terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Música pra limpar a mente

É novo. É lindo. Bon Iver. Towers. Pra fechar o dia e espantar as sobras de pensamento.

Bon Iver -  Towers (Official Music Video) from Bon Iver on Vimeo.

Limpando a mente


Há três noites, acordo e não durmo mais por um bom tempo. Meus olhos reabrem ali pelas três da manhã. Ligo a TV. Desligo. Leio livros. Rolo na cama. Acendo e apago a luz. Fecho os olhos, mas a mente continua lá, desperta. Resistente. Inquieta. Passeio por ruas que não quero. Vejo gentes que não desejo. Divido comigo mesmo uma angústia sem identidade certa. Aprendi com o tempo que isso não é bom sinal. É sinal de que tem raciocínio sobrando na cachola.

E eu não gosto de sobras.

Talvez, por isso, me mantenho acordado. Até que não sobre nada que me atrapalhe o sono. O problema é que, para isso, pra não sobrar nada de pensamento esquisito, é preciso pensar. Pensando, permaneço acordado enquanto os outros dormem. Por não dormir, gasto o tempo e o que sobra de raciocínio. E me livro do que não quero.

Aí, é hora de dormir. Cansado. Perto do sol nascer. Na vizinhança do dia. Mas sem nenhuma sobra de pensamento.

Cada vez mais, me convenço, eu não gosto de sobras.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O dia em que conheci Mia

Hoje eu conheci Mia Couto. Um escritor moçambicano. O conheci pelas mãos de Clarice, namorada de Maurinho Di Deus. Foi um conhecimento curto e vasto, ao mesmo tempo. Um conhecimento intenso, como se eu conhecesse alguém que já conheci há muito tempo.

Passamos a tarde falando sobre a vida e dividindo histórias. A certa altura, Clarice disse que minha escrita parece com a de Mia. Um escritor que eu confessei, não conhecia, até ali. Ela então puxou um livro que estava lendo. De Mia Couto. E falou sobre um texto dele, a respeito de Jorge Amado.

Bati os olhos e caí na página 61, bem onde estava o texto. Li em voz alta. Sem gaguejar, sem errar o tom. Como a gente faz quando lê um texto que escreveu. E eu, que não conhecia Mia Couto, me apaixonei ali mesmo. Por hoje e para sempre.

Na mesma hora, Margarida Marques me ligou. E eu pude falar pra ela da minha nova paixão. Foi uma tarde intensa. Foi uma tarde exuberante. Como há muito não havia. Foi a tarde do dia em que eu conheci Mia Couto.  Aí embaixo está o texto que eu li. Leia com a alma aberta. Sabendo que corre o risco de se apaixonar também.


Íntegra da palestra do moçambicano Mia Couto (foto) em homenagem a Jorge Amado, lida em São Paulo no dia 25
por Mia Couto (*)

Eu venho de muito longe e trago aquilo que eu acredito ser uma mensagem partilhada pelos meus colegas escritores de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe. A mensagem é a seguinte: Jorge Amado foi o escritor que maior influência teve na gênese da literatura dos países africanos que falam português.

A nossa dívida literária com o Brasil começa há séculos, quando Gregório de Mattos e Tomaz Gonzaga ajudaram a criar os primeiros núcleos literários em Angola e Moçambique. Mas esses níveis de influência foram restritos e não se podem comparar com as marcas profundas e duradouras deixadas pelo baiano.

Deve ser dito (como uma confissão à margem) que Jorge Amado fez pela projeção da nação brasileira mais do que todas as instituições governamentais juntas. Não se trata de ajuizar o trabalho dessas instituições, mas apenas de reconhecer o imenso poder da literatura. Nesta sala, estão outros que igualmente engrandeceram o Brasil e criaram pontes com o resto do mundo. Falo, é claro, de Chico Buarque e Caetano Veloso. Para Chico e Caetano, vai a imensa gratidão dos nossos países que encontraram luz e inspiração na vossa música, na vossa poesia. Para Alberto Costa e Silva vai o nosso agradecimento pelo empenho sério no estudo da realidade histórica do nosso continente.

Nas décadas de 50, 60 e 70, os livros de Jorge cruzaram o Atlântico e causaram um impacto extraordinário no nosso imaginário coletivo. É preciso dizer que o escritor baiano não viajava sozinho: com ele chegavam Manuel Bandeira, Lins do Rego, Jorge de Lima, Erico Veríssimo, Rachel de Queiroz, Drummond de Andrade, João Cabral Melo e Neto e tantos, tantos outros.

Em minha casa, meu pai - que era e é poeta - deu o nome de Jorge a um filho e de Amado a um outro. Apenas eu escapei dessa nomeação referencial. Recordo que, na minha família, a paixão brasileira se repartia entre Graciliano Ramos e Jorge Amado. Mas não havia disputa: Graciliano revelava o osso e a pedra da nação brasileira. Amado exaltava a carne e a festa desse mesmo Brasil.

Neste breve depoimento, eu gostaria de viajar em redor da seguinte interrogação: por que este absoluto fascínio por Jorge Amado, por que esta adesão imediata e duradoura?

É sobre algumas dessas razões do amor por Amado que eu gostaria de falar aqui. É evidente que a primeira razão é literária, e reside inteiramente na qualidade do texto do baiano. Eu acho que o maior inimigo do escritor pode ser a própria literatura. Pior que não escrever um livro, é escrevê-lo demasiadamente. Jorge Amado soube tratar a literatura na dose certa, e soube permanecer, para além do texto, um exímio contador de histórias e um notável criador de personagens. Recordo o espanto de Adélia Prado que, após a edição dos seus primeiros versos confessou: “Eu fiz um livro e, meu Deus, não perdi a poesia...” Também Jorge escreveu sem deixar nunca de ser um poeta do romance. Este era um dos segredos do seu fascínio: a sua artificiosa naturalidade, a sua elaborada espontaneidade.

Hoje, ao reler os seus livros, ressalta esse tom de conversa intíma, uma conversa à sombra de uma varanda que começa em Salvador da Bahia e se estende para além do Atlântico. Nesse narrar fluído e espreguiçado, Jorge vai desfiando prosa e os seus personagens saltam da página para a nossa vida cotidiana.

O escritor Gabriel Mariano de Cabo Verde escreveu o seguinte: “Para mim, a descoberta de Amado foi um alumbramento porque eu lia os seus livros e via a minha terra. E quando encontrei Quincas Berro d’Água eu o via na Ilha de São Vicente, na minha rua de Passá Sabe.”

Essa familiaridade exisitencial foi, certamente, um dos motivos do fascínio nos nossos países. Seus personagens eram vizinhos não de um lugar, mas da nossa própria vida. Gente pobre, gente com os nossos nomes, gente com as nossas raças passeavam pelas páginas do autor brasileiro. Ali estavam os nossos malandros, ali estavam os terreiros onde falamos com os deuses, ali estava o cheiro da nossa comida, ali estava a sensualidade e o perfume das nossas mulheres. No fundo, Jorge Amado nos fazia regressar a nós mesmos.

Em Angola, o poeta Mario António e o cantor Ruy Mingas compuseram uma canção que dizia: Quando li Jubiabá/me acreditei Antônio Balduíno./Meu Primo, que nunca o leu/ficou Zeca Camarão. E era esse o sentimento: António Balduino já morava em Maputo e em Luanda antes de viver como personagem literário. O mesmo sucedia com Vadinho, com Guma, com Pedro Bala, com Tieta, com Dona Flor e Gabriela e com tantos os outros fantásticos personagens.

Jorge não escrevia livros, ele escrevia um país. E não era apenas um autor que nos chegava. Era um Brasil todo inteiro que regressava à África. Havia pois uma outra nação que era longínqua mas não nos era exterior. E nós precisávamos desse Brasil como quem carece de um sonho que nunca antes soubéramos ter. Podia ser um Brasil tipificado e mistificado, mas era um espaço mágico onde nos renasciam os criadores de histórias e produtores de felicidade.

Descobríamos essa nação num momento histórico em que nos faltava ser nação. O Brasil - tão cheio de África, tão cheio da nossa língua e da nossa religiosidade - nos entregava essa margem que nos faltava para sermos rio.

Falei de razões literárias e outras quase ontológicas que ajudam a explicar por que Jorge é tão Amado nos países africanos. Mas existem outros motivos, talvez mais circunstanciais.

Nós vivíamos sob um regime de ditadura colonial. As obras de Jorge Amado eram objeto de interdição. Livrarias foram fechadas e editores foram perseguidos por divulgarem essas obras. O encontro com o nosso irmão brasileiro surgia, pois, com épico sabor da afronta e da clandestinidade.

A circunstância de partilharmos os mesmos subterrâneos da liberdade também contribuiu para a mística da escrita e do escritor. O angolano Luandino Vieira, que foi condenado a 14 anos de prisão no Campo de Concentração do Tarrafal, em 1964, fez passar para além das grades uma carta em que pedia o seguinte: “Enviem meu manuscrito ao Jorge Amado para ver se ele consegue publicar lá no Brasil...”

Na realidade, os poetas nacionalistas moçambicanos e angolanos ergueram Amado como uma bandeira. Há um poema da nossa Noêmia de Sousa que se chama Poema de João, escrito em 1949 e que começa assim:

João era jovem como nós/João tinha os olhos despertos,/As mãos estendidas para a frente,/A cabeça projetada para amanhã,/João amava os livros que tinham alma e carne/João amava a poesia de Jorge Amado

E há, ainda, outra razão que poderíamos chamar de linguística. No outro lado do mundo, se revelava a possibilidade de um outro lado da nossa língua.

Na altura, nós carecíamos de um português sem Portugal, de um idioma que, sendo do Outro, nos ajudasse a encontrar uma identidade própria. Até se dar o encontro com o português brasileiro, nós falávamos uma língua que não nos falava. E ter uma língua assim, apenas por metade, é um outro modo de viver calado. Jorge Amado e os brasileiros nos devolviam a fala, num outro português, mais açucarado, mais dançável, mais a jeito de ser nosso.

O poeta maior de Moçambique, chamado José Craveirinha, disse o seguinte numa entrevista: “Eu devia ter nascido no Brasil. Porque o Brasil teve uma influência tão grande que, em menino eu cheguei a jogar futebol com o Fausto, o Leônidas da Silva, o Pelé. Mas nós éramos obrigados a passar pelos autores clássicos de Portugal. Numa dada altura, porém, nós nos libertamos com a ajuda dos brasileiros. E toda a nossa literatura passou a ser um reflexo da Literatura Brasileira. Quando chegou o Jorge Amado, então, nós tínhamos chegado à nossa própria casa.”

Craveirinha falava dessa grande dádiva que é podermos sonhar em casa e fazer do sonho uma casa. Foi isso que Jorge Amado nos deu. E foi isso que fez Amado ser nosso, africano, e nos fez, a nós, sermos brasileiros. Por ter convertido o Brasil numa casa feita para sonhar, por ter convertido a sua vida em infinitas vidas, nós te agradecemos companheiro Jorge. Muito obrigado.”


(*) O escritor Antonio Emílio Leite Couto, Mia Couto, nascido em 1955 na cidade de Beira, em Moçambique, é poeta, contista, cronista e romancista, autor de livros como Terra Sonâmbula, O Último Vôo do Flamingo e O Outro Pé da Sereia, entre outros

O barco

Luiza Sales. Uma nova e arejada medida de canto brasileiro. Pra começar o domingo. Pra pegar leve e deixar o barco seguir.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Pioneiros


Papo rápido entre Carol, minha sobrinha e Isabel, minha irmã. 

Na hora de fazer as tarefas da escola, Carol precisava ler algo interessante sobre a história de Brasília. Isa propõe uma busca na internet. Aparece um texto sobre candangos na tela. Isa explica:

Filha, esse texto é legal. Você sabe que candango é a forma como são chamados os pioneiros de Brasília. Pioneiros é fácil, não é filha? Você sabe o que é? 

E Carol, sem dar espaço pra dúvidas: Claro, né mãe! Pioneiros são as pessoas que ensinam a jogar pião!



Como assim?

Por Iara Maurente*


No interior do Maranhão, tudo pode acontecer!
Esta semana, um objeto metálico, oco, pesando cerca de 30 kg e que possivelmente é parte de um satélite caiu no município de Anapuros, a 280km de São Luis. Não matou ninguém, mas deixou o povo assustado e cheio de histórias pra contar.
O meteorologista do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Pedro Costa, tem certeza de que não se trata de balão meteorológico. Para ele, o objeto é mesmo parte de um satélite.
O que me causou estranheza nas informações do G1 não foram as histórias de espanto e alvoroço da população, mas a posição do Comando da Aeronáutica, no MA. Teriam afirmado não dispor de equipamento capaz de analisar tal objeto ou oferecer qualquer parecer sobre o acontecimento. Quem faz isto, então?
Pois, no interior do Maranhão tem muita gente boa, e de respeito. Assim, um major da Polícia Militar mandou recolher o objeto para o quartel! Tá lá, provavelmente vigiado. Até quando, não sei...No Maranhão, pode ser até quando virar lenda...
Se é parte de satélite ou apenas um pedaço de ET e a Aeronáutica diz nada ter com o assunto, como seria se não tivesse caído em Anapuros, mas na Esplanada dos Ministérios? Ou sobre pessoas...?
Vejamos a impressão do seu José Valdir Mendes, um morador de 46 anos: “escutei o barulho, tremeu até a perna”.
Pertinho da casa dele, o objeto deixou um rastro no mato, furo em cerca e buraco no chão (lembrei da chegada do Superman na terra, tão pequeninho o querido...). Foi de assustar mesmo.
Iara Maurente é uma jornalista, amiga, 
gaúcha de quatro costados. Dessas que a gente 
vê uma vez e não esquece mais. 
Pela qualidade do texto ou pela beleza da alma. 
Ela me apareceu com essa escrita. 
Taí, pra estrear a vivente aqui pelo blog. 
Seja bem-vinda, Tchê!!!  

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Liliana, Tarsila e os biscoitos

Lá de Cochabamba, na Bolívia, Liliana Bayá me escreve uma carta que mostra, a um só tempo, o que a internet é capaz de fazer para reduzir distâncias, repartir conhecimento, estendendo a arte e a culinária de forma tão intensa a lugares e pessoas tão distintas.

A carta, vocês logo vão perceber, foi motivada por um texto publicado aqui no blog. E junto com as linhas carinhosas da minha comadre, vieram também as fotos de um projeto artístico-comestível e as receitas de biscoitos que parecem deliciosos. Tudo, com o tempero indispensável da comunicação virtual. Valeu, comadre!

Liliana Bayá
Oi, compadre!
Hoje, depois de ler sopa e arte (texto tão bonito) também tenho algo para você. Precisamente, algo sobre a mesma artista de que fala o seu texto - Tarsila do Amaral. A diferença é que o que trago não é sopa. São doces e biscoitos.

A história começa com Angelika Heckl uma artista plástica, da Áustria. Ela vive na Bolívia há 20 anos e é a mais legítima representante do meu país em exposições de arte contemporânea que acontecem pelo mundo a fora.

Em dezembro passado, ela foi convidada para apresentar um trabalho artístico-comestível, uma experiência que realizou misturando cores e doces, tomando como base a pintura de Tarsila do Amaral. Uma mostra de arte comestível, organizada pelo SESC de São Paulo, com foco na educação infantil.

Angelika, que é minha grande amiga, sem saber estabeleceu uma ponte visual e conceitual entre o seu texto, a sopa, os biscoitos e Tarsila do Amaral.   Ela me escreveu contando sobre a experiência, mandando as fotos e as receitas dos biscoitos. Que eu faço questão de te enviar agora. Espero que os seus leitores que se aventurarem com a receita consigam fazer biscoitos saborosos. 

Muitos beijos,
Liliana, sua comadre.


Foto da exposição de Angelika Heckl, realizada no SESC SP, em 2011.
Durante o trabalho, crianças ajudaram a produzir os biscoitos e
reproduzir o quadro Abaporu, de Tarsila do Amaral.

Scones 
2 xícaras de chá de farinha de trigo
1/4 de xícara de chá de açúcar
1 ¼ colher de chá de Fermento em pó
1/4 colher de chá Bicarbonato de sódio
1/4 colher de chá de sal
1/2 xícara de manteiga
1/2 xícara de chips de chocolate ou uva passas
1 colher de chá de extrato de baunilha
2/3 a 3/4 xícara de chá de iogurte natural ou coalhada

Aqueça o forno a 200 º. Unte uma assadeira . Misture os ingredientes secos em uma tigela. Corte a manteiga em pedaços pequenos e junte a farinha, amassando com a ponta dos dedos até que ela se assemelhe a uma farofa. Junte as passas.  Acrescente o iogurte e a baunilha e misture apenas o suficiente, sem sovar.  Separe a massa em 8 bolinhas e amasse com a palma da mão. Leve para assar por 15 a 20 min ou até dourar.

Scones "Razão e Sensibilidade"
2 xícaras de chá de farinha de trigo
1/4 de xícara de chá de açúcar
1 colher de chá de fermento em pó
¼ colher de chá de sal
4 colheres de sopa de manteiga
½ xícara de chá de uva passas
5  colheres de sopa de  leite (aproximadamente)


Aqueça o forno a 200 º. Unte uma assadeira . Misture os ingredientes secos em uma tigela. Corte a manteiga em pedaços pequenos e junte a farinha, amassando com a ponta dos dedos até que ela se assemelhe a uma farofa. Junte as passas.  Acrescente o leite e misture com as mãos, até que fique uma massa macia.  Abra a massa com um rolo, numa espessura de 2cm (experimente colocar a massa entre dois plásticos e depois passe o rolo). Corte com a borda de um copo pequeno e leve para assar, por cerca de 15 min. ou até que doure.
PS do Maranhão Viegas: Na tradução da receita, que originalmente veio em espanhol e tinha "detalhes" culinários que este escriba não teve capacidade de perceber, contei com o auxílio luxuoso de Mariza Poltronieri, a culinarista oficial deste blog, para salvar a receita e evitar frustrações daqueles que se aventurarem a fazer os biscoitos.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Conto de Carnaval - Número 1

A Madre D’eus é considerada o coração da ilha de São Luis. É lá que pulsam mais fortes os tambores. É lá que os acordes ritmados sobem e descem ladeiras, contando histórias de vida, misturando amor e dor.

Fazendo, como se fosse mágica, a tristeza virar alegria por três ou quatro dias inteiros. É lá que a brincadeira de carnaval é mais do que brincadeira. É a tradução da verdade vestida em uma fantasia colorida, que só se desfaz muito depois da quarta-feira de cinzas.

Todo menino que nasce na Madre D’eus traz no pulsar das veias a batida dos tambores. À primeira batida e o corpo se faz vibrar, como se estivesse todo tomado. Ficar parado é impossível. Com ele também era assim. Naquela tarde, ele subiu a Avenida Rui Barbosa, cruzando o Beco do Gavião em direção ao Largo da Saudade. O roteiro do bloco era casual. Ia até onde a força permitisse, até onde a alegria durasse. E só parava vencido pelo cansaço ou por outro bloco qualquer.

Ia junto com junto com o Caroçudo bloco que ajudara a criar, junto com amigos de infância, entre os quais Bumbunga, Nildo, Coscotô, Carretel, Maju e Junior Carajás, filho de “seu” Antônio da quitanda.

Cantavam de tudo pelo caminho. De velhas marchas de carnaval, hinos que embalaram muitas gerações, até as novas e mais picantes versões que traziam muito da malícia sacana dos meninos do bairro.

Havia, porém, um canto especial. Uma espécie de identidade da Turma do Quinto a escola de samba maior da Madre D’eus. Aquela que embalou a infância de todos e que, antes disso, acolheu avós e pais em suas andanças.

Era uma batida cadenciada de samba e uma letra que emocionava pela simplicidade e riqueza. Dizia mais ou menos assim:

“Ai, ai, ai, 
Eu vou descer pra cidade,
eu vou mostrar pra essa gente,
o que é sambar de verdade.

Lá na Vila tem,
tem samba de verdade,
lá na vila tem,
tem samba de verdade,

Ai, ai, ai, ai, ai,
eu vou descendo da vila pra cidade”

E isso se repetia, repetia e repetia... Cada vez com maior emoção. Cada vez mais de verdade. Aquilo era a identidade da Madre D’eus, da Turma do Quinto, de quem nasceu por ali.

Naquele dia, ele rodou com o Bloco por muitas ladeiras e becos. Cada vez mais gente seguia o Caroçudo. Mas seu coração estava triste de saudade. O amor de um dia, agora era passado. Justo no carnaval. Justo ali, na Madre D’eus. Onde a ilha pulsava mais forte.

Entrou na Rua do Passeio, voltou pela Rua do Norte, desceu o Bairro do Lira e foi bater na Areinha. O dia já tinha ido embora quando cruzou com a quitanda de “Seu” Dico, na esquina da Rua Quatro. Estava de novo no Largo da Madre D’eus com o coração cada vez mais apertado.

A noite desfez a turma. O silêncio encobriu o som. O último toque do cavaquinho de Godão, o último gole de cerveja, a solidão e a chuva ocuparam a rua. Dispersão.  Sozinho, em frente a casa onde nascera e triste pela ausência de seu amor, ele foi tomado por um impulso e começou a correr. Correu na chuva, correu contra ela e contra a solidão. Desceu a ladeira da Belira e só parou em frente à casa dela. Era tarde. Na hora e no tempo. A cidade aquietada. O coração dele, não.

Ficou ali por uns instantes. Olhando a janela fechada. Sob a chuva. Cheio de solidão e tristeza. Foi quando teve a certeza de que no coração dela só cabia o carnaval. Passista primeira da Turma do Quinto. No coração dele ainda havia lugar pra ela.

Por um momento, uma lufada de vento trouxe um som distante, uma batida de tambor bem longe, lá de seu berço. Era a Madre D’eus que o chamava de volta. E enquanto seguia sozinho uma música lhe ocupava a mente e o coração.

Ai, ai, ai,
Eu vou descer pra cidade
Eu vou mostrar pra essa gente
Que eu sei sambar de verdade... 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Pablo, Raquel e Laguna

Pablo Rey é um grande amigo, produtor cultural, publicitário, que vive em Buenos Aires, na Argentina. Sobre ele e o trabalho que faz, já escrevi aqui no Blog em outras oportunidades. Aos que queiram conhecer um pouco mais o trabalho e a personalidade do Pablo (acho que vale a pena), basta clicar aqui.

Buenas, o Pablo me escreve agora para falar sobre a apresentação de Raquel Cané. Raquel é uma artista plástica, desenhista e produtora de capas de livros, que também é cantora e, descubro ainda, é a companheira da vida do Pablo.

Não conheço a Raquel pessoalmente, mas me encantei com os desenhos que faz e com as músicas que canta.

Bicicleta Musical (desenho de Raquel Cané)
Nos desenhos, um traço lúdico, delicado, beirando o romântico. Nas canções, uma voz firme e serena ao mesmo tempo. Uma mistura equilibrada, capaz de comover e emocionar o mais resistente dos ouvidos.

Raquel Cané
O show sobre o qual fala Pablo, que fará Raquel, vai acontecer no dia 1 de março, no espaço La Paila, em Buenos Aires, (Costa Rica 4848), a partir das 21h30, com ingressos ao preço de 20 pesos argentinos.

Ainda não vai ser dessa vez que terei condições de ouvir de perto a música de Raquel, mas não faltará oportunidade. Aos amigos que estão na Argentina, sobretudo aos que estiverem em Buenos Aires nesse dia, sugiro que não percam a chance.

Aos que, como eu, estão distantes, compartilho aqui um link onde podem ouvir a bela voz de Raquel e comprar os arquivos pela internet. São onze músicas que compõem o show batizado de Laguna. E que dão uma bela amostra do que essa moça é capaz de fazer no palco.

Daqui de longe, ao som de Magnólia, uma das canções mais lindas do repertório, desejo a Raquel sucesso nos palcos e na vida. E ao Pablo, meu amigo, espero que não tardemos a nos reencontrar.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Foi ontem

O dia dos namorados, nos Estados Unidos, é comemorado no dia 14 de fevereiro. Lá, eles chamam de Valentine's Day. Tudo bem que essas datas são comerciais e blá, blá, blá...

Mas eu, vasculhando a blogosfera,  encontrei um pequeno vídeo que tem mais a ver com poesia do que com comércio. E aqui, com o meu cansaço, já quase sem baterias pra fechar o dia, achei que valia a pena postar. Mesmo com um dia de atraso. Porque comemorar o amor sempre vale a pena.

Pois, está aí. Uma coleção de 30 corações em 45 segundos. Feliz dia dos namorados. Em qualquer país, em qualquer linguagem. Porque não dá pra imaginar o mundo sem amor.

Hearts (The Valentines Day Video) from Moist Creation on Vimeo.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Abaporu


O menino janta. Junto com seus pais. Sopa. Uma deliciosa sopa de legumes. Milho, batatas amassadas, pimentão, tomates, berinjelas, batata baroa, abobrinha, noz moscada... E, para dar um gostinho, pedaços de músculo bem fritos. Sal, caldo de legumes e muita água pra garantir o caldo. A perfeição em forma de sopa.

O prato certo para enfrentar a noite fria  e chuvosa. À mesa, pedaços de pão, queijo branco e manteiga. Um limão cortado ao meio para pingar umas gotas no prato. Hum!!!! Delícia. Simples e saboroso.

O Jornal Nacional  na TV. Notícias que, por nada, seriam capazes de melhorar o clima. Quem quer saber de violência diante de um prato de sopa? Quem?

Nada de importante no ar. Até que surge uma informação capaz de mobilizar a todos: Uma exposição sobre a arte de Tarsila do Amaral, a artista brasileira que melhor soube traduzir a Semana da Arte Moderna. O menino interrompe - Eu gosto muito de Tarsila do Amaral. Os pais se entreolham com um certo espanto. A mãe provoca - Não sabia que você gostava dela. Gosto, sim. E conheço bem os quadros de Tarsila - dizia ele de boca cheia.

Novo olhar de espanto entre os pais. O menino com os olhos fixos na tela da TV. A sopa lá. Silêncio. Vocês não acreditam?  Não é isso. Apenas estamos admirados com esse seu "profundo" conhecimento sobre a arte de Tarsila.

Pois, eu conheço sim. Tem aquele... o Abaporu...

Sim...

Tem outros...

Quais outros você conhece?

Aquele... Vocês não conhecem??

Silêncio.

Aquele...

O pai, bem sério, entra como se fosse ajudar: Sim, tem vários outros...

A mãe séria e cada vez mais admirada com o rumo da conversa, segura no ar uma colherada de sopa que seguia em direção à boca. O pai e o menino se entreolham. Silêncio no ar. Até que o pai solta:

Tem uma série...

O Abaporá...

O Abaporé...

O Abapori...

O Abaporó...

Todos anteriores ao Abaporu.

E a mesa explode numa gargalhada só. Inclusive o menino, que dizia conhecer muito da arte de Tarsila. A sopa, depois do riso, fica melhor ainda.


  

Remédio anti-monotonia

Charles Bradley é desses caras que a gente ouve uma vez e não esquece mais. Eu já contei a história dele por aqui. Desde o começo, ela sabia que seria cantor, mas teve que ralar muito antes de chegar a essa condição.

É uma das grandes vozes do rhythm and blues da atualidade, capaz de nos fazer reviver os velhos tempos da velha e boa Motown. É por isso que ele está aqui de novo, pra espantar o cinza dessa manhã de terça, com uma declaração de amor. Charles Bradley - Lovin' You, Baby (Live on KEXP)


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Voy a tatuarme tu nombre

Ela é carioca. Mas canta e encanta com um delicioso "acento" castelhano. Não nega a raiz. É filha de pai cubano. Fez sua estreia há cinco anos. Marina de La Riva estreou com uma elogiada mistura de música brasileira com sonoridades cubanas. O álbum, que teve a participação especial de Chico Buarque, integrou inúmeras listas de destaque e  deu à cantora o prêmio APCA de revelação feminina de 2007. 


Agora a carioca mais cubana do Brasil avisa: Está botando na roda o seu segundo CD. Seu novo trabalho, com previsão de lançamento para março, foi batizado de Idílio  e traz Marina focada em sua grande influência latina. Indo além das letras cubanas, a cantora também interpreta compositores espanhóis e uruguaios. 


Voy a Tatuarme é a primeira faixa a ganhar clipe, com direito a gravação na casa de tango La Catedral, em Buenos Aires e direção dos argentinos Juanito Jaureguiberry e Picky Talarico.  No vídeo, adicionaram à beleza da cantora no palco uma boa iluminação, uma projeção em caleidoscópio ao fundo, cortes rápidos e um clima que remete aos anos 1920. Para curtir o resultado, basta clicar o play, ai embaixo:

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Take Care, Bruce


O novo clip de Bruce Springsteen, We Take Care of Our Own, foi liberado na sexta-feira pelo cantor. Pra esquentar o domingo.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O corpo de um bailarino

O corpo de um bailarino é um poema cinematográfico. Uma ode ao corpo humano, para ser vista através de uma imagem em ultra-câmera lenta. Tim Persent é o bailarino em cena. Sua dança, seus movimentos, traduzem a força do corpo humano visto de forma fascinante.

O filme de cinco minutos nos permite ver situações improváveis de serem vistas a olho nu. Graças aos recursos técnicos de uma câmara Phantom, de alta velocidade, capaz de produzir mil quadros por segundo.

Não precisa muito. Basta olhar e delirar. A direção do filme é de Daniel Gallenkamp. O editor é Allard Zoetman. A música é de Andre Ettema. Produzido por Smit & Jansen. Agradecimentos à NTR & Holland Dance. Agradecimentos especiais a Tim Persent.



domingo, 5 de fevereiro de 2012

Ouvindo Lou Reed

O pantanal, visto da porta da casa de Guilherme Rondon.
Pra começar bem o domingo. Uma canção de um antigo CD da cantora sul-matogrossense, Alzira Espíndola. Alzira vem de uma família de artistas que nos deu também, Tetê Espíndola, Celito, Jerry, Geraldo e, nas artes plásticas, o Humberto.

Todos eles muito ligados ao pantanal e com uma capacidade de traduzir com maestria as belezas daquela região.  Do cd Alzira E - 2007 - Música, voz e violão Alzira Espíndola.  Violões e produção musical, Luiz Waack. Bateria, Curumin. Poema de arrudA. Ouvindo Lou Reed.


 

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A Pele Que Há Em Mim

Celso Grecco me manda uma mensagem. Ele, que vive numa ponte aérea Brasil/Portugal, vez por outra se depara com coisas lindas da cultura de um e de outro canto. Na mensagem de hoje, me remete a uma bela canção portuguesa, interpretada por Márcia e JP Simões. São dois jovens talentos que cuidam como poucos da renovação da música portuguesa.

Vale a pena conhecê-los. Aí embaixo, a letra de "A pele que há em mim". Em seguida, o vídeo. Aperte o play e curta.


A pele que há em mim
Márcia

Quando o dia entardeceu
E o teu corpo tocou
Num recanto do meu
Uma dança acordou
E o sol apareceu
De gigante ficou
Num instante apagou
O sereno do céu
E a calma a guardar lugar em mim
E o desejo a contar segundo o fim.

Foi num ar que te deu
E o teu canto mudou
E o teu corpo do meu
Uma trança arrancou
E o sangue arrefeceu
E o meu pé aterrou
Minha voz sussurrou
O meu sonho morreu

Dá-me o mar, o meu rio, minha calçada.
Dá-me o quarto vazio da minha casa
Vou deixar-te no fio da tua fala
Sobre a pele que há em mim
Tu não sabes nada.

Quando o amor se acabou
E o meu corpo esqueceu
O caminho onde andou
Nos recantos do teu
E o luar se apagou
E a noite emudeceu
O frio fundo do céu
Foi descendo e ficou.

Mas a mágoa não mora mais em mim
Já passou, desgastei
Para lá do fim
É preciso partir
É o preço do amor
Para voltar a viver
Já não sinto o sabor
O suor e pavor
Do teu colo a ferver
Do teu sangue de flor
Já não quero saber.

Dá-me o mar, o meu rio, a minha estrada.
O meu quarto vazio na madrugada
Vou deixar-te no frio da tua fala
Na vertigem da voz
Quando enfim se cala.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Bernardo

Dona Antonieta, minha avó; e "seu" Opílio, meu avô.
Quando eu nasci, minha avó, Antonieta Gaspar Viegas, achava que eu deveria me chamar Bernardo. Era o que estava determinado no "Almanaque". Era o santo do dia. Mas prevaleceu a dita de meu pai - Inocêncio - de me dar um nome que tivesse a dimensão do amor dele pela minha mãe - Isabel. E eu, ao invés de Bernardo, me tornei Inorbel.

Devo confessar que, em criança, tive dificuldade de lidar com um nome incomum. Na escola, no médico, em todo lugar, era preciso repetir, soletrar e explicar o meu nome. Depois de adulto compreendi aquela significância e enxerguei nos meus velhos a tradução do meu nome.

Como eu disse em um dos primeiros textos que escrevi aqui no blog, depois de algum tempo construi o equilíbrio entre os dois sujeitos que me habitam - o Maranhão - minha identidade profissional e o Inorbel - que trago desde que nasci.

Hoje, fechando a sexta-feira, encontrei uma vez mais a poesia de Manoel de Barros, travestida na música de Márcio de Camillo. E pra minha felicidade, era Bernardo. O alter-ego poético de Manoel. Por tabela, meu prórprio alter-ego.


Dia Branco

Sobre os campos,
ruas
Rodeando...
Quieta...
Levada pela brisa,
A neve cai!

Lenta...
Esvoaça no amplo vazio
Pra depois afagar os tetos:
vermelhos, cinzas...
As árvores: verdes, secas.
E tudo se faz branco,
lentamente, em um manto infinito.
Imaculado!



Tudo em volta é paz.
Vêm abaixo os versos!
A prosa.
Cala a terra, a noite cessa.
A neve cai.
Em silêncio.
Na alegria de uma criança,
no esperar do adulto,
em torno da vida.
E só isso já é poesia!


Eliane Di Quarto é jornalista, nasceu em MS e está em Milão há mais de dez anos. É casada com Andrea, um editor italiano, e mãe de Lorenzo e Sophia. Entre uma troca de fralda e outra, ela sempre arranja um tempinho para escrever. Prosa ou poesia.

Cardápio de areia

Por *Mariza Poltronieri
De dezembro a março, as areias dos 7 mil e 500 quilômetros de praias brasileiras ficam repletas de gente. Em um espírito democrático, cada um quer seu quinhão de areia, mar e sol. São raças, crenças, culturas, padrões sociais que não interferem em nada no convívio mais que sadio deste encontro com o que temos de melhor, nossas praias.

Sentada sob o guarda sol, resguardando a pele que insiste em não queimar, ouço o cardápio mais eclético e saboroso que se pode ter. Não vale ter preconceito, mas vale ter prudência. Nem tudo que é oferecido convém, porém é alegre e divertido participar deste evento gastronômico em pleno sol a pino.

O cardápio falado, ou melhor, gritado, oferece de tudo: empadinhas e folhados de todos os sabores, camarões cozidos, ostras, churrasquinho de gato ou de queijo de coalho, pizza, milho verde, sanduíche natural, salada de frutas, açaí, sorvete do lugar e de marcas conhecidas, sem falar na água de coco e bebidas em barraquinhas improvisadas. Nada falta nestes dias mais iluminados pelo astro rei.

Não comi tudo, nem bebi tudo, mas me fartei com a criatividade e alegria dos ambulantes,

Viva o verão!

Empadinha de Camarão com Coentro
(para 25 unidades)

Ingredientes para a massa:

3 xícaras de farinha de trigo
½ col de chá de sal
200 g de manteiga gelada cortada em pedaços
1 gema para a massa e 1 gema para pincelar
½ xícara de água bem gelada

Ingrediente para o recheio:

¼ de xícara de azeite
1 cebola grande picada
2 dentes de alho picados
1 kg de tomates maduros, sem pele e sem sementes, picados.
Sal e pimenta a gosto
1 col de sopa de coentro picado
½ xícara de farinha de trigo
¾ de xícara de leite
1 kg de camarões miúdos

Preparo da massa:

Numa tigela junte os ingredientes secos e misture. Acrescente os pedaços de manteiga, misturando com a ponta dos dedos, até obter uma farofa. Faça um buraco no centro e coloque a gema e a água. Trabalhe com as mãos até que fique uma massa homogênea. Faça uma bola e embrulhe em filme plástico. Guarde na geladeira enquanto prepara o recheio.

Preparo do recheio:

Em uma panela, refogue o alho e a cebola no azeite. Acrescente os tomates, tampe e deixe cozinhar em fogo baixo por 20 min. Tempere com o sal e a pimenta. Acrescente os camarões e cozinhe por mais 3 min. Misture a farinha com o leite e adicione a panela. Mexa até engrossar. Prove o sal., acrescente o coentro e desligue o fogo. Espere esfriar.

Separe 1/3 da massa para as tampas das empadas. Tire porções de massa e forre o fundo das forminhas. Preencha com o recheio, cerca de 1 col de sopa. Abra a massa separada com um rolo de macarrão (sugestão: coloque a massa entre duas folhas plásticas e passe o rolo). Corte com a boca de um copo e cubra as empadas, retirando as sobras de massa. Pincele com a gema batida. Leve ao forno pré-aquecido a 180°C por 30 a 40 min. ou até que dourem. Espere amornar e desenforme com a ajuda de uma faca.