terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Um dia

Sophia e Maurilo
Ontem, o velho Maurilão de guerra, redator publicitário, poeta, cantador e o que mais couber nas definições de um mineiro da gema, causou uma comoção entre os seus leitores. É que ele resgatou um texto antigo e publicou outra vez, agora, no Facebook.

É uma carta/poema pra Sophia, filhota dele e de Fernanda. Sophia é uma pequena atriz. Protagonista, com P maiúsculo do show da vida de Maurilo e Fernanda. E por tabela, desde que ele começou a relatar as tiradas cotidianas de Sophia no Pastelzinho, blog que ele alimenta com muita dedicação, ela ultrapassou o contexto da família e é admirada por muita gente.

O texto de Maurilo é uma declaração de amor à filha e à vida. E se encaixa no coração de qualquer pai, de qualquer mãe, de qualquer amor verdadeiro. Valeu, compadre. Valeu! Beijo na Sophia. Como eu te disse ainda há pouco, um dia, ela vai se emocionar muito ao ler estas linhas.

Maurilo Andreas

Um dia papai vai morrer, filhinha, queira Deus que bem velhinho, queira a vida que bem feliz. Nesse dia, já não hei de querer mais nada, e se tudo correr como espero, você já não precisará de mim.

Não me pedirá colo, não me fará carinho nos cabelos, não ouvirá minhas histórias.

Nesse dia, você já será outra Sophia e não mais a minha Sophia. Estarei feliz, mesmo que não te diga, por saber que voc...ê será assim, somente sua.

No dia em que eu morrer, não levarei seus cachinhos, não beijarei suas mãozinhas e não te jogarei pro alto ou carregarei dormindo. Serei eu também só eu. Só meu.

Talvez você chore e vai estar tudo bem. Vai ficar tudo bem, minha filha, porque mesmo que minha vida termine assim e, acredite, saber disso me faz bem, a sua vai continuar.

E será linda, minha Sophia - sim, ainda e sempre minha Sophia - linda como seu pai nunca soube dizer.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Tão Pouco

No fim do ano passado, Guilherme Rondon lançou um novo trabalho autoral. Produzido em seu estúdio, no pantanal, às margens do Rio Negro, o disco que nasceu ali é uma preciosidade. Eu já falei sobre esse trabalho aqui no blog. Para ler o texto que escrevi tempos atrás, basta clicar aqui.

Hoje, começo o dia copiando a letra e postando o áudio de uma das canções que considero mais lindas desse novo disco. Quem quiser conhecer um pouco mais sobre a história do Guilherme e ouvir outras músicas dele pode clicar nesse link e se esbaldar. A viagem vai ser boa.

Por ora, fico com a letra e a música de "Tão Pouco". Na verdade, mais justo seria dizer, poesia e música. De Guilherme e Alexandre Lemos.

Tão Pouco
É melhor do que nada
ter alguém pra lembrar
que a gente quis

Já valeu muito a pena
o amor que passou
mas foi feliz

Sozinho
assim eu vejo o meu caminho
mas isso não me dá tristeza
de tanto que eu vi beleza
nos olhos de quem me queria
no sol de cada novo dia
nas noites de amor e lua
no brilho que continua

E passa o tempo e não volta mais
mas cada tempo que se desfaz
a gente vai se lembrar

o tempo sabe melhor que eu
só se arrepende quem não viveu
com medo de se arriscar

Vazio,
quem tem o coração tão frio
não sabe que viver não cansa
quem sabe que uma lembrança
é muito mais que uma saudade
é prova de que foi verdade
aquele amor que foi embora
e ainda é amor agora

É melhor do que tudo
ter alguma razão
pra se viver

Quem viveu bem a vida
gosta mais de lembrar
do que esquecer

Sozinho,
assim eu vejo o meu caminho
mas isso não me dá tristeza
de tanto que eu vi beleza
nos olhos de quem me queria
a luz de cada novo dia
nas noites de amor e lua
no brilho que continua

E passa o tempo e não volta mais
mas cada tempo que se desfaz
a gente vai se lembrar
o tempo sabe melhor que eu
só se arrepende quem não viveu
com medo de se arriscar...


ComScore

sábado, 28 de janeiro de 2012

Short Cuts de sábado

Manhã de sábado

É verão em Brasília. Faz 19 graus, acredite. Tá bem, é aqui na "Petrópolis do Cerrado", Sobradinho, onde moro. E é só entre a madrugada e as primeiras horas da manhã. Mas, acredite. É verão. E há dias eu puxo uma coberta pra dormir.

Grand Slan


Maria Sharapova
 Na preguiça da manhã chuvosa e fria, ligo a TV sem sair da cama. Tem uma decisão de Grand Slan. O torneio de tênis Aberto da Austrália, feminino, está sendo decidido. Sharapova contra Azarenka. Duas "mocinhas lindas". Decido ver um pouco. Decido ver mais.  Jogo é bom.

Victoria Azarenka
Descubro que uma é da Rússia e outra, da Bielorússia. E jogam como loucas. A Sharapova eu já tinha ouvido falar. Mas a Azarenka, não sabia da existência. Decido torcer por ela. E apesar do nome que sugere que a gente pense no azar, era o seu dia de sorte. Mandou um chocolate na Sharapova. Seis a zero no segundo e decisivo set. A chuva parou. Hora de sair da cama.



Ela venceu o aberto da Austrália e abriu a minha manhã de sábado
Maurinho veio aqui

Mauro e Mariana, minha filha.
Mauro di Deus, sobre quem eu já falei aqui no blog,  me ligou. Queria saber como eu estava. Ainda de molho, mas quase no ponto pra sair do estaleiro, eu disse. Então vou ai, ele avisou. E veio. Chegou depois do almoço. Quase quatro. E o resto de tarde passou sem que a gente sentisse. Virou noite e a gente não viu. Quase cinco horas de conversa. Das boas. Falamos de tudo. De cinema a literatura. De música a filhos. Mas, falamos principalmente de coisas que gostamos. Falamos da vida.

 Ele me trouxe de presente um documentário sobre Brasília. "As idades de Brasília", dirigido por Renado Barbieri e produzido por Bismarque Villa Real,  de quem Mauro foi sócio e é amigo. Me disse que o filme é fantástico e eu acredito. No meio da conversa, ele me diz que está em busca do DVD do Arnaldo Antunes - "Ao vivo, lá em casa". É lindo. Eu tenho. Vou na prateleira, busco e lhe empresto.

Rimos muito, o Mauro fumou um charuto, falamos de saúde, dos olhos, bebemos café, falamos da vida... Foi uma belíssima tarde/noite. Valeu Maurinho. Não fique em uma. Venha mais. Sempre que puder. Sempre que quiser. A casa é sua.

A Curva da Cintura


Edgar Scandurra e Arnaldo Antunes
 Dias destes, eu estava aqui, recolhido. Lendo, escrevendo, fuçando a internet. De repente, dei de cara com uma reportagem falando sobre um trabalho de Arnaldo Antunes e Edgar Scandurra, em Mali, na África. Quis saber mais. Descobri que os dois andam juntos há muito tempo. E tinham combinado produzir um disco minimalista, fruto do trabalho e da sintonia que têm.

No meio do caminho, cruzaram com um instrumentisla malinês, Toumani Diabaté. A República de Mali é um país localizado na África Ocidental,  já foi colônia francesa, mas desde 60 é um país independente. Tem doze milhões de habitantes, não tem saída pro mar e quase a metade da sua população vive abaixo da linha de pobreza, com o equivalente a um dólar por dia.
Kora, instrumento típico do Mali
Pois, esse pais tem uma tradição de bons músicos e o mais conhecido deles, na atualidade é Toumani. Ele tem a dignidade de um rei africano e toca como poucos um instrumento que lembra uma harpa, a Kora. O encontro com Arnaldo e Edgar aconteceu num show  do projeto Black 2Black.

Resultou numa sólida amizade, em mútuo respeito e em um convite: Por que vocês não vem a Mali e fazemos um disco juntos? O convite foi aceito. O disco é lindo e o documentário chama-se "A curva da Cintura" e é melhor ainda. O resultado da produção conjunta não é uma sonoridade usual, fácil de assimilar. É quase minimalista, como queriam Arnaldo e Edgar, bem no começo da história.

Enquanto eu estava entretido lendo, ouvido os depoimentos e assistindo parte do show que já está na internet, meu filho Gabriel me olhava à distância, sem dizer nada. Ontem à noite, quando ele voltou pra casa, me disse que tinha um presente e me deu o DVD com o documentário. Claro que eu fiquei emocionado. Pelo carinho, pela sintonia, por tudo.

O documentário foi produzido entre São Paulo e Bamako, capital de Mali. A direção e a fotografia são da Dora Jobim. O resultado do trabalho virou um especial da MTV brasileira, que foi ao ar no final do ano passado. Eu já vi duas vezes. E como encontrei o documentário dividido em quatro partes no You Tube, tomo a liberdade de postar aqui.

Gaste um tempinho e veja. Acho que depois de ver a primeira parte aqui, você vai querer sair correndo e comprar o seu DVD. Só pra ver em melhor qualidade, quantas vezes quiser.





sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Histórias de sexta

Desabamento aqui...

O Brasil ainda está sob o impacto do desabamento dos três prédios na área central do Rio de Janeiro. Faz dois dias. Mas as imagens e o drama vão durar uma eternidade. Os relatos contam que em menos de dez segundos um prédio de 20 andares, outro de 10 e um de 4 se desintegraram, viraram uma montanha de entulho.

Estima-se que 23 pessoas tenham morrido. Houve relatos de pequenos milagres. Um homem saiu do elevador, viu o prédio se desintegrando e correu pra dentro do elevador, de novo. Tudo o que os especialistas não recomendam. Mas isso o salvou.

Um zelador fazia uma vistoria no sexto andar, no prédio de 10 andares. Ouviu barulhos, percebeu o prédio ao lado caindo e correu para a sacada do prédio em que estava, que também foi destruído como se destrói um castelo de cartas. O primeiro bombeiro a chegar subiu em um monte de entulho para conversar com pessoas de um prédio vizinho e ouviu alguém dizendo – Estou aqui, no sexto andar. Era o zelador, sob os seus pés, salvo por um milagre, no meio dos escombros.

Mas houve também relatos dramáticos que não tiveram final feliz. Um homem conversava pelo MSN com a sua esposa. Ele, em um lugar da cidade; ela, no primeiro prédio a desabar. De repente, a conversa foi interrompida sem um ponto final. Não deu tempo dela despedir-se ou, sequer, de dizer o que estava acontecendo. O teclado parado. A tela vazia. O homem desesperado. Hoje, ao final da manhã, o corpo dela foi encontrado.

Em outro caso dramático, já algum tempo depois dos prédios terem desabado, uma noiva recebeu uma ligação do seu noivo. Ele trabalhava no prédio. Ele trocou poucas palavras com ela. O sinal caiu. O telefone ficou mudo. Foi a última vez em que se falaram. Ele ainda não havia sido encontrado até há pouco.

... E terremoto lá.

Eliane Di Quarto, minha amiga jornalista que vive em Milão, na Itália, me escreve pra dizer que a terra tremeu por lá. Foi também há dois dias. E o relato dela dá uma ideia da angústia que vive quem tem tempo pra pensar e, felizmente, se salvar, numa circunstância dessas:

A terra tremeu! Foi hoje de manhã! Era mais ou menos 9h10. Depois de tudo passado, a informação é de que o terremoto, com epicentro na planície Padana Emiliana e 4.9 na escala Richter, durou 10 segundos!

Ô, 10 segundos longos! Foi o tempo de pegar o casaco da Sophia, o meu, deixar tudo do jeito que estava e descer. Pelas escadas. Nada de elevador porque pode ser ainda mais perigoso. Tremia a terra, mas o tremor maior era dentro de mim. Pensava no Lorenzo na escola. Pensava no que aconteceria se desmoronasse tudo! Pensava nas perdas. Em todos os tipos. É inevitável não pensar! E agora?

O prédio onde moramos foi construído nos anos 70, já pensado para situações como esta, mas quem fica em casa pra ver se a engenharia funciona mesmo? Quanto mais alto se está, mais forte se sente o tremor. Eu, Andrea, que ainda não tinha saído para o trabalho, e Sophia ficamos pela rua. Com o celular, tentei sintonizar uma rádio. Parecia tudo tranquilo, mas ainda assim inventei algumas coisas pra fazer. Desculpa pra não voltar pra casa.

Fruta, verdura, perfumaria e creme para o rosto. Tudo no térreo! Sete anos atrás vivi a mesma sensação. Era madrugada! Dormia e senti a cama caminhar e tremer tudo. Nunca tinha provado na pele, mas logo entendi que era um terremoto. Saímos de casa de pijamas, só com o sobretudo por cima, e passamos boa parte da noite no carro, ouvindo as notícias à espera de uma informação um pouco mais segura pra poder entrar em casa.

Agora, acabo de voltar pra casa. Na estrada, pensei na minha tristeza hoje de manhã, quando Andrea teve que formatar o nosso Hard Disk externo por conta de um problema sem solução. Perdi várias e várias imagens arquivadas à espera de um tempo pra editar uns vídeos. Nestes momentos um pensamento puxa o outro e tentei fazer as contas do que já perdi, por causa da distração, do computador que me deixou na mão, da velha agenda eletrônica que pifou...

Hoje, passado um tempo, vejo que quase nem me lembro, com certeza, do que ficou pra trás. E como acontece quando meu cérebro está no canal italiano, deixei escapar em alta voz um: “va fanculo le immagini perse! Andiamo avanti nella vita!”

Levo o dia adiante com o celular sempre no bolso, nada de pantufas nos pés, e os casacos já pendurados na porta. Se for preciso sair correndo. Já está tudo na mão!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Velha e Louca

Agora, sim. É pra ir dormir. Mas só depois de ver a Malu Magalhães cantando "Velha e Louca". Valeu! Até amanhã.

Os fantásticos livros voadores

"Os Fantásticos Livros Voadores do Senhor Morris Lessmore" é um filme de 15 minutos. Mas vale cada um deles e muito mais. Esse curta-metragem mistura várias técnicas que vão das miniaturas, às ilustrações em  2 D e uma sofisticada computação gráfica. É uma fábula que tem componentes do Mágico de Oz, inspirada nos estragos feitos pelo Furacão Katrina e em Buster Keaton. Mas, sobretudo, é uma declaração de amor aos livros e às pessoas que gostam deles.

O filme já recebeu muitos e merecidos prêmios e é um dos cinco que concorrem ao Oscar de melhor filme de animação deste ano. Ele foi produzido pelo Moonbot Studios e a direção é de Willian Joyce e Brandon Oldenburg. E se eu estivese na Academia, já teria o meu voto.

The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore from Moonbot Studios on Vimeo.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Animals

Há 35 anos, o grupo inglês Pink Floyd lançava o LP Animals. Foi o décimo album da banda, totalmente inspirado no livro "A Revolução dos Bichos", de George Orwell e fazia uma crítica dura à crise econômica e social vivida pela Inglaterra daqueles tempos.

Muitos consideram o último ábum que teve participação criativa de toda a banda. O posterior a esse, The Wall, teve as músicas inteiramente escritas por Roger Waters.

O disco é fantástico. E eu fecho a noite com Pigs on the Wing. Pra lembrar os velhos tempos.

  

Ela disse adeus

Corria o ano de 1975. Na fronteira entre o Brasil, o Paraguai e a Argentina, eu completava 13 anos de idade e começava a descobrir detalhes importantes do mundo e da vida. A música, por exemplo, teve um papel marcante na minha formação, na minha concepção de valores.

Me lembro que meu pai comprou uma radiola Philco. Naqueles tempos, a radiola era o móvel mais charmoso da casa. A nossa, ficava na sala. Objeto de decoração e de adoração. Criança não podia chegar perto. Pra não estragar o equipamento tão caro. Ela era imensa e tinha um som grave inesquecível, daqueles de fazer balançar janelas de vidro e por pra vibrar o corpo quando a gente chegava mais perto.

O primeiro LP a gente não esquece
Foi nesse ano que comprei o primeiro Long Play ou LP (era assim que se chamavam os bolachões de vinil) que me lembro, na vida. Cheguei em casa com o disco "Fruto Proibido", da Rita Lee e do grupo Tutti Frutti. Uma revolução para a época. Meus pais me olharam desconfiados. Aquele bando de cabeludos, aquela música barulhenta e aquela menina com roupas estranhas na capa, não podia ser coisa boa.

Mas era. Como filho mais velho, conquistei a condição de mexer (cuidadosamente) na radiola. Ouvi tanto aquele disco que decorei todas as letras e a sequência de cada música. Não havia uma que não se encaixasse com os meus sonhos e as minhas angústias juvenis. Era um disco vigoroso. Um sopro de renovação que virou um clássico do rock brasileiro. Uma surpresa generalizada.

Diferente do que acontece hoje, o disco tinha boas músicas do início ao fim. Vendeu 200 mil cópias tornando-se o primeiro grande sucesso do rock nacional da década de 70. E trazia pelo menos duas parcerias maravilhosas de Rita Lee com Paulo Coelho (até então, muito mais letrista do que mago), Esse tal de Roque Enrow e O Toque.

Fruto Proibido, que tenho até hoje, acompanhou todas as mudanças que fiz na vida. Quando saí de casa para estudar fora, levei comigo a Rita e seus amigos cabeludos. Quando conquistei a primeira namorada, fui correndo lhe apresentar a Rita Lee e o Fruto Proibido (sem que isso fosse um trocadilho infame, claro).

Ao final de alguns namoros, muitas vezes recorri ao Fruto Proibido da Rita para curar a dor de cotovelo. O disco quase furava - de tanto tocar - a faixa "Agora só falta Você", cuja letra dizia: Um belo dia resolvi mudar / E fazer tudo o que  eu queria fazer / me libertei daquela vida vulgar / que eu levava estando junto a você ... 

Com Rita, descobri Luz Del Fuego, uma feminista brasileira. Me apaixonei pelos primeiros acordes do blues em "Cartão Postal", que bem mais tarde ficaria eternizado também na voz terminal de Cazuza. Enfim, com a Rainha do Rock Brasil sonhei, sofri, sorri e fiz viagens deliciosas.

Rita e os mutantes
Por fim, o disco trazia a faixa de virou hino de várias gerações e que ainda hoje tem espaço nos corações digitais dos jovens, apesar dos twitters e facebooks da vida: "Ovelha Negra". A canção era um desabafo da Rita, que se viu excluída dos mutantes em 72. Mas música e letra cabem como uma luva na história de todo mundo que um dia já viveu essa sensação de ficar de fora do jogo. E quem nunca ficou, que atire a primeira pedra.

Ontem, li no jornal que aos 67 anos de idade, ela disse adeus aos palcos. Não vai se afastar das músicas, mas faz a sua última turnê ainda no começo deste ano. É justo, embora seja triste. É mais um dos meus ídolos a caminho da aposentadoria. Mas, recorrendo ao velho e bom Fruto Proibido, e à música Cartão
Postal, faço minhas as palavras dela: O adeus traz a esperança escondida. Pra quê sofrer com despedida? 

Rita sai de cena, mas tratou de deixar uma ocupante à altura para o posto. No vídeo aí embaixo, ela elege a sua "filha" e herdeira do rock. Pitty. E faz uma apresentação histórica junto com a menina, que ela havia, naquele momento, recém descoberto. God bless the Queen!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Lá do alto

O BASE jumping é um esporte para poucos. Ou para loucos. É uma modalidade na qual o praticante salta de penhascos, prédios, antenas e até pontes. Para esse tipo de atividade se faz o uso de um pára-quedas apropriado para aberturas a baixas altitudes.

A sigla B.A.S.E. quer dizer "Building Antenna Spam & Earth", ou em português, "Prédio, Antena, Ponte e Terra". A taxa de mortalidade dos praticantes desse esporte é altíssima, por isso ele é proíbido em diversos paises.

Na virada do ano, um grupo de sete base-jumpers, que é como se chamam os praticantes deste esporte, resolveu saltar de um conjunto de prédios dos mais altos de Singapura, o Marina Bay Sands Skypark.

A aventura foi registrada nesse vídeo que está aí abaixo. Só de olhar as pessoas nadando na piscina que fica no topo de um dos prédios já dá um frio na barriga. Imagine saltar de lá de cima. A aventura é para poucos, mas o vídeo está acessível a todos. É só dar o play, segurar o fôlego e curtir.

Marina Bay Sands Skypark BASE Jump. Singapore 2012. from Snow R. Shai on Vimeo.

Cartas de Milão

Por *Eliane Di Quarto

Sexta-feira pensava no Brasil enquanto ia à escola pegar o Lorenzo. Aqui em Milão faz um tempo cinza, neblina que não permite se ver um palmo adiante do nariz, –3 graus de temperatura. Lembrei dos tempos em que cheguei na Itália, quando, no primeiro inverno, os amigos do Andrea me ligavam em casa, pra saber se eu estava bem. Nevava e eles me perguntavam se eu estava bem.

Caía a neblina, a temperatura diminuía e me perguntavam se eu estava bem. Na cabeça deles como era possível uma brasileira, recém chegada da terra do sol, estar bem com aquele frio, com aquele tempo escuro! Eu estava bem! Talvez porque ainda fosse novidade. Para os meus olhos, para o meu corpo. Talvez porque eu ainda tivesse uma reserva de serotonina, vinda do Brasil. Talvez!!!!

Lapônia, terra de Noel. Onde o dia é quase sempre noite.
No inverno de 2008 estivemos na Lapônia, Circulo Polar Ártico e, lá, se fazia dia por volta das onze e meia da manhã. Dia por assim dizer, porque o sol não se via nem de longe. Lá pelas três da tarde era já escuro, escuro. Noite, mesmo. Eu observava e via aqueles semblantes tristes pelas ruas, gente séria e de pouco sorriso!

Passaram-se alguns anos desde a minha vinda pra Europa e desde a viagem à Finlândia. Só agora, eu consigo entendê-los. Que coisa estranha esta que o inverno nos traz! Que melancolia! Em mais de 10 anos foi a primeira vez em que eu experimentei esta sensação.

Me sentia, me sinto, um pouco como um animal em letargia à espera da primavera. Na maioria dos dias, lá pelas quatro e meia da tarde está escuro e às sete e meia da manhã acordamos com o, ainda, escuro. É certo que a luz solar é um grande estimulante dos mecanismos biológicos que regulam o estado de ânimo mas não sabia fosse uma sensação assim tão constante, tão lenta! E é difícil manter a alegria, o sorriso. Enfim, o bom humor!

Dia de inverno, em Milão
Visto da janela do apartamento, às quatro da tarde.
A vontade é de passar o dia em casa, cozinhando coisas quentes, em volta da mesa, diante de um cálice de vinho. Todos os projetos vão ficando pra depois porque se caminha pra cá e pra lá sem muita meta, sem muitos objetivos mas é preciso trabalhar, levar os filhos à escola, ao futebol, ao médico, ao cinema! Acontece, no futebol, de tentar ver o Lorenzo da beira do campo mas não conseguir, tamanha é a neblina.

Pra emergir começo a pensar na primavera! Ainda faltam 2 meses e pra driblar o tempo procuro na net algo sobre o novo CD da Marisa Monte que eu ainda não ouvi e nada sei sobre ele. Música e uma roupa mais colorida hoje! Sabe-se lá!!!

Eliane Di Quarto é jornalista, nasceu em Mato Grosso do Sul e está em Milão há mais de dez anos. É casada com Andrea, um editor italiano, e mãe de Lorenzo e Sophia. Entre uma troca de fralda e outra, ela sempre arranja um tempinho para escrever. E toda vez que me manda, sabe que tem lugar garantido aqui para os seus textos.