quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O tempo

Meu filho Gabriel vivia me falando dos caras do Móveis Coloniais de Acaju. Algumas vezes, ele me fez levá-lo e buscá-lo, nas madrugadas frias de Brasília, em dias de show da banda. E eu nunca tinha parado pra ouvir uma música deles. Achava o nome meio exótico, mas nada além disso.

Esta semana, dei um aperto nele: Me mostre uma música legal do "Móveis". Ele me mostrou. Pelo menos duas. E a Mariana também veio. Com a preferida dela. Enfim, deu pra sacar que os caras são bons mesmo.

A história é longa, quase um ano para cada integrante (são dez anos de estrada e nove componentes). Pra encurtar a conversa (se você quiser mesmo saber mais sobre eles, é só clicar aqui no link da página e navegar)  eles começaram brincando. Vários deles, oriundos da UnB; a brincadeira foi ganhando corpo; as músicas, fazendo sucesso; até que chegou a hora de assumir a jogada como um projeto de vida.

Hoje, eles têm um público cativo em Brasília, mas já se aventuram em outras terras. E tem um projeto, "Móveis Convida", em que promovem uma troca de experiências entre bandas já reconhecidas e bandas iniciantes. O Bi, desde que chegou a Brasília, não perde um.
Então, pra fechar a noite de quarta, ai vai. Com vocês, o Tempo, do "Móveis Coloniais de Acaju".

Alma

*Texto: Maurilo Silveira
  Foto: Ronaldo Ferreira


Alma é o punhado de poeira cósmica,
centelha de pó de estrela, o que resta do início de tudo
e que ainda vive em nós.

Alma é o que sussurra a inspiração,
é o que emociona em uma chuva que cai sem aviso,
 é o que entende o olhar jamais visto.

Alma é da gente o princípio, um restinho de infinito
que ainda teima em queimar em nós.

Alma é tudo isso e é nada,
é a magia do humano
que se indistingue comum.

Efêmera como uma vida.
Eterna como uma sensação.

* Maurilo Silveira é mineiro,
redator dos melhores que Minas já deu.
Ele é o pai da Sophia e também
é o cara do blog Pastelzinho. Toda vez
que eu leio um texto como
o que está escrito aí em cima,,
digo que o Maurilo está
cada dia mais poeta.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Dançar... Ler... Escrever... Viver!

Julinha (a bailarina, sobre quem escrevi no texto anterior) me mandou uma mensagem. É quase uma crônica. É, em síntese, um presente que torna mais alegre a minha segunda-feira, terça-feira, quarta, quinta... E eu não posso deixar de repartir com vocês.


"Maranhãaaaao tô tentando há uma decada mandar o meu comentário no blog e não dá!! ): Enquanto eu tento, vai por aqui mesmo...

Meu cronista favorito, que honra!!

Fiquei tão emocionada com a sua homenagem... Sempre leio e acompanho o Blog do Viegas, e ter um texto só para mim é tão lisonjeante como eu imagino que deve ser dançar um pas de deux com o Baryshnikov! hahaha Mas, deixando de lado o vocabulário de ballet, eu te agradeço muito por suas palavras...

Acho que a minha paixão por dançar e ler pode ser comparada à sua por escrever; tomara que eu consiga um dia ser tão boa bailarina quanto você é escritor e amigo...

um beijão e muito obrigada,
 
Júlia =)))"
 
Júlia tem 15 anos. Gosta de dançar. E gosta de ler. E, talvez isso seja o que torne a vida dela mais fascinante. Dançar, ler, escrever... Viver! Eu é que agradeço, Julinha. Valeu!

domingo, 28 de agosto de 2011

Júlia, a bailarina

Julia Huff é irmã de Gabriel, filha de Suzi e Lula (o meu maestro soberano). Eu a conheço desde antes dela nascer. Quando ainda era só um desejo amoroso dos seus pais, que virou uma barriga imensa na minha amiga Suzi, pra em seguida se transformar em um lindo bebê. Júlia era uma menina linda, está virando uma mulher decidida. Está começano a por em prática os seus sonhos.

Eu e Júlia temos uma relação especial. Trocamos livros. Quer dizer, eu sempre pergunto a ela o que está lendo. Ela é, seguramente, uma das pessoas que mais gosta de ler que eu conheço. E sempre que posso, alcanço um dos meus livros pra ela. Dias destes nos encontramos. Júlia estava feliz, tinha acabado de voltar da sua primeira viagem internacional sozinha.  Foi a Nova York realizar um sonho: dançar.

O pouco tempo que conversamos me deixou com uma certeza: A passagem dela pela por Nova York estará para sempre gravada em sua mente. Júlia se divertiu no museu de cera. Encontrou seus ídolos. Brincou de ficar bem perto de grandes personalidades. Era uma criança num imenso parque de diversões.

Mas pude perceber também uma transformação. A viagem funcionou como uma espécie de divisor de águas. A Júlia, bailarina, começa a ver o mundo com olhos diferentes. Por uma janela mais ampla, que lhe traduz uma chance de alçar novos vôos. O resultado da viagem produziu belos flagrantes da Júlia dançando. Eu pedi autorização para publicar aqui algumas imagens dessa curta temporada novaiorquina. Como um presente. Como um sinal de que aquela menininha linda agora enxerga o mundo por um outro prisma. E faz isso com a leveza de uma bailarina.




Corpo fechado

Domingão morno. Meu palmeirinhas cumpriu bem a missão e ganhou mais uma (e do Corinthians). Vasculho a internet e descubro um novo clip de uma banda gaúcha, nem tão nova assim. A gurizada da Pública já está na estrada há dez anos. A banda é de Porto Alegre, surgiu em 2001 e tem na sua formação Pedro (voz), João Amaro (piano), Guilherme (baixo), Cachaça (bateria) e Guri (guitarra).

Em 2008 eles foram o primeiro grupo de rock a ganhar o Prêmio Açorianos, o mais importante o cenário artístico gaúcho, com o album Como um filme sem fim. Agora, preparam o terceiro album, Canções de Guerra, que deve sem lançado na semana que vem. Mas primeira música do novo disco já está na roda.

Corpo Fechado acaba de ganhar um belo clip, produzido na cidade paulista de Paranapiacaba. A banda toca no interior de uma capela abandonada e as imagens, em preto e branco, dão um clima noir para a bela canção. Bom pra fechar o domingo e começar a semana.

sábado, 27 de agosto de 2011

Também lembrei de você

"A cobra de Vidro", também chamada de Rio Negro.

o por-do-sol, no pantanal
Há mais ou menos dois meses, no final de junho, Guilherme Rondon reuniu a tropa e partiu para uma temporada de üma semana de "confinamento", no estúdio que ele montou perto da Pousada Barra Mansa, na beirada de uma baía, ali onde a "cobra de vidro" (segundo Manoel de Barros) do Rio Negro, lambe a natureza e vai deixando tudo mais verde e vivo. O lugar é inspirador pra qualquer coisa. Imagine, pra fazer música.

A turma reunida
Clima de estúdio.
Pois era isso o que a tropa tinha como desafio. Gravar as músicas do novo CD "Made in Pantanal" que deve ficar pronto em pouco tempo. O time, de primeira, era composto por Orlando Bonzi, Daniel Rondon, Alex Mesquita, Adriel Santos e Alexandre Cavalher, entre outros.

O estúdio (pode acreditar)

Avô, Guilherme, e as primeiras aulas ao neto, Tom
O projeto, segundo diz o Guilherme, era um sonho antigo. Ainda falta um pouco pra ficar pronto e acabado. Mas o Guilherme já nos presenteou com uma preciosidade: O vídeo feito para a canção "Também lembrei de você", de Guilherme e Alexandre Lemos.  O vídeo é ótimo e a canção tem uma mistura de pantanal com a mineiridade de Toninho Horta (sobretudo, nos acordes finais). É um primor. (Todas as fotos deste post são do arquivo pessoal do Guilherme).
 

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Seguir tentando

O Lanterns on The Lake é um novo grupo inglês de um estilo chamado dream-pop. Uma gurizadinha que está em começo de carreira mas que já adquiriu respeito entre a crítica e os fãs do estilo. O primeiro disco deles, Gracious Tide, Take me Home só sai em 20 de setembro.

A música é relaxante e as imagens da cidadezinha inglesa, velhinhos e bailarinas, casam muito bem com a melodia de Keep on Trying. Dê uma olhadinha. E se gostar, você pode visitar o site oficial da banda e baixar música inéditas, já incluídas no novo album.

Lanterns On The Lake - "Keep On Trying" from stereogum on Vimeo.

Histórias Cruzadas

Foto: Divulgação
A data de estreia do filme, aqui no Brasil, é 16 de setembro. Mas "Histórias Cruzadas", de Tate Taylor, já é um sucesso nos Estado Unidos e já tirou do topo das maiores bilheterias o filme "Planeta dos Macacos: A Origem". Em 15 dias de exibição, arrecadou mais de U$$ 70 milhões e já é a maior bilheteria do verão americano. Nada mal para uma produção orçada em U$$ 25 milhões.

O filme conta a história de Skeeter  Phelan (vivida por Emma Stone) uma jovem recém formada que quer ser escritora. E ela decide escrever um livro, na década de 60, do Século passado, na região Sul dos Estados Unidos, exatamente sobre a vida das empregadas domésticas negras. Em pleno momento de luta pelas liberdades civis e contra a segregação racial, o tema é um barril de pólvora e a idéia equivale a mexer, desavisadamente, num vespeiro.

Skeeter conta com a ajuda da amiga Aibileen Clark (no filme, interpretada por Viola Davis) para superar os desafios e revelar os detalhes do universo conflituoso de brancos e negros, vivido pelas empregadas domésticas em um ambiente onde o preconceito era a regra.

O roteiro é baseado no romance "The help" (que foi lançado no Brasil com o título de "A resposta", pela Editora Bertrand), de Kathryn Stockett,  e já faz tanto sucesso que muitos acham que a disputa do Oscar de melhor atriz já está estabelecida e será um páreo duro entre Emma e Viola. Por enquanto, a gente espera a chegada do filme. Mas quem quiser, já pode conferir o trailler legendado. Basta clicar no play, aí embaixo.

Recadinho de prima

Minha prima, Silma Ferreira,  passou por aqui logo cedo. E me deixou um recadinho, desses que estimulam a gente a sempre querer escrever mais:

Ei, meu primo, hoje andei passeando pelo teu blog. Fazia hora que eu não arranjava um tempinho pra passar por lá. Obrigada por compartilhar tantas preciosidades. Bj de saudade.

Valeu, prima. A casa é sua, volte sempre.

Rock de sexta, de sempre

Na sexta-feira passada, 19 de agosto, Ian Gillan, vocalista que esteve à frente do Deep Purple, numa das formações mais importantes do grupo, fez 66 anos. A banda, que junto com o Black Sabbath e com o Led Zeppelin formou a tríade precursora do metal pesado, lançava em 1970 o LP Deep Purple in Rock,  que apresentaria ao mundo do rock a formação mais matadora do grupo inglês.

Com Gillan – nos vocais, Ritchie Blackmore – guitarras, Roger Glover – baixo, Jon Lord – teclados e Ian Paice – bateria, o Deep Purple chegou ao topo no podium do hard rock no início da década de 70.

Ian ganhou o apelido de "Voz de Prata" e, no auge do sucesso, no início da década de 70, participou da Ópera Rock "Jesus Cristo Super Star", em que fazia o paepl principal.

Hoje, um semana depois, acho um tempinho pra postar aqui uma pequena homenagem ao Ian. Porque hoje é sexta, porque lembrei do Cláudio Lisboa e sua paixão pelo Rock (ele até assina um blog como "Cláudio Tull", em homenagem à sua paixão pelo Jethro Tull) e porque cabe começar o dia com um rock pesado.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Meu avô centenário

Caso estivesse vivo, Opílio Viégas, meu avô paterno, estaria completando cem anos hoje. Tenho uma imensa empatia com ele. Talvez seja sina de neto mais velho. Talvez seja coisa dos astros. Talvez não seja nada além de admiração. Pura e simples.

Meu avô era um aventureiro nato. Desprendido das coisas materiais. Ganhava e perdia coisas com a tranqüilidade de quem atravessa a rua. Tinha alguns costumes imutáveis: Almoçava às onze da manhã, em ponto. Não saía de casa sem saber com o quê os netos haviam sonhado na noite anterior (era a lógica onírica para o jogo do bicho). Jogava no bicho todo santo dia. E ganhava sempre um dinheirinho. Carregava sempre um revólver na cintura.

Era um galego “estiloso”. Durante muitos anos, carregou consigo uma foto 3X4, tirada aos dezoito, para a carteira do INPS. Mesmo quando já tinha muito mais idade do que isso. Quando a carteira precisava ser trocada, exigia que a foto fosse mantida. E ai de quem disse que não – a confusão era certa.

Fiz muitas viagens com ele. Eu era sua companhia mais constante nas viagens – ai, sim – por ser o neto mais velho. Entre os anos 70 e 80, fiz pelo menos dez viagens junto com seu Opílio. As viagens eram meu o marcador do tempo. A cada ano o via mais envelhecido, enfrentando novos desafios.

Numa das últimas vezes em que viajamos juntos, ele confundiu-se com o ônibus. Entrou em um errado. Por serem de uma mesma empresa, pintados com as mesmas cores, eles eram muito parecidos, diferiam apenas no letreiro indicador do destino e no número.

Quando consegui encontrá-lo, passava uma descompostura no sujeito que “insistia em não sair da poltrona onde deveria estar sentado o meu neto”. Quando eu disse que ele estava apenas parcialmente certo, que aquela era a nossa poltrona, mas em outro ônibus, ele não se fez de rogado – “Não importa, se fosse o ônibus certo, ele teria que sair, sim, senhor”.

Um dia, durante as férias em São Luis, eu me atrasei para voltar pra casa. Eram umas duas da manhã quando voltei. Ele me esperava na janela da casa do tio Zé, onde estávamos hospedados. Perguntou o por quê do atraso. Eu disse que a festa estava boa. Ele me olhou nem brabo, nem feliz. E murmurou consigo “– Este menino... Já deve estar conhecendo os segredos das mulheres”. Ele tinha certeza disso. Eu apenas começava a descobrir que as mulheres guardam muitos segredos – ou, não guardam nenhum.

Foi “Seu” Opílio quem um dia decidiu me ensinar a manusear uma arma. – Meu filho, disse ele me olhando calmamente – teu pai já te ensinou a pegar num revólver? A atirar? - Não, vô. - Mas ele é do quartel e você já é um homem feito (eu devia ter uns 16). Pois é, mas não ensinou. – Então eu vou fazer isso agora. Fomos para o quarto dele, diante da janela do quintal.

Tirou a arma da cintura, mostrou-me cada peça: as balas, o tambor, o gatilho, a trava. Me fez montar e desmontar tudo duas vezes. Depois, pegou o revólver, mirou uma lata velha, no meio do mato, a uns dez metros e atirou duas vezes. Acertou as duas. Entregou-me a arma e disse: Agora é tua vez.

Segurei, aprumei, prendi a respiração, mirei, apertei o gatilho e – claro – errei três tiros. Pronto, me disse. Agora, nunca mais alguém vai poder dizer que meu neto nunca pegou num revólver.

Por alguma razão que transcende a matéria física, acho o meu filho Gabriel parecido com ele. No humor, na rapidez de raciocínio, nas tiradas surpreendentes. Talvez a genética tenha explicação. Talvez os dois curtissem se conhecer. Talvez. A única certeza que tenho é que bateu uma saudade besta. Do meu avô centenário. Um beijo, “seu” Opílio. Onde quer que o senhor esteja.

Bom dia, Leãozinho!

Acordo de manhã, pão com manteiga... e Leãozinho!

É só o que me ocorre depois de abrir um e-mail que o Mauro Di Deus (sempre ele) me mandou ontem, já no fim da noite. Um vídeo, que a filha dele acabara de lhe enviar e que ele achou que devia dividir comigo e, claro, com o blog todo.

Fez bem, Mauro. Fez bem.

Capa do disco histórico - Tropicália
O vídeo é extraído de uma coletânea produzida por uma ONG chamada Red Hot Organization, que existe há 22 anos e já arrecadou cerca de R$ 15,7 milhões para o combate à AIDS.

Há dois ou três anos, os caras que comandam a Red Hot e que são apaixonados por música, resolveram produzir um disco duplo que homenageasse a Tropicália, movimento musical que marcou a juventude brasileira.

Capa do Projeto Red Hot + Rio 2
A coletânia se chamaria Red Hot + Rio 2 (O Red Hot + Rio, foi lançado há 15 anos e fazia uma homenagem à Bossa Nova) e começou a se esboçar em dezembro de 2008, quando Beco Dranoff - paulista radicado em Nova York e organizador das duas coletâneas -  e o produtor musical americano Paul Heck realizaram o show Samba Soul, em Nova York, com parte da renda revertida para programas da Brazil Foundation, também relacionados à aids.

Os dois e o fundador da Red Hot, John Carlin, chamaram então mais três produtores musicais - Mario Caldato, de Los Angeles, Kassim, do Rio de Janeiro, e Andrés Levin, de Nova York - e começaram a divulgar o projeto.

Feito um acordo com a E1 Entertainment, dona de um dos maiores selos independentes dos EUA, a produção tomou um ano e meio para ser concluída.

Caetano Veloso
A geleia geral tem 33 faixas e reúne participações de gente como Caetano Veloso, David Byrne e John Legend; parcerias entre Beck e Seu Jorge, Mia Doi Todd e José González, Tom Zé e Javelin, Marisa Monte, Rodrigo Amarante e Devendra Banhart, mais diversas bandas, vocalistas e DJs do indie rock internacional. O álbum duplo Red Hot + Rio 2 está à venda nas lojas virtuais e físicas dos Estados Unidos e da Europa, desde junho. E foi lançado no Brasil no final de julho.

Pois bem, o e-mail que o Mauro me mandou e que, originalmente lhe foi enviado pela filha, mostra o grupo Beirut cantando um clássico de Caetano Veloso – Leãozinho. O vídeo tem seis minutos e pouco, mas vale a pena ser visto.

Beirut, com Zach Condon à frente.
O líder do Beirut, Zach Condon, faz algumas confissões antes de cantar. Mostra discos brasileiros que comprou ou ganhou de presente, revela que Roda Viva, de Chico Buarque é uma das suas canções preferidas, conta de uma garota que se emocionou quando os viu cantando Leãozinho, num show feito na Irlanda e pede desculpas pelo nervosismo de cantar em português, uma língua que não domina.

Sem problemas, Zach. A interpretação é preciosa e ficou mais exótica ainda com o sotaque carregado. Valeu, Maurinho. Uma vez mais. Foi um belo presente pra começar a terça-feira.



segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Confusão geográfica

Daiane Tamanaha é uma amiga jornalista, dos idos tempos da TV Morena, em Mato Grosso do Sul. Ela hoje me escreveu. Um papo rápido e delicioso. Que eu faço questão de dividir com vocês.

"Oi, Maranhão! Lembrei de uma historinha engraçada. Não sei se já contei pra você. Uma vez, há muitos anos, eu queria falar com você, mas liguei - sem querer - em um número errado. Segue o diálogo:

♪ Trim trim ♪
- Alô!
- Oi! Maranhão?
- Não. Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Nunca me esqueci! ;)"

O Maranhão do "seu" Teodoro

"Seu"Teodoro.
Fotos: Carlos Moura CB
Aos 90 anos de idade, ele não desiste de fazer brilhar um pedacinho do seu Estado, o Maranhão (que não por coincidência é também o meu), aqui no coração de Brasília. "Seu" Teodoro é insistente e resistente. Todo ano ele "bota" o boi que leva o seu nome. E, no vácuo dos festejos, traz o que há de melhor, em matéria de folclore maranhense, pra "brincar" aqui também.

"Seu" Teodoro veio pra Brasília para trabalhar na construção da cidade, depois de uma breve escala no Rio de Janeiro. Era funcionário público federal. Desde que chegou aqui nunca abriu mão de fincar as raízes do folclore maranhense por estas plagas. E fez tanto e tão bem feito, que o "Boi do Seu Teodoro" virou patrimônio imemorial de Brasília.

No ano passado, ele entregou aos filhos a missão de tocar a brincadeira. Estava doente. Quase morreu. Não se sabe direito, se pela doença, ou, se pela distância a que foi submetido por ordem médica, dos seus brincantes de boi.

Este ano ele também estava doente. Mas não houve quem lhe prendesse no leito do hospital. Tanto fez que ganhou um camarote especial e foi ver o seu boi de perto. E a festa foi linda, como devia ser. O som da batida dos tambores, dos vários sotaques (matraca, zabumba, orquestra) povoam a minha memória e me levam de volta ao meu Maranhão. O mesmo Maranhão do "seu" Teodoro.

Em 2013, a brincadeira vai completar 50 anos aqui em Brasília. Vai ser uma grande festa. E a julgar pela resistência, ninguém segura ele. "Seu" Teodoro vai abrir o festival. Como cabe a um bom e verdadeiro "amo" do Boi.

Na edição desta segunda-feira, o Correio Braziliense trouxe uma página inteira contando os detalhes da "Matança do Boi" que aconteceu durante todo este fim-de-semana que passou. Se quiser ler a matéria como foi publicada, é só clicar no link aí embaixo.   

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2011/08/22/interna_diversao_arte,266486/com-saude-fragil-seu-teodoro-assistiu-a-festa-criada-por-ele-ha-48-anos.shtml

Há alguns anos, o "Boi Barrica" um dos grupos mais respeitados do folclore maranhense, formado por alguns dos meus amigos de infância, lá do Bairro da Madre Deus, tem sido uma das atrações da festa do "Seu" Teodoro. Este ano, não foi diferente. Pra quem não conhece, aí vai um pequeno vídeo com a apresentação do Boi Barrica, do ano passado, cantando um dos clássicos do folclore maranhense: Boi de Lágrima.

Stay Away

Pra começar a segundona. Vozeirão do Charles Bradley.
Pode conferir. Um belo cover do Nirvana. Stay Away.

domingo, 21 de agosto de 2011

Pro amor da minha vida

*Por Mara Viegas

Porque é seu aniversário, o sol veio gigante, fresteando entre as cortinas. E o mar, bem ao alcance da mão, ficou verde-azul, azul-verde. E quando parecia que o mundo tinha esquecido, Mariana e Gabriel chegaram com um parabéns e dois presentes.

E o dia seguiu lento, quente e bobamente feliz. Sol na pele, mar cristalino e morno. Peixe, cerveja, camarão e caipira. Delícia de combinação. Risos e chamegos.  Dois corpos suados comungando a vida. E a tarde lenta, quente e bobamente feliz.

Noite de lua grande, pintando no Atlântico  a ponte do infinito. A celebração. A família. A alegria lúdica das crianças que somos. O dia do seu aniversário e as horas escorrendo, no tempo menino.

O dia. O sol. O mar. Feliz, te segui no caminho da leveza. Como se viver fosse uma brisa. E amar fosse uma lufada de vento que passa entre as letras da  palavra coração.

Foi assim. Um dia tatuado na memória das melhores lembranças que o Pai me deu. Te amo, pra sempre.

* Mara Viegas é a minha companheira de caminhada. Há 28 anos.

Não porque era sábado

*Por Gabriel Franke Viégas

Não porque é sábado, não porque estamos em Maceió, não porque é 2011, não porque é agosto, não porque é dia 20, mas sim porque é tudo isso e algo mais, junto.

Forças maiores transformaram uma sexta nublada, chuvosa, cinza, fria em um sábado ensolarado, quente, agradável e especial para satisfazer e estar à altura do evento que é o aniversário do Sr. Maranhão Viégas.

Acordamos como num sábado normal. Ponto. Depois disso a magia tomou conta de nós e transformou "mais um aniversário" em um "dia memorável para nunca se esquecer".

Como todo aniversário, alegrias , tristeza, saudades, amizades e tempos idos são lembrados. Futuro, sonhos, ideias, vida, objetivos são traçados mais uma vez. Com toda a liberdade poética, e com a licença do autor, Vinícius de Moraes, termino esse relato parafraseando-o: não só porque hoje foi sábado.

* Grabriel Franke Viégas é meu filho.

Antes que o dia acabe

Quando se faz quarenta e nove anos é preciso olhar pra trás. Aliás, olhar pra trás é um exercício que faço sempre. É o que me dá referência. De onde vim. Aonde cheguei. Onde estou. E o que ainda posso alcançar. Traduzindo, quarenta e nove somam uma caminhada e tanto. Caminhar uma longa estrada e seguir adiante.

Do meu computador, esse objeto frio e distante, me veio um dia diferente. A cada clic, um abraço, um carinho, um afago, quente e intenso. Gente distante, superando a distância. Uns, atravessando o oceano. Outros, atravessando a rua. Outros, do alto da cordilheira. Muitos, do pantanal. Outros ainda, cruzando rios e montanhas desse imenso Brasil pra me alcançar. Amigos virtuais? Que nada! Amigos. E ponto.

Ao longo do dia foram mais de duzentos alcances. Entre telefonemas, mensagens, recados, posts no Facebook, no orkut... Nem sinais de fumaça faltaram. E eu, que não fazia idéia de que tantos amigos estariam presentes em meu dia, me permiti uma dose de emoção. A dose que salva, a que acalma, como na música de meu compadre Geraldo Rocca.



Antes que este dia acabe, quero dizer da minha alegria em viver. Vivo porque acredito que algo deve funcionar, deve frutificar, algo deve dar em poesia, apesar de tudo. E dando em poesia, já se justifica a vida. Aqui perto, pertinho mesmo, estavam Mara, Mariana e Gabriel. Minha família. Meus amores. Minhas poesias vivas. Complementos de minha vida. Nos permitimos ser crianças por dois dias inteiros. Com tudo o que isso significa. Com o prazer e a dor. Mas, sobretudo, com o riso. Viver é estar inteiro.

Antes que o dia acabe enxergo a lua e o oceano. E me vejo fruto e resultado. Fruto de princípios que meus pais me deram. Resutado do que aprendi a compor, da alquimia de fazer, de tentar, de insistir. Talvez seja isso - sou fruto de uma insistência. Insisto em seguir, insisto em querer, insisto em amar, em fazer poesia. Insisto em estar vivo - enquanto estiver por aqui.

A todos os amigos que espalhei por aí e que, volta e meia, como hoje, insistem em me encontrar, agradeço a companhia. Aos meus amores, que insisto em carregar em meu coração (não importa tempo e distância) obrigado por terem cruzado a minha vida. Eu por aqui, encerro os 48 e inicio meus 49 anos. Acreditando que a vida vale mesmo a pena.

Antes do dia acabar, dancei com Mariana, enquanto Mara e Gabriel dançavam também. Um som que é universal. Uma música tocada com carinho e que alcançou a nossa alma. E que ajudou a rever o filme de minha vida inteira. Antes do dia acabar. Um brinde à vida. Valeu. Até já.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Tecendo a alma

Hoje fui assim. Circulando por ruas do  Pontal da Barra, em Maceió. Lugar em que mulheres e homens criam arte com as próprias mãos. E vivem dos teares e das rendas que criam. Do fino fio, um traço nobre, um ponto, uma teia de caminhos coloridos - ou absolutamente brancos. Um vestido, uma flor, um devaneio, um amor.

Na tela do artesão, como na telha do poeta, tudo cabe. Olhando de perto, viajando no tecido mágico, vi mãos calejadas a produzir roupa fina. Para o corpo, para as mesas, para os enfeites da cabeça e da alma.

Hoje, indo assim, pelas ruas do Pontal da Barra, lembrei de Cris e de Odette. Cris, porque faz com as letras o que bem entende de vestir. Sua escrita é sua roupa. Odette, porque tem habilidades nas mãos que a igualam às mais nobres artesãs que já vi.

Hoje, bem aqui de longe, fui assim.

Vinho e bem estar

*Por Mariza Poltronieri

Tempo de frio convida para o vinho e reunião com os amigos, preferencialmente em casa, em frente a uma lareira. Tudo quentinho para abrigar uma boa conversa. O vinho está ganhando espaço na mesa dos brasileiros. A produção vinícola no país vem se destacando e a Serra Gaúcha melhora a cada dia a qualidade dos vinhos que produz.

As variedades mais comuns são Cabernet Franc e Sauvignon, Petit Syrah, Pinot Noir, Gamay, Malbec e Merlot, entre os tintos. Entre os brancos, Chenin Blanc, Sauvignon BlancChardonnay, Malvasia e Riesling.

Nas refeições, buscamos harmonizar o cardápio com os vinhos, sempre pensando no prazer que este encontro de paladares pode nos ofertar. Mas há também momentos em que o vinho se torna comida até mesmo em uma sobremesa. Como falamos em Rio Grande do Sul, uma receita típica de lá, simples e deliciosa, como um carinho.

SAGU AO VINHO TINTO COM CREME DE BAUNILHA

Ingredientes para o Sagu:
2 xícaras de chá de vinho tinto seco
2 xícaras de chá de suco de uva
4 e ½ xícaras de chá de água
1 e ¼ xícaras de chá de sagu
2 xícaras de chá de açúcar
Cravo e canela em pau a gosto

Ingredientes para o creme:
1 litro de leite
1 xícara de chá de açúcar
1 gema de ovo
3 colheres de sopa de água
3 colheres de sopa de amido de milho
15 gotas de essência de baunilha

Preparo do sagu:
Leve ao fogo, em uma panela, o vinho, o suco de uva e a água. Quando começar a ferver, acrescente o sagu e deixe cozinhar por 20 min, mexendo de vez em quando. Acrescente o cravo e a canela e por último, o açúcar. Misture e deixe ferver por 5 minutos, mexendo de vez em quando. Tire da panela e coloque em uma compoteira ou vidro transparente. Leve para gelar por 24 horas.

Preparo do creme:
Em uma panela, coloque o leite e o açúcar e deixe ferver. À parte, misture a gema com a água e o amido de milho. Adicione ao leite e deixe cozinhar por 2 minutos, mexendo vigorosamente. Acrescente a essência de baunilha e retire do fogo. Cubra com um filme plástico rente ao creme para não formar película. Deixe esfriar e sirva com o sagu.

*Mariza Poltronieri é culinarista em Maringá, PR. E tem espaço garantido aqui, para escrever sempre que quiser, sobre alquimia gastronômica. Ou, sobre o que ela desejar.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Conto contigo, tempo amigo

Velhas fotos amareladas
imagens de um passado
uma vida
um recado

Velhas canções me soam
como se fossem de agora
outros tempos
vida afora

Então, me vejo no espelho
mais velho
mais vivo
e ainda cheio
de desejos

Há tempos, nasci pro mundo
Devo confessar:
a aventura é boa
e o tempo, amigo


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Vitrines

Pra fechar o dia. Vitrines. Com Chico.

Poesia? Tem sim, senhor!

Quarta-feira recheada de poesia, pra quem mora em Brasília. Dois bons programas pra fechar o dia: Primeiro, Elício Pontes, que está lançando hoje à noite, a partir das 20h00, no Martinica Café, o livro  Metade de mim é verso, onde ele usa a paixão como tema norteador para relatar, em poemas, as experiências cotidianas.

Elício Pontes
Foto: divulgação
Elício, um cearense radicado em Brasília, é professor de pedagogia, na UnB. Ele é quem diz: "Minha poesia é muito carregada de sentimento. Essa coisa do romântico me parece meio deslocada no tempo ou ultrapassada. Mas, eu me coloco diante da crítica, porque o poeta é o que é".

Antes de encontrar a poesia/
ela me encontrou/
sentou-se ao meu lado/
aninhou-se em meu ombro/
e tomou conta de mim.

Elício Pontes

Um pouco antes, a partir das 19h00, outro nordestino, desta vez, um piauiense - Climério Ferreira, é quem lança o seu décimo livro - Poesia mínima & frases amenas. Climério também foi professor de comunicação da UnB, é letrista (já escreveu composições para vários artistas da MPB, entre os quais, Dominguinhos), procura fazer um exercício de filosofia poética em sua nova publicação.

Climério Ferreira
Foto Monique Rene/CB
O lançamento acontece no  Café Cultural ( ao lado do Teatro da Caixa, SBS, Qd. 4, lotes 3/4). Quem não estiver em Brasília, pode fazer uma compra virtual  através do site: http://www.abravideo.org.br/ O livro tem 244 páginas e custa R$ 20,00.

A PRESSA VÃ DA VIDA FÚTIL

As crateras do tempo engolem horas
Os vulcões dos séculos expelem anos
Não sobra espaço para as demoras
Nem a calma necessária para os planos

Nesse turbilhão de minutos aflitos
Montanhas de desejos se evaporam
Os dias destroçam santos e mitos
E os ideais necessários desmoronam

Climério Ferreira