quinta-feira, 23 de junho de 2011

Mônica, Cris, a moda e os caminhos cruzados

Mônica Horta
Mônica Horta era uma menina inquieta, no final dos anos 80, início dos 90. Nos conhecemos na redação do Jornal do Brasil Central. Eu, editor. Ela, repórter (de moda e cultura). Era um desafio, para um pequeno jornal semanário, manter uma coluna de moda inteligente. Aliás, aquele era um jornal dado a desafios. Minha ida pra lá tinha como objetivo ajudar a implantar a impressão em cores. Foi o primeiro jornal semanário a ter a capa colorida em Mato Grosso do Sul.

Pra conseguir fazer a capa em cores, era preciso definir a pauta e fazer as fotos até a quarta-feira. O jornal era rodado no sábado e ia pras bancas no domingo. Era uma operação de guerra (e exigia nervos de aço). Primeiro, o assunto tinha que resistir, ser atemporal. Depois, era preciso mandar os fotolitos para São Paulo. Por fim, era preciso rezar, torcer muito, para que eles voltassem e a VASP os entregassem na data certa, no horário certo e... no aeroporto certo.

Não raras foram as vezes em que, por descuido da Vasp, a nossa capa foi parar em Rio Branco, no Acre. Fotolito perdido, equipe frustrada e o jornal saia preto e branco mesmo.

Nessa época, a Mônica apareceu e juntou-se ao bando de alucinados: Lizoel Costa, Mara Viegas, Neri Kasperi, Ângelo Souza, Liane dos Santos, Luca Maribondo, Orlando Rocha e alguns outros que me faltam à memória. Foi um período apaixonante. Cultura, esporte, economia, política, em tudo o que a gente metia a mão, havia um trato diferente.

Foi assim que, lá pelas tantas, decidimos que era hora de apostar naquela menina que vestia roupas descoladas e enxergava a moda não como uma banalidade, mas como uma ciência. E convencemos os donos do jornal a custear as viagens dela a São Paulo, para cobrir eventos do mundo Fashion. Uma vez mais o jornal ousava. Éramos verdadeiramente abusados.

O tempo passou, o projeto do jornal também atingiu o seu limite, as pessoas seguiram o seu destino. Nunca mais ouvi falar da Mônica. Mônica à época já tinha uma filhota, Cael.

Mônica e Cael Horta
Há alguns anos, fui fazer campanha política em Minas e conheci a história da Cris Guerra. Uma publicitária moderna, inovadora que só. Uma menina com uma história de vida linda, de resistência, inteligência, superação e alegria.
Cris Guerra
Primeiro a encontrei através da internet. Depois nos aproximamos por conta de amigos comuns, como a Soraya Bones. Até ganhei um livro autografado pela Cris, mesmo estando a milhares de quilômetros dela, no dia do lançamento. Não importa a distância ou o fato de nunca termos nos encontrado pessoalmente. Somos amigos de infância.

Cris deu muitas viradas na vida. A mais recente a transformou em uma das mulheres mais respeitadas no mundo da moda. Ela assina o blog “Hoje vou assim”, que já lhe rendeu muitos prêmios e a transformou em uma personalidade, com “P”maiúsculo na blogosfera. E desde sempre, Cris é mãe de um moleque do bem: Francisco.

Cris e Francisco
Na semana passada os caminhos de Mônica e Cris se cruzaram. E eu, de alguma forma, colaborei para que isso acontecesse. Cris foi cobrir a São Paulo Fashion Week. Mônica, também. Em meio a milhares de pessoas, centenas de desfiles e eventos paralelos, eu recebi notícias das duas. Cada uma a seu jeito.

Depois de um longo hiato de tempo, descobri que a Mônica, aquela menininha invocada por moda, com quem eu havia trabalhado no início dos anos 90, tinha virado uma jornalista especializada, ganha a vida com isso e assina a coluna ecostyle no blog FFW de um dos criadores da SPFW.

Mônica Horta, Jornalista de moda
Não sei exatamente por que, mas achei que as duas deveriam se conhecer. Eu não tinha certeza de que isso seria possível, mas também não havia nada que impedisse a tentativa. Elas são apaixonadas por moda, tem vidas independentes, trafegam por caminhos inovadores e são figuras encantadoras.

Cris Guerra, Blogueira de Moda
Mandei um e-mail pra uma e pra outra, apresentando-as mutuamente e avisando-as que estavam no mesmo lugar, ao mesmo tempo (a SPFW) e que eu ficava aqui na torcida para que elas se conhecessem.

Hoje recebi um e-mail da Cris. E outro da Mônica. As duas se encontraram, no último dia, na porta do banheiro. Se identificaram, trocaram contatos, falaram da vida, dos filhos, se descobriram com a mesma raiz (as duas são de Minas), tiraram fotos. Cael, filha de Mônica, tem uma tatuagem muito parecida com uma das tatuagens de Cris. A conversa rendeu e até lembraram que, de alguma forma, eu estava no eixo daquele encontro inusitado.


Cris Guerra e Cael Horta
 Valeu, Cris. Valeu, Mônica. Mundo pequeno, vida que segue.

5 comentários:

  1. adoro seu carinho pela Cris....quem dá bala pro filho adoça a boca da mãe...e adoro a forma que você escreve.beijo

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  2. Você é uma pessoa muito especial e querida. E o seu coração é uma obra de arte, de tão lindo. Tenho orgulho de ser sua amiga.

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  3. Se eu fosse um sapo,
    ia ficar com receio
    de explodir o papo,
    de tão cheio!

    Obrigado pelo carinho, Cris.
    A vida é assim. E eu gosto dela.
    Por tudo o que ela já me deu.

    Beijo.

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  4. Queridíssimo,
    Só posso te agradecer muito, e dizer que foi uma grande honra/sorte ter encontrado alguém com seu alto nível pelo caminho. Devo a você grande parte dos meus prazeres profisionais, e das boas lembranças que eu guardo desses meus 41 anos de superbatalhas.
    Adoro a sua pessoa.
    Superbj procê,
    Mônica.

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