domingo, 10 de março de 2013

Resposta

Porque hoje é domingo. E domingo pede respostas. Que o Skank tem, de sobra.

sábado, 9 de março de 2013

Virá que eu vi!

Porque hoje é sábado. Tranquilo e infalível, como Bruce Lee. Impávido que nem Mohamed Ali. Mais avançado que as mais avançadas das tecnologias. Virá que eu vi. Doces Bárbaros. Um índio.

Boa noite, John-boy!

Elenco original da série "Os Waltons"
Ontem, na hora de dormir, me veio à cabeça uma frase simples, que povoou parte da minha adolescência televisiva:
"Boa noite, John-boy!" 

Era a senha que dava início a uma série de cumprimentos, que nós, telespectadores, só tínhamos direito a ouvir e imaginar. Enquanto o cumprimento acontecia, a imagem na tela da TV era a do casarão da Família Walton se afastando lentamente, até o fade total. E o episódio terminava com uma sequência de outros cumprimentos: "Boa noite, Mary Ellen", "Boa noite, Jin Bob", "Boa noite, Elizabeth"... e assim se seguiam os cumprimentos, com o áudio diminuindo lentamente, até que cada um dos sete irmãos se cumprimentassem. Nunca dava pra escutar a todos, mas a gente supunha que todos passassem por aquele rito de delicadeza. 

Cumprimentar-se ao deitar para dormir era uma característica dos Waltons, que viviam uma vida simples, numa região rural do estado da Virgínia, nos Estados Unidos da época da Grande Depressão. Pareciam ter posses, mas como todos os americanos daquele período, enfrentavam uma crise financeira sem precedentes. 

A série televisiva nasceu de um longa metragem e virou clássico nos anos 70. No eixo da história, a superação de problemas pessoais e comuns, recorrendo a uma fórmula aparentemente simples: o amor e a união da família. 

A série se passava entre os anos 30 do Século passado e alcançava a Segunda Grande Guerra mundial. E eram contadas sob o prisma do filho mais velho, John-boy, que sonhava ser jornalista.

Gastei muitos fins de tarde acompanhando as histórias de John-boy e sua família. Era uma realidade distante da minha. Costumes, roupas, expressões e angústias diferentes das que eu vivia. Algumas coisas, entretanto, se encarregavam de unir - sem que eu me desse conta - nossos mundos tão diversos: A persistência, a obstinação, a vontade de acertar e o recurso de vencer os maiores desafios sem perder de vista a capacidade de amar.

No fundo, acho que a vontade de John ser jornalista, ainda que de forma inconsciente, terminou por contribuir para a minha decisão posterior de escolher a mesma profissão. É só uma hipótese, mas hoje, depois de tanto tempo, me pego refletindo sobre isso. Enquanto a imagem do casarão dos Waltons, em minha mente, vai se afastando. E eu ouço, como naquelas tardes do passado, nítidos e delicados, os cumprimentos que começavam sempre com um "boa noite, John-boy". 

O Batom e eu


Por Mariza Poltronieri*


Quando crianças, somos crianças. Os gêneros feminino e masculino inexistem.

Lá na década de 70, em meus primeiros passeios em festinhas inocentes, a boca , símbolo da expressão humana, da voz que liberta, do sorriso que ilumina, saía com brilho, um gloss sem cor, um debut do começo do feminino.

O batom em minha vida e na das mulheres da família é mais que um ritual de passagem, é um vestir-se. Cada uma de nós tem sua cor preferida. Uma usa cor-de-boca, outra rosa, vinho, laranja. Eu sempre usei vermelho. O batom parece ser um símbolo de vaidade, mas mais que isso, é um símbolo de liberdade.

Conta a lenda familiar que meu avô, pai de nove mulheres, todas jovens fagueiras e bonitas, vaidosíssimas e prontas para namorar, um dia tomou uma decisão maluca e arbitrária, implicou com as bocas marcadas das meninas, vestidas de carmim. Instituiu que ninguém mais sairia maquiada. Ordem de pai não se contesta, mas se camufla. Todas saiam sem batom, vestiam-se nele na rua, despiam-se dele ao voltar pra casa.

Assim foi por alguns dias, até que alguém esqueceu e apareceu com a cara enfeitada. Antes que seu Fortunato, o afortunado de mulheres, emitisse qualquer som, todas as meninas se juntaram e disseram “Ninguém mais vai mentir, mas também não vamos mais tirar o batom”. A união faz a força, ele aceitou.

Mariza Poltronieri
Sair de casa com a boca nua é estranhar-se. É como ficar sem cédula de identidade ou sair sem calcinha. O batom encoraja e protege ao mesmo tempo.  A boca que fala com batom é diferente da que fala sem ele. Ele toma posse da fala, vira um vetor do discurso ou um microfone da voz. Um batom é quase uma companhia, além disso, ele enfeita e seduz.

Um homem só sabe o que é um batom quando estampado num beijo. Pode ser mãe, namorada, amiga ou filha, mostra-nos inteiras. O batom guarda em si o íntimo e o exposto de todas nós; o sensível, o profissional e o social.

Somos o que nascemos pra ser: mulheres.

*Mariza Poltronieri é culinarista em Maringá. É filha de Olívia. Mãe de Fernanda e Vinícius. Escreve aqui no blog sempre que quer e sobre o que quiser. E, pelo visto, não abre mão do seu batom vermelho.  

quinta-feira, 7 de março de 2013

Entendimento

Porque a tarde carece de entendimento. Beijos, não. (Gracias, comadrecita Liliana Bayá)


domingo, 3 de março de 2013

Sem tirar nem por

Leo Minax
Recebi esse link de presente no começo deste domingo. Gente sensível e de bom gosto, que sabe que a música é uma das minhas adorações. E eu agradeço. A música é de Leonardo de Deus Gil, que usa o nome artístico de Leo Minax e vive hoje na Espanha.

Ouvi a música e fui atrás pra saber um pouco mais sobre esse cara que traz em suas letras e acordes um sabor inigualável da terra que resolveu carregar no nome - Minas Gerais.

Descubro que, sim, Leo nasceu em Minas. Formou-se jornalista, mas abandonou o jornalismo pela música e fez uma boa escolha. Morou em Paris, mas radicou-se em Madri. Já lançou quatro discos por diferentes selos e já compôs, cantou e tocou com gente grande.

Na pesquisa, li um texto bem escrito, de sua autoria, em que Leo comemora o convite que recebeu de Paula Santoro para fazer parte de um projeto Novas Esquinas, no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, em novembro passado. O projeto associa novos expoentes a consagrados valores da música de Minas. Ele se apresentou junto com Lô Borges, seu ídolo confesso.

Cartaz dos shows de Leo para o projeto Novas Esquinas
e de lançamento do seu mais recente disco. 
Lô, Milton e o Clube da Esquina, aliás, são para Leo algo como a pedra fundamental de seu encantamento pela música. Não surpreende que isso seja assim. Basta escutá-lo uma única vez para compreender o equilíbrio mineiro que há entre o criador e sua criatura. Sem tirar nem por. Com Leo Minax.

sábado, 2 de março de 2013

Calcinhas


Por Iara Maurente*

Chamada para entregar uma estatueta na cerimônia do Oscar no domingo passado, a atriz Meryl Streep surgiu do fundo do palco e deu duas puxadinhas básicas na calcinha, na mais discreta naturalidade que um ato destes exige.


Nós mulheres sabemos como uma calcinha pode ser torturante.
Escolhemos a peça pelo modelo, cor, conforto, mas nem sempre a peça corresponde à nossa impressão.

Há calcinhas que insistem em entrar, vocês sabem onde, nas horas mais indiscretas. Quando estamos sentadas e levantamos, é frequente a vontade de ajeitar a calçola, que naturalmente se moveu em nosso corpo ao sentarmos e levantarmos.

Temos que escolher entre arrumar a calcinha ou deixar que fique marcando na roupa um desenho torto de nossos traseiros, além do mal estar de ter um pedaço de pano no meio de vocês sabem onde.

Quando a Meryl Streep puxou a calcinha na cerimônia mais importante do mundo do cinema, senti como se ela fosse minha amiga de infância, colega de escola, parceira de festas juvenis, a confidente das horas difíceis. Foi muita intimidade. Poxa vida, ela é uma mulher de carne e osso, pensei.

Abstrai a artista, a grande atriz que admiro através dos personagens que faz e a coloquei no patamar de uma simples mulher, conhecida minha, fazendo as mesmas coisas que faço. A grande atriz americana puxou a calcinha e se transformou em ser humano real. Foi lindo!

Só senti intimidade igual com uma celebridade quando a não menos famosa e adorada, e já falecida Lady Diana fez comentários a respeito do desempenho de seus parceiros.

Na época, ela disse que o ex-marido, o príncipe Charles, era insonso na cama; enquanto o melhor parceiro para horas tórridas havia sido o também famoso e já falecido John John Kennedy.

A distante princesa ficou naquele momento sentada junto comigo e minhas amigas ali pelo quarto de uma das gurias, comentando sobre namorados e outros assuntos de interesse feminino, como maquiagem e roupas...

Tão humanas estas celebridades. Tão distantes e tão corriqueiras como outras mulheres comuns espalhadas pelo mundo.

* Iara Maurente é uma grande amiga, jornalista, vive em Porto Alegre, torce pelo colorado (ok, ninguém é perfeito) e escreve coisas deliciosas, sempre às sextas-feiras, para o Jornal de Gravataí.   


sexta-feira, 1 de março de 2013

Meu ano reiniciado

Ogum, presente de reinício de ano.
Hoje, 1º de março, de 2013, o ano de fato começou pra mim. Explico. Acabo de receber o presente de ano novo que Fernando Barros me mandou. Era pra recebê-lo na virada do ano. Na passagem de 2012 para 2013. Por um desses acasos da vida, o presente foi parar em um outro endereço. Endereço onde tenho amigos sinceros e confiáveis.

Por outra dessas coincidências da vida, quando o presente chegou lá, eu estava viajando, de férias. Ficou lá, guardado, mas esquecido. Esquecido, não perdido. Por um desses acasos da vida.

Coincidência, acaso, obra do destino ou o que seja, ontem recebi um telefonema dos meus amigos que reencontram o presente e acharam que já era hora de fazê-lo chegar ao seu destino.  O presente chegou hoje, dia 1º de março, às minhas mãos. Presente de ano novo. Portanto, é legítimo - ainda que por essas coincidências da vida - considerar que o meu ano novo, pelo menos nesse caso, esteja começando hoje. Algo como uma re-sintonia astral.

E eu agradeço, comovido, a chance que o acaso me deu de ter um segundo início, um reinício de ano. O presente? Uma imagem de Ogum. Junto com a imagem, um texto do Fernando que explica o seu significado. Texto que reproduzo ai abaixo:

Ogum foi o primeiro dos orixás a descer do céu. Protetor das pessoas fortes, determinadas, e que não desistem, nem nos momentos mais difícieis.  Conhecido por sua coragem, ele é um guerreiro que abre caminhos e luta sempre pelos seus objetivos.
Defensor dos mais fracos, justo e benevolente. 

No catolicismo é Santo Antônio.
É guerreiro e vencedor de grandes batalhas. O ferreiro dos Orixás, senhor das armas e dono das estradas. Irreverente, valente, traz na espada o que busca.

São características dos filhos de Ogum:
Homens: Confiantes, entusisamados, generosos, solidários.
Mulheres: Sinceras, encantadoras, vigorosas e românticas.

Dia da Semana: Terça-feira
Adorno: Idà (espada de ferro)
Saudação: Ogunhê
Domínios: Viagens, caminhos, justiça, arte, política e guerra.

Feliz 2013! 

É ou não um belo jeito de reiniciar o ano? Pois, já que o destino, o acaso, ou o quê seja, quis assim, que assim seja! Valeu, Fernando!

Dia de Tião, Sebastião.

Hoje é dia de Tião.  Dia de São Sebastião. É dia, também, de Rio de Janeiro. Feriado na cidade maravilhosa que, de forma tão linda, Milton e Gil cantam nessa canção. Sebastião. Porque hoje é sexta.