sábado, 30 de junho de 2012

Dos dias, santos e orixás


Caboclos de Pena - Bumba-meu-boi do Maranhão.
Os dias têm sido assim, muito exigentes. 
Uma pressão natural do ambiente jornalístico e político. Outra pressão, também natural, da própria vida, me  cobrando respostas e soluções a cada segundo. E uma pressão extraordinária por conta da somatória dos detalhes que caracterizam o "jogo político" - onde, por força da profissão, sou obrigado a trafegar - esse, sem medidas, sem regras, sem limites. 

Coisa que exige coragem e destemor.

Em meio a tudo isso, abro a caixa de correspondência e recebo mensagens carinhosas e cuidadosas que vem de toda parte, dos lugares mais distantes e das pessoas mais diversas.  Elas me ajudam a enfrentar os desafios do dia. 

Ontem, por exemplo, uma mensagem me lembrou ser dia de São Pedro e de Xangô. Me obrigou a dois movimentos imediatos. Um, o de registrar que 29 de junho, dia de São Pedro, é também o dia do aniversário do meu irmão, Iram (a quem chamamos uma vida inteira de Binga, não me perguntem a razão). Depois, me fez meditar sobre os meus santos protetores, meus guias e orixás. No ano passado, na virada do ano, ganhei de Fernando Barros, um baiano arretado, um novo/velho amigo dos bons, uma imagem de Xangô

Xangô
Fiquei emocionado, pelo simbolismo do presente e pela possibilidade da companhia espiritual que se aproximava sem que eu percebesse. Desde lá, tenho esta imagem bem perto de onde sento diariamente para escrever. Xangô me olha e me guarda com a sua aparente quietude silenciosa. A mensagem que recebi me fez interromper as ações cotidianas e reservar um tempo para a meditação. Acendi uma vela para São Pedro, outra aos pés da imagem do meu Xangô e agradeci por tudo. 

Brincantes do Bumba-meu-boi
A profusão de pensamentos, me fez lembrar que o 29 de junho, em São Luis do Maranhão, é dia de festa intensa. O bairro da Madre Deus, lugar onde nasci, fica colorido e mais vivo do que nunca. São homens, mulheres e crianças, gente comum, festejando um rito popular sacro-profano, desprovido de vaidades, sem compromissos estéticos ou midiáticos, o Dia de São Pedro e o auto do Bumba Meu Boi

Quando eu era criança, nestes dias, ficava espremido entre as grades da varanda da minha casa e as pernas de meu pai, vendo o povo passar, vendo os Caboclos de Pena, os Brincantes e seus chapéus coloridos, a Burrinha de Sabujá, as Mães Catirinas e Pais Franciscos, enfim, vendo a figura mitológica/religiosa do Boi desfilar diante dos meus olhos.

Por vezes, nem me dou conta. Mas essas lembranças permanecem vivas e plenas dentro de mim. Volta e meia, me assaltam como agora. Graças ao cuidado generoso dos que me velam. Meus santos, meus anjos, meus orixás, meus queridos amigos, meus cuidadores. 

Acho que é daí que vem boa parte da minha capacidade de seguir enfrentando e vencendo desafios que a vida me põe. O céu lá fora é limpo e azul. A manhã é fria, mas ensolarada. Eu agradeço e celebro a vida.


Nenhum comentário:

Postar um comentário