quinta-feira, 8 de março de 2012

Um filme sem sexo

Hoje é dia! Há pouco, publiquei o texto da Mariza Poltronieri e fiz dele uma pequena homenagem ao Dia internacional das mulheres. Agora, visitando o blog da Cris Guerra, acabo de rever um trabalho que ela fez há alguns anos, junto com Daniel de Jesus, quando ainda trabalhava na agência Lápis Raro, de BH.

O Filme sem sexo, da Cris e do Daniel, é definitivo. Por isso vale republicá-lo aqui, como lá. Outra vez, por todas as mulheres que passaram, que estão e que permanecerão na minha vida. Por todas as mulheres do Planeta.

A todos os seios do Planeta!


Por Mariza Poltronieri*

Estou em uma família repleta de mulheres.
 Dona Olívia tem 8 irmãs e teve 4 filhas que lhe deram 7 netas.
 Claro que há homens misturados entre nós e são muito-bem vindos.


Também eles se acostumaram a viver neste mundo literalmente cor-de-rosa.
 Quando nos encontramos aos sábados é sempre muito alegre nosso dia.
 Alegre por todas as firulas que só nós mulheres sabemos ter.
 A gente faz de um novo batom um acontecimento, de um novo lingerie um tratado sobre o amor, de um cintinho básico a melhor compra que se fez nos últimos anos, tamanha a versatilidade que damos a ele. Pequenas tolices para um dia de farra. 

Para nós mulheres nada é pouco, tudo é o máximo, a gente enfeita a vida exatamente do jeito que a gente enfeita o corpo.
 Mesmo que a diferença de idade fique no intervalo entre 18 e 82 anos, o gênero humano feminino nos faz iguais. Ao dividirmos nossas emoções o tempo se esgota. Somos somente meninas. 
Dia 8 é um dia bonito. Se o deitarmos eu visualizo um belo par de seios. 
Parabéns a todos os seios deste planeta, inclusive os meus.


Mariza Poltronieri é culinarista, vive em Maringá, é uma pessoa muito querida. Nos conhecemos há mais de 30 anos e hoje, especialmente, faço minhas as palavras dela, em homenagem a todas as mulheres que passaram, que estão e que permanecerão na minha vida.  

quarta-feira, 7 de março de 2012

Una vez más

Dois dos meus ídolos  - Julieta Venegas e Fito Páez. Ela é uma mexicana encantadora. Ele é um argentino visionário. Cada um a seu tempo ocupam o imaginário popular em suas plagas. Cantam como quem canta a vida. E rompem fronteiras.

Alcançam o litoral e o interior. A selva e a montanha. Com a mesma intensidade. Invadem o meu país e o meu sonho. E assim, me invadindo, me tomam de encantamento e me obrigam a dividir a emoção de ouvi-los. Pra fechar a noite de quarta. Fito e Julieta. Un vestido y un amor.

A música e o tempo


Nesta terça-feira, 06.03, o guitarrista David Gilmour completou 66 anos de idade. Pra quem não sabe, esse inglês entrou para a história à frente do grupo Pink Floyd, ícone do rock psicodélico que marcou o fim dos anos 60 e início dos 70.  O Pink Floyd acabou, mas David continua por ai, aprontando das suas.

Dias destes, entre uma reunião e outra, meu amigo Oto Guimarães revelou-me uma preciosidade musical que tem tudo a ver com Gilmour e que merece um registro no dia de hoje.  Um cruzamento entre música e tempo onde o que menos importa é a distância ou o estilo.

Na linha inexorável do tempo, uma música composta por Georges Bizet, o autor da ópera Carmem, criada há mais de 150 anos, aportou nas cordas da guitarra de Gilmour, para brilhar com outra intensidade nos dias de hoje. É uma prova de qualidade e de beleza. É uma homenagem aos dois, mas sobretudo, à manhã de quarta-feira. Quem sabe, ao som de Je Crois Entendre Encore o dia se torne mais leve. Quem sabe...



Je Crois Entendre Encore

Je crois entendre encore
Caché sous les palmiers
Sa voix tendre et sonore
Comme un chant de ramiers.
Oh nuit enchanteresse
Divin ravissement
Oh souvenir charmant,
Folle ivresse, doux rêve!

Aux clartés des étoiles
Je crois encor la voir
Entr'ouvrir ses longs voiles
Aux vents tièdes du soir.
Oh nuit enchanteresse
Divin ravissement
Oh souvenir charmant
Folle ivresse, doux rêve!

Charmant Souvenir!
Charmant Souvenir!

Je Crois Entendre Encore (Tradução)

Eu espero entender ainda
Oculta sob as palmeiras
A sua voz terna e sonora
Como um canto de pombo-torcaz
Oh noite fascinante
Divino êxtase
Oh recordação admirável
Louca embriaguez, doce sonho!

Nos brilhos das estrelas
Espero ainda vê-la
Descobrir um pouco seus longos véus
Aos ventos tépidos/mornos da noite.
Oh noite fascinante
Divino êxtase
Oh recordação admirável
Louca embriaguez, doce sonho!

Admirável Recordação!
Admirável Recordação!



terça-feira, 6 de março de 2012

Lá se vai...

O dia é tenso. A noite chega e eu canso.
E porque canso
sei que estou vivo.

Vivo encontrando gente
reencontrando gente
revivendo gente
Vivo sendo
o que não fui ainda

E assim, vou indo
mundo a fora.

Com esse meu jeito
besta
incerto
ingênuo
percorri mundos e fundos
venci medos.

Fui do Oiapoque ao Japão.
Da Boca do Moa ao Reno
Do sertão à Cordilheira.

E se Deus deixar
vou ainda mais longe.
Passo a passo
no compasso
que a vida me dá.

E o coração
Cada vez mais carregado de gente
Lá se vai...

domingo, 4 de março de 2012

Toscana

Pra fechar o domingo, um filme de Dustin Cohen. Duas semanas na Toscana tem paisagens lindas e música deliciosa de Iron & Wine - Sunset Soon Forgotten.

Two Weeks in Tuscany from Dustin Cohen on Vimeo.

Vale Tudo


Eu já havia lido o livro do Nelson Mota sobre a vida do Tim Maia. Na sexta-à noite, fui ver de perto o musical dirigido por João Fonseca, baseado no livro. E devo dizer que os dois - livro e musical - são fiéis à tradução do que foi a vida desse sujeito gordo e brilhante.

Sobre Tim Maia pode-se dizer que vale tudo. Nasceu preto, pobre e gordo. Abusou do corpo e das drogas. Amou muito e desbragadamente. Da mesma forma que consumiu drogas. Viveu com a intensidade dos gênios e morreu no limite de sua resistência. No meio disso tudo, fez música. Música de primeira. Música dançante. Música simples e genial.

O Sebastião, menino, que virou o Tim, o astro adulto, diferiram pouco um do outro. Tinham a mesma raiz e a mesma obstinação. Foi isso o que o levou a ganhar o mundo. Desembarcou nos Estados Unidos sem falar uma palavra em inglês. Melhorou sua técnica de cantar com o swing dos gringos. Fumou maconha, roubou carro e passou seis meses preso, até ser deportado de volta ao Brasil.

Nada disso o fez desistir da vida. Ajudou os amigos quando pode. E não rejeitou ajuda quando precisou. Mas precisou pouco. Porque levou a vida do seu jeito. Quando tinha, tinha. Quando não tinha, deixava rolar. E aparecia.

Tudo isso está no livro e no musical de três horas de duração, que passam sem se perceber. Gabriel, Mariana e Clarice, minha norinha, adoraram o convite que fizemos para irem juntos. Para eles, foi como ver Tim Maia ao vivo, tal a semelhança do Tiago Abravanel (neto do Silvio Santos, que interpreta o Tim no musical) com o próprio Tim.  Pra mim e pra Mara, foi um reencontro com uma trilha sonora que embalou muitas das nossas aventuras. Voltamos pra casa com a certeza de que Vale Tudo!

sábado, 3 de março de 2012

Nunca

Pra fechar a noite de sábado. Um novo clip da curitibana Banda Mais bonita da Cidade. Nunca.

Ferreirinha, no fim da tarde


Fazia tempo que ele não aparecia por aqui com o seu olhar de fotógrafo. Das coisas que me orgulho é de ter muitos amigos, de toda espécie.  Fotógrafos, então, tenho vários. O Higa, em Campo Grande; o Buainaim, em João Pessoa; e o Ronaldo Ferreira Silva, a quem eu chamo de Ferreirinha, estão entre os que mais admiro.

Pois, não é que justo hoje, que eu falei de pássaros e de fim de dia aqui no blog, o Ferreirinha deu as caras! E com uma foto linda, que ele batizou de "Fim de Tarde".  A foto foi feita nos arredores do novo bairro Noroeste, aqui em Brasília.  Tá ai acima. Clicada e assinada. Pra comemorar a volta em grande estilo do Ferreirinha ao espaço Olhar de Fotógrafo.


Algazarra


Na casa onde moro, há dois momentos do dia que se repetem sempre e, mesmo assim, nunca são iguais. Quando amanhece e quando o sol se põe as copas das árvores são ocupadas por dezenas de passarinhos que fazem uma algazarra sem par. Caturritas, pardais, bem-te-vis, se deslocam de galho em galho, sobrevoam uns em torno dos outros como num encontro de velhos amigos ou como novos namorados.

Parecem alegres. E devem ser mesmo. Não tenho na memória a imagem de pássaros tristes. A própria palavra que os denomina - pássaros - parece estar envolta em uma lufada de vento, que carrega um frescor típico da natureza em harmonia.

A algazarra que eles produzem quebra o silêncio e espanta pra bem longe qualquer propensão à tristeza. Não sei de onde tiram tanta alegria. Mas a recebo como um presente divino. Que chega sem avisar, pra brindar o nascer dia e o cair da tarde. Sem se importar com outra coisa senão com a magia de se estar vivo.