quarta-feira, 4 de julho de 2012

Tentayape em Katmandu


Roberto Alem Rojo

Direto de Cochabamba, Bolívia, recebo um e-mail do meu compadre Roberto Além Rojo
"Estou embarcando para Katmandu. Meu documentário foi selecionado para a mostra de filmes indígenas do festival que acontece lá, todo ano."
Dá quase pra ver a alegria dele exalando pelos teclados. 
Sobre Roberto já falei muito aqui no Blog. Inclusive sobre a última aventura a que ele me convidou a participar, dando pequenas contribuições ao roteiro do filme Teoponte. Quem quiser conhecer um pouco mais dessa história é só clicar aqui.  
Roberto, Alejandro, Ramon e Gustavo Ostria.
Parte da turma encarregada de escrever o roteiro de Teoponte
Junto com o convite, Roberto me manda um texto que foi escrito e publicado por outra grande figura, Ramon Rocha Monroy, um grande amigo que fiz e um dos maiores jornalistas e roteiristas bolivianos dos tempos recentes. Sobre Ramon também já escrevi aqui no blog, querendo conhecê-lo melhor, basta clicar aqui. Você não vai se arrepender.
Esses dois amigos, sem que se dêem conta e cada um na sua área específica, às vezes juntos, às vezes separados, vão traduzindo a história da Bolívia em letras e imagens. Um e outro merecem respeito, apoio e admiração pelo que fazem. 
Por isso, aproveito a deixa para traduzir (livremente) e publicar aqui também o texto em que o Ramon conta um pouco da luta do Roberto para produzir filmes e documentários. É a minha forma de ajudá-los e de dizer o quanto lhes admiro e respeito.
Roberto Alem Rojo é convidado para Festival de Cinema do Nepal
Por Ramom Rocha Monroy
No ano passado, Roberto Alem Rojo esteve na Instituição Smithsonian, convidado a expor seu documentário "Tentayape, a última casa".  Agora, ele foi convidado a ir a Kathmandu, pelos organizadores do 6º Festival Internacional de Cinema e Vídeo dos Povos Indígenas, NIIFF, que acontece a partir do dia 14 julho de 2012, no Nepal. Roberto vai exibir o mesmo documentário.
Pueblo Ava Guarani, em Tentayape.
Segundo a descrição oficial, "Tentayape é o último refúgio Ava Guarani intacto na Bolívia. Em Pleno Século XXI, esse grupo social faz convergir tempo e espaço para mostrar ao mundo um outro sentido da vida, onde a base  é a solidariedade, a austeridade, a preservação da natureza e a liberdade. Um exemplo cultural de dignidade e auto-gestão."
Junho e julho tem sido meses muito produtivos para este prestigioso documentarista boliviano. No último dia 05 de junho, o Arquivo Nacional de Cinema de Santiago do Chile, localizado no piso térreo do Palácio de la Moneda, exibiu "Teoponte; o retorno às montanhas", um documentário de curta metragem (56 minutos) feito com base no livro escrito por Gustavo Rodríguez Ostria, Teoponte, a outra guerrilha Guevarista na Bolívia."
A sinopse do documentário é a seguinte:
Dia da partida dos jovens revolucionários - Teoponte
"Teoponte é a história de jovens que vieram de vários países latino-americanos, unidos pelo sonho de construir uma sociedade melhor. Um grupo disposto a pagar com um alto preço, a sua própria vida, para tornar esse sonho possível. Esta fascinante aventura na selva boliviana, tornou-se uma tragédia enorme.
A maioria desses jovens idealistas foi morta de forma brutal. Quarenta e dois anos depois, os sobreviventes têm a oportunidade de dar início a uma nova luta histórica, para vencer o esquecimento, sem  perder de vista que o sonho de que construir uma sociedade melhor continua possível."
Também no último dia 19 de junho, no Festival Internacional de Cinema e Vídeo sobre Direitos Humanos "Temos de ver", em Montevidéu, Uruguai, apresentou "Cochabamba, Nunca Mais - 11 de janeiro de 2007", outro documentário que leva a assinatura de Roberto Alem Rojo.
O documentário conta a história de uma sangrenta batalha nas ruas de Cochabamba, sob o governo Evo Morales. O documentário é assim apresentado:

"Desde o ano 2000, a Bolívia está passando por uma série de transformações políticas e sociais que levaram a acontecimentos trágicos. Um deles transformou as ruas da cidade de Cochabamba em uma praça de guerra, em janeiro de 2007. Foi quando duas forças opostas se enfrentaram, aprofundando a divisão social do país. O objetivo deste documentário é despertar a consciência das pessoas, para que dias como esses nunca mais aconteçam".
Roberto Além faz um trabalho incansável e exemplar, digno de todo louvor, porque na Bolívia, como de resto em muitos outros países da América Latina, há uma escassez de recursos para a produção de documentários e de filmes, ainda que o número de documentaristas cresça a cada dia.
Conheço de perto todo o sacrifício que passa Roberto para cumprir sua vocação há mais de 30 anos. Um documentário como Tentayape, que foi selecionado pelo Smithsonian e agora pelo Festival de Kathmandu, exigiu dele uma verdadeira entrega ao povo Guarani. Algo que vai muito além das exigências normais da produção de um simples documentário. Assim, Roberto ganhou a confiança dos “capitães Guarani, dos homens e mulheres desta comunidade, com quem hoje se relaciona mais como um amigo de confiança do que como um cineasta profissional.
Roberto ainda não conseguiu levantar os recursos necessários para produzir o longa-metragem, documento-ficional, "Teoponte", mas ninguém duvide que conseguirá. Todo o seu esforço para isso já se transformou em um belo documentário televisivo que vem recebendo muitos elogios da crítica e do público, em todos os lugares onde já foi exibido.
Da mesma forma, "Cochabamba, nunca mais" não teve um orçamento adequado, entre outras razões, porque desde o início Roberto escolheu registrar os fatos como um observador equilibrada, sem resvalar em qualquer viés político no registro dos inúmeros testemunhos dessa jornada dolorosa.
Para produzir e trilhar o seu longo e virtuoso caminho pelos festivais mundo a fora, Roberto Alem Rojo tem contado com o apoio inestimável  da Cruz Vermelha Suíça, da Fundação Simon I. Patiño, do Cidre IFD e das produtoras Imago e Buena Onda Americas.

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