domingo, 1 de julho de 2012
sábado, 30 de junho de 2012
Dos dias, santos e orixás
Uma pressão natural do ambiente jornalístico e político. Outra pressão, também natural, da própria vida, me cobrando respostas e soluções a cada segundo. E uma pressão extraordinária por conta da somatória dos detalhes que caracterizam o "jogo político" - onde, por força da profissão, sou obrigado a trafegar - esse, sem medidas, sem regras, sem limites.
Coisa que exige coragem e destemor.
Em meio a tudo isso, abro a caixa de correspondência e recebo mensagens carinhosas e cuidadosas que vem de toda parte, dos lugares mais distantes e das pessoas mais diversas. Elas me ajudam a enfrentar os desafios do dia.
Ontem, por exemplo, uma mensagem me lembrou ser dia de São Pedro e de Xangô. Me obrigou a dois movimentos imediatos. Um, o de registrar que 29 de junho, dia de São Pedro, é também o dia do aniversário do meu irmão, Iram (a quem chamamos uma vida inteira de Binga, não me perguntem a razão). Depois, me fez meditar sobre os meus santos protetores, meus guias e orixás. No ano passado, na virada do ano, ganhei de Fernando Barros, um baiano arretado, um novo/velho amigo dos bons, uma imagem de Xangô.
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| Xangô |
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| Brincantes do Bumba-meu-boi |
Quando eu era criança, nestes dias, ficava espremido entre as grades da varanda da minha casa e as pernas de meu pai, vendo o povo passar, vendo os Caboclos de Pena, os Brincantes e seus chapéus coloridos, a Burrinha de Sabujá, as Mães Catirinas e Pais Franciscos, enfim, vendo a figura mitológica/religiosa do Boi desfilar diante dos meus olhos.
Por vezes, nem me dou conta. Mas essas lembranças permanecem vivas e plenas dentro de mim. Volta e meia, me assaltam como agora. Graças ao cuidado generoso dos que me velam. Meus santos, meus anjos, meus orixás, meus queridos amigos, meus cuidadores.
Acho que é daí que vem boa parte da minha capacidade de seguir enfrentando e vencendo desafios que a vida me põe. O céu lá fora é limpo e azul. A manhã é fria, mas ensolarada. Eu agradeço e celebro a vida.
domingo, 24 de junho de 2012
Daqui, escrevo
Toda mudança implica em perdas e ganhos. Na lista de ganhos, da minha última mudança, tenho a alegria de dizer que ganhei um novo canto para escrever. É daqui, de onde vejo notícias, de onde leio, de onde vejo filmes, de onde reencontro os meus discos e ouço minhas músicas, cercado por poetas, poesias e lembranças de viagens é que também escrevo.
Daqui, do meu novo canto, meus dedos percorrem as teclas, minha mente voa e eu registro as histórias que me traduzem. Daqui, crio e enxergo o mundo. Eu e minhas circunstâncias.
Revendo o mar, relendo Santos
Semana passada fui à Praia Grande, litoral de São Paulo. Fui a trabalho, a convite do Instituto Cultiva, fazer uma palestra sobre Marketing Político, Eleições e Comunicação, num encontro da Federação dos Comerciários de São Paulo.
Foi um reencontro. Eu explico. Reencontrei-me com Rudá Ricci, com o litoral paulista e com a memória de Santos. É que na ida para Praia Grande, Rudá e eu pernoitamos em Santos. Chovia muito. Naquela noite, o time do Santos disputava uma vaga na final da Taça Libertadores, contra o Corinthians (na Capital). Portanto, dia de frenesi nas ruas da cidade.
Eu e Rudá estávamos muito cansados de uma longa jornada diária, cada qual em seu universo, e também cansados por uma viagem de carro de Sao Paulo a Santos (que nem sempre é longa, mas é sempre cansativa). Entretanto, ainda havia forças para jantar um peixe, tomar uma cerveja; tempo para por parte da conversa em dia - afinal, falamos muito ao telefone, mas nossos encontros são mais fortuitos.
Falei sobre a emoção do convite, sobre como preparei a apresentação. Falamos sobre projetos futuros e sobre nossas vidas. O peixe, a cerveja, a chuva - e até o jogo, que passava em uma TV, no ambiente eufórico do restaurante onde jantávamos - tudo estava bom e na medida correta.
Encerramos a conversa com uma caminhada sob a chuva fina. O hotel estava a uma quadra. Fechamos a noite, nos despedimos e combinamos o horário de partida para Praia Grande no dia seguinte. Chegando ao quarto, vi uma cidade úmida e barulhenta pela janela. Santos. Me lembrei da preparação da palestra e do texto que encontrei, esquecido há tempos, dentro de um velho livro de marketing político.
Era um texto de despedida de uma aventura que durou doze dias. Fruto de um convite para coordenar uma campanha política da candidata do PT, Telma de Souza. Não me recordo ao certo o ano em que isto aconteceu. Foram doze dias intensos em Santos. A Telma é uma pessoa maravilhosa e uma candidata indisciplinada (pelo menos, era, à época). Em muito, por conta disso, deixamos a campanha dela e seguimos para outra.
Como eu disse, enquanto eu preparava a palestra, revirava livros para rever conceitos e teorias, encontrei o texto e me emocionei ao lê-lo, outra vez. Creio que a primeira pessoa a recebê-lo foi a Ana Tebar. Pela emoção de relê-lo agora, sem necessidade de mexer em uma palavra, pelos velhos tempos e pela Ana, eu o transcrevo e divido com vocês.
Nele, traduzo a angústia de ver uma luta terminar sem poder fazer nada. Mas vejo a mesma paixão com que me entrego sempre aos desafios que surgem em minha vida. Não há como não sentir uma pontinha de orgulho pela clareza do registro. Por isso mesmo, não há como não ficar emocionado, neste reencontro com a noite chuvosa de Santos.
Santos
ficou pra trás.
Circulo
nas ruas pela última vez. Passo por pessoas que mal sabem quem sou e que não vão
ficar sabendo nunca. Nesse último trajeto, olho a cidade da janela de um carro.
Meu olhar percorre prédios repletos de histórias e abandono. Uma cidade de
contrastes. Arquitetura histórica, clássica, art noveau, em meio prédios cujo
estilo me parece não ir além do fast food, sem gosto, sem graça, se perdem ao
poucos. Restos de histórias que se esvai entre os dedos.
Meu
ouvido dói a mesma dor dos doze dias em Santos. Agora, por conta do clima, um
pouco mais forte. Dói também o meu peito. Uma dor calada, de quem não pode
fazer muito, de quem não pode ajudar a mudar a história.
O
tempo chuvoso e neblina me impedem de ver a cidade do alto da serra. Santos
ficou definitivamente pra trás. Passou em mim como um braço de mar. Não deu pra
mergulhar, fiquei na superfície e me encantei com o pouco que vi. Com a
perspectiva de futuro, com a possibilidade de fazer.
Nas
ruas de Santos se respira história, ainda hoje. Estão lá as marcas dos
navegadores portugueses, de Martim Afonso de Souza, dos bandeirantes, de
Anchieta, dos Andradas... Marcas de um país recém descoberto. Marcas de uma
história que começa desde o primeiro momento em que as naus portuguesas
encostam na areia da praia, no dia de todos os Santos.
Santos
jamais saberá o que perdeu.
Eu
não tenho mais como saber o que poderia ter ganho.
It’s
over.
Longa travessia
Foram dias intensos, de uma longa travessia.
Um mar, um oceano.
Uma montanha.
Até encontrar porto seguro, de novo. Assim é a vida.
Navegar preciso. Viver impreciso.
Pra comemorar a volta (ou a travessia) um pouco de música. De boa música. Com esses meninos do Beirut, que eu gosto tanto. Bom fim de domingo a todos. Bom começo de semana.
sábado, 16 de junho de 2012
A mudança
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| A orquídea-bambu, o muro azul e as boas-vindas |
Vamos viajar? Vamos. Vamos mudar de endereço? Sim. Bastava uma decisão singela. Um toque e as coisas que importavam estavam dentro da mochila. Para traz, nem vestígio de raiz. O mundo cabia ali.
Hoje, uma mudança implica em, no mínimo, dois movimentos. O que importa levar e o que devemos abrir mão. Desprender-se é um exercício fabuloso. Roupas, livros, móveis, caixas, bolsas, louças... Objetos que tinham um valor inestimável antes, sem os quais não saberíamos, nem poderíamos viver, saem da nossa vida num zás!
Alguns saem com alguma dor. Outros saem com a consciência de que farão melhor a outras pessoas. A quem mais precise deles. É quando percebemos o fundamental da vida. E o fundamental não é acumular. É saber o que ter. E o que carregar.
Hoje, manhã nublada, um pouco fria, foi a primeira manhã de fim de semana mais normal na nova casa. Foi quando pude tomar o primeiro café me sentindo em outra casa. Ainda erro os lugares, ainda dou passos demais na cozinha, mas aos poucos vou me entendendo com paredes, cantos e gavetas.
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| A vida renovada, onde antes era frio e só. |
De fato, somos assim. No fundo azul do muro pintado, onde antes havia frieza e mofo, hoje existem plantas mais vivas. E as primeiras orquídeas se dão à nossa vista, como uma retribuição, como um alento pela mudança e num sinal de que a vida vai mesmo ser melhor - a depender de nós.
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| A flor se dá à vista |
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| As cores das boas-vindas |
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Paul 70
Nossos ídolos ainda são os mesmos. E quanto mais velhos, melhores. Longa vida, Paul.
terça-feira, 5 de junho de 2012
Começar com Elis
É hoje. Dia de mudança. De recomeçar. De inaugurar. Então, vamos de Elis. Porque o dia merece. Porque ela é perene. Porque é pra dar sorte e alegria. E porque com música é sempre melhor.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Hoje fui passear de balão.
Por Mariza Poltronieri*
· 1/2 kg de goiabada lisa
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| Mariza Poltronieri |
Quando criança, no século
passado, meus irmãos e eu tínhamos um planeta só nosso. Era um terreno baldio
que ficava conjugado ao restaurante da família e da nossa casa.
Lá, como nos sítio de D. Benta, de Monteiro Lobato, tinha árvores de muitos frutos, manga, goiaba vermelha e branca, mamão, limão. Tinha uma horta com tomates, verduras e cheiro verde.
De vez em quando tinha milho também, que caprichosamente arrancávamos os brotos para comer ali, bem no pé e escondido, pra sentir o docinho daquela iguaria proibida. Os mini milhos arrancados diminuíam a safra.
Não faltava bicho, de todo jeito, cães vira-latas e de caça, porquinhos-da-índia, bode, peru, gato, porco. Inventávamos inúmeras brincadeiras neste mundo. Fazíamos tiroleza improvisada de uma árvore à outra, grandes buracos para chegarmos ao Japão; soltávamos pipa, andávamos de perna de pau, guerra de barro e sempre, quase o tempo todo, em cima das árvores. Todas as brincadeiras ali eram permitidas. Um espaço longe das ruas. Eu sempre fui uma criança obediente. Não arriscava muitas coisas. O quintal planeta era o meu mundo possível. E como brinquei.
Eu tive muitos amigos corajosos, que se aventuravam a ir além. Achava aquilo o máximo, mas só de pensar me dava taquicardia, então eu imaginava e me aquietava. A imaginação também era um planeta.Crescer com essa infância foi muito bom, com a imaginação também. Ainda me exaspero com o novo, mas ele serve de gatilho para a criação. É assim na cozinha, é assim para escrever, é assim para sentir. E é bom.
Lá, como nos sítio de D. Benta, de Monteiro Lobato, tinha árvores de muitos frutos, manga, goiaba vermelha e branca, mamão, limão. Tinha uma horta com tomates, verduras e cheiro verde.
De vez em quando tinha milho também, que caprichosamente arrancávamos os brotos para comer ali, bem no pé e escondido, pra sentir o docinho daquela iguaria proibida. Os mini milhos arrancados diminuíam a safra.
Não faltava bicho, de todo jeito, cães vira-latas e de caça, porquinhos-da-índia, bode, peru, gato, porco. Inventávamos inúmeras brincadeiras neste mundo. Fazíamos tiroleza improvisada de uma árvore à outra, grandes buracos para chegarmos ao Japão; soltávamos pipa, andávamos de perna de pau, guerra de barro e sempre, quase o tempo todo, em cima das árvores. Todas as brincadeiras ali eram permitidas. Um espaço longe das ruas. Eu sempre fui uma criança obediente. Não arriscava muitas coisas. O quintal planeta era o meu mundo possível. E como brinquei.
Eu tive muitos amigos corajosos, que se aventuravam a ir além. Achava aquilo o máximo, mas só de pensar me dava taquicardia, então eu imaginava e me aquietava. A imaginação também era um planeta.Crescer com essa infância foi muito bom, com a imaginação também. Ainda me exaspero com o novo, mas ele serve de gatilho para a criação. É assim na cozinha, é assim para escrever, é assim para sentir. E é bom.
Hoje fui passear de balão e
não fui sozinha. Como antigamente, estava acompanhada de meu irmão, parceiro de
brincadeiras e de sua filha, minha querida também. Ali, vendo o balão ser
inflado e aprumado, com o mesmo cesto de minhas lembranças imaginadas e não
vividas, me senti pequena e grande, com um desejo intocado, o impossível e o
possível.
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| Mariza e sua sobrinha, no balão. |
Descobri que o piloto do
balão só sabe como subir e descer, não há controle prá onde se vai, o vento é
quem diz e está tudo bem. Lá longe tem gente prá te resgatar. Na vida, também é assim. Subindo as alturas eu ganhei
as ruas. Isto é bom e estou feliz.
Como sempre apresento alguma
receita, pensei em algo com goiaba, uma de minhas frutas preferidas e também
porque eu era a “dona” do pé do quintal. Pensei também em transgredir.
Pelo excesso de calorias e pelo prazer que dá, um delicioso e fácil petit
gateau de goiabada com nuvem de requeijão.
Petit Gateau de Goiabada com Nuvem de Requeijão.
IngredientesPara o Petit Gateau:
· 1/2 kg de goiabada lisa
· 200 g de manteiga derretida
· 100 g de açúcar
· 5 claras de ovos
· 10 gemas peneiradas
· 100 g de farinha de trigo peneirada
· Para a espuma de requeijão:
· 1 vidro de requeijão consistência firme
· 3 claras de ovos
· 3 colheres de sopa de açúcar
· 3 colheres de sopa de água
· 1 pitada de sal
Modo de Preparo
Petit Gateau:
Nuvem de Requeijão:
· Desenforme o petit gateau em pratos individuais. Coloque a espuma de requeijão ao
lado e enfeite com uma folha de hortelã.
· Misture na batedeira a goiabada lisa com a manteiga derretida. · Em seguida, acrescente o açúcar e bata mais um pouco. · Bata junto as claras de ovos e as gemas peneiradas. Desligue a batedeira e acrescente a
farinha de trigo peneirada aos poucos, mexendo devagar.
· Misture até virar uma massa homogênea.
· Distribua esta mistura em forminhas individuais para petit gateau, ou de pão-de-mel
grandes,untadas e enfarinhadas e leve ao forno a 180ºC por 8 minutos (pode variar
conforme o forno). Um jeito de ver o tempo é perceber uma “bolha” sem assar no meio
do bolinho. É o momento de tirar.
· Tire do forno e aguarde 1 min antes de desenformar.
OBS: Esta mistura pode ficar guardada em geladeira por até 2 dias.Nuvem de Requeijão:
· Leve o açúcar e a água ao fogo até formar uma calda grossa. · Bata as claras em neve firme com a pitada de sal. · Continue batendo as claras e acrescente a calda de açúcar ainda quente, formando um
merengue, por cerca de 1 min.
· Desligue e acrescente o requeijão, misturando delicadamente com uma espátula.
· Guarde em geladeira até servir.
Montagem:· Desenforme o petit gateau em pratos individuais. Coloque a espuma de requeijão ao
lado e enfeite com uma folha de hortelã.
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