quinta-feira, 12 de março de 2015

Bob aos 70

Bob Marley estaria completando 70 anos, em 2015.
O dia começa com chuva, mas com música.
Abro o computador e vejo uma postagem do Mauro Di Deus. Ele encontrou um vídeo sensacional, uma gravação feita à capela, por um grupo de músicos israelenses, em homenagem aos 70 anos que Bob Marley completaria, caso estivesse vivo.

O filme é uma delícia, a música tira a gente da cadeira. Um clássico do repertório do cantor jamaicano, uma defesa radical do amor. A versão de "Could you Be Loved", cantada apenas por vocais, sem nenhum outro instrumento, ficou maravilhosa.

Um bom jeito de começar o dia. Valeu, Maurinho!


quarta-feira, 11 de março de 2015

Sarau do Zé, saudade!


Zé Geral, o cara do Sarau 900. Vida longa, saudade e alegria. 
O telefone avisa. Uma mensagem chegou. Luciane Halfen. Me diz ela, em texto deliciosamente telegráfico:

"Querido, estava dirigindo e ouvindo a 104 FM, Rádio Educativa. Entrevistavam o Zé Geral sobre o Sarau 900, que acontece hoje. E ele lembrava os tempos passados, os velhos amigos e influências. E lá no meio ele cita o amigo Maranhão Viegas. Pensei, o Maranhão vai ficar feliz ao saber disso".

Fiquei sim, Lu. E voltei no tempo para Campo Grande-MS. Tempos de Sarau do Zé Geral. Me assusto com o número de edições - 900, quase mil. O Zé é um bom amigo. E a saudade dos bons amigos é parte boa do dia.

Agradecido, por me avisar. Agradecido, pelo presente.

terça-feira, 10 de março de 2015

Sodade...



Renata Sanches publicou. Maurício de Souza falou, pouco e tudo, por meio da singeleza do Chico Bento.

Inezita, sodade!

quarta-feira, 4 de março de 2015

Sertanejo em dois tempos

A Corrida da vida acabou
Milionário e José Rico
O dia que não terminou, além da alta temperatura na política, trouxe tristeza para a música sertaneja. Morreu na noite de ontem, vítima de ataque cardíaco, o cantor sertanejo “Zé Rico”, que formou dupla com “Milionário”, por mais de 40 anos e gravou 29 discos. O cantor era pernambucano, tinha 68 anos de idade e adotou Americana, no interior de São Paulo, como a sua cidade do coração.

No vídeo abaixo ele aparece em companhia de seu parceiro de estrada, Milionário, e Michel Teló, durante recente gravação do quadro "Bem Sertanejo", para o Fantástico.



A cantoria segue

Inezita Barroso
Coincidência ou não, Inezita Barroso, a diva da música sertaneja de raiz, faz hoje 90 anos e segue cantando. Feliz, ela mantém-se no ar desde os anos 80, com o seu programa “Viola, minha viola”, exibido aos sábados à tarde, na TV Brasil.

Strauss na estreia


O maestro Cláudio Cohen em ação. 
Foi uma bela noite de terça. Como são sempre belas as noites de terça, em Brasília, quando a hora é de assistir a apresentação da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro.

A sinfônica segue em rota itinerante. O Teatro Nacional está fechado, por falta de condição de uso, há mais de um ano, sem perspectiva de prazo para a necessária reforma. Por isso, a rota itinerante da Orquestra.

Agora, a estada vai ser mais longa, no Centro de Convenções de Brasília. A primeira apresentação na nova casa foi ontem a noite. E não podia ter sido melhor.  

Casa cheia no Centro de Convenções.
Casa cheia, mais de 800 pessoas assistiram  seis peças. Duas de Johann Strauss – Eijen a Magyar e Valsa do Imperador; três Episódios para Orquestra de Ney Rosauro; e Danças de Galanta, de Zoltan Kodàly.


A orquestra: competência e afinação, no novo palco.
Um deleite sonoro e visual. Devidamente registrado pelas lentes mágicas do fotógrafo Ronaldo Silva.

domingo, 1 de março de 2015

Rio 450...

Por Ângelo de Souza

Por certo
era o lugar certo

para os de Tupã
os de sá
os de Villegaignon


depois para os de Luanda
das gerais
dos Crateús

(da fenícia...)


para todos como eu,
os sem lugar

por destino
virar alimento
para os deuses

entrar pela boca
banguela

de seus ídolos
de pedra

por vingança

sobreviver

vencer a onça fome,
a doença inseto

prosperar


aterrar o mangue
desmontar o morro

rasgar túneis
romper canais

erguer palácios
plantar favelas

buscar o céu
cair no mar


maravilha de cenário

lugar errado
para uma cidade.

por acaso ou vocação

houve de ser cortesã

metrópole provinciana

disparatada
zoneada
dissolvida


melodia sincopada

de ritmo sinuoso

houve de ser samba,

ser verso
reverso
perverso

de si mesma,
essência extraída

do embate atlântico


—   crista eriçada

—   dorso curvilíneo
—
 ombros de areia e floresta


lugar comum

de sua gente

enigma
 de sua própria

natureza.

Encontro 
nas palavras do Ângelo 
a razão e o sentido
para homenagear 
São Sebastião 
do Rio de Janeiro. 
E me completo 
com Milton e Gil. 




sábado, 28 de fevereiro de 2015

Cássia, o filme


A sala tinha cinco pessoas, contando comigo. Era a última sessão do dia. E eu me sentia dono do cinema. Era tarde e eu não sabia exatamente o que esperar daquele filme. Bobagem. Bastou começar pra eu sentir saudade dela. Pra eu sentir uma vontade besta de chorar, de tanta emoção. Pra eu não me livrar do pensamento, que insistia: Preciso ligar para Mariana e falar sobre Cássia Eller.


Pouco mais de uma hora e meia de filme. Uma carga intensa de alegria e dor. Por que? Por que essa moça foi embora, tão cedo assim? Por quê?

São perguntas que não cabem e não tem respostas. Como não há resposta para a falta de Janis, de Hendrix, de Renato. E todos eles seguem doendo no peito, do mesmo jeito.


O filme "Cássia Eller", de Paulo Henrique Fontenelle, é um reencontro com o passado recente. Um rememorar da vida de uma moça que chegou, chegando, e parou geral. Bastava ela abrir a boca pra cantar e encantar. Foi assim desde o começo. No filme, a gente acompanha a trajetória da carioquinha, que nasceu no Rio, passou por Minas, pelo Pará, e desabrochou em Brasília. Pro mundo.


Cássia inaugurou o escracho na MPB. Começou roqueira, mas foi além. Sua voz rouca e marcante tomou conta de músicas já feitas e lhes deu uma roupagem nova, uma assinatura nova, as fez novas, ao final. Cássia cantou como poucos, de Zé Côco do Riachão a Edith Piaf. Muitas das músicas que ela cantava se tornaram definitivas em sua voz. Apesar dos outros. Um exemplo? Por Enquanto, da Legião Urbana. No meu entender, a versão definitiva é de Cássia.



Cássia inaugurou o amor homoafetivo em público. Amou uma, amou duas, amou muitas ao mesmo tempo. E nunca foi vulgar. E sempre foi intensa, sempre foi crua. Sempre foi Cássia. E quando deu vontade e deu jeito, engravidou. Cássia inaugurou a transformação pública de roqueira estereotipada, masculinizada, em delicadeza materna.


Chicão nasceu sob o signo do amor. No mesmo dia em que se rezava a missa de sétimo dia da morte do pai, um músico da banda de Cássia, Tavinho, que dias antes sofrera um acidente fatal, de carro. A vida deu pra Chicão duas mães e uma família completa. Chicão era filho de Cássia, mas a melhor cantora do mundo, pra ele, era Mariza Monte. Foi ele quem sacramentou: "A Mariza canta, você grita".

Cássia ouviu o filho e reaprendeu a cantar a suavidade. E suave ela determinou: "Quando eu me for, não deixem que tirem ele dela. A mãe de Chicão é Eugênia". Não precisou, Chicão foi explícito para o juiz: "Eugênia é minha mãinha". E pronto. Cássia inaugurou a nova família no Brasil, sem alarde, sem barulho, só com um pouquinho de confusão.


Ai, como me doeu aquela tarde de sábado, do dia  29 de dezembro, de 2001. Lembro como se fosse agora. Mariana adorava ela. E era uma criança ainda, tinha 12 anos completados. E sabia de cor e salteado as músicas dos discos de Cássia. E meu coração ficou apertado quando a televisão interrompeu a programação para avisar que Cássia tinha morrido.

Foi como um soco no estômago. Olhei pra Mara e perguntei: Como a gente vai dizer isso pra Mariana? Ela também não sabia. Foi uma dor imensa. Acho que continua sendo.


O filme termina e eu tenho vontade de abraçar as quatro pessoas que assistiram comigo. Acho que eu precisava de um abraço, ao fim do filme. Corro pro carro e ligo pra Mariana. Ela dorme. Quando acordar, vai ter que dar um jeito  de ver o filme e reencontrar a Cássia que ela perdeu, aos doze anos. A Cássia que se foi, sem nunca ter saído das nossas vidas. Dos nossos ouvidos. Da nossa alma.



Serviço: Aqui em Brasília, o Filme "Cássia Eller" está em cartaz no Cine Cultura, Liberty Mall, em sessão única, às 21h20min. 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Short Cuts - Memória de Brasília

A amizade, o vinho, o tempo


Velhos amigos, boas histórias.
Pelo menos uma vez por mês, uma turma de amigos se reúne em torno de uma mesa, para lembrar o passado, planejar o futuro e se deliciar com o presente. São velhos amigos que tem muito em comum e que nunca perdem a oportunidade de traduzir o amor por Brasília em uma declaração de amor à vida. O vértice desses encontros é o Silvestre Gorgulho.

Com Silvestre, tomando lições sobre Brasília. 
Silvestre é um apaixonado incorrigível. E no rastro da paixão dele, que tem Brasília como eixo, se alinham Carlos Magalhães da Silveira, Paulo Castelo Branco, Waltercy Santos, Tadeu Filippelli, Cláudio Gontijo, Antônio Bigonha, Denise Rottemburg, entre outros. Um time seleto.

De vez em quando, tenho a honra de poder sentar à mesa com eles. Encontros que viram aula de história, sem o quadradismo comum às salas de escola. É história viva. Contada entre risos soltos, comida deliciosa e bons vinhos.

O humor adolescente do Cel. Affonso Heliodoro. 
Num desses encontros, tive ao alcance das mãos a lucidez provocante do coronel Affonso Heliodoro, perto de completar 98 anos de idade. Esse mineiro de Diamantina, protagonista da criação de Brasília,  tornou-se parte indiscutível da história da Nova Capital do Brasil.

De encontro em encontro, Silvestre vai inventando um jeito da gente nunca esquecer Brasília.
As fotos desse encontro foram feitas por Ronaldo Ferreira.


Duas Torre, um outro horizonte 

Dia atrás, Orlando Brito, um dos mais respeitados profissionais do fotojornalismo brasileiro, publicou duas imagens da Torre de TV, na página "Memórias de Brasília", criada por Silvestre Gorgulho para que a memória desta cidade não se perca assim tão fácil.

A Torre de TV, em dois tempos,
sob o olhar cuidadoso de Orlando Brito.
Uma das fotos de Orlando, registrava um inusitado flagrante de uma prova de hipismo na base daquele monumento. O horizonte praticamente vazio ao redor. O próprio Orlando explica: "No começo dos anos 70, a cidade completava dez anos de existência. Promover eventos culturais e esportivos ao pé da Torre era uma das principais estratégias de entretenimento, em Brasília".

Na outra foto, produzida por ele, agora, do mesmo local de onde tirou a primeira,  vê-se claramente o registro da passagem de quatro décadas. Entre uma e outra, além da força do tempo, os efeitos da modernidade. Ao invés de provas de hipismo, carros, escadas rolantes, bicicletas e telefones celulares.

Olhando pra essas fotos e lendo o texto do Orlando, em que ele também fala da Torre Digital, lembrei-me de buscar os registros da construção da outra torre, a última grande obra de Oscar Niemeyer em Brasília.


A "Flor do Cerrado" que ficou deslumbrante depois de pronta, já era linda e desafiadora, enquanto estava construção. Estive lá várias vezes, enquanto operários e máquinas a erguiam. Muitas dessas visitas, acompanhado pelo Silvestre.



Em todas, ficava extasiado com a imagem lá do alto. Em uma dessas idas, tomei um susto com a minha imagem refletida nas peças de vidro que depois comporiam as pétalas arredondadas da "Flor".




Impossível não imaginar: O que será daquele horizonte, daqui a quarenta anos?  




O carro, a menina, a copa de 70

Dora, 1970, em dia de comemoração:
A Variant em Brasília e o Brasil campeão, no México. 
Naquele dia, a seleção brasileira de futebol acabara de sagrar-se campeã, no México. Pelé, Rivelino, Tostão e companhia ainda não tinham saído do estádio, quando as ruas de Brasília se enfeitaram de verde e amarelo e se encheram de alegria e gente, na medida do que era possível preencher aquela imensidão de espaço.

Fazia três anos que o bancário Ernani Amaral Prado, havia desembarcado por aqui. Funcionário do Banco Mercantil, ele morava com a família na altura da 707, na W3 Sul. Uma de suas filhas, Dora Prado, tinha sete anos, estudava no Elefante Branco e se emocionava, cada vez que o pai passava, veloz, com a sua Variant, por baixo das tesourinhas.

Dora Prado
Dora é jornalista, vive hoje em Belo Horizonte e, mesmo de longe, diz que ainda se emociona toda vez que enxerga as linhas de Brasília.