quinta-feira, 23 de agosto de 2018

O menino à espera de Cora





Sabe menino novo? Que fica olhando pro relógio na noite de natal? Que vai e volta da porta do quintal, e olha pra cima pra ver se o dia acabou? Se o céu já está estrelado? Assim. Bem assim estou hoje. É dia de "Caminhos da Reportagem" na TV Brasil. E é a estreia de "No rastro da Poesia. No Caminho de Cora."

Tô que não me contenho.
Dá meia-noite e não dá 21:45.

Agora, nesse exato momento, me vem à memória o dia em que li pela primeira vez sobre o Caminho de Cora. Foi no final de março, início de abril deste ano. Naquela hora, me subiu um calor pelo corpo. Pensei comigo: E se eu criasse coragem para fazer a reportagem sobre esse caminho? Me enchi de força e fui. Atravessei a redação, bati na porta da chefe e pedi preferência. Se um dia decidirem fazer um “Caminhos da Reportagem” sobre o Caminho de Cora, eu sou candidato a fazer.

Dois meses depois fui chamado pra uma reunião e a notícia veio de supetão: Você vai fazer o Caminho de Cora. Mas tem que ser no começo de junho, antes das suas férias. Ai, foi quando deu aquele frio na barriga. Sabe como? Aquele frio que encolhe o estômago da gente. Que faz parecer o chão faltar. Ok. Eu desejei. Ele veio. Agora... é fazer.

A literatura de Cora passou a frequentar minhas noites. O caminho de Cora, os meus dias. Assisti gravações antigas em que Cora fala da vida dela. Vi documentários novos, contando sua história sob o prisma da emoção de quem não ficou parada, nem respeitou os limites impostos pelo tempo. Uma caminhante. Uma peregrina. Uma aventureira incansável.

Aumentei o ritmo das minhas corridas para aguentar o tranco do caminho. Comprei botas especiais para suportar a caminhada. Tá certo, eu só percorreria alguns trechos dos 300 quilômetros do caminho. Não haveria tempo de fazê-lo todo, nos cinco dias destinados à produção do material. Mas eu sabia que caminharia muito.

De carro, fizemos cinco vezes a medida do percurso. 1.500 quilômetros no total. Subimos morro, enfrentamos estradas de terra, mato, pó e sol a pino. E descobrimos vida interiorana e poesia, muita poesia, espalhada pelo caminho. Não só as poesias de Cora (cuidadosamente postas em lugares estratégicos), que renovam a energia dos caminhantes cada vez que o cansaço se manifesta.

No caminho de Cora, a vida é um pouco poesia. Basta permitir o olhar. Basta querer enxergar. Basta não ter pressa e ter calma.

Hoje, minha ansiedade é outra. Daqui a algumas horas vai ao ar, em rede nacional, pela TV Brasil, o resultado do trabalho de uma equipe briosa, - "chiquitita, pero cumplidora" como se costuma dizer nos pampas - que forma o Núcleo de Programas Especiais. Onde são pensados, planejados, gestados e paridos alguns dos melhores produtos desta TV, entre os quais a série "Caminhos da Reportagem".

Quase não acredito na distância do tempo, entre aquela primeira leitura despretensiosa, que me informava sobre a existência do Caminho de Cora Coralina, e o quase agora da exibição do programa. Eu o vi na ilha. E me emocionei muito.

Espero que a minha emoção se traduza, também, aos olhos de quem o veja na TV. E que a emoção se espalhe numa medida boa. Na dose certa de poesia que salva o dia. Como a simplicidade do "seo" Quinzinho. Como a singeleza da TiaTó. Como a firmeza dos peregrinos Mário e Marina. Como a coragem das “Mulheres Coralinas”, da Ebe.

Enfim, o menino que me habita corre feliz em direção ao seu "presente", que chega já. No rastro da poesia. No Caminho de Cora Coralina.

Meus agradecimentos à equipe que não mediu esforços para colocar esse projeto de pé: Mariana Fabre, Sigmar Gonçalves, Hugo Madureira, Isaias Cipriano, André Pacheco, Rogério Verçoza, Dailton Matos, Edivan Viana, Suzana Guimarães, Julia Costa e Henrique Correa. E, por uma questão de justiça, agradeço também a todos os que, em alguma medida, contribuíram com a feitura deste sonho real. 

Mariana Fabre e Sigmar Gonçalves, os pulmões do Caminho de Cora. 

Henrique Correa, Cintia Vargas e Suzana Guimarães.
O coração do Caminho de Cora.  

Um agradecimento especial a Cintia Vargas, Ana Passos, Patrícia Paiva e Adriana Motta, que enfrentam os leões desse nosso tempo agudo e dão o norte da nossa jornada diária. E o meu sincero reconhecimento à TV Brasil, que me deu a oportunidade impar de juntar poesia e jornalismo - uma fórmula que não me sai da cabeça. Nunca.

Serviço:
"Caminhos da Reportagem"
No rastro da poesia. No Caminho de Cora
Quinta-feira - 23.08.2018 - 21h45
Reapresentação: Domingo 26.08.2018 - 20h00 
TV Brasil 





O vídeo completo está ai embaixo. Desfrute!!

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Sete vidas



Onze dias.
O voo que me levou para fora é
o mesmo que me traz de volta.
A temperatura é mais baixa.

Antes havia sol e o tempo era quente. 
O sistema de som no aeroporto informa: 
agora, em SP, treze graus.

É frio. Mas não é tanto que me faça esquecer 
a tua respiração ritmada em meu rosto.
Gatos novos não respeitam espaço e tempo. 
Se movem com a convicção de que tem sete vidas.

Bem que podia ser assim.
Sete vidas.

Eu tenho sono enquanto espero o avião 
que me leva de volta pra casa. 
Treze graus. 

É frio e minha alma de gato novo rejeita limites.
Quem me dera, sete vidas!

domingo, 29 de abril de 2018

Meu menino



Gabriel cresceu. Faz vinte e seis hoje.
Meu menino cresceu.
Mas seguirá sendo, sempre, "meu menino".











Feliz aniversário, filho.


sexta-feira, 13 de abril de 2018

Inquietude e coragem



Coragem e inquietude

Lá fora o dia é nublado.
E maio ainda nem começou.

O mês de maio é assim. Mal se desenha no horizonte
e seu frescor juvenil se espalha como uma lufada de ar puro
a povoar nossas revoluções internas.

Vai fazer cinquenta anos, mas parece que foi ontem
Uma onda de novidades novas se espalhou pelas ruas
Começou em Paris, mas refletiu no mundo.

Dany, Le rouge - maio 68
Veio pelas mãos dos jovens
Trouxe a ousadia dos jovens
Sustentou-se pela coragem dos jovens

Esses mesmos jovens que seguem carregando a beleza
da vida em início, com mais virtudes do que vício.

Hoje, uma juventude desbotada teima em não
enxergar beleza no horizonte e gasta preciosas horas
no raso virtual do falso anonimato por trás dos teclados.  

O mês de maio mal se desenha no horizonte
E por um motivo mais forte que a razão
sou tomado por uma intuição:
a juventude, em essência, é o que melhor traduz 
e justifica a aventura da vida
Coragem e inquietação

quarta-feira, 21 de março de 2018

Assim sendo assim

As últimas noites tem sido assim - pouco o sono
invado de olhos abertos o relógio digital
a luz de led verde refletida na parede 
como quem não quisesse nunca apagar

As últimas noites tem sido assim - horas em claro

e passa a hora, e vaga o escuro, e molha a chuva lá fora, 
enquanto aqui dentro meu corpo geme 
um cansaço que só eu sei. 

Ando farto de ladainha.
ando distante de tão só 
Penso novos mares 
me canso com facilidade do mesmo horizonte

marinheiro sem navio, vago em calmaria
maresia, beira-mar, à espera do que virá

já faz tempo a ventania passou
tanto vento em minha vela me entregou aos furacões 
tanto brilho ofuscado envelheceu a prataria
zinabre azedando as horas, os dias

As últimas noites tem sido assim
e só sossego depois que o sol aponta entre a cortina 
cor de papel envelhecido de embrulhar maçã 
e folhas de coqueiro na janela
pássaros esboçam cantoria 
é hora de recomeçar

Que os novos dias não tardem chegar. 

sábado, 10 de março de 2018

Torquato Neto - Todas as horas do fim

Gilberto Gil, Ana Maria e Torquato Neto
Torquato Neto foi um gênio triste do sertão que o mundo mal teve tempo de descobrir. Mas a passagem dele, se curta demais, foi intensa, com sabor de poesia eterna. Seu jeito de olhar o mundo por uma janela transversal surpreende ainda hoje.

Carregou no corpo frágil sua Teresina por onde foi. Em Londres ou Paris. Salvador, São Paulo ou Rio. Um bardo do existencialismo. Inconformado e inquieto. Por suas letras passaram ideias e ideais que fogem do comum.    

Era igual sem ser o mesmo. Rompeu cerca e estradas. Deslimitou espaço e tempo. Seus vinte e oito anos de vida foram como o brilho fugaz de um relâmpago no céu de tormentas.

Brilho intenso e fulminante. Enquanto esteve vivo traduziu em poesia o desassossego da vida. Poeta desde menino, nunca chegou a homem feito, embora estivesse pronto e soubesse disso.

Amou e foi amado. E do amor de Ana com ele, nasceu Thiago. Pra muita gente, Torquato morreu cedo. Para ele mesmo, morreu de fastio da vida. De consciência de obra pronta. De passagem completa.

Por sorte, seu rastro é infinito. 

domingo, 4 de março de 2018

Coelho, coelhinho, coelhada

Uns dias trás, Renata Sanches (foto ao lado) , uma amiga que escreve bem demais (desconfio, seriamente, que uma das razões para isso seja porque ela é uma devoradora de livros), me manda uns escritos despretensiosos pelo zap. Li e dei risada, sozinho, em meio à loucura da redação. Ninguém entendeu na hora. Mas a história era tão boa, estava tão pronta, que merecia uma publicação. Com a devida permissão dela, aqui vai. De Renata (que neste caso, bem poderia se chamar Alice), de algum lugar dessa Cidade Monumento (que bem poderia ser o País das Maravilhas) quentinho para o blog. Valeu, Renatinha!
Maranhão.

Há poucos meses, uma casa que faz divisa com a nossa ganhou novos inquilinos.
Após dois anos desocupada e abandonada pelos proprietários, o que rendeu uma piscina imunda e incubadora de mosquitos da dengue, a nova família chegou chegando.

Em profusāo de caminhonetes, que ornava bem com o estilo rural de seus proprietários.
Para além dos humanóides, sāo 5 simpáticos Golden Retriever, 2 gatinhos (um deles já entra na minha cozinha e confraterniza com "A Cã-Madame"), galinhas, patos e coelhos. 

Como é notório, coelho é um bichinho lindo, felpudo, orelhudo e que se conjuga somente no plural. “Coelho “ significa muiiiiiiiiiiiiiitos coelhos. Do tipo muitos e cada vez mais. Do tipo um cardume, uma alcatéia, uma manada de pulantes de pelúcia. Inconformados com o cercadinho que lhes foi destinado no quintal, os bichinhos resolveram explorar a rua e o bairro.


E o grupo de Whatsapp dos moradores virou um enorme classificados de Achados&Perdidos monotemático, cunicular, onde pululam “coelhos encontrados na casa 7”, “surgiu um coelho aqui na casa 12”, “alguém sabe de quem é um coelho branco que está aqui na casa 26?”.

De nossa parte, já nos deparamos com dois exemplares. Um que veio entregar o jornal às 05h30, e outro que forrou a pança na hortinha de temperos, devorando toda a cebolinha e o orégano da D.Vera.


Foram embora por conta própria, antes que ocorresse episódio de sangue e pancadaria na madrugada. A dupla de serial killers, Chanel&Duke, ainda estava recolhida a seus aposentos.



No entanto, a presença dos turistas acidentais deflagrou uma guerra na até então pacata província de South Lake. Dois vizinhos, em momentos diferentes, foram bater à porta dos proprietários e responsáveis pelos bichinhos, solicitando que os dentuços fossem levados de volta ao lar. E tiveram como resposta:"pode ficar com o coelho pra vc". Um dos vizinhos, resignado com o coelho imprevisto, manteve o dito cujo com ele, e em postura zen-budista, integrou o novo pet à sua casa.

O outro vizinho, entretanto, diz que não quer coelho nenhum, e que o condomínio deve denunciar o coleguinha por abandono (ou distribuição?) da coelhada.

Na nossa casa reina a tolerância com os visitantes, na mesma proporçāo do pavor de termos um coelho-defunto, por açāo dos dois meliantes caninos.



Enquanto o Whatsapp apita com denúncias de quem coelhou e quem descoelhou na vizinhança, torço para que reinem o bom senso e a paz por todo lado. Ter um bichinho tāo fofinho como bastiāo da brigaiada e reclamaçōes azedas, nāo deixa de ser um desalento.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

O piano, o maestro e a música

O maestro João Carlos Martins
O sobrinho, Ives Gandra Martins Filho
Havia um tipo de despedida programado para aquela data. O sobrinho, presidente do Tribunal Superior do Trabalho, encerraria um mandato à frente do Tribunal. O tio, músico, quis fazer uma homenagem. Quis mais, quis aproveitar a oportunidade para também anunciar uma despedida.

Sobrinho e tio se encontraram. E a segunda despedida roubou a cena. Não porque a história de Ives Gandra Marins Filho, o  ministro em recolhida, seja menor. Mas a história do seu tio, o maestro João Carlos Martins carrega um quê de persistência, de obstinação, imensurável. Por isso, única.

João Carlos Martins foi um menino prodígio, um adolescente ousado, um adulto desmedido. Um homem de muita sorte, ao final. O piano e a música foram, desde sempre, a sua obsessão. No auge da fama, ainda muito jovem, sofreu um acidente bobo, que lhe comprometeu o movimento de uma das mãos. A recuperação foi lenta e dolorosa. Mas foi.

As mãos de João, marcadas pela dor. 
Recuperado, sofreu um assalto e os assaltantes lhe impuseram um novo drama. Outra vez, as mãos ficaram comprometidas. Decidiu abandonar os teclados. Voltou a tocar, mas a dor... ah, a dor... havia se transformado em uma companheira inseparável. Não insuperável.


O avanço da medicina o ajudou a recuperar parte mínima dos movimentos das mãos. Não a se livrar das dores. Pra não ficar longe da música, decidiu dedicar-se à maestria. Virou um maestro mundialmente respeitado, como já o fizera na condição de músico. Parte dessa história já contei aqui mesmo, em outra postagem, sobre um dia em que nos encontramos.


Mas há uma hora em que é preciso reconhecer os limites. A música seguirá sendo um elixir da juventude para ele. Mas o corpo pediu um tempo. Então, o pianista João Carlos Martins, cuja história já virou filme anunciou sua despedida dos teclados. Aconteceu semana passada. E virou matéria prima da Crônica de Sexta - do Repórter DF. O último ato do pianista que não sairá da nossa memória. Jamais.



sábado, 3 de fevereiro de 2018

Amor e poesia em forma de água


Se prevalecerem a arte, a magia, a poesia e a emoção, Guillermo del Toro deve levar o Oscar de melhor diretor este ano. Assim como o mais recente filme dele, também. Se não levarem, vai ficar um travo na boca. Como tem sido comum desses tempos de sem-graceza, em que nada mais nos surpreende. "A forma da Água" é um filme que traz impressa a marca da genialidade de del Toro. Dos seus humanos estranhos, dos seus monstros delicados, de seus personagens oníricos e cotidianos.

Tenho pra mim que o transcurso do tempo é uma das medidas que nos permite saber quando um filme se impõe e nos arrebata de corpo e alma. No cinema, não perceber o tempo passar é sintoma de que se foi tomado pela história. Neste caso específico, duas horas de filme passam sem que ninguém perceba. Sem que se tenha tempo de desprender o fôlego, represado à primeira cena.

Aliás, a atmosfera tensa pontua "A Forma da Água" o tempo todo. Num jogo de esfria e esquenta que nunca é morno. Um conto de fadas erótico. Uma monstruosidade delicada e sensual. Guillermo consegue a proeza de fazer caber romance e violência dentro de uma história que seduz novos e velhos. Espertos (na etimologia castelhana da palavra) e incautos. Românticos e descrentes.

Há na história um pouco de tudo e de cada coisa desse nosso tempo louco. A lente de Guillermo olha o passado com olhos de agora. Extremamente atual, dá vigorosidade à década de 60, com seus conflitos e valores do "american way of life". Da guerra fria revivida, à intolerância política e racial; da corrida armamentista à poesia; da pintura à fotografia; Da música popular de Carmem Miranda às clássicas orquestras, como a de Benny  Goodman. O filme se dá ao luxo de ter uma protagonista (Sally Hawkins) que fala pelos cotovelos sem dizer uma palavra - a não ser quando sonha. É muda de nascença. E como é veemente!


O malvado da história, interpretado magistralmente por Michael Shannon, já é um clássico. Um caricato convincente. Octavia Spencer, no papel de uma funcionária da limpeza e melhor amiga da personagem principal, dá uma banho de interpretação. Confirmando o alto nível da sua carreira de atriz, que já lhe rendeu Oscar, no filme Histórias Cruzadas.


Vai haver quem não goste (sempre há). Haverá quem ache que o amor de uma muda por um monstro aquático carrega algo de animalesco. E não vão alcançar a essência desse "A Bela e a Fera pós-verdade". Mas não se importe. O filme é uma aula de poesia e de amor. Um filmaço. Corra pro cinema. E confirme.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Quem é do mar não enjoa

A caminho do mar, com meu pai. Em boa companhia. 
A todo aquele que nasce numa ilha - pedaço de terra cercado de mar por todos os lados  - como eu, é dado o direito de dizer: o mar em mim, não é de hoje. É de útero.

Já usei esta expressão em poesia (que virou música, por obra e graça do "meu Maestro Soberano", Luis Theodoro). A poesia também fala das minhas origens, da minha Madre Deus, bairro ludovicense onde nasci e vivi a minha primeira infância. E fala do mar. Um mar que me acompanha por toda a vida, onde quer que eu vá. 

Assim sendo, por mais distante que o mar esteja ele segue em mim. É assim em Brasília, onde vivo agora e o Lago  Paranoá se oferece como um mar de água doce, imenso e sem limites. Quando o Lago não basta, sigo a receita dos românticos, que miram no horizonte e, de qualquer ponto da cidade, me farto de um outro mar que vem de cima: o céu de Brasília.

Neste dois de fevereiro, apesar de longe dos oceanos, sou tomado por uma memória afetiva que mais uma vez me remete ao meu mar pessoal. Navego com o "Bela Rosa", barco imaginário, que pertenceu ao meu avô, enquanto transcorre o dia dedicado à rainha do mar. 

No sincretismo religioso, o dois de fevereiro é dia de Iemanjá. Os católicos celebram Nossa senhora dos Navegantes, ou Nossa senhora da Glória.


Independente de crenças ou credos, alimento a esperança aventureira de poder navegar, como um Camões, por mares nunca antes navegados. Em Brasília, ou em qualquer lugar, que essa ilha que chamamos "vida", siga cercada de mar por todos os lados. 

Ai embaixo, a versão desta crônica que foi feita especialmente para o Repórter DF, da TV Brasil. A apresentação é de Caroline Lasneaux. A edição de imagens é de Queila Rísia. A crônica foi ao ar neste dia 2 de fevereiro de 2018. Dia de Iemanjá.