domingo, 1 de março de 2015

Rio 450...

Por Ângelo de Souza

Por certo
era o lugar certo

para os de Tupã
os de sá
os de Villegaignon


depois para os de Luanda
das gerais
dos Crateús

(da fenícia...)


para todos como eu,
os sem lugar

por destino
virar alimento
para os deuses

entrar pela boca
banguela

de seus ídolos
de pedra

por vingança

sobreviver

vencer a onça fome,
a doença inseto

prosperar


aterrar o mangue
desmontar o morro

rasgar túneis
romper canais

erguer palácios
plantar favelas

buscar o céu
cair no mar


maravilha de cenário

lugar errado
para uma cidade.

por acaso ou vocação

houve de ser cortesã

metrópole provinciana

disparatada
zoneada
dissolvida


melodia sincopada

de ritmo sinuoso

houve de ser samba,

ser verso
reverso
perverso

de si mesma,
essência extraída

do embate atlântico


   crista eriçada

   dorso curvilíneo
—
 ombros de areia e floresta


lugar comum

de sua gente

enigma
 de sua própria

natureza.

Encontro 
nas palavras do Ângelo 
a razão e o sentido
para homenagear 
São Sebastião 
do Rio de Janeiro. 
E me completo 
com Milton e Gil




Um comentário:

  1. Bonito o texto do Ângelo. Só quem não conhece o Rio, não o ama.

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