Ai estão os primeiros registros do Ensaio Geral, de Luiz Theodoro e companhia. Foram duas horas de trabalho intenso, passagem das músicas escolhidas, idas e vindas, pra obter as melhores imagens e o melhor som.
Mario e Lula
Posso dar o meu testemunho de que vai ser um belo show. Seis músicas para meia hora de apresentação. O om que Lula, Mário, Gabriel, Armando e Macarrão fazem tem um quê de mineiridade, apesar deles serem do mundo. Lula e Mário, cariocas de Volta Redonda, beberam da fonte do Clube da Esquina e não devem nada a ninguém.
Combinando com o "1011" a melhor tomada de cena
E olha que a troupe tem dois bons desafios simultâneos. Amanhã à noite acontece o Festival de música popular promovido pela Rádio Nacional. Lula e seus "Blue Caps" vão defender uma das finalistas, a música "Júlia", escrita por Lula em homenagem à filha dele. No sábado e no domingo, Teatro Nacional. É um bom começo pro fim do ano. Ah, ía me esquecendo: As fotos são da Suzi Theodoro.
Hoje é dia de ensaio geral. Lula Theodoro, meu maestro soberano, vai reunir a tropa (Macarrão, Gabriel, Armando e Mário) para um ensaio geral do show que farão, sexta e sábado, na Sala Villa-Lobos, do Teatro Nacional, em Brasília.
O show deles será a abertura da apresentação de Arnaldo Antunes. É motivo de orgulho ver os "meninos" reunidos para um espetáculo tão bacana, numa casa da importância do Teatro Nacional. Mérito da boa música que fazem, já de longa data.
Meu ingresso está garantido. Aliás, as apresentações vão render um clip e um pequeno documentário, que terei a honra de escrever e dirigir, com a ajuda valiosa do pessoal da AB Produções. Mais na frente, por certo, terei outras informações aqui. Por enquanto, bom trabalho e casa cheia ao Lula e companhia.
E, claro, quem estiver em Brasília, não perca o show.
Estava conversando com Madame Carmita Almeida e ela se lembrou de como as pessoas do interior têm mais leveza com a tragédia. No interior, pelo menos em Minas, sempre tem uns casos assim:
- Deca, o Julinho de Neuza levou uma chifrada de vaca e tá todo aberto ali na beira da estrada. - É mesmo? Noooooossinhora... vou lá ver como é que ele tá.
E pronto, lá se vão as comadres olhar o rapaz agonizante com a maior calma do mundo. É o que eu chamo de dividir o horror.
Sem querer ser preconceituoso (e acho que até já falei disso antes), mas mulheres também têm um pouco disso quando o assunto é comida, por exemplo. Um homem prova algo ruim e, com toda tranquilidade, exclama: - Essa merda tá estragada, vou jogar essa porra fora.
Já a mulher costuma seguir outra linha: - Credo, isso tá horrível... prova aqui, amor, para você ver como está péssimo.
Para as mulheres, dividir o horror também é uma prova de carinho.
Maurilo Andreas é mineiro, redator dos bons, com quem trabalhei em Minas Gerais. Ele é o pai da Sophia e também é o cara do blog Pastelzinho.
Ferreirinha, o fotógrafo que nos acompanha, comparece com mais uma daquelas imagens que enchem os olhos da gente. A esta estou chamando de Flor do Cerrado porque é isso mesmo.
Onde mais a gente vê algo assim, com esse colorido, com esse tanto de vida, depois de tão longa seca? Só mesmo aqui. No Brasil Central. Nessas terras férteis de poesia e esperança.
Pra fechar o dia. E esperar que o próximo venha melhor ainda.
Acabo de devorar “Atlas”, um ensaio poético de geografia fantástica em que Jorge Luis Borges exerce o melhor da sua poesia e do seu lirismo, bem acompanhado por Maria Kodama.
Comprei o livro no sábado. Eu tinha acabado de almoçar e decidi tomar um sorvete. Passei em frente à Livraria Cultura e me apaixonei pela capa verde, com o Borges a contemplar um “não sei o quê”. Como se a vida tivesse parado ali, deixando-o compor a cena. Troquei o sorvete pelo livro. E mergulhei noite a dentro, com ele. Só parei à última página.
Borges conviveu com uma cegueira progressiva a partir dos anos 50 do Século passado. No final da vida – ele morreu em 1986 – enxergava pelos versos, através da fantasia ditada. Nunca viveu nas trevas. Ao contrário, espalhou luz com a sua poesia sobre um universo de mesmice. Dizia que os poetas, como os cegos, podem ver no escuro.
Em "Atlas" ele descreve lugares que só viu pelos olhos de sua amada. Enxerga o que poucos veem. Traduz sentimentos puros, quase banais, de forma extraordinária. A certa altura, numa viagem ao Egito e diante de uma pirâmide, ele se abaixa; enche a mão com um punhado de areia e o derrama um pouco mais adiante, dizendo – “estou modificando o deserto”.
Borges e Maria Kodama
Junto a esse olhar encantado, Borges funde memórias da leitura de seus livros preferidos e atribui sentido mítico à sua rápida passagem por lugares identificados pelas páginas de seus autores prediletos e pelo toque de suas mãos.
É esse tipo de encanto que toma de assalto todo aquele que debruça os olhos sobre as suas linhas. Borges é um presente. Foi uma bela troca. Uma casquinha de baunilha por uma viagem a seu lado. Pelas páginas do último livro que Borges publicou em vida.
Para quem não conhece ainda, vale a pena descobrir os versos de Borges musicados por Vitor Ramil, o irmão mais novo da dupla gaúcha Kleiton e Kledir. Borges sempre pensou seus poemas como músicas. Como milongas. Como as milongas que Vitor Ramil fez em seu disco “Délibáb”, um vocábulo húngaro que quer dizer “Miragem”. Aí, então, o melhor da miragem deste poeta cego, que nos faz enxergar a fantasia e imaginar o amor, como ninguém, na voz de Vitor Ramil.
Há um fio casual unindo Elisa Mendes e Luis Andrade. Ela em Nova York, EUA. Ele em Campo Grande, MS. Elisa é fotógrafa. Luis também é. Mas o que os une é muito mais do que isso. Elisa tem um irmão excepcional. Luis tem um filho com a sindrome de Asperger.
Ela considera um privilégio aprender a ver o mundo através do olhar do irmão. Luis se encanta com a sensibilidade de Pipo. Luis e Elisa não se conhecem. Não sabem da existência um do outro. Mas, pelas mãos do acaso e pelo fio condutor de minhas linhas, eles agora estão juntos.
Elisa postou em seu blog um pouco da emoção que sentiu quando viu o trabalho do fotógrafo Timothy Archibald, que é pai de um menino diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista. Durante três anos ele fotografou o filho. Desse registro, surgiu o livro Echolilia. Um trabalho cuidadoso, sensível, emocionante.
foto: Timothy Archibald
Luis me contou recentemente que com um ano de idade, Pipo - segundo filho dele e Vânia - chamou-lhes a atenção por deixar de balbuciar palavras que já estava começando a aprender. Começou a ficar ausente. Começava ali também a obsessão de Luis e Vânia por saber o que acontecia com Pipo.
Vânia faz o quarto semestre de psicologia. Elisa é de Minas Gerais, mas estuda fotografia em Nova York. Pipo tem sete anos. Helena, irmã de Pipo, adora o irmão. Timothy descobriu a fotografia na adolescência. Luis faz filmes e fotos como quem faz poesia. Dessa forma, distantes e próximos, se misturam em suas histórias. A arte de todos e de cada um permitindo que a vida siga, que o respeito se faça, que o amor prevaleça.
O fio casual que costura a cortina e a poesia, invade a manhã de sábado unindo caminhos distintos, encurtando distâncias improváveis e deixando cada vez mais evidente: a vida vale a pena.
Marcio de Camillo me manda um vídeo-flyer do show que ele, Rodrigo Teixeira e Jerry Espíndola fazem em Campo Grande, no dia 30 deste mês. Eu não terei como estar lá. É véspera de eleição e será impossível sair de Brasília um dia antes do segundo turno.
Mas quem tiver a chance de ir, não perca, viu! Eu recomendo. E pra atiçar a vontade, reproduzo aí embaixo o vídeo que recebi. Belo aperitivo. Sucesso inevitável. Um abraço, hermanos!
Marcos Mendes e Maria Cláudia são dois bons amigos. De longa data. Formam uma dupla que caminha junto na música e na vida. De vez em quando, quando a saudade bate, vou correndo vê-los. Ainda que na internet.
Nesta terça-feira chuvosa, a saudade se transforma em música e eu reparto aqui com vocês a bela interpretação de Marcos e Claudinha, para uma poesia de Almir Sater e Renato Teixeira, que se tornou nacionalmente conhecida e virou um clássico.