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Cena do filme "A idade do Fogo". |
Há pouco, abri o écran, na volta do almoço. Plaft! Surge na
tela a notícia. “Justiça determina o despejo imediato do Piantella.” O
Piantella foi, durante um bom tempo, o restaurante que matava a fome e dava
status aos poderosos do Planalto Central. Foi como um dardo na minha memória
gustativa. Não que eu o frequentasse ou que ele fizesse parte dos meus hábitos.
Não. Aliás, estive lá umas poucas vezes, na modesta condição de convidado.
Mas a notícia doeu na minha memória. Guardadas as proporções,
foi como se soubesse do despejo da Pastelaria Viçosa, da Rodoviária do Plano.
Ou, um pouco mais intelectual, se aproximou à dor que senti quando o Mercado
Municipal (sim, Brasília teve um Mercado Municipal) foi fechado. Neste caso,
por conta da morte do seu criador, Jorjão.
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Priscas eras: políticos de diferentes naipes, à mesma mesa. Matando a fome no Piantella e deixando o ódio de lado. |
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a aguardente de pêra. |
Sinal dos tempos. O despejo do Piantella acontece justo
nesses dias sombrios, véspera de eleição. Uma eleição em que nos servem um
cardápio vencido, comida podre, indigesta. Um soco no estômago do qual,
qualquer que seja o resultado, iremos à lona. E a história segue sendo
resolvida em torno de uma mesa.
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