sábado, 20 de outubro de 2012
Memórias da profissão
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| Mauro di Deus |
Depois ele me ligou de novo. Agora pra pedir um favor: Preciso localizar o "Dr." Wilson Barbosa Martins. Dr. Wilson vem a ser o primeiro governador eleito pelo voto direto, em Mato Grosso do Sul, logo após terminados os tempos duros do governo militar.
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| Dr. Wilson Barbosa Martins |
Pedi a entrevista, ao final de uma solenidade. Dr. Wilson me olhou calmamente e disse: "Meu filho, não perca seu tempo. A sua televisão não deixa a minha entrevista ir ao ar." Era verdade. Mas eu não me aquietei. "Governador, o senhor governa. E eu sou repórter. Tenho que entrevistá-lo porque o senhor é notícia. Se a entrevista vai ao ar ou não, é um problema do meu editor. Eu vou fazer a minha parte."
Ele sorriu, me permitiu entrevistá-lo. E viramos amigos.
Depois do pedido do Maurinho, fiz uma busca para conseguir um contato com ele. Eu e Dr. Wilson, há muitos anos não nos falávamos. Ele veio ao telefone. Tem mais de noventa anos. Mas preserva uma memória lúcida, de menino.
Lembrei-lhe da nossa história. Ele riu. Quis saber como eu estava. Trocamos rápidas impressões sobre o tempo - passado e presente. E lhe falei sobre o desejo da Cârama dos Deputados de fazer-lhe uma homenagem. Era o que o Mauro corria para organizar. Uma sessão solene de resgate dos mandatos que foram cassados pela ditadura. Dr. Wilson era dono de um deles.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Muito além do arco-íris
Porque é longe. Porque é sexta. Porque tem mar. E porque o mar em mim não é de hoje. É de útero. Somewhere Over the Rainbow - Israel "IZ" Kamakawiwo'ole.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Inorbel, para poucos!
Dias destes, vi o meu amigo Maurilo, lá de BH, desejoso de uma latinha de Coca Zero com o seu nome. É que a coca-cola desenvolveu uma campanha em que alguns nomes privilegiados são impressos nas latas, sustentando uma tese de que "Quanto mais Fulano de Tal melhor!"
A brincadeira é saborosa. E deve ter rendido um bom impacto na venda do refrigerante zero, da marca. Muita gente ficou desesperada pelo charme de ter uma latinha com o seu nome. Foi assim que os Ronaldos, Marianas, Marias, Gabriéis, todos passaram a disputar latinhas da campanha.
Eu, Inorbel - de batismo, faço parte do time do Maurilo, que ficou esperando uma oportunidade de ver reconhecida a amplitude da campanha, acrescida por nomes especiais.
Hoje, finalmente, o meu desejo se materializou. Edição limitada. Especialíssima. Para poucos. A vida fica mais saborosa em pequenas porções. Ou latinhas.
A brincadeira é saborosa. E deve ter rendido um bom impacto na venda do refrigerante zero, da marca. Muita gente ficou desesperada pelo charme de ter uma latinha com o seu nome. Foi assim que os Ronaldos, Marianas, Marias, Gabriéis, todos passaram a disputar latinhas da campanha.
Eu, Inorbel - de batismo, faço parte do time do Maurilo, que ficou esperando uma oportunidade de ver reconhecida a amplitude da campanha, acrescida por nomes especiais.
Hoje, finalmente, o meu desejo se materializou. Edição limitada. Especialíssima. Para poucos. A vida fica mais saborosa em pequenas porções. Ou latinhas.
Guilherme, aos poucos
Acabo de assistir o vídeo de uma apresentação nova do Guilherme Rondon. Uma beleza, um arranjo sensacional e uma das minhas músicas preferidas, do novo disco dele. Tão Pouco. Tão lindo.
sábado, 13 de outubro de 2012
Mimimi
A Banda Mais Bonita da Cidade, cheia de mimimi. Pra começar bem o sábado. Com mimimi da melhor qualidade.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Memória de campanhas
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| Opílio, meu avô. |
Não suportava a ideia de andar sujo ou mal vestido. O fato de ser mestre de obras tornava-o mais exigente consigo mesmo. Então, sempre que terminava o trabalho, Nestor saía da obra impecável. Terno de linho branco, sapato lustroso e perfume importado.
Era tão popular que um dia decidiu testar a popularidade disputando uma eleição de vereador. Anunciou a decisão para quem pode e saiu em campanha. Poucos dias antes da votação, Nestor entrou na quitanda do meu avô.
Cheio de "nove horas" - como se diz, lá no Maranhão, sobre as pessoas que exageram na formalidade, Nestor empostou a voz e pediu, solenemente, ao meu avô: - Seu Opílio, eu preciso do seu voto. E desfiou um extenso rosário de projetos e propostas que ele jurava, defenderia, caso fosse eleito.
Meu avô ouviu tudo atentamente. Gostava do Nestor. Assim, de graça. E deu-lhe a garantia do voto. Nestor saiu do encontro feliz da vida e foi em busca de outros eleitores, mais votos, já sonhando com a vereança.
No dia da eleição, meu avô acordou cedo e dirigiu-se à sessão em que votava, que funcionava na Rua de São Pantaleão, perto do Hospital Geral. Estava na fila, quando viu o Nestor aproximar-se.
Nestor cumprimentava um por um dos eleitores. Dizia umas palavrinhas e seguia em frente. Até chegar ao meu avô. Abriu um sorriso, demonstrou grande intimidade e confidenciou ao pé do ouvido: "Seu Opílio, estou eleito!" Meu avô sorriu e retribuiu o cumprimento. Mal sabia o Nestor que acabara de selar o seu destino. Pelo menos, no que dizia respeito ao voto do meu avô.
Terminada a eleição, contados os votos, veio a surpresa ruim: Nestor perdera a eleição. Ia continuar mestre de obras. Resignado, passou a conferir urna a urna para tentar entender o que acontecera. Quando conferia os votos na urna em que votava o meu avô descobriu que não recebera um voto sequer.
Com um misto de frustração e raiva, saiu em direção à quitanda do meu avô. Chegando lá, encontrou seu Opílio no balcão e foi logo disparando: "Eu pensei que o senhor fosse um homem de palavra". A que o meu avô respondeu prontamente: "E sou".
Nestor, então retrucou: Se é mesmo, como explica o fato de eu não ter nenhum voto na urna em que o senhor votou? Impávido, meu avô concluiu: "Eu estava pronto lhe dar o meu voto. Quando o senhor disse que estava eleito, me despreocupei. E tratei de garantir um voto a mais para alguém que de fato estivese precisando". Na lógica Opiliana aquilo era mais do que justo.
Nestor, vítima da sua própria ingenuidade, seguiu tocando as obras. Ninguém jamais viu um mestre de obras tão elegante. A política perdeu Nestor. Para sempre.
(Dedico essa história à memória viva de meu pai, que ontem, durante um longo dia de passeio, vinhos e comidinhas, me contou mais uma, das muitas, do "seu" Opílio.)
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Sonhos
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| Akira Kurosawa |
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| cartaz original do filme japonês |
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| Scorsese, na pele de Van Gogh |
Hoje, fechando o dia, recebo um e-mail, da Mariza Poltronieri, com um link que mostra trechos desse episódio. É um bom sinal. Fechar a semana, sonhando com Kurosawa. Vale a pena conferir.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
A barra do dia
Da janela do avião
Vejo o sol nascer
Na barra do dia
Asas de metal
Cortando a distância
Dividindo ao meio
O caminho, a vida
O longe se foi
O perto se aproxima
Incontida a hora
do reencontro
A chegada, sempre,
O outro lado
da moeda
partida
Vejo o sol nascer
Na barra do dia
Asas de metal
Cortando a distância
Dividindo ao meio
O caminho, a vida
O longe se foi
O perto se aproxima
Incontida a hora
do reencontro
A chegada, sempre,
O outro lado
da moeda
partida
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Baratos e afins
A ilha de edição é onde tudo acontece. O pouco vira muito. O nada se transforma em algo. A imaginação, a realidade, o desejo, a vontade. Na ilha a mente se isola e se amplifica. Você entra com hora marcada e não sabe a hora de sair.
A ilha de edição é o coração da produtora. O cartão, a imagem, o efeito, a montagem, o dedo nervoso do editor, a hora que não passa, o sono, o cansaço, a trilha sonora. A ilha é tudo.
Quando a edição acaba e o filme fica pronto, dá uma sensação de alívio! O filme é a extensão do pensamento do editor, do roteirista, do criador. Então, o filme pronto é o parto concluído. A geração planejada. O filho parido, que nasce crescido e pronto para partir.
Vai, criação, sustentar a ideia, seduzir as mentes, conquistar a memória e traduzir o tempo.
Depois de tudo, quando a edição termina, a ilha não passa de um território vazio. O coração, fértil de melancolia. É sinal de que tudo deu certo.
A ilha de edição é o coração da produtora. O cartão, a imagem, o efeito, a montagem, o dedo nervoso do editor, a hora que não passa, o sono, o cansaço, a trilha sonora. A ilha é tudo.
Quando a edição acaba e o filme fica pronto, dá uma sensação de alívio! O filme é a extensão do pensamento do editor, do roteirista, do criador. Então, o filme pronto é o parto concluído. A geração planejada. O filho parido, que nasce crescido e pronto para partir.
Vai, criação, sustentar a ideia, seduzir as mentes, conquistar a memória e traduzir o tempo.
Depois de tudo, quando a edição termina, a ilha não passa de um território vazio. O coração, fértil de melancolia. É sinal de que tudo deu certo.
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