domingo, 7 de novembro de 2010

O mundo interligado e atento

Segue chovendo em Brasília. Acordo com o alarme da casa disparando. O vento, tão forte, abriu a janela do banheiro comum, das crianças (Mariana, 22 e Gabriel,18 - serão sempre as nossas crianças). Desço, recolho o jornal, ligo o computador, percorro as notícias e blogs que o trabalho me impõe e, passo então aos sites e blogs que me dão paz e alegria.

Um dos primeiros é o da Elisa Mendes. E dou de cara com um post sobre o TEDxAmazonia. Sem ter noção do tempo, vou clicando em cada link e me apaixonando cada vez mais pelo que está escrito. O TEDxAM é um evento organizado para acontecer neste fim de semana (pena não ter descoberto antes), no coração da Amazônia, num hotel a 45 minutos de barco, de Manaus.

Estão lá, participando do evento, dezenas de pessoas que tem muitas idéias e que acham que as suas idéias, de alguma forma podem fazer o mundo ficar melhor. Lendo sobre o perfil de cada um dos palestrantes - que ao longo do encontro têm espaço para curtas palestras (coisa que varia entre cinco e quinze minutos, cada uma) fui me dando conta de que gostaria de estar lá.

Ainda não foi dessa vez que pude participar, efetivamente. Mas foi só clicar nos perfis, saber das idéias, enxergar novos horizontes a partir do que foi dito e do que está acontecendo, só isso, já me deu a sensação de ter ganho o domingo. Valeu, Elisa. Passei as minhas primeiras duas horas do domingo absolutamente vidrado nas informações que me chegaram através de uma simples olhada no seu blog.

Cada vez mais me convenço de que essa é uma das melhores funções da internet: unir pessoas e idéias distantes. Como aconteceu agora. Você em NY, eu aqui, em Brasília e o povo lá, no meio da Amazônia. Todos nós pensando, juntos, que a vida pode ser bem melhor.

sábado, 6 de novembro de 2010

Ossos de Dinossauros

"Dinosaur Bones" é uma banda canadense, de Toronto, formada em 2008. Desde que surgiu, vem sendo considerada por muitas publicações uma das mais promissoras bandas daquele país, apesar de não ter editado qualquer album.


A qualidade do som deles está acessível no "my Space"  com o EP "Birthright", de quatro faixas que antecede o tão aguardado lançamento de "My Divider". O primeiro album da banda deve ver a luz do dia no principio de 2011.

Enquanto isso, curta aí a bela "Ice Hotels"
.

Almoço chinês, lembrança de natal

foto: Alexandre Dourado
O dia amanheceu chuvoso e preguiçoso, como há muito não acontecia. Almas recolhidas, cachorros também. Tudo andando lentamente, exceto o vizinho da oficina ao lado, que resolveu trocar algumas placas de ferro a partir das sete e meia da manhã.

Acordo, vou ao computador. Mariana também acorda e avisa: tem aula na faculdade. Preparo um café, pão na torradeira nova e espero que ela desça. Lá se vai a baixinha, avisando que depois da aula tem um pagode e não volta tão cedo. A vida segue. A chuva também. O cara do portão chega para consertá-lo. Assim funciona a vida quando se está em casa. Parece não haver nada para fazer e tanta coisa acontece ao mesmo tempo.

Portão consertado, procuro o livro que comecei a ler - 1822, do Laurentino Gomes. Café na cama pra Mara, que passou mal à noite com febre e dores no corpo. O Bi, dormindo. O treino de fórmula um. O cumprimento do vizinho pela vitória na eleição. O Clipping do dia chegando atrasado.

No computador, recebo o e-mail do Assis. Vou atrás do disco, baixo o arquivo. Escuto as músicas. Vou mexer nas fotos e o programa avisa: a versão beta expirou. Se quiser continuar usando, compre outra. Desconfio que outros programas essenciais também estão assim. Bingo. Não vou comprar. Tenho um programa mais antigo que comprei ano passado. Procuro, acho, instalo, reinicio, pronto. A vida virtual volta ao normal.

A fome bate. E não fiz a metade do que havia planejado - ler meu livro. Mara no banho, sinal de melhora. Que tal uma comida chinesa? Vamos lá ou vou buscar? Os dois (o Bi acordou) respondem eu uníssono - vá buscar.

Banho, barba, desodorante, roupa limpa, carro e rua. A chuva persiste. Ô diazinho pra não fazer nada, penso comigo. E concluo que já fiz muito. Um macarrão chop suei, "família feliz" - um prato que mistura legumes e frutos do mar; e bananas caramelasdas para a sobremesa. Enquanto espero, passo no super e compro pipocas de microondas para a tarde. Almoço pronto, cozinha arrumada, uma nesga de sol.


À mesa, falamos do natal. Vamos para Fortaleza. E começam as lembranças dos natais passados. Há diferenças extremas entre as tradições sulistas e nordestinas. Hoje, menos; por conta da globalização. Hábitos sulistas, como árvores cobertas de neve, não eram comuns no nordeste, anos atrás.

Do período de oito anos, do nascimento até deixar o Maranhão em direção ao Sul, me lembro muito pouco. Mas lembro do nervosismo de esperar o "Papai Noel". Criança dormia cedo. Eu resistia. Mas, invariavelmente, dormia antes de ver o bom velhinho chegar com os presentes.


No dia seguinte, embaixo da rede, lá estava o presente. E eu me odiava por não ter resistido ao sono. Entretanto, o que importava era saber o que tinha merecido. Brinquedos de plástico, carrinhos, bolas de futebol. O que quer que fosse, era válido, era deslumbrante abrir o pacote e poder sair à rua para comparar os presentes e - principalmente - brincar.

Mara lembrava de outras tradições. Quatro semanas antes, a contagem regressiva se dava pelo acendimento de velas especiais. Uma a cada domingo e o natal cada vez mais perto. A cada vela acesa, cantoria e orações. Até que chegava o dia em que a sala era trancada aos menores. "Papai Noel" estava trabalhando.

E na Noite de Natal, a árvore repleta de velas, brilhos e presentes, era um sonho. Antes de abri-los, cantos em alemão, orações, puxados pelos avós e tios. A meia-noite não chegava nunca. Diante de tantas memórias, Mara lembrou de uma história engraçada. O primo dela, Norberto, como todas as outras crianças da família, era obrigado a ir à missa do Galo. Norberto, por ser o mais velho deles, garantia uns goles de trago antes de cumprir a obrigação religiosa.

Certa vez, Norberto só teve tempo de sentar-se no banco da igreja e ver o início da missa. Não demorou muito, estava cochilando entre os primos. Num determinado instante, o padre falou mais alto - a ponto de acordá-lo: "... e a virgem Maria estava grávida..." Norberto não se fez de rogado, esfregou os olhos e exclamou bem alto, de forma a que todos ouvissem na igreja: - Mas bah, tchê! a gente não pode dar um cochilo que a "virgem" já está grávida!

Silêncio geral na igreja e o "ôpa" (avô em alemão) fuzilando o Norberto. Naquele ano, todos os outros primos ganharam um troco por acompanhá-lo à missa. Menos o primo Norberto.

Baiãozinho do Assis

Assis Medeiros é um pernambucano, quase paraibano, quase maranhense. E é músico, dublê de jornalista. Conheci Assis quando trabalhei na TV Senado.Ele terminou ficando mais próximo da Mara, que também trabalhou um período por lá. Ele e ela foram companheiros de departamento. E ele adorava as piadas e as cucas de nozes que a Mara fazia. Sempre que ele dá notícias ou é para encomendar uma cuca ou para falar de uma nova música.

Ontem, recebi de Assis um e-mail com informações sobre o seu novo trabalho musical "Baiãozinho Nuar" e não resisti: já baixei a minha cópia. Quem quiser conhecer melhor o trabalho do Assis é bom visitar a página dele e conferir. Tendo um tempinho, dá pra baixar os arquivos com o novo som e curtir na íntegra a pegada tecnopop do camarada. Vale a pena.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Pássaros no palco

Foto: Bengt Wanselius 
Ana e Mikhail não são meninos. Viveram o que a vida lhes deu como dom, intensamente. Ele, russo, ela, espanhola. Os corpos têm idade cronológica avançada - para bailarinos. 54, ela; 62, ele. Mas continuam no palco a fazer coisas que até Deus duvida. Não mais com os arroubos juvenis. Mas com leveza e maturidade.
 
Nesta quinta-feira eles chegam a Brasília, para uma única apresentação no Teatro Nacional. Merecem tratamento de estrela. Merecem casa cheia. Merecem o que sempre receberam do público, por onde quer que tenham passado: aplauso e admiração.
 
O espetáculo "Três solos e um Dueto", com Ana Laguna e Mikhail Baryshnikov, começa às nove da noite, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional. Os ingressos custam R$ 300,00 (inteira) e R$ 150,00 (meia). Aí embaixo, uma pequena amostra do que vai acontecer no palco, logo mais à noite. 
 

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Nas ondas do rádio

No início da década de 70 fui viver, junto com toda a minha família, em Foz do Iguaçu. Meu pai havia sido transferido para lá. Foi um período de grandes mudanças. Saído direto do Maranhão, com oito anos de idade, com uma realidade nordestina, costumes nordestinos, desembarquei no Sul com uma temperatura perto de cinco graus. Foi um contraste absurdo. Não foram poucas as vezes em que nos pegamos pensando coletivamente em voltar correndo para São Luis.

Penso mesmo que esse "desterro" involuntário foi responsável pelos meus primeiros escritos. Vem dessa época algumas cartas tristes, escritas a amigos distantes, incapazes de imaginar o que eu passava. Mas elas eram a forma mais contundente de traduzir a minha saudade e o meu estranhamento a aquele lugar onde a maioria dos vizinhos e amigos falava uma outra língua, que eu não compreendia direito. O tempo se encarregou de me mostrar, havia vida além de São Luis. Até fazer com que a saudade se transformasse em pura memória, sem dor, sem sofrimento.

A segunda parte da minha infância vivi em Foz. E um bom pedaço da adolescência também. E foi como adolescente, alguns anos depois, que descobri o rádio como um companheiro de jornada. Foz do Iguaçu é a ponta do Brasil que faz fronteira com um pedaço da Argentina e outro do Paraguai. Por isso, habituei-me a conviver de perto com um sotaque duplamente castelhano.

Entre as manias que desenvolvi, havia uma que ainda hoje carrego com imenso carinho - dormir ouvindo música.  Eu tinha na cabeceira da cama um radinho que funcionava a pilhas. E que sintonizava, invariavelmente, a Rádio Mitre, de Buenos Aires. O programa que eu ouvia, na hora de dormir, tocava baladas americanas, músicas populares e pop rock argentino. As minhas noites de adolescentes eram embaladas por "The Playters", Mercedes Sosa e um camarada chamado Charly Garcia, entre tantos outros.

Mas era de Charly uma das melodias que mais me marcaram esse período - "Los Dinossaurios". O arranjo de piano e as notas iniciais dessa música me causavam uma comoção, me provocavam uma melancolia inexplicável e me faziam dormir e sonhar.

Não havia a compreensão do contexto, da luta pela libertade, dos tempos de ditadura militar. Não havia a compreensão da letra que falava de pessoas desaparecidas e muito menos havia a capacidade de entender o simbolismo que existia no fato da Rádio Mitre tocar, todas as noites, anos a fio, músicas como aquela.

Hoje, vasculhando a blogosfera, encontrei um vídeo em que o próprio Charly canta essa música. Foi uma volta ao passado distante, à adolescência. E devo dizer que ainda hoje, aquela dorzinha no peito se manifesta aos primeiros acordes de "Los Dinossaurios".

O amor de todas as formas

Antes de sair pra faculdade, Mariana, minha filha, me mostrou esse vídeo. Uma belezura de vídeo. Simples, delicado e emocionante. O amor traduzido em pedacinhos de papel, daqueles que a gente usa pra grudar recados que não pode esquecer. Dá só uma olhada.

domingo, 31 de outubro de 2010

Amanhã será um novo dia!

Titã em dó maior

O paradoxo em forma de gente. Quem o vê enxerga ainda, na imagem inusual, um ser distinto, diverso, divergente. Arnaldo Antunes. Ele é mais. É um sujeito carinhoso e tanto.  Próximo, mesmo. Capaz de fazer as pessoas invadirem o palco e se agarrarem a ele, sem que isso tenha qualquer coisa de violência ou invasão.

Dono de uma poesia desconsertante, de um falar imagético, ele vai e nos leva aonde for com seus versos quase casuais. Assim, aquele ser estranho e íntimo dominou, na noite de sábado, o palco do Teatro Nacional, com casa cheia e vidrada. Som límpido, luz perfeita.

O sujeito desajeitado é, ao mesmo tempo, exercício de harmonia. Sua voz grave é envolvente e agride quando precisa. Distancia e acolhe com a mesma velocidade. Pois, é isso. Não há muito mais a dizer. Ele veio do punk, quando muita gente estranhava o movimento. E não deixou de ser. E mistura Lupicínio Rodrigues, com Cabeça Dinossauro e Tribalistas. Transita pela MPB como um clássico.

Arnaldo é tudo e mais um pouco. Quem foi, gostou. Gente nova e gente velha, lá. De olhos e ouvidos bem abertos para reverenciar, aplaudir, cantar e dançar como em poucas vezes se viu. Um show justo.Que vale bem mais do que os vinte reais da inteira. Gabriel e Mariana, meus filhos, vocês têm que ir.  Com vocês, Arnaldo, o Antunes.

sábado, 30 de outubro de 2010

Voando alto

Jeb Corliss é um Ícaro moderno. Um homem em busca de realizar o sonho mitológico de voar. Mas não é só isso. Ele ultrapassa, constantemente, o limite da sensatez, aventurando-se em vôos de beleza extraordinária e alto potencial suicida.

Em suas aventuras o erro pode significar a morte. O que o mantém vivo é uma espécie de tesão por driblar a fatalidade. A cada novo salto ele aproxima-se, perigosa e maginificamente, do belo. Neste vídeo, de tirar o fôlego, ele aponta as cenas preferidas dessa sua louca aventura. Uma dose extra de adrenalina, para começar o sábado.


Jeb Corliss wing-suit demo from Jeb Corliss on Vimeo.