domingo, 30 de junho de 2013

Boleiro

Década de 70, nos tempos do Guairacá.
Quando me entendi por gente, me descobri torcendo pelo Moto Club de São Luis. Lá em casa, todos eram motenses apaixonados e nutriam uma especial antipatia contra os bolivianos (assim eram chamados os torcedores do Sampaio Correia, cujas cores da camisa - amarelo, vermelho e verde - lembravam as cores da bandeira da Bolívia). Algumas vezes tive o prazer de ver o clássico do futebol maranhense - o Maremoto (Maranhão X Moto Club) no estádio Nhozinho Santos, ao lado do Viegão. Lá se vão mais de 40 anos.

O "clássico" maremoto, Maranhão Atlético Clube
contra o Moto Club de São Luis. 
Mas o vermelho e preto do time maranhense não me fez um flamenguista juramentado, como poderia ser natural. A paixão pelo Moto permaneceu enquanto estive lá. E guarda resquícios de amor e respeito pelo time, que se manifestam toda vez que visito a gaveta das lembranças ludovicenses.

Quando deixei o Maranhão e cheguei ao Paraná, no início da década de 70, meu coração juvenil se apaixonou pelo alvi-verde do Palmeiras logo que o futebol me conquistou e me levou para os campos - seja o do quintal de casa, seja o das colônias de férias no quartel, na fronteira do Brasil com o Paraguai. Foi uma paixão definitiva, que persiste até hoje.

Fui ponta direita do time do 1º Batalhão de Fronteira, o Guairacá Esporte Clube, que - não por coincidência, ostentava as cores verde e branco. Nunca tive o brilho de um Garrincha, mas dei minhas tacadas e deixei alguns joãos a ver navios. Fiz cruzamentos certeiros e marquei gols decisivos, como o que deu o título de um campeonato ao Guairacá, contra o time do ABC, nosso maior adversário naqueles tempos de Foz do Iguaçu.

Hoje, dia de decisão da Copa das Confederações, olho para trás com o carinho das boas lembranças. Meu coração verde e branco vai torcer pela seleção Canarinho. O verde e amarelo falando mais alto, mesmo que, nos tempos de agora, a Pátria de Chuteiras tenha se tornado só uma expressão antiga. E não vá além de uma imagem em preto e branco, memória de um período em que o futebol era capaz de disfarçar qualquer angústia.

sábado, 29 de junho de 2013

Pedrada

Hoje, 29.

Da esquerda para a direita: Ildenor, Isabel Cristina, Isanor.
À frente, Iram, o aniversariante.  

Meu irmão, Iram, faz anos. Nasceu há 41. Minha avó, Antonieta, muito ciosa das coisas escritas nos almanaques, queria que ele se chamasse Pedro, pelo dia do santo. Não vingou. Resistiu a tradição de ter filhos com nomes começados pela letra I. Dessa forma, Iram, o quarto de nós, juntou-se a Inorbel (este que lhes escreve), Isabel Cristina e Isanor. Depois dele, viria ainda o Ildenor, fechando a família e impondo um fim à tradição.

Hoje, 29, dia de São Pedro


Vivi pouco na terra onde nasci, São Luis, do Maranhão. Mas o pouco que vivi por lá foi suficiente para me deixar marcas indeléveis. Minha memória de infância. Ladeiras, com pedra de cantaria. A beira mar, os pescadores, alvoroço de pássaros nas manhãs. O som dos tambores. O vento buliçoso. A areia e os temperos.

Dormia em rede, sem saber que dormir em redes é uma arte dada a poetas do sono (os sonhos sonhados ali ficam mais coloridos). Acho que vem dai o meu amor pela poesia. Apreciava as chuvas sem nunca descobrir de onde vinham todos aqueles pingos, e sem desconfiar para onde eles iam, em forma de correnteza, depois que caiam no chão.


Comia jambo (uma fruta de cor rosa e levemente adocicada) e pitomba,  tomava suco de murici, sorvete de côco na casquinha, daqueles que eram vendidos por homens fortes, que carregavam um tonel de madeira na cabeça. Esperava, invariavelmente, a passagem de uma senhora magrinha, pela porta de minha casa, perto das três da tarde, que vendia manuê, cuscus e tapioca. Tardes inteiras sem compromisso, senão com o compasso do tempo, à espera do fim do dia, que sempre chegava por perto das seis horas. Era quando se ouvia ao longe uma Ave Maria, quando os pássaros que ocupavam as árvores nos quintais se aquietavam, prometendo uma nova algazarra para quando a manhã chegasse.

Madre Deus

O sol daqui me faz arder em chamas a memória. Me transporto para lá. Caboclos de pena, matracas e pandeiros. As ruas cheias de gente, e suor, milhares de vozes cantando ao mesmo tempo, a batida dos tambores, a fogueira aquecendo o couro e alcançando o timbre certo. Enquanto estive lá, escutei de longe os brincantes, as toadas e invejei as danças com o olhar. Pedro, que estudou comigo; e Laurinda, irmã de Del, me escrevem e descrevem o que veem e ouvem. Penso que eu queria estar lá. Fecho os olhos e ouço tudo também.


Tenho hoje os tambores ao alcance dos dedos. Vou lá. Me lembro de uma toada do boi de Axixá, uma variante do Bumba-meu-boi, que tem composições mais sofisticadas e é acompanhado por uma orquestra de metais. Uma letra me vem à memória:

Quando eu me lembro
a minha bela mocidade
eu tinha tudo à vontatde 
brincando no boi de Axixá

Eu ficava com você
naquela tarde ensolarada
a sua pele bronzeada
eu começava a contemplar

mas é que o vento buliçoso
balançava os seus cabelos
E eu ficava com ciúmes
do perfume ele tirar

mas quando o banzeiro quebrava
seu lindo rosto molhava
e a gente se rolava
na areia do mar 

A letra veio toda, inteira. Busco uma imagem e encontro a canção. Digna de ouvir. Som da minha terra e da minha infância.


Pedrada Primordial



A Madre Deus em mim não é de hoje. É de útero. 


Manuelando


Recorro a Manuel de Barros e sua infinita destreza para desconstruir palavras e reconstruir a natureza. O invejo em sua auto-definicão de sabedoria. 

"Tenho o privilégio de não saber quase tudo. E isso explica o resto".

Manoel escreve coisas  que me fazem ficar matutando: Meu Deus, como não fui eu que fiz?


sexta-feira, 28 de junho de 2013

Tão bem

Scarlet Moon de Chevalier. Quando ela se foi, eu não escrevi. Mas a lembrança dela não me sai da cabeça, na voz de Lulu. Música da madrugada. Tão bem. Porque estar bem é preciso.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Madiba!

Um carinho, um reconhecimento, um abraço afetuoso - ainda que virtual e distante, uma reverência. Copiado do blog da Fernanda van der Laan.


quarta-feira, 26 de junho de 2013

Impossível?

Dezoito anos atrás, um lapso de concentração esmagou muitos dos sonhos de Pascale Honore. Entre eles, o de um dia virar uma surfista. Sonho que se realiza aqui, com a ajuda de um amigo da família, Tyron Swan,  e um rolo de Silver Tape. Surfar. Quem disse que é impossível?

terça-feira, 25 de junho de 2013

De volta à montanha


Por *Innocêncio de Jesus Viégas


Fazer uma visita a um amigo
 é manter viva a chama da amizade.

De volta à montanha
Depois de quase quinze dias no hospital curtindo as dores de uma pancreatite grave, voltei hoje ao meu rancho, em plena recuperação. O poeta Bastos Cordeiro nos disse que: - Para as moléstias do corpo há vários remédios, para as da alma só há um: o amigo.

Vocês todos foram esses amigos que colaboraram para que a minha alma ficasse curada, pois do corpo os médicos se encarregaram. Às vezes, precisamos sofrer para que haja maior entendimento entre corpo e alma. É que ao cuidarmos muito da alma, o corpo se fragiliza para nos lembrar de que existe e merece toda atenção. E, quando cuidamos muito do corpo, nos embelezamos para o mundo, a alma fica triste, aí sofremos as dores que afetam o corpo.

 Nesses longos dias de hospitalização, pude sentir que os amigos se preocuparam com a minha saúde em todas as horas. Uns estiveram de corpo presente à beira do meu leito; outros por telefone e diversos meios eletrônicos, dando-me ânimo; e muitos, mas muitos mesmo enviando seus pensamentos positivos, numa corrente forte e telepática que muito contribuiu para a minha cura.

Agora estou em casa sob os cuidados da incansável Bel, minha rica metade, que velou por mim todo esse tempo. Nesse período doloroso, os filhos, a filha, as noras, o genro e os netos maiores se revezaram em vigília e a família reviveu momentos de ternura e amor filial, para que a viga mestra não tombasse.

Meus caros amigos, venho, nesta epístola, entregar a todos o meu agradecimento e lhes dizer que o corpo está em plena recuperação e a alma resplandecente por ter recebido dos meus queridos irmãos os eflúvios necessários para o meu restabelecimento físico e espiritual.

Não quero lhes dizer que senti atrozes dores. Quem fala por mim é o poeta Fernando Pessoa, que expressa com seus versos, os momentos de amargura que sofri: “– O poeta é um fingidor/ finge tão completamente/ que chega a fingir que é dor/ a dor que deveras sente”.

Daqui, do alto das montanhas do Velho Duca, fico a elevar preces ao Criador dos mundos – ao som mavioso do canto do meu galo Cigano – para que Ele ilumine e guarde a todos os que se lembraram de mim e me ajudaram a vencer essa batalha. Gracias à la vida! Obrigado a todos.
  
  *Innocêncio de Jesus Viégas é meu pai e pela plena recuperação dele eu guardo um recesso de vinhos. Até que possamos partilhar, juntos, a primeira taça.         

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Meio Beatles, meio Manuel

Segunda. Véspera de terça. A manhã vai crescendo entre carros e passarinhos desavisados. Desço a serra em direção ao plano. A velocidade imóvel das placas, que ficam enquanto passo. A sinceridade por trás dos óculos. A curvatura do dia que vai desaguar por entre prédios e avenidas monumentais. Brasília se desvenda à minha frente, como um futuro incerto e belo. Como um rabo de vento à toa, feito pensamento vadio de infância.

Me vejo assim. Meio Beatles, meio Manoel de Barros. Day after day. Alone on the hill. 



domingo, 23 de junho de 2013

O presente

Há alguns dias, meu caminho cruzou de novo com a poesia de Manoel de Barros. Contei o começo dessa história aqui. Hoje, a poesia de Manoel bateu à minha porta para tornar mais doce e mais leve o meu dia.

Chegou pelo correio, dentro de um pacote amarelo, cheio de selos, em forma de boa notícia. Dessas que são cada dia mais raras. Bosco Martins, o remetente, enviou-me a dose de poesia capaz de transformar o incerto em maravilha. Capaz de retirar, como num passe de mágica, o cinza do dia, abrindo espaço para um sol imaginário, um campo imaginário, em um pantanal qualquer, um oceano de água doce - também imaginário - de calmaria.

A boa notícia
De dentro do envelope brotou um livro de Manoel de Barros, Menino do Mato,  que me foi carinhosamente dedicado. Frase curta o suficiente para grudar-se em minha mente como uma tatuagem - indelével, imaginária.

O livro

A dedicatória
"Ao caro amigo Maranhão Viegas, afetuoso abraço do Manoel de Barros"

Bosquinho, nem sei como te agradecer pela gentileza e pelo presente. Manoel, receba o meu carinho e a minha admiração. Você e sua poesia acabam de fazer do meu domingo uma deliciosa fantasia. Vida longa, meu poeta!

Manoel de Barros e Bosco Martins

Short cuts de domingo

A futura presidente

Mariana, na esteira da história
O telefone toca.
Foi difícil escutar em meio a tanta gritaria. Milhares de pessoas em volta.
Mariana atende: Oi, ! Nana (é assim que Isabel, minha mãe, chama Mariana) tá tudo bem? Onde você está? Estou aqui, em cima da rampa do Congresso Nacional, no protesto, vó! Meu Deus, menina, não vai cair dai. Viegas (é assim que ela chama o Viegão, meu pai, quando o assunto é sério), sabe onde tua neta está? Na rampa do Congresso, no protesto!

Mariana ri do outro lado. Cadê o Bi (Bi é Gabriel, o irmão de Mariana e neto de Dona Isabel)? Ele tá aqui também, vó! Viegas, o Bi também tá junto. Os dois estão lá. Viegão pede pra falar com Mariana. Oi, vô! Oi, Nana. Olha, vê se arruma uma confusão ai e vai presa. Daqui uns 30 anos, quem sabe, você vira presidente. Foi assim que a Dilma começou.

As primeiras lágrimas do gás

Gabriel, construindo seu caminho
Deu meia-noite e eu fui vencido pelo cansaço. Gabriel ainda na rua. No protesto. Um misto de orgulho e receio, característico de quem ama os filhos e teme pelo desconhecido diante deles. Na verdade, teme não estar por perto, caso eles precisem. Não que estar por perto pudesse mudar as coisas. Mudaria apenas o fato de estar junto. De enfrentar junto. De compartilhar o que quer que fosse. Essa onipresença inatingível e o que tira o sono dos pais - hoje, é mais fácil compreender.

Durmo a noite inteira. Acordo e vejo o Bi despertado. E ai, filho, como foi ontem? Foi bom, pai. Muito bom. Emocionante. Só aquele tal de gás lacrimogêneo é que eu não curti.

Penso comigo, a primeira lágrima de gás lacrimogêneo a gente nunca esquece. A história vai-se fazendo.

Direto do passado

Foto: Arquivo Estadão
Naquele dia, naquele lugar, eu construía a minha história
e testemunhava o nascimento de um outro país
Era o ano de 84. Eu estudava no Rio Grande do Sul. Naquela época ainda se viajava de carona. Eu fui de São Leopoldo a São Paulo, mochila nas costas, vento na cara, "no dedão" e com a coragem dos ignorantes (no sentido semântico da palavra).

Cheguei em São Paulo no dia do grande comício das diretas, na Praça da Sé, que reuniu mais de 300 mil pessoas, num tempo em que não havia redes sociais. Um feito. Uma afronta ao regime. Um pequeno ato popular, um grande passo em direção à democracia.

Meu coração tomado de alegria cívica, parti para São Luis, no Maranhão. Cheguei dois dias antes do comício das diretas, disposto a gritar por mais democracia, lá também. Meu pai estava na ativa, militar do exército. Não gostou da ideia. Foi o meu primeiro confronto (quase físico) com meu pai. "Filho meu não participa dessas coisas de comunista". "Sou seu filho e vou participar". Fui, sem saber se voltava pra casa. Vi Maria Aragão, uma velha líder comunista maranhense falar com a sua mente jovem e arejada. Não teve gás lacrimogêneo. Mas uma ardência interna, vinda do fundo da minha alma me fazia chorar naquela noite, sem saber exatamente por quê.

Direto do presente

O clamor das ruas encontra a cabeça branca de meu pai mais arejada. O clamor das ruas leva meus filhos às passeatas e os expõe ao gás e à vida - com a mesma intensidade. O clamor das ruas me faz refletir - em alguma esquina do tempo três gerações se encontram, caminhando na mesma direção. O vento em meu rosto tem o mesmo frescor de sempre.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

O novo Brasil



Sim, os dias são tensos, românticos ou não.
Há poesia em tudo, mas a poesia destes dias tem a cor cinza.
Escrevi sobre os movimentos quando eles começaram a tomar corpo.
Falava da beleza das ruas cheias, do oxigênio novo nas veias da sociedade e das dúvidas sobre o rumo que tudo isso ainda tomaria.


Hoje, o dia amanhece com um sabor bem amargo em Brasília. E a ressaca se estende 
por todo o território nacional. Não pela beleza de quem foi para as ruas de forma cívica e pacífica.
Mas pelo risco de uma guerra civil anunciada, pautada pela barbárie, pela violência, pelo descontrole, que se assume na figura de mascarados, de bandidos infiltrados na multidão, daqueles que recorrem à covardia do anonimato para romper os limites do socialmente tolerável.

Meu coração se divide entre a alegria de ver meus filhos irem para as ruas (repetindo num espelho temporal e melhorando o que fui em minha juventude - quando também ganhei as ruas e lutei por desejos parecidos) e a angústia de vê-los expostos a esse descontrole social. Os meus e os milhares de outros filhos, de outros pais e mães, que também sonham com um país melhor, mais justo e mais cheio de esperança. 


Meu coração civil, como o de Milton, quer liberdade e quer amor.
Minha cabeça dói em busca de um sentido que justifique a perda de controle de um movimento que,
ao mesmo tempo, mostra e esconde o que estamos surpresos em ver: A nova cara do Brasil.

Vida que segue. 

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Em tempos de Copa

A charge do Correio Braziliense, edição de hoje, dispensa legenda.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Meus olhos doidos

Meus olhos doidos, em qualquer lugar
Nei Lisboa embalou  meus primeiros dias de Sul.  Ao som da música dele o nordestino que habita em mim encontrou maneira de ser de lá sem deixar de ser daqui. Nei me ajudou a ser meio do mundo sendo de Porto Alegre, da Madre Deus, ou de Paris.

Fui vê-lo de perto muitas vezes. No teatro da Assembléia, no Araújo Viana, no Parque Marinha do Brasil ou na praça central de São Leo. Em todas, aquela música que ele fazia tinha a cara de um tempo, do nosso tempo de estudante, da nossa universidade.

Ouvir Nei Lisboa no rádio, anunciado pelo Maurinho Borba, nosso colega de Unisinos, fazia dele um ser mais íntimo ainda. Era como se ele fosse da nossa turma. E desconfio mesmo que ele era.

Hoje, ouvindo Nei, me transporto para um tempo, à mesma medida, distante e presente. Outros signos, outras paixões. E o Nei firme, segue a guardar os segredos de minha alma. E deixar meus olhos doidos feito um coração qualquer, apaixonados pelos telhados cor de giz.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

O chocolate e o Guaraná

Tom Waits
Tom Waits é um compositor-instrumentista americano, considerado um dos últimos beatniks que ainda rodam por ai. Nem a música, nem Tom se enquadram em rótulos ou estilos. Ele usa a voz como se fosse o melhor cantor de botequim de todos os tempos. Canta como se estivesse permanentemente envasado, como se fosse parte de uma dose infindável de bourbom.

Brinca com a notas variando entre o Folk, o Rock e o Blues, como quem abre uma carteira de cigarro barato. Tem inúmeros prêmios e nunca fugiu de polêmicas. Tom compôs Chocolate Jesus uma provocação explícita às religiões que transformam a fé em produto de consumo fácil. Sua interpretação é magistral.



Carlos Careqa
Carlos Careqa bebeu no mesmo copo de Tom. O mesmo bourbom. E fez uma deliciosa versão de Chocolate Jesus, que virou Guaraná Jesus. Eu curto as duas e não me arrisco a escolher a melhor.

O amor que vale, de qualquer maneira...

O amor em três tempos

Mia Couto é dos meus. Não o conheço de perto. Nem precisa. Suas letras percorrem minha alma, fazendo mínimo o oceano que nos separa. A poesia nos liga. O amor que há em seus textos permeia a minha vida.

Porque hoje é quarta.

E porque é dia de falar de amor.

O amor de Mia Couto, em três tempos.



"Acendemos paixões no rastilho do próprio coração. O que amamos é sempre chuva, entre o voo da nuvem e a prisão do charco. Afinal, somos caçadores que a si mesmo azagaiam. No arremesso certeiro vai sempre um pouco de quem dispara."



"Pássaros, todos os que no chão desconhecem morada."



"O barco de cada um está em seu próprio peito."

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Mosteiro de Santa Clara

O Mosteiro de Santa Clara, fica na Vila do Conde,  no Porto, em Portugal. Foi fundado em 1318 e extinto no Século XIX. Do conjunto arquitetônico restam apenas uma igreja em estilo gótico e parte do prédio onde funcionava o convento. 

Após o decreto de extinção das ordens religiosas, em 1834, a vida no convento foi-se acabando, até findar-se totalmente com a morte da última freira, em 1892. No início do século passado, o que era um convento virou uma casa de detenção. Mais tarde, uma escola e por fim, um reformatório, que funcionou até o ano de 2007.

De lá pra cá, o prédio está abandonado, embora tenha sido objeto, em 2008, de um convênio assinado entre o Ministério do Turismo de Portugal e uma empresa da iniciativa privada para transformá-lo em uma pousada.

Hoje, navegando pela blogosfera, encontrei um filme curto, um grafite virtual em movimento, que devolve um pouco de vida ao convento abandonado. Um exercício de arte e sincronismo, capaz de simular movimento e cor onde só há história  e esquecimento. A direção do filme é de Daniel Silva e a trilha sonora, composta com arranjos de berimbau, é da "Arco do Som"

domingo, 9 de junho de 2013

Porque é domingo

Nada mais é preciso dizer. Gracias, Chico. Gracias Silvio Rodrigues. Pequeña Serenata Diurna.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Young and Beautiful

Pra fechar o dia, um pouco de Lana (muito) Del Rey. Young and Beautiful, música que faz parte da trilha sonora da nova versão do filme The Great Gatsby.

Short Cuts de sexta


A alta do Viegão

A tarde de sexta se arrasta. Lenta. Pesada, como se trouxesse todo o peso da semana que vai nos deixando. Os compromissos sobram na mesa, mas a mente pede um pouco de paz. 
Olho em volta. Espero o tempo passar.


Dieta zero, outra vez. 
No final da manhã, meu pai tinha me ligado. Fez uma brincadeira: Nuca, recebi alta! Sério, pai? Alta da comida. Voltei para a dieta zero, depois da endoscopia. Recomendação médica, até que os exames sejam conferidos. E deu risada, o Viegão, fazendo troça da própria sorte.

Eu o acalmei. Disse que a longa temporada no hospital teria um efeito prático, uma vida mais regrada aqui fora e a saúde mais sob controle. Desliguei o telefone e fiz planos de passar outra noite com ele no hospital. Outro jogo de xadrez, outras prosas, falar sobre os textos de Jorge Luis Borges, As crônicas de Mia Couto...


Bosquinho e o Poeta

Bosco Marins é um velho e bom amigo dos temos da TV Morena, em Campo Grande. Aliás, foi por insistência dele que cheguei à TV Morena, afiliada da Globo, em MS. Eu estava no SBT e nós dois éramos repórteres de rua. Nossas equipes sempre se encontravam em pautas comuns. Um dia Bosco me intimou: Passa lá, fala com a Ecilda Stefanello e com o Fábio Zahran. Seu lugar é com a gente. Eu acreditei, fui e fiquei. 

Semana passada, uma amiga jornalista que vive em Milão me deu motivos para voltar a falar com o Bosco. Eliane Oliveira precisava de uma autorização para usar um texto do Manoel de Barros num livro que está organizando. 

Pensei na hora que a pessoa que poderia fazer essa ponte entre ela e o poeta era o Bosquinho. Chamei e ele atendeu. Expliquei o caso e ouvi dele que estaria com Manoel em alguns dias.  Levaria uns livros para que Manoel dedicasse a amigos. Morri de inveja e deixando vazar meu lado tiete, disse ao Bosco que apesar do longo tempo que vivi em Campo Grande, não tive a sorte de ter um livro autografado por ele. Bosco ouviu quieto.

Há poucos instantes, ele me chamou no bate-papo do Facebook. Disse que esteve com Manoel de Barros e que havia passado todas as coordenadas para o contato entre Eliane e Stella, que cuida dos afazeres práticos da vida do poeta. Mas havia mais. Bosco me deu um presente inestimável, salvou minha tarde de sexta com a mensagem que reproduzo ai abaixo:

Manoel de Barros e Bosco Martins.
Bosco está lendo a dedicatória que o poeta fez  pra mim.
(Não passa de um desejo, uma licença poética. Mas bem que poderia ser.)

É o seguinte, o poeta esta bem velhinho e com dificuldades de audição e visão, mas autografou um livro pra você e lhe enviou um grande abraço. Como faço para mandar o livro? Qual seu endereço atual? Fiz também um texto sobre essa visita mais recente, me envie seu endereço de e-mail e também lhe envio o texto pra você opinar e ver o quê faz com ele, OK?  Grande abraço do amigo de sempre!!!

Bosco Martins

P.S. A tarde que se arrastava, ganhou brilho e cor. Já mandei o endereço e já reservei espaço no blog pro texto do Bosco. Obrigado, Bosquinho! Obrigado, Manoel!

A Alta do Viegão II



Viegão e Isabel: a vida de volta ao normal. 

Toca o telefone. Meu pai, de novo. Nuca, agora é de verdade. Estou indo pra casa. O médico olhou os resultados dos exames, voltou aqui e me liberou. A dieta vai ser rigorosa, mas vou cumpri-la em casa!

A tarde lenta e arrastada se completa inteira, e quente, e viva, e feliz. Quem haveria de me convencer que terminaria assim? A vida é mesmo uma delícia de se viver! Beijo, meu pai. Seja bem-vindo de volta!