quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Dançando na cama

It's Alright. Clip novo do duo americano Matt & Kim, em que eles misturam passos de dança com posições do Kama Sutra. Estimulante para a quinta, véspera de sexta e prenúncio de fim de semana.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Meu unicórnio azul


A primeira vez que ouvi El Unicornio Azul, cantada por Pablo Milanes e Silvio Rodrigues, foi na casa de Liliana Bayá. Pablo e Silvio são dois dos mais importantes cantores cubanos de que se tem notícia. Liliana é a minha comadre querida que nasceu na Argentina e vive em Cochabamba, na Bolívia.

A música é em si um poema cantado. Uma ode ao amor. O unicórnio é um ser alado, mitológico, imaginário. Na música, pode ser qualquer coisa, comporta qualquer referência amorosa. O unicórnio da canção pode ser uma flor, um amor perdido, um inalcansável, uma história que não se realiza...

Pablo e Silvio
Reza a lenda, que Silvio a compôs referindo-se a uma calça jeans perdida. Diziam que, à época, ter uma calça jeans era como ter um tesouro. Objeto de desejo de jovens sonhadores. Não sei se a história é verdadeira. Mas a poesia é.  E a canção se justifica.

Há  na vida da gente sentimentos que parecem reais, de tão intensos. Mas que vão ficar sempre no campo do imaginário singular. Pulsam como se de verdade. Queimam com o ardor das chamas. Produzem faíscas e cheiros. Soam como música aos ouvidos. Mas, estão destinados ao campo das ideias. Aparecem sem que a gente queira. E têm o dom de dar mais sentido à vida, torná-la mais leve, colorida e alegre. Da mesma forma que surgem, às vezes, vão-se embora sem dar aviso. Mas como doem quando se vão...

Uma dor que a poesia de Silvio e a canção de Pablo traduzem tão bem.
Dor de quem perdeu um unicórnio azul.


Mi Unicornio Azul
Mi unicornio azul ayer se me perdió
Pastando lo dejé y desapareció
Cualquier información bien la voy pagar
Las flores que dejó no me han querido hablar

Mi unicornio azul ayer se me perdió
No se si se me fue, no se si se extravió
Y yo no tengo mas que un unicornio azul
Si alguien sabe de él, le ruego información
Cien mil o un millón yo pagaré

Mi unicornio azul se me ha perdido ayer, se fue...

Mi unicornio y yo hicimos amistad
Un poco con amor, un poco con verdad
Con su cuerno de añil pescaba una canción
Saberla compartir era su vocación

Mi unicornio azul ayer se me perdió
Y puede parecer acaso una obsesión
Pero no tengo más que un unicornio azul
Y aunque tuviera dos, yo solo quiero aquel
Cualquier información la pagaré...

Mi unicornio azul se me ha perdido ayer se fue...


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Respirar bem fundo e devagar

Capa do Jornal Pasquim
dedicada a Binot
Sexta-feira. Prenúncio de sábado. Expectativa de domingo. É  bastante pra justificar a calma e o equilíbrio. Como na canção de Joyce, que marcou o fim dos anos 70 e o início da década de 80. Monsieur Binot é uma elegia à vida saudável, mas sobretudo, é uma homenagem da cantora àquele que foi considerado o guru de todo uma geração saúde, descolada e antenada que começou a se formar no fim do Século passado, no Brasil.

Victor Binot é um dos filhos da atriz Yara Salles. Irmão de Perry Salles, portanto cunhado de Vera Fischer, Victor preferiu a meditação ao estrelato. Aos vinte e poucos anos, foi para a Índia, viveu em templos budistas e voltou de lá como mestre Yoga.

Capa do primeiro disco
de Joyce
Montou uma escola de meditação e Yoga. Em pouco tempo, Binot virou moda entre os artistas. Gilberto Gil e Joyce, entre eles. Victor teve uma passagem curta por aqui. Morreu perto dos trinta, vítima da leucemia. Sua curta passagem, entretanto, ficou eternizada na música de Joyce, sucesso naquela época, que se tornou um clássico da MPB. Porque hoje é sexta. Monsieur Binot, na voz de Joyce.  



Monsieur Binot

Olha aí, monsieur Binot
Aprendi tudo o que você me ensinou
Respirar bem fundo e devagar
Que a energia está no ar
Olha aí, meu professor,
Também no ar é que a gente encontra o som
E num som se pode viajar
E aproveitar tudo o que é bom
Bom é não fumar
Beber só pelo paladar
Comer de tudo que for bem natural
E só fazer muito amor
Que amor não faz mal

Então, olha aí, monsieur Binot
Melhor ainda é o barato interior
O que dá maior satisfação
É a cabeça da gente, a plenitude da mente
A claridade da razão
E o resto nunca se espera
O resto é próxima esfera
O resto é outra encarnação!!!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Pássaros

Pássaros nos fios. Foro: Paulo Pinto.
A história não é nova (aconteceu em outubro de 2010). O vídeo não é novo. A ideia também não é nova (quem já não viu pássaros dispostos em rede elétrica como notas musicais?). Mas hoje, durante a minha corrida matinal, vi uma cena parecida e me lembrei desse episódio.

Jarbas Agnelli. Foto Paulo Pinto.
Um músico e, creio, também publicitário, viu estampada na capa de uma edição do Jornal O Estado de São Paulo, uma foto em que pássaros se dispunham na rede elétrica. A imagem, além de bonita e emocionante, sugeria uma delicada partitura. Correu pro estúdio, transformou, de fato, pássaros em notas musicais e compôs uma pequena "sinfonia dos pássaros".

Ele usou os recursos da internet, procurou o fotógrafo, ganhou a foto inteira (havia mais pássaros e, portanto, mais algumas notas para a sua "sinfonia". Na época, o vídeo com o making off da produção e contando a história, ganhou o mundo.

Hoje, fiquei com vontade resgatar essa história de novo. E ela continua linda, emocionante e atual. No vídeo ai embaixo o próprio autor conta a história e no final, você pode assistir o resultado da sua criação. Pássaros, música de Jarbas Agnelli sobre foto de Paulo Pinto.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Zaz - Dans ma rue

Essa menina francesa já está na trilha há algum tempo. Mas só a conheci há pouco. Uma voz rouca e sensual, um vigor típico das grandes damas francesas. Nesse vídeo ai embaixo, ela faz as vezes de uma Edith Piaf transposta aos dias de hoje. E dá show, nas ruas de Paris, cantando Dans ma rue. Como só uma grande dama poderia fazer. Zaz. pra fechar o domingo e abrir bem a semana.

Leminski 50

Paulo Poeta Leminski
Foi no rastro de Leminski que acabei de conhecer o blog Semióticas, do José Antônio Orlando (a quem só conheço por aqui e virtualmente, mas de quem já me auto-denomino amigo). E o que me levou até ele foi exatamente a notícia de uma publicação que está pra chegar às livrarias, Toda Poesia, que reúne 600 poemas da obra de Paulo Leminski.

Capa do livro a ser lançado
pela Companhia das Letras. 
Não vou escrever aqui, porque o texto publicado no blog do José está muito rico de conteúdo. Então, remeto pra lá (basta clicar aqui) porque a leitura vale a pena. Descobre-se ali, por exemplo, que o poeta surgiu para o mundo na pele de um judoka.

Que Belo Horizonte está para Leminski como a poesia concreta está para São Paulo. Que aquele jovem paranaense abusado tinha todo o direito de o ser, porque tinha a poesia na essência, na alma, desde cedo.

Que ele morreu cedo, bem mais cedo do que todos nós gostaríamos, que não chegou a conviver com a internet, mas que é um dos campeões das mídias sociais e sua obra está fadada à imortalidade.

Um dia, em Porto Alegre, Leminski me invadiu por meio da voz de Caetano. Era um show no antigo Teatro Independência. No meio do Show, Caetano falou de um poeta paranaense de quem ele gostava muito e com quem ele tinha feito uma parceria. E cantou Verdura. Naquele dia, passei a gostar mais de Caetano. E nunca mais me perdi de Leminski.


Agora, conto as horas para por as mãos em Toda Poesia. E enquanto a hora não chega, me divirto relendo, revendo, cantando Leminski, na voz de outro gênio da raça, que também nos deixou cedo: Itamar Assumpção

um homem com uma dor
é muito mais elegante
caminha assim de lado
como se chegando atrasado
andasse mais adiante
carrega o peso da dor
como se portasse medalhas
uma coroa um milhão de dólares
ou coisa que os valha
ópios édens analgésicos
não me toquem nessa dor
ela é tudo que me sobra
sofrer vai ser minha última obra

(em “la vie en close”)

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Delicadeza de sábado

Finos traços
de uma delicadeza
desenhada

Porque a vida
nos faz dançar
pra ficar mais leve

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Porque hoje é sexta

A tradução do amor que ficou no ar. Um curta bem resolvido. Explícito. Palavras? Pra quê?
Porque hoje é sexta. Love is in the air.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Cais

Lindo e comovente. Milton Nascimento e Carminho. Um presente capaz de mudar o curso do dia. Pra melhor, claro. Cais.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Carnaval com Simonal

Wilson Simonal

O documentário é antigo, foi lançado em 2009. Mas ontem, zapeando pra fugir das bundas siliconadas montadas sobre pernas de estivador em que se transformaram as mulheres que são destaques nas escolas de samba do carnaval brasileiro, dei de cara com o a história do Wilson Simonal.

Eu já tinha lido sobre o filme mas não o tinha assistido ainda. Na prática, é o resgate de uma história mal contada, que virou uma sentença de morte lenta. A pior possível.

"Ninguém sabe o duro que dei".
Nas década de 60, Wilson Simonal era um negrão descolado, inteligente, bonito, famoso e rico. Era um ícone da pré-história do show business brasileiro. Rivalizava com os ídolos brancos da Jovem Guarda e tinha moral pra botar a banca que botava. Emplacava um sucesso atrás do outro. Era dono de horário nobre na televisão. Era topetudo. Uma espécie de Romário do seu tempo. Falava o que pensava. E no fim, pagou pela ingenuidade e pela língua solta.

Num tempo em que a globalização não passava de teoria, Simonal foi uma vítima globalizada. Cometeu um erro em seu quintal e pagou pública e nacionalmente. Foi execrado, perdeu espaço na mídia e caiu em desgraça.

Seu erro parece ter sido ter medo na hora errada. Imaginou um roubo, um desfalque na empresa, acusou, buscou meios informais para apurar e depois que a confusão estava feita, faltou orientação, faltou coragem, faltou humildade para corrigir a rota.

Mas isso só pode ser pensado e dito hoje, muito anos depois da história ter acontecido. A história de Simonal é a história refletida, pensada, analisada.

O documentário escrito e dirigido por Cláudio Manoel, Calvito Leal e Micael Langer é uma reconstituição fiel do que aconteceu por meio de testemunhais. Inclusive, do contador que foi acusado e que se tornou peça chave da história. Inclusive, dos caras do Pasquim, Ziraldo e Jaguar, que nunca aliviaram a barra dele e, de certa forma, carimbaram o passaporte dele para o ostracismo.

Claro, Simonal tem responsabilidade pelo que aconteceu, também. Muita. Mas eu não tenho a menor dúvida que o preço pago por ele foi  maior do que podia suportar. Felizmente, há espaço para recuperar a história dele na música. O papel dele na MPB e a importância daquele momento.

Um desses momentos mais ricos, no auge do sucesso, é o encontro com Sarah Vaughan. Um espetáculo vivo, intenso e carinhoso. aperte o play e confira.


Isso, que Simonal não falava uma vírgula em inglês. Mas tinha um domínio de cena inacreditável. Decorava as músicas e dava a elas um swing que muito negrão americano não tinha.

O documentário está nas locadoras. E vale a pena ver. Confira o trailer ai embaixo!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Breacknews de carnaval

Deu no Blog do Viegas:

Inorbel de Jesus
Mauro di Deus


(Mauro di) Deus e  (Inorbel de) Jesus se encontram, casual e reservadamente, em Brasília, no domingo.
Papa Bento XVI renuncia, na segunda.