Antes de sair pra faculdade, Mariana, minha filha, me mostrou esse vídeo. Uma belezura de vídeo. Simples, delicado e emocionante. O amor traduzido em pedacinhos de papel, daqueles que a gente usa pra grudar recados que não pode esquecer. Dá só uma olhada.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
domingo, 31 de outubro de 2010
Titã em dó maior
O paradoxo em forma de gente. Quem o vê enxerga ainda, na imagem inusual, um ser distinto, diverso, divergente. Arnaldo Antunes. Ele é mais. É um sujeito carinhoso e tanto. Próximo, mesmo. Capaz de fazer as pessoas invadirem o palco e se agarrarem a ele, sem que isso tenha qualquer coisa de violência ou invasão.
Dono de uma poesia desconsertante, de um falar imagético, ele vai e nos leva aonde for com seus versos quase casuais. Assim, aquele ser estranho e íntimo dominou, na noite de sábado, o palco do Teatro Nacional, com casa cheia e vidrada. Som límpido, luz perfeita.
O sujeito desajeitado é, ao mesmo tempo, exercício de harmonia. Sua voz grave é envolvente e agride quando precisa. Distancia e acolhe com a mesma velocidade. Pois, é isso. Não há muito mais a dizer. Ele veio do punk, quando muita gente estranhava o movimento. E não deixou de ser. E mistura Lupicínio Rodrigues, com Cabeça Dinossauro e Tribalistas. Transita pela MPB como um clássico.
Arnaldo é tudo e mais um pouco. Quem foi, gostou. Gente nova e gente velha, lá. De olhos e ouvidos bem abertos para reverenciar, aplaudir, cantar e dançar como em poucas vezes se viu. Um show justo.Que vale bem mais do que os vinte reais da inteira. Gabriel e Mariana, meus filhos, vocês têm que ir. Com vocês, Arnaldo, o Antunes.
Dono de uma poesia desconsertante, de um falar imagético, ele vai e nos leva aonde for com seus versos quase casuais. Assim, aquele ser estranho e íntimo dominou, na noite de sábado, o palco do Teatro Nacional, com casa cheia e vidrada. Som límpido, luz perfeita.
O sujeito desajeitado é, ao mesmo tempo, exercício de harmonia. Sua voz grave é envolvente e agride quando precisa. Distancia e acolhe com a mesma velocidade. Pois, é isso. Não há muito mais a dizer. Ele veio do punk, quando muita gente estranhava o movimento. E não deixou de ser. E mistura Lupicínio Rodrigues, com Cabeça Dinossauro e Tribalistas. Transita pela MPB como um clássico.
Arnaldo é tudo e mais um pouco. Quem foi, gostou. Gente nova e gente velha, lá. De olhos e ouvidos bem abertos para reverenciar, aplaudir, cantar e dançar como em poucas vezes se viu. Um show justo.Que vale bem mais do que os vinte reais da inteira. Gabriel e Mariana, meus filhos, vocês têm que ir. Com vocês, Arnaldo, o Antunes.
sábado, 30 de outubro de 2010
Voando alto
Jeb Corliss é um Ícaro moderno. Um homem em busca de realizar o sonho mitológico de voar. Mas não é só isso. Ele ultrapassa, constantemente, o limite da sensatez, aventurando-se em vôos de beleza extraordinária e alto potencial suicida.
Em suas aventuras o erro pode significar a morte. O que o mantém vivo é uma espécie de tesão por driblar a fatalidade. A cada novo salto ele aproxima-se, perigosa e maginificamente, do belo. Neste vídeo, de tirar o fôlego, ele aponta as cenas preferidas dessa sua louca aventura. Uma dose extra de adrenalina, para começar o sábado.
Jeb Corliss wing-suit demo from Jeb Corliss on Vimeo.
Em suas aventuras o erro pode significar a morte. O que o mantém vivo é uma espécie de tesão por driblar a fatalidade. A cada novo salto ele aproxima-se, perigosa e maginificamente, do belo. Neste vídeo, de tirar o fôlego, ele aponta as cenas preferidas dessa sua louca aventura. Uma dose extra de adrenalina, para começar o sábado.
Jeb Corliss wing-suit demo from Jeb Corliss on Vimeo.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Perto demais do som
![]() |
| Macarrão, Gabriel, Armando, Mário e Lula |
![]() |
| Mario e Lula |
![]() |
| Combinando com o "1011" a melhor tomada de cena |
E olha que a troupe tem dois bons desafios simultâneos. Amanhã à noite acontece o Festival de música popular promovido pela Rádio Nacional. Lula e seus "Blue Caps" vão defender uma das finalistas, a música "Júlia", escrita por Lula em homenagem à filha dele. No sábado e no domingo, Teatro Nacional. É um bom começo pro fim do ano. Ah, ía me esquecendo: As fotos são da Suzi Theodoro.
Aquecendo as violas
Hoje é dia de ensaio geral. Lula Theodoro, meu maestro soberano, vai reunir a tropa (Macarrão, Gabriel, Armando e Mário) para um ensaio geral do show que farão, sexta e sábado, na Sala Villa-Lobos, do Teatro Nacional, em Brasília.
O show deles será a abertura da apresentação de Arnaldo Antunes. É motivo de orgulho ver os "meninos" reunidos para um espetáculo tão bacana, numa casa da importância do Teatro Nacional. Mérito da boa música que fazem, já de longa data.
Meu ingresso está garantido. Aliás, as apresentações vão render um clip e um pequeno documentário, que terei a honra de escrever e dirigir, com a ajuda valiosa do pessoal da AB Produções. Mais na frente, por certo, terei outras informações aqui. Por enquanto, bom trabalho e casa cheia ao Lula e companhia.
E, claro, quem estiver em Brasília, não perca o show.
O show deles será a abertura da apresentação de Arnaldo Antunes. É motivo de orgulho ver os "meninos" reunidos para um espetáculo tão bacana, numa casa da importância do Teatro Nacional. Mérito da boa música que fazem, já de longa data.
Meu ingresso está garantido. Aliás, as apresentações vão render um clip e um pequeno documentário, que terei a honra de escrever e dirigir, com a ajuda valiosa do pessoal da AB Produções. Mais na frente, por certo, terei outras informações aqui. Por enquanto, bom trabalho e casa cheia ao Lula e companhia.
E, claro, quem estiver em Brasília, não perca o show.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Prova isso
* Maurilo Andreas
Estava conversando com Madame Carmita Almeida e ela se lembrou de como as pessoas do interior têm mais leveza com a tragédia. No interior, pelo menos em Minas, sempre tem uns casos assim:
- Deca, o Julinho de Neuza levou uma chifrada de vaca e tá todo aberto ali na beira da estrada.
- É mesmo? Noooooossinhora... vou lá ver como é que ele tá.
E pronto, lá se vão as comadres olhar o rapaz agonizante com a maior calma do mundo. É o que eu chamo de dividir o horror.
Sem querer ser preconceituoso (e acho que até já falei disso antes), mas mulheres também têm um pouco disso quando o assunto é comida, por exemplo. Um homem prova algo ruim e, com toda tranquilidade, exclama:
- Essa merda tá estragada, vou jogar essa porra fora.
Já a mulher costuma seguir outra linha:
- Credo, isso tá horrível... prova aqui, amor, para você ver como está péssimo.
Para as mulheres, dividir o horror também é uma prova de carinho.
Maurilo Andreas é mineiro, redator dos bons, com quem trabalhei em Minas Gerais. Ele é o pai da Sophia e também é o cara do blog Pastelzinho.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Flor do Cerrado
![]() |
| foto: Ronaldo Ferreira |
Onde mais a gente vê algo assim, com esse colorido, com esse tanto de vida, depois de tão longa seca? Só mesmo aqui. No Brasil Central. Nessas terras férteis de poesia e esperança.
Pra fechar o dia. E esperar que o próximo venha melhor ainda.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Os poetas podem ver no escuro
Acabo de devorar “Atlas”, um ensaio poético de geografia fantástica em que Jorge Luis Borges exerce o melhor da sua poesia e do seu lirismo, bem acompanhado por Maria Kodama.
Comprei o livro no sábado. Eu tinha acabado de almoçar e decidi tomar um sorvete. Passei em frente à Livraria Cultura e me apaixonei pela capa verde, com o Borges a contemplar um “não sei o quê”. Como se a vida tivesse parado ali, deixando-o compor a cena. Troquei o sorvete pelo livro. E mergulhei noite a dentro, com ele. Só parei à última página.
Borges conviveu com uma cegueira progressiva a partir dos anos 50 do Século passado. No final da vida – ele morreu em 1986 – enxergava pelos versos, através da fantasia ditada. Nunca viveu nas trevas. Ao contrário, espalhou luz com a sua poesia sobre um universo de mesmice. Dizia que os poetas, como os cegos, podem ver no escuro.
Em "Atlas" ele descreve lugares que só viu pelos olhos de sua amada. Enxerga o que poucos veem. Traduz sentimentos puros, quase banais, de forma extraordinária. A certa altura, numa viagem ao Egito e diante de uma pirâmide, ele se abaixa; enche a mão com um punhado de areia e o derrama um pouco mais adiante, dizendo – “estou modificando o deserto”.
Junto a esse olhar encantado, Borges funde memórias da leitura de seus livros preferidos e atribui sentido mítico à sua rápida passagem por lugares identificados pelas páginas de seus autores prediletos e pelo toque de suas mãos.
É esse tipo de encanto que toma de assalto todo aquele que debruça os olhos sobre as suas linhas. Borges é um presente. Foi uma bela troca. Uma casquinha de baunilha por uma viagem a seu lado. Pelas páginas do último livro que Borges publicou em vida.
Para quem não conhece ainda, vale a pena descobrir os versos de Borges musicados por Vitor Ramil, o irmão mais novo da dupla gaúcha Kleiton e Kledir. Borges sempre pensou seus poemas como músicas. Como milongas. Como as milongas que Vitor Ramil fez em seu disco “Délibáb”, um vocábulo húngaro que quer dizer “Miragem”. Aí, então, o melhor da miragem deste poeta cego, que nos faz enxergar a fantasia e imaginar o amor, como ninguém, na voz de Vitor Ramil.
Comprei o livro no sábado. Eu tinha acabado de almoçar e decidi tomar um sorvete. Passei em frente à Livraria Cultura e me apaixonei pela capa verde, com o Borges a contemplar um “não sei o quê”. Como se a vida tivesse parado ali, deixando-o compor a cena. Troquei o sorvete pelo livro. E mergulhei noite a dentro, com ele. Só parei à última página.
Borges conviveu com uma cegueira progressiva a partir dos anos 50 do Século passado. No final da vida – ele morreu em 1986 – enxergava pelos versos, através da fantasia ditada. Nunca viveu nas trevas. Ao contrário, espalhou luz com a sua poesia sobre um universo de mesmice. Dizia que os poetas, como os cegos, podem ver no escuro.
Em "Atlas" ele descreve lugares que só viu pelos olhos de sua amada. Enxerga o que poucos veem. Traduz sentimentos puros, quase banais, de forma extraordinária. A certa altura, numa viagem ao Egito e diante de uma pirâmide, ele se abaixa; enche a mão com um punhado de areia e o derrama um pouco mais adiante, dizendo – “estou modificando o deserto”.
![]() |
| Borges e Maria Kodama |
Junto a esse olhar encantado, Borges funde memórias da leitura de seus livros preferidos e atribui sentido mítico à sua rápida passagem por lugares identificados pelas páginas de seus autores prediletos e pelo toque de suas mãos.
É esse tipo de encanto que toma de assalto todo aquele que debruça os olhos sobre as suas linhas. Borges é um presente. Foi uma bela troca. Uma casquinha de baunilha por uma viagem a seu lado. Pelas páginas do último livro que Borges publicou em vida.
Para quem não conhece ainda, vale a pena descobrir os versos de Borges musicados por Vitor Ramil, o irmão mais novo da dupla gaúcha Kleiton e Kledir. Borges sempre pensou seus poemas como músicas. Como milongas. Como as milongas que Vitor Ramil fez em seu disco “Délibáb”, um vocábulo húngaro que quer dizer “Miragem”. Aí, então, o melhor da miragem deste poeta cego, que nos faz enxergar a fantasia e imaginar o amor, como ninguém, na voz de Vitor Ramil.
sábado, 23 de outubro de 2010
Com os olhos no mundo
![]() |
| foto: Timothy Archibald |
Ela considera um privilégio aprender a ver o mundo através do olhar do irmão. Luis se encanta com a sensibilidade de Pipo. Luis e Elisa não se conhecem. Não sabem da existência um do outro. Mas, pelas mãos do acaso e pelo fio condutor de minhas linhas, eles agora estão juntos.
Elisa postou em seu blog um pouco da emoção que sentiu quando viu o trabalho do fotógrafo Timothy Archibald, que é pai de um menino diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista. Durante três anos ele fotografou o filho. Desse registro, surgiu o livro Echolilia. Um trabalho cuidadoso, sensível, emocionante.
![]() |
| foto: Timothy Archibald |
Luis me contou recentemente que com um ano de idade, Pipo - segundo filho dele e Vânia - chamou-lhes a atenção por deixar de balbuciar palavras que já estava começando a aprender. Começou a ficar ausente. Começava ali também a obsessão de Luis e Vânia por saber o que acontecia com Pipo.
Vânia faz o quarto semestre de psicologia. Elisa é de Minas Gerais, mas estuda fotografia em Nova York. Pipo tem sete anos. Helena, irmã de Pipo, adora o irmão. Timothy descobriu a fotografia na adolescência. Luis faz filmes e fotos como quem faz poesia. Dessa forma, distantes e próximos, se misturam em suas histórias. A arte de todos e de cada um permitindo que a vida siga, que o respeito se faça, que o amor prevaleça.
O fio casual que costura a cortina e a poesia, invade a manhã de sábado unindo caminhos distintos, encurtando distâncias improváveis e deixando cada vez mais evidente: a vida vale a pena.
Assinar:
Postagens (Atom)













