segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Salve, George!

Divulgação - EMI
Há 9 anos, no dia 29 de novembro de 2001, em Los Angeles, morria George Harrison. Ele tinha 58 anos. Seu corpo foi cremado e, dizem, suas cinzas foram jogadas no Rio Ganges, na Índia. George morreu em decorrência de um câncer que lhe havia atingido o cérebro. Na época, o comunicado da família foi elegante e sincero: “Abandonou este mundo como viveu: consciente de Deus, sem medo da morte e em paz, rodeado de familiares e amigos”.

Na semana passada, All Thing Must Pass, primeiro álbum solo do músico inglês, foi relançado em LP. Pra fechar a segundona e lembrar do mais tímido dos Beatles, Here Comes the Sun. Salve, George!

El guincho - Bombay

Pra começar bem a segunda-feira, o som do grupo espanhol El Guincho. Edição de tirar o fôlego e música de alto nível. A música Bombay está no album "Pop Negro" do grupo catalão e foi escolhida como uma das melhores do ano pelas revistas especializadas da Europa.

domingo, 28 de novembro de 2010

O metaleiro que a Mariana mais ama

Mariana, minha filha, tinha uns cinco anos. Decidida como sempre foi, queria ir a um show da Disney, patrocinado por uma agência de viagem. O show aconteceria no teatro Dom Bosco, num fim de tarde de domingo.

Eu e Mara levamos os dois, ela e Gabriel. Ele não agüentou a confusão e chorou pra vir embora. Estava armado o conflito. Mariana queria ficar. Gabriel, chorando pra sair. No palco, Lizoel Costa, jornalista dos bons e amigo de confiança, era um dos guitarristas da banda que animava o evento.

Colocamos Mariana na primeira fila, fiz um sinal para o Lizoel e combinei que ele a deixaria em casa quando o evento acabasse. Ele topou. Fomos embora. O tempo passou muito além do previsto para o retorno e os dois não chegavam. Numa época em que os telefones celulares ainda não eram tão comuns, só nos restava confiar no Lizoel e rezar para que tudo estivesse bem.

Antes que a angústia se apoderasse totalmente de nós, o Lizoel tocou a campainha. Alívio geral, ele explicou – eu queria vir logo, mas a Mariana me intimou a "tomarmos algo"  antes de voltar para casa. E eu não tive como resistir.

E lá se foram para o primeiro boteco que encontraram, repartir uma coca-cola. O Lizoel, tiozão, se achando o máximo. Ao fim da coca ele chamou o garçom, mas ela tomou-lhe a frente. Puxou da bolsa o dinheiro pra “pagar a conta”. Mariana é assim desde pequena, nunca deixa barato.

Lembrei dessa história hoje porque recebi uma mensagem do Lizoel. Na década de 80, ele era um dos  integrantes do “Língua de Trapo”, grupo que fazia música e humor,  surgido no movimento que ficou conhecido como  “vanguarda paulistana”.

´"Lingua de Trapo" - o Lizoel é o barbudinho, segundo
da esquerda para a direita, lá atrás.
No e-mail, Lizoel conta um episódio marcante na vida dele e do Língua. Era uma semifinal do Festival dos Festivais, na Globo. O show acontecia no Maracanãzinho. E o Língua tinha sido classificado com a música “Os metaleiros também amam”.

Ao final da apresentação, empolgado que só, o “metaleiro” Lizoel literalmente acaba com a guitarra, ao vivo e a cores, em cadeia nacional. O detalhe: a guitarra, uma Dolphin Starlock, tinha sido conseguida por empréstimo junto à fábrica de instrumentos musicais, só para aquele show.  A cena, primeira do estilo a acontecer numa apresentação de um grupo brasileiro, ficou registrada para sempre. Sobretudo na memória dos patrocinadores. 
Ele me mandou o link com a cena e eu o coloquei aí embaixo. Vale a pena assistir. O Lizoel é o guitarrista barbudinho e sem camisa, com ar de sádico, que destrói a guitarra novinha, ao final da apresentação. Tenho certeza de que se a Mariana soubesse desse episódio naquela época, era capaz de exigir que ele fizesse o mesmo no show da Disney.

Memórias de quando não estive aqui


Um dia, eu, filho mais velho, saí de casa para estudar fora. E meus irmãos cresceram me olhando de longe. Fui o primeiro a viajar  de carona. O primeiro a morar em pensão. O que esteve em outra cidade longe da família. A primeira namorada foi minha. A primeira glória e a primeira decepção, também. Além de tudo, fui o primeiro a estar no Japão.

Claro que há um certo glamour nisso. Mas há a carga de ser o que tem a obrigação de descobrir tudo sozinho. O que não tem ninguém pra lhe orientar. Na minha vida de cigano, partir e chegar era uma constante. Como na música do Milton, partir e chegar, são dois lados da mesma moeda. Pra quem fica, resta a imagem da saída. Do outro lado da estação, há sempre os que estão chegando. É a outra ponta da história. Não me arrisco a dizer o que é melhor ou pior.

Mas o fato é que fiquei longe deles. Cresceram me vendo através do imaginário, me lendo pelas cartas e me aceitando, ou não, de acordo com o que a realidade lhes permitia. Dessa forma, terminei funcionando como um escudo, para o bem ou para o mal, das dificuldades naturais do crescimento e da convivência com os outros - os amigos ou os adversários deles.

Certa vez, um dos meus irmãos, o terceiro na escala de nascimento, se viu cercado por uma turma disposta a resolver no braço questões típicas da  adolescência. E o cerco se deu a poucos metros da casa de meus pais. Cercado, sozinho e prestes a levar uma surra, ele avistou de relance o meu quarto irmão surgir na porta da cozinha. Era o que ele precisava. Meu irmão terceiro sempre foi um sujeito safo. E não perdeu a oportunidade.

De onde estava gritou: Iram (meu quarto irmão) chame o nosso irmão mais velho (que sou eu) para me ajudar a resolver esse problema aqui. A frase mágica surtiu o efeito necessário. Houve um silêncio sepulcral, seguido de uma apreensão quase palpável na turma dos que o ameaçavam.

Meu irmão, o quarto, correu para dentro de casa como se tivesse entendido a gravidade da situação. Em busca do irmão mais velho, pensaram os outros. Meu irmão terceiro, o que estava cercado, agora era uma ilha de esperança e fé. Todo pimpão por fora. Mas sabia, por dentro, que algo não estava certo. Entretanto, contava com a astúcia do outro para se safar. Ele havia de ter uma idéia luminosa, pensava.

Não deu um minuto e o Iram, meu irmão quarto, retorna esbaforido e se planta à porta da casa. O silêncio imperava. A tensão também. No espaço daqueles poucos segundos, uma vida inteira transcorreu. Até que ele, o quarto irmão, bradou de lá: - Olha, o nosso irmão mais velho (que sou eu) não vai poder te ajudar. Ele está viajando, está no Rio Grande do Sul.

Não preciso contar que o pau comeu em dois tempos naquele dia. Na rua, da pior maneira que podia acontecer; e em casa, depois de tudo, quando os dois irmãos - o terceiro, todo lanhado, e o quarto, entre o riso e o choro, ajustaram as contas.

Até hoje, não sei ao certo qual dor me dói mais. A de estar distante e não poder ajudar ou a de não estar presente e poder cair na briga junto com eles. Hoje, a memória e a chuva me permitem rever o passado com o olhar de compreensão. A minha ausência foi presente pra eles. Nos bons e nos maus momentos.


O terceiro, é o de camisa branca. O quarto, é o de regata.
O que estava viajando sou eu, o da frente. Depois tem Isa e
Guga. E todos, um dia, andaram na minha primeira bicicleta.  


sábado, 27 de novembro de 2010

Um outro Dylan

Um guri novo, de apenas 19 anos, vem impressionando o público pelo estilo de cantar e pela qualidade das músicas. Dylan Leblanc nasceu em Louisiana e carrega consigo a essência da folk music. Bebe da fonte em que outro Dylan, o Bob, bebeu e virou lenda. O guri promete.

Do album de estréia dele, "Paupers Field". Pra fechar a tarde de sábado.



Uma historinha de amor

Maurilo Andreas, do Pastelzinho, esses dias me chamou pra mostrar essa animação. Ela foi feita por um espanhol, Carlos Lascano, que é simplesmente um gênio do "Stop Motion". Não há muito o que dizer. As imagens, a trilha e a delicadeza da história falam por si.


A SHORT LOVE STORY IN STOP MOTION from Carlos Lascano on Vimeo.

Faça humor, não faça guerra

No dia em que as forças legais do Rio de Janeiro puseram para correr aquela corja de bandidos, criando uma imagem que impressionou o mundo, eu, Mara e Gabriel jantávamos juntos, em casa. A TV da cozinha ligada mostrando o Jornal Nacional e aquelas cenas que a gente se acostumou a ver em paisecos que vivem em guerra civil.

Mas as cenas não eram importadas, eram "made in Brazil". Um silêncio. O texto contrito de um Bonner impactado. A Globo de sempre, competente e asseada. Todos os repórteres com coletes à prova de bala. Azuis como os da ONU. A polícia chegando em tanques de guerra da Marinha. Os bandidos correndo mata a dentro, morro a baixo.

Em meio a isso tudo a Mara me sai com essa:

O Cabral (Sérgio Cabral, governador do RJ) já convocou a polícia, os bombeiros e a marinha...
Se aparecer um índio vira o Village People.


E a gente conclui: Guerra no RJ, se não tiver uma sacanagem, das duas uma: Ou não é guerra, ou não é no Rio.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Música pra fechar a sexta

Direto e reto, com os ingleses  do "The Mariner's Children", a música Coal. Porque hoje é sexta. Porque chove em Brasília. Porque o dia foi longo. E porque amanhã é sábado.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O blog é Mil.

Tempos atrás, lendo o Blog do Noblat, vi que ele comemorava um número redondo de acessos. Não lembro ao certo se eram um ou dois milhões de acessos. Sei que era bastante. Pois hoje, quando abri o Google Analytcs, um programa que mede a frequência de visitas no blog, fiquei feliz como uma criança:

Pela primeira vez, desde o dia 17 de janeiro de 2010, quando o Blog entrou no ar,  atingi a marca de mil visitas em um período de um mês. Para ser mais exato, foram 1010 visitas entre os dias 23 de outubro e 22 de novembro.

Sei que é uma besteirinha de número, se comparado à imensidão do universo, da blogosfera, onde os indicadores são sempre superlativos. Mas, tô aqui contendo a minha alegria, tamanho o orgulho que sinto por ter atingido essa marca "cabalística".

E isso só foi possível graças aos meus ilustres companheiros de jornada, leitores anônimos, visitadores virtuais das minhas anotações. Atingir milhões de leitores não é bem a minha meta. Mas, como sou um otimista inveterado, não descarto essa possibilidade. Se um dia chegarmos lá, prometo, faço uma festa. Nesse momento, o que eu posso garantir mesmo, a cada um de vocês que vem aqui com alguma frequência, é continuar escrevendo, contando histórias, fazendo poesia, da forma mais prazerosa possível.

Por fim, quero lhes dizer: É muito bom tê-los como companhia. Obrigado, voltem sempre, leiam mais e sintam-se à vontade para colaborar, sugerir, participar. A casa é também de vocês. Mil vezes, valeu!

domingo, 21 de novembro de 2010

Meu maestro, de novo!

O meu maestro está com o violão.
Eu, lá atrás, brincando de cantar.
Mesmo em meio à  correria da campanha, sempre arrumei algum tempinho para escrever algo aqui, em respeito aos meus poucos e bons leitores. Um texto curto, uma crônica, um causo... uma poesia.

Escrever é um dos grandes prazeres da minha vida. A escrita tem me dado grandes amigos e muitas alegrias. Hoje, mais uma vez, fui surpreendido por um presente do Luiz Theodoro, a quem carinhosamente chamo de "meu maestro soberano".

Tempos atrás, postei uma poesia minha aqui no blog. Não demorou muito, Lula me escreveu com uma pergunta instigante: Posso musicar essa pérola? Claro! Respondi, já cheio de orgulho. O tempo passou e a pegada da campanha me fez esquecer aquele pedido e, obviamente, o que poderia resultar dele.

Lula trabalhou em silêncio. E esta semana me mandou o resultado. Uma música linda. Uma melodia que, por vezes, lembra o melhor de Paulinho da Viola, misturado a um quê de Chico Buarque. Pode ser pretensão minha. Se for, me desculpem, mas não tenho como não lamber a "cria".

Obrigado, meu maestro! E é com o maior orgulho que divido com vocês, em primeira mão, a mais recente parceria de Lula Theodoro e Maranhão Viegas. Ah, com um detalhe, no post original, a poesia se chamava "Agulha e Linha". Lula rebatizou a canção.

Razão sem Paixão
Letra: Maranhão Viegas
Música: Luiz Theodoro

Cerzir a cortina da vida
vagar à inconstância do tempo
Que memória ainda tens?
De mim, da rua, do vento...

Ah, essa tua mania de invadir as tardes
de soprar as roupas brancas no varal
e sumir sem dar aviso
Lufada de ar perdida

Música que não se ouve mais
poesia da eternidade
razão sem paixão,
capaz!