quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Foto das almas que dançam

Foto: Henry Milleo
Cris Guerra aventurou-se pela Amazônia. Não sei pra fazer o quê.
Mas, pra o que quer que tenha sido, deve ter sido uma experiência e tanto!

Tanto que gerou pelo menos uma foto fantástica. 

A foto é essa ai em cima. Feita, segundo a própria Cris, por um fotógrafo (e que fotógrafo!) chamado Henry Milleo. 

Sabe-se quem é a Cris pelas tatuagens, pelo corte de cabelo, pelo estilo, pela roupa. 

Quando olhei a foto, fui assaltado por uma expressão de admiração que o bom senso não me aconselha a reproduzir aqui. Mas, juro, foi pura admiração, deleite para o olhos, gerado pela sensação de ver a imagem ali, do jeito que foi feita. 

De imediato, escrevi para a Cris e reproduzo aqui a mensagem que mandei pra ela: 

Você na ciranda, 
o mundo à sua volta, 
seu tecido roupa, 
misturado às suas tatuagens corpo, 
à floresta, às outras gentes. 

Prestando bem atenção,  
dava pra ouvir os pássaros. 
e sentir o cheiro da mata.
Prestando bem atenção, 
a natureza era viva ali.

E as almas todas ao teu redor
dançavam contigo
uma dança de comunhão.

Não sei exatamente o que ela foi fazer lá. 
Mas já me dou por satisfeito com a fotografia desse momento único. 
Valeu, Cris! 

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Sotaques do Brasil

Tino Gomes e o seu Mineirês.
Hoje, acordei pensando: Eita, país diverso, esse nosso! É um só, mas parece muitos. Da geografia aos sotaques somos vários, sendo todos ao mesmo tempo brasileiros.

Gabriel, eu e Mariana - sem perder o sotaque. 

Me lembro quando, depois de quase 26 anos, voltei à minha terra. Desta vez, levando meus filhos Mariana e Gabriel, loucos pra conhecer o lugar de onde eu vinha. Dois ou três dias por lá, no meio da minha gente, dos meus iguais, bastaram para que Mariana concluísse:

Pai, eu cresci ouvindo você falar de um jeito que eu imaginava ser só seu. Aqui, ouço as pessoas falarem e tenho dificuldade de saber quem está falando - todo mundo fala igual a você! 

Há pouco, ouvi um disco do Almir Sater, cantando as coisas do pantanal e falando de um jeito que só se fala ali. Um sotaque pantaneiro, inconfundível, que não se iguala.

Almir Sater e o sotaque pantaneiro. 
Abri o computador e dei de cara com Tino Gomes. Tino é um grande amigo mineiro, poeta, músico e contador de causos de uma habilidade e memória de dar inveja. Pois, o Tino tem uma música que fala exatamente disso: as diferenças regionais da linguagem. No caso, ele diz que fala o mineirês. Um jeito de falar que não é inglês, não é francês, não é português. É algo de lá das Minas Gerais que, mesmo sendo também Brasil, tem a propriedade de ter uma espécie de língua própria, que só se fala naqueles rincões.

A gente, do resto do país, pra entender, tem que afiar bem os ouvidos. Ai, não deu outra. Achei a música e o clip, na internet. E a terça feira começa cheia de sotaques desse imenso Brasil, que é um só, mas guarda muitos dentro de si.

*Pra Mariana, pra que ela não perca o jeito de me achar pelo sotaque maranhense, onde quer que eu esteja. E pra Gabriel, que anda meio enrabichado por umas moças de sotaque bem mineirin. 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

domingo, 2 de novembro de 2014

Tambores

"Rei da União", boi de Zé Vale.
Pindaré Mirim - MA. 1982
Quando dei por mim, 
havia um anjo da guarda 
em minha Madre Deus. 

Quando me entendi por gente 
já não havia croa por perto, 
só na memória distante. 

E distante foi ficando 
até o dia de voltar. 

Praça do Cemitério, 
Beco do Gavião, 
Rua de São Pantaleão, 
bloco de tamborzão, 
boi de matraca… 

Tudo lá, guardado e vivo. 
Pulsando como a rede 
em que dormi na infância, 
que levava e trazia a vida

O sono sagrado do tempo 
ao som dos tambores 
do Beco das Minas.

Tambores de minha vida,
Tambores de São Luis!

sábado, 1 de novembro de 2014

Tempo só

Porque começou o sábado. Gilberto Gil. Time will tell.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Se eu precisar...

Townes Van Zandt - If I needed You. Porque hoje é sexta, quase sábado. E às vezes, a gente precisa. 

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Mudando

Lisa Mills
Porque a vida pede. Muito prazer, Lisa Mills. Excelente dica do meu amigo Márcio Grings. Porque hoje é terça.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Um país inteiro ao meio


Enquanto volto pra casa, sob a chuva, o limpador do para-brisa me deixa entrever as luzes da cidade. Sensação de ser dono de Brasília. Poucos carros. Imensidão. Ressaca democrática. Alívio e descompasso.

Faz pouco que terminou a eleição em que Dilma venceu Aécio com a menor vantagem da história das eleições do país. 51,45% a 48,55%. Visto do alto de um Brasil de mais de 200 milhões de habitantes, dos quais quase 149 milhões são eleitores, a diferença é um traço, é ínfima, é um grão de areia.

Pensando assim, trafego sobre rodas em um país dividido ao meio. Meio cheio, meio vazio, como o copo filosofal. Dependendo do ponto de vista. A noite de domingo, mais pra madrugada de segunda, pede calma, fôlego e reflexão.

Foi isso o que os dois candidatos trataram de fazer em suas primeiras aparições públicas. Três palavras são importantes: paz, união e diálogo. O resto é detalhe. É isso o que nós precisamos agora. Todos.

E, pelo bem do país, devemos nos conter nas redes sociais. Devemos aplacar nossa ira insana, rejeitar as provocações, fugir de qualquer preconceito. Devemos seguir orgulhosos de nossas posições pessoais, sem recorrer à soberba, ao pedantismo, à arrogância.

Um país novo, em construção, é o que temos nas mãos. Um país que experimentou a dor e o sofrimento, a angústia e o medo, em poucas horas do dia. Certamente, o hoje foi um dos dias mais longos da história. E o será por um bom tempo, tenho certeza.

Dilma e Aécio acordaram candidatos. Atravessaram o dia como um Moisés, em pleno deserto, até se deparar com a imensidão do mar vermelho. Só um deles sairia inteiro do outro lado. Só um deles terá a missão de conduzir a massa à margem oposta.
A estrada é longa, o tempo é curto.

A Nação dividida de hoje caminha seus primeiros passos, trôpega de cansaço, carregada de dor, misto de sofrimento e euforia. Uma nação cindida ao meio, mas absurdamente disposta a se reerguer da luta com a dignidade de um país de dar orgulho. Um país uno.
Eis que a chuva passa.


Eis que a noite invade o que restou do dia e em silêncio a Pátria amada, mãe gentil, acolhe o que restou de nós. De todos nós, filhos deste solo definitivo, chamado Brasil!

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Sexta mágica

Magic. Coldplay. Porque é sexta. E porque precisa de mágica.