lana Del Rey: Born to Die. O áudio é oficial. O clip ainda não. É só um teaser. Mas está muito bem cuidado. A mocinha abriu mão das roupas e é acarinhada, com a bandeira norte-americana tremulando ao fundo, por um sujeito todo tatuado e de olhos fechados, como se estivesse em outro mundo. Cá pra nós, nessas condições quem não estaria?

O clip oficial sai em pouco tempo. Por enquanto curta, porque a moça merece. E nós também.

Cultivando Minas, amigos e idéias

Estou no Aeroporto de Confins. Vim ontem de manhã para BH e estou voltando agora. Vim a trabalho, a convite do Instituto Cultiva, do Rudá Ricci, um sociólogo dos mais respeitados no Brasil, que sempre me provoca a encarar alguns desafios. Coisas que quebram a minha rotina de Brasília, me permitindo respirar outros ares e viver novos (e belos) horizontes.

Tempos atrás, Rudá me ligou dizendo que precisava reconstruir a imagem do Cultiva. Fizemos uma reunião de trabalho e, ao final, sugeri que o Zé Cerozzi, diretor de arte com quem trabalho há doze anos, entrasse na roda. Zé é um amigo, irmão, caminhoneiro. Desses que a vida pôs no meu caminho sem que eu pedisse. Tanto que eu e Mara somos padrinhos de casamento dele e da Juliana - os dois moram, hoje, em Santa Catarina. O Zé topou, o Rudá concordou e o desafio virou realidade.

A fase de crição levou uns dois meses. Foram trocas intensas de telefonemas e muitos e-mails, orientando o Zé, discutindo conceito do Instituto, as características e as suas peculiaridades.

Na semana passada, Rudá me ligou dizendo que estava mandando uma passagem e reserva em hotel. Me avisou que passaríamos o sábado inteiro reunidos - colaboradores do Cultiva de vários cantos do Brasil, para conhecer a nova marca criada pelo Zé e saber dos novos planos para 2012. O Zé também estaria na reunião. Há dois anos não o encontrava, a não ser por telefone.

"Família" Cultiva trabalhando.
Cheguei e já fui direto para o encontro. Quase uma reunião de família, feita em um restaurante, num ambiente caseiro, modesto e aconchegante o suficiente para nos fazer sentir como se estivéssemos em casa. Sim, um restaurante. O chefe, Meireles, é amigo do Rudá. Fechou a casa para recebe as 15 pessoas que vieram para a reunião. Jornalistas, professores, publicitários, designers gráficos, especialistas em tecnologia da informação, documentaristas, sociólogos, enfim, um bando de loucos bons e apaixonados.

Eu sou suspeito pra falar, mas penso que o Zé fez um trabalho primoroso. Foi buscar no Homem Vitruviano, de Leonardo Da Vinci o ponto de partida para a recriação da marca. Atribuiu cinco elementos essenciais contidos no pentagrama, inseriu poesia com o pentagrama natural da flor do Ipê, estendeu os cinco pontos à configuração do mapa do Brasil, dividido em cinco regiões e, por fim, deu movimento.

A marca está pronta e aprovada.





O Rudá, à frente do time, fez muitos elogios ao trabalho do Zé, falou sobre a nova fase do Instituto Cultiva. Me cobriu de carinhos com uma fala comovente sobre as coisas que temos feito juntos. Foi uma viagem curta e deliciosa. No meio do dia, interrompemos o trabalho para um almoço gourmet. O Meireles, devidamente paramentado, nos apresentou uma sequência que teve carpaccio, queijos especiais de Minas e outras delícias, como entrada; uma bela salada de folhas verdes e um lombinho acompanhado com um purê de batata baroa, como prato principal. A sobremesa foi um assado de frutas (combinando pêra, manga, morangos e damascos) com sorvete de creme. Divino, não?

Rudá, na cabeceira da mesa, Meireles, de avental vermelho.
Hora do almoço
Fechamos o dia, depois deste banquete, planejando o futuro. O novo site, as novas ações, os novos projetos. O Instituto Cultiva é um intervalo criativo em minha vida.  Uma dose de oxigênio que me abastece para retomar a turbulência que, por vezes, assalta o cenário brasiliense.

Cantina do Lucas
Para encerrar, fui jantar com o Zé e com um amigo publicitário/marqueteiro e a namorada dele.  Hye e Marcia nos levaram a um restaurante dos mais tradicionais da cidade, onde - dizem - se reúnem bêbados, intelectuais, políticos, vagabundos e loucos, não necessariamente nessa mesma ordem. A Cantina do Lucas fica no centro de Belo Horizonte e funciona  no mesmo lugar, com o mesmo estilo, há 50 anos. O prato foi uma massa parisiense e um bom vinho alentejano. Volto a Brasília com a cabeça renovada e com o coração cheio de alegria, a tempo de ver o meu Palmeiras fazer a única coisa que ainda pode ser feita  para salvar este ano de 2011 - ganhar do Corinthians.