sábado, 21 de julho de 2012

The Lady


Hoje, por absoluta saudade, passei os olhos na estante e saquei de lá um disco de Billie Holiday. Era um disco de coleção. "Me Myself and I". E ao ligar o cd player a voz maiúscula da "Lady Day"encheu o espaço de emoção.


Enquanto ouvia, naveguei na internet. Entrei no Blog do Grings e, extrema coincidência, descubro uma postagem dele falando sobre Billie. Esta semana, dia 17 - pra ser mais preciso, fez 53 anos que Billie morreu.

Grings fala do amor dele pelas canções e pela voz dela. E enquanto ele descreve, e enquanto leio, penso que sinto algo parecido. Recordo de ter-me emocionado desde a primeira vez em que escutei Billie.

Quis saber mais sobre aquela mulher. Descubro que sua história tem tudo a ver com a sua imagem de mulher, vigorosa e frágil ao mesmo tempo. Voz de diva. Capaz de dar beleza à dor e de envolver com maciez o sofrimento. Grings  gosta de All of me. Eu também. Então, como ele diz, canta ai, Billie.



Sambinha bom

Mallu Magalhães. Pra temperar a noite de sábado. Com um Sambinha Bom.

Houve um tempo

Tereza Guerreiro é uma amiga virtual (no fundo, já a tenho mais como amiga e menos como virtual), que vive em Lisboa e assina um blog cujo título, por si só, já é uma poesia: "Rua dos Dias que Voam". Não é, mesmo?

É lá que Teresa se encarrega de cultivar a memória dos seus, de sua cidade, de seu país. Um manjar para quem aprecia belas imagens e histórias. O blog é assinado também por outras pessoas amigas de Teresa. E é um dos meus preferidos.

Dias destes, fazendo a minha viagem virtual diária pelos blogs que gosto de ler, encontrei um primor de imagem postado lá. Algo datado do final do Século XIX. Um manual de escrita, um raro documento destinado a ensinar a fazer caligrafia. A imagem, reproduzida logo abaixo, foi assim identificada por Teresa:

Hoje em arrumações, organizando a colecção Argonauta, encontro este livrinho destinado às escolas elementares em 1878. Ensina ele a escrever, com lindas e claras caligrafias. Editadas por J. L. Palhares, pois então.




Mas o que me chamou mesmo a atenção foi a cópia de uma das páginas do "Manuscripto" que traz o exemplo de uma carta de apresentação. Na verdade, uma carta que apresenta e pede auxílio ao portador. Um pedido de esmola a um trabalhador desempregado. Eram tempos diferentes aqueles. Tempos de confiança, de solidariedade... Tempos em que era possível gastar o tempo escrevendo uma carta para pedir ajuda a alguém, por outro alguém.


quinta-feira, 12 de julho de 2012

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Brasília, de Ronaldo, no Canadá


O cartaz da exposição de Ronaldo Silva, no Canadá. 

“Água mole, em pedra dura, tanto bate até que fura”, diz o velho ditado, que cabe bem à determinação do fotografo Ronaldo Silva (aqui, entre nós, o chamamos de Ferreirinha). Ronaldo é fotografo do cotidiano, vive em Brasília e, neste momento, mostra o seu olhar especial sobre a cidade a milhares de pessoas, de todos os cantos do mundo, que visitam a exposição “Expressions of Brazil” que mostra um pedaço do Brasil, em Toronto, Canadá.

Ronaldo Silva, o primeiro à esquerda,
durante entrevista a uma rádio em Toronto.
A parte que coube a Ferreirinha foi mostrar a Brasília, que aos seus 52 anos de idade é também um Patrimônio Cultural da Humanidade. E ele cumpre bem essa missão. Basta olhar as fotos selecionadas para a exposição.

Há ali o desenho geométrico que vicia os nossos olhos ao belo traço do arquiteto. Mas há também o lúdico enigma de Lúcio, com quem Niemeyer fez dupla no desafio de arquitetar Brasília; e a mais perfeita tradução da ousadia política de Juscelino.

Vibrante nas cores e nas formas, o  olhar de fotógrafo de Ronaldo Silva, nosso Ferreirinha, vira poesia em forma de imagem. Dos balões no fim da tarde, às  margens plácidas do Paranoá, passando pelas palmas estendidas ao céu da Catedral de Brasília, tudo é poesia.

O trabalho de Ronaldo Silva traduz um movimento de inspiração e de alegria nesta Brasília tão acostumada a suspiros de dor e tensão. Viva Ronaldo e seu olhar de fotógrafo! Viva Brasília!

Martin reencontrado

Ivone (a segunda da esquerda para a direita) e suas
amigas da associação de cuidadores de animais.
Ivone e Paulo são dois amigos, amigos mesmo, que conhecemos em Lisboa. Desses que a gente não esquece jamais. Hoje, passando pelas páginas da internet, me deparo com uma historinha curta e comovente.

Creio, pelo que leio, que Ivone faz parte de uma associação que recolhe animais abandonados - CRAPAA - Caldas da Rainha Associação Protetora dos Animais Abandonados. Pelo visto, uma entidade que completou dez anos de atividade, em 2011.  Entre tantos animais desamparados, um gatinho chegou até eles. Não tinha sinais de maus tratos. Mas estava muito sujo. E muito triste. E eles passaram a cuidar do bichano. Como cuidam de todos os outros. Esse animais são, quase sempre, protagonistas de histórias com finais infelizes.

Mas com o gatinho foi diferente. Conta a Ivone que uma senhora entrou na associação e começou a relatar a perda e a posterior busca desesperada pelo seu gatinho de estimação. Martin, era o nome dele. Perdido desde fevereiro deste ano. Uma busca sem sucesso.

Enquanto ela contava a história, o tal gatinho triste começou a miar. De forma insistente. Constante. Quase um pedido de socorro. A senhora ficou curiosa e foi ver o gatinho. Era ele! Martin, o seu gato perdido. Por ironia do destino, tinha ido parar ali. Justo onde a sua dona decidira recontar a sua história.  De uma só vez, Martin resgatou sua identidade, deixou de ser triste e passou das mãos cuidadosas da Ivone para os braços protetores de sua dona. Um incomum final feliz. Digno de registro.

Martin, feliz e acolhido no colo de sua dona. 
Aconteceu lá em Portugal. Faz poucos dias. Mas poderia acontecer em qualquer lugar do mundo. Com todo mundo que não costuma perder a esperança. Pra começar a quarta-feira. Com história de final feliz e música de boa qualidade. Angus & Julia Stone - You'are the one that I want. Ao vivo e acústico.

domingo, 8 de julho de 2012

O amor em repouso

Direto, do Concerto para Bangladesh, em 1971, para o fim desta manhã de domingo. While My Guitar Gently Weeps.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Tentayape em Katmandu


Roberto Alem Rojo

Direto de Cochabamba, Bolívia, recebo um e-mail do meu compadre Roberto Além Rojo: 
"Estou embarcando para Katmandu. Meu documentário foi selecionado para a mostra de filmes indígenas do festival que acontece lá, todo ano."
Dá quase pra ver a alegria dele exalando pelos teclados. 
Sobre Roberto já falei muito aqui no Blog. Inclusive sobre a última aventura a que ele me convidou a participar, dando pequenas contribuições ao roteiro do filme Teoponte. Quem quiser conhecer um pouco mais dessa história é só clicar aqui.  
Roberto, Alejandro, Ramon e Gustavo Ostria.
Parte da turma encarregada de escrever o roteiro de Teoponte. 
Junto com o convite, Roberto me manda um texto que foi escrito e publicado por outra grande figura, Ramon Rocha Monroy, um grande amigo que fiz e um dos maiores jornalistas e roteiristas bolivianos dos tempos recentes. Sobre Ramon também já escrevi aqui no blog, querendo conhecê-lo melhor, basta clicar aqui. Você não vai se arrepender.
Esses dois amigos, sem que se dêem conta e cada um na sua área específica, às vezes juntos, às vezes separados, vão traduzindo a história da Bolívia em letras e imagens. Um e outro merecem respeito, apoio e admiração pelo que fazem. 
Por isso, aproveito a deixa para traduzir (livremente) e publicar aqui também o texto em que o Ramon conta um pouco da luta do Roberto para produzir filmes e documentários. É a minha forma de ajudá-los e de dizer o quanto lhes admiro e respeito.
Roberto Alem Rojo é convidado para Festival de Cinema do Nepal
Por Ramom Rocha Monroy
No ano passado, Roberto Alem Rojo esteve na Instituição Smithsonian, convidado a expor seu documentário "Tentayape, a última casa".  Agora, ele foi convidado a ir a Kathmandu, pelos organizadores do 6º Festival Internacional de Cinema e Vídeo dos Povos Indígenas, NIIFF, que acontece a partir do dia 14 julho de 2012, no Nepal. Roberto vai exibir o mesmo documentário.
Pueblo Ava Guarani, em Tentayape.
Segundo a descrição oficial, "Tentayape é o último refúgio Ava Guarani intacto na Bolívia. Em Pleno Século XXI, esse grupo social faz convergir tempo e espaço para mostrar ao mundo um outro sentido da vida, onde a base  é a solidariedade, a austeridade, a preservação da natureza e a liberdade. Um exemplo cultural de dignidade e auto-gestão."
Junho e julho tem sido meses muito produtivos para este prestigioso documentarista boliviano. No último dia 05 de junho, o Arquivo Nacional de Cinema de Santiago do Chile, localizado no piso térreo do Palácio de la Moneda, exibiu "Teoponte; o retorno às montanhas", um documentário de curta metragem (56 minutos) feito com base no livro escrito por Gustavo Rodríguez Ostria, Teoponte, a outra guerrilha Guevarista na Bolívia."
A sinopse do documentário é a seguinte:
Dia da partida dos jovens revolucionários - Teoponte
"Teoponte é a história de jovens que vieram de vários países latino-americanos, unidos pelo sonho de construir uma sociedade melhor. Um grupo disposto a pagar com um alto preço, a sua própria vida, para tornar esse sonho possível. Esta fascinante aventura na selva boliviana, tornou-se uma tragédia enorme.
A maioria desses jovens idealistas foi morta de forma brutal. Quarenta e dois anos depois, os sobreviventes têm a oportunidade de dar início a uma nova luta histórica, para vencer o esquecimento, sem  perder de vista que o sonho de que construir uma sociedade melhor continua possível."
Também no último dia 19 de junho, no Festival Internacional de Cinema e Vídeo sobre Direitos Humanos "Temos de ver", em Montevidéu, Uruguai, apresentou "Cochabamba, Nunca Mais - 11 de janeiro de 2007", outro documentário que leva a assinatura de Roberto Alem Rojo.
O documentário conta a história de uma sangrenta batalha nas ruas de Cochabamba, sob o governo Evo Morales. O documentário é assim apresentado:

"Desde o ano 2000, a Bolívia está passando por uma série de transformações políticas e sociais que levaram a acontecimentos trágicos. Um deles transformou as ruas da cidade de Cochabamba em uma praça de guerra, em janeiro de 2007. Foi quando duas forças opostas se enfrentaram, aprofundando a divisão social do país. O objetivo deste documentário é despertar a consciência das pessoas, para que dias como esses nunca mais aconteçam".
Roberto Além faz um trabalho incansável e exemplar, digno de todo louvor, porque na Bolívia, como de resto em muitos outros países da América Latina, há uma escassez de recursos para a produção de documentários e de filmes, ainda que o número de documentaristas cresça a cada dia.
Conheço de perto todo o sacrifício que passa Roberto para cumprir sua vocação há mais de 30 anos. Um documentário como Tentayape, que foi selecionado pelo Smithsonian e agora pelo Festival de Kathmandu, exigiu dele uma verdadeira entrega ao povo Guarani. Algo que vai muito além das exigências normais da produção de um simples documentário. Assim, Roberto ganhou a confiança dos “capitães Guarani, dos homens e mulheres desta comunidade, com quem hoje se relaciona mais como um amigo de confiança do que como um cineasta profissional.
Roberto ainda não conseguiu levantar os recursos necessários para produzir o longa-metragem, documento-ficional, "Teoponte", mas ninguém duvide que conseguirá. Todo o seu esforço para isso já se transformou em um belo documentário televisivo que vem recebendo muitos elogios da crítica e do público, em todos os lugares onde já foi exibido.
Da mesma forma, "Cochabamba, nunca mais" não teve um orçamento adequado, entre outras razões, porque desde o início Roberto escolheu registrar os fatos como um observador equilibrado, sem resvalar em qualquer viés político no registro dos inúmeros testemunhos dessa jornada dolorosa.
Para produzir e trilhar o seu longo e virtuoso caminho pelos festivais mundo a fora, Roberto Alem Rojo tem contado com o apoio inestimável  da Cruz Vermelha Suíça, da Fundação Simon I. Patiño, do Cidre IFD e das produtoras Imago e Buena Onda Americas.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Soy Pan, Soy Paz, Soy Más

Autor: Piero José
Yo so-o-oy, yo so-o-oy, yo so-o-oy
soy agua, playa, cielo, casa, planta,
soy mar, Atlántico, viento y América,
soy un montón de cosas santas
mezcladas con cosas humanas
como te explico . . . cosas mundanas.

Fui niño, cuna , teta, techo, manta,
más miedo, cuco, grito, llanto, raza,
después mezclaron las palabras
o se escapaban las miradas
algo pasó . . . no entendí nada.

Vamos, decime, contame
todo lo que a vos te está pasando ahora,
porque sino cuando está el alma sóla llora
hay que sacarlo todo afuera, como la primavera
nadie quiere que adentro algo se muera
hablar mirándose a los ojos
sacar lo que se puede afuera
para que adentro nazcan cosas nuevas.

Soy, pan, soy paz, sos más, soy el que está por acá
no quiero más de lo que me puedas dar, uuuuuuh
hoy se te da, hoy se te quita,
igual que con la margarita . . . igual al mar,
igual la vida, la vida, la vida, la vida . . .

Vamos, decime, contame
todo lo que a vos te está pasando ahora,
porque sino cuando está el alma sóla llora
hay que sacarlo todo afuera, como la primavera
nadie quiere que adentro algo se muera
hablar mirándose a los ojos
sacar lo que se puede afuera
para que adentro nazcan cosas nuevas. (BIS)
cosas nuevas, nuevas, nuevas . . . nuevas


domingo, 1 de julho de 2012

Tiene Sentido

Para começar o domingo com algum sentido. Soledad Bravo. El Cantar Tiene Sentido.