quarta-feira, 11 de maio de 2011

30 anos depois

Bob Marley foi e continua sendo o maior expoente da reggae music, tanto pela consistência de sua obra, marcada pelo forte posicionamento político e ideológico, sempre abordando os problemas sociais, quanto pela popularidade que atingiu durante sua carreira. Robert Nesta Marley nasceu em 6 de fevereiro de 1945, em Nine Mile, Jamaica. De família humilde, tornou-se cantor e compositor e em 1973 lançou o álbum Catch a Fire, gravado no início de sua parceria com a banda The Wailers. Na sequência, veio Burnin e um êxito crescente nos EUA com sucessos como Get Up, Stand Up e I Shot the Sheriff, esta, regravada por inúmeros artistas, do rapper Warren G. ao guitarman Eric Clapton.

Casou com Rita e se tornou adepto ao rastafári, religião que mescla profecias bíblicas, filosofia naturalista e orgulho negro, tendo a cannabis sativa como parte da liturgia, hábito que influenciou diretamente a música de Marley. Teve 13 filhos. Três com Rita Marley, dois adotados de relações anteriores e oito com outras mulheres.

Após sofrer um atentado com motivações políticas, Bob Marley deixou a Jamaica e foi para a Inglaterra, onde gravou discos importantes como Exodus (1977), Kaya (1978), Babylon by Bus (1978) e Survival (1979). Seu último disco em vida foi Uprising (1980). Aliás, a turnê européia deste álbum bateu recordes de público. Mas foi justamente no final da temporada de shows que Marley não resistiu ao câncer e morreu em Miami, aos 36 anos, em 11 de maio de 1981. O corpo do rei do reggae foi levado a um mausoléu na Jamaica e lá continua sendo venerado como um dos símbolos mais importantes do país.

Por ele e por todos nós. No woman no cry.

Julieta em Porto Alegre

Julieta Venegas
Sim, Julieta Venegas, cantora mexicana de quem já falei aqui no blog, está no Brasil e se apresenta hoje e amanhã, no Teatro do Bourbon Country, em Porto Alegre. Julieta é um sucesso inquestionável na América Latina e, já faz algum tempo, mantém uma fina linha de sintonia com alguns nomes da nova música popular brasileira, como Lenine e Marisa Monte. Com Marisa, aliás, ela gravou a belíssima "Ilusión", escrita pelas duas em parceria com Arnaldo Antunes – e incluída no álbum MTV Unplugged, lançado em 2008 pela mexicana.

Não tenho como não expressar minha inveja dos gaúchos que terão oportunidade de vê-la de perto. De acordo com o que diz o Jornal Zero Hora, na edição de hoje, já não há mais ingressos para as duas apresentações. Tem sido assim também a rotina de aproximação com artistas de língua espanhola que descortinam os palcos brasileiros a partir do Sul, como a banda uruguaia El Cuarteto de Nos, em janeiro deste ano, ou do próprio cantautor Jorge Drexler, também uruguaio, em 2004.

Quando chegou ao formato desplugado, da MTV, Julieta Venegas já tinha muita história musical para contar. Ela começou a lançar discos em 1997, com Aquí, produzido pelo argentino Gustavo Santaolalla. Depois, a cada novo álbum, foi ganhando mais popularidade – sobretudo com Limón y Sal (2006), até hoje seu disco mais vendido, graças a canções como Me Voy, Eres para Mí e Primer Día. O disco lhe rendeu o Grammy de Melhor Álbum Pop Latino, além de troféus no Grammy Latino daquele ano – o que o Unplugged também conquistou, quatro anos depois.

Entre os principais trunfos da cantora de 40 anos, estão a voz rouca, a habilidade melódica, a musicalidade versátil – além de tocar e compor, Julieta se desdobra entre instrumentos como acordeão, piano, violão e banjo – e a naturalidade em escrever canções pop nas quais o tempero latino é quase sempre certeiro.

Julieta se diz “emocionada” e “agradecida” pela receptividade dos gaúchos e planeja ainda para este ano começar a compor e gravar um novo álbum, enquanto segue em turnê – Venezuela, Argentina e México estão no roteiro de viagem das próximas semanas, e a Europa é o destino para junho e julho.

Pra quem não a conhece ainda, vai aqui uma palhinha, é só clicar e curtir.
 

segunda-feira, 9 de maio de 2011

As nossas meninas de lá

Tem umas amigas da Mariana que formam uma banda, aqui em Brasília. Electro Domesticks. Jana, Juba, Bilu e Kameni são meninas lindas e inspiradoras. A Kameni tem uma história em particular com a gente.

Um dia, enquanto almoçavamos, o Alemão me ligou, explicando porque tinha faltado a um encontro. Disse que tinha ido assistir um show da banda da filha do Marquinhos (amigo comum,  jornalista, dos tempos da faculdade, lá no Sul), no espaço Funarte.

Eu disse: Peraí, a Mariana estava lá no espaço Funarte, ontem, também. Produzindo uma banda de umas amigas dela. Como é o nome da banda, perguntei ao Alemão? Electro Domesticks, respondemos juntos, quase em uníssono. Mariana, por essas coincidências que a vida dispensa de explicações, era amiga da Kameni, a vocalista da banda, muito antes de saber que nós, os pais delas duas - eu e Mara, Marquinho e Aninha - éramos amigos desde a faculdade.

Nos reencontramos em nossas filhas. E na música.

Hoje, na minha vasculhada diária pela blogosfera, encontrei umas meninas americanas que são a cara das nossas meninas do Electro Domesticks. Não acredita? Compare aí.

As meninas do Warpaint.
As nossas meninas do Electro Domesticks

Enquanto as nossa meninas não gravam um clip "profissa", a gente pode curti-las na página do Facebook. As de lá, já estão na estrada há tempos e tem coisas muito legais, como esse vídeo aí embaixo, que a gente curte agora, pra fechar a segundona. 

sábado, 7 de maio de 2011

Porque hoje é sábado

Pitty é uma rockeira brasileira. Nascida na Bahia, um lugar onde tradicionalmente nascem cantores de "axé music". Não é regra. A Bahia, que já deu Daniela Mercury e Ivete, já deu Caetano e também Raul Seixas - outro dos mais dignos rockeiros que este país já teve.

No ano passado, Pitty foi participar da festa dos dez anos do programa "Altas Horas", na Rede Globo. Uma beleza de apresentação. Com orquestra e tudo. Do jeito que está aí embaixo. Pra a gente não esquecer, nunca. Porque  hoje é sábado.

Água para elefantes

A música, muitas vezes, é determinante em um filme. Nem sempre o filme é definitivo. A música de trabalho do trailer de Água para Elefante, entra na categoria das músicas que ficam na mente. Basta ouvir uma vez.

Certo, o filme nem foi tão elogiado assim. Há quem ache muito "água com açucar". Há quem goste. Não vem ao caso. A história - um idoso que recorda o que viveu na juventude, sobretudo, o período em que viveu o dia-a-dia de um circo e se apaixonou pela esposa do cruel dono da troupe.

Assista o filme se puder. Sobre a música, assista o vídeo aí abaixo e se deleite. Florence and the Machine - Cosmic Love. Eu recomendo.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

The Dr. House's Song

Alfredo (à frente) e Maria
Acordo, invariavelmente, às cinco da manhã. Meu organismo pede. Já faz muito tempo. Saio do quarto, em companhia de dois cachorros, a Maria e o Alfredo. Dois Llhasa Apso que entraram em minha vida sem que eu quisesse. Eles me escolheram, acho que, por querer. E por isso, lhes sou leal. Abro a porta e lhes sirvo o primeiro biscoito matinal. Eles agradecem e me acompanham.

Todo dia é assim. E, em seguida, ligo a TV em frente à esteira. Faço alongamento, sintonizo no Universal Chanel. Um dia sim, outro não, encontro o Dr. House. Foi por isso que aprendi a assistir o seriado, a me interessar por suas aventuras ou desventuras, e a preencher as minhas horas de corrida com ele e com o seu pedantismo sarcástico.

Hugh Laurie
Ele é um anti-herói perfeito. Talvez, por isso, chego a pensar que dentro de cada um de nós exista um House. Um elo perdido entre a perfeição e a presunção. House, o personagem, atropela quem for preciso. Subjuga, trapaceia. E ainda assim, é admirável. Porque a trapaça dele se dá num outro nível, consigo mesmo. Médico, brinca de Deus (como é comum aos médicos). E mais acerta do que erra. Fico pensando no cara que escreve os textos, os diálogos. O sujeito que elabora os raciocínios é um louco. Nos induz a pensar de uma forma e descamba pra outra, numa guinada desconsertante.

Hoje, vasculhando a blogosfera, antes que a sexta acabe, deparo com a notícia de que ele está lançando um disco. E, por tudo o que leio, não é um disco qualquer. O cara tem pegada, tem bom gosto e qualidade de som. Não é à toa que a gente vê a sua tara por instrumentos musicais no seriado. Quem assiste com frequência sabe do que estou falando.

Pois, Hugh Laurie, o Dr. House, está lançando um disco de blues, daqui a dois dias. Quem gosta do estilo  vai se surpreender. E eu, passo a olhar com mais admiração ainda esse camarada. Quer uma prova? Dê um click e ouça o link aí abaixo. Não custa nada e você não vai se decepcionar. Eu garanto.

Filmes curtíssimos

Mariana, minha filha, saiu de casa hoje para uma longa jornada de três dias. Ela, para orgulho do pai, faz parte da equipe de produção do Festival Internacional de Filmes Curtíssimos, que reúne, de hoje a domingo, produções nacionais e estrangeiras, que serão exibidas no Museu Nacional, em Brasília.

Os detalhes do Festival você pode conferir aqui.

Museu Nacional, local onde serão exibidos os filmes

O jornal Correio Braziliense também dedicou a capa do Caderno de Cultura para o Festival, com destaque para a produção local. Doze dos filmes inscritos foram produzidos por jovens cineastas brazilienses. Clicando no link abaixo, você poderá ler a matéria completa.

http://flip.correiobraziliense.com.br/flip/?idEdicao=01a03dc9edc79f3092ceb2855d03549b&idCaderno=b8d879ff425ddfdbe56d88ce4d40a90e

quarta-feira, 4 de maio de 2011

De volta pra casa

A última imagem que vi da Bolívia, foi também
a primeira que vi na varanda de Liliana 

Acabo de pisar em solo brasileiro outra vez. Minha chegada coincide também com o final da leitura do livro “A Resistência”, em espanhol, do escritor Ernesto Sábato, que morreu no dia primeiro de maio, sábado passado. O livro eu ganhei de Liliana Bayá, arquiteta boliviana com quem estive nestes últimos quatro dias. O presente é cheio de simbolismo e coincidências.


A partir da esquerda: Javier, Valeria, Pocho, Sérgio,
Gustavo, Roberto, Cecilia, Maranhão, Jorge, Klaus,
Pablo, Luis, Alejandro e Ramon
 Minha viagem à Bolívia foi fruto de um convite especial. Roberto Além Rojo, premiado diretor de cinema e documentarista boliviano, achou que eu tinha algo a colaborar com a discussão e montagem do roteiro final de um longa-metragem que vai contar a história de uma trágica aventura de um grupo de jovens que decidira: a morte de Che não seria o fim da luta pelo socialismo. O grupo era composto de bolivianos, argentinos, chilenos e havia até um brasileiro.

Por tudo o que restou desse episódio, é possível concluir que havia muito idealismo e pouca experiência. E talvez a inexperiência em viver na selva, a falta de treinamento para a luta armada, as condições absolutamente inóspitas a que estiveram submetidos por mais de cem dias, tenham sido os elementos cruciais para o desfecho trágico.

Dos 67 jovens, 58 morreram. Alguns, de fome. Outros, vítimas dos próprios líderes do grupo. A maioria, 55 deles, foi morta por soldados do exército que cumpriam ordens de não fazer prisioneiros. De uma vez só, perderam a vida e entraram para a história pela porta do esquecimento. O longa-metragem que está sendo gestado tem origem no longo estudo feito pelo escritor boliviano, Gustavo Rodriguez Ostria. O estudo resultou num livro - Teoponte, a outra guerrilha guevarista na Bolívia. E se tudo caminhar como imaginamos, vai virar um filme em breve.

Liliana Bayá
No livro que ganhei de Liliana, Sábato faz uma deliciosa e contundente reflexão sobre o que imaginava ser o fim (próximo) da vida. Fala de valores perdidos, de ética, de globalização, de esperança... Com a suavidade e contundência que só aos grandes escritores é dado escrever. Leio e viajo duplamente. Nas asas da Aerosur e nos livros de outros grandes nomes da literatura sulamericana como Borges e Darcy, que antes do fim de suas vidas também tiveram a chance de refletir e dividir conosco as suas confissões.

Há aí alguma coincidência. Minha viagem à Bolívia me permitiu conhecer um pedaço da história que nem mesmo os bolivianos conheciam direito. Esses meninos idealistas ficaram esquecidos e desaparecidos da história por mais de quarenta anos. Liliana me alcança um livro de Sábato que foi, entre outras coisas, presidente de uma comissão que investigou os desaparecidos, vítimas do regime militar, na Argentina.

Nestes dias de Bolívia, trabalhei intensamente com um grupo de 14 pessoas, entre roteiristas, cineastas, escritores, produtores, parentes do grupo de jovens que desapareceu em Teoponte (uma região da selva boliviana que fica a 8 horas de viagem, partindo de La Paz), políticos e técnicos de produção. Gente apaixonada e apaixonante. Mais uma coincidência, desta vez, comigo. Como eu mesmo digo na minha apresentação aqui no blog, não sei viver sem paixão.

Ernesto Sábato
Talvez, a única coisa que não seja exatamente coincidência nesse presente que ganhei da Liliana seja o contúdo do livro de Sábato. Nele, Ernesto fala o tempo inteiro sobre a proximidade da morte. E sobre a sua tranqüilidade em relação ao fim da vida, que só aconteceu às vésperas dele completar cem anos. O livro foi escrito no ano 2000. Onze anos depois, se mantém absolutamente atual e revelador. Talvez, o segredo dos longos onze anos que viveu depois de ter chegado tão perto da morte esteja exatamente em aceitá-la de forma honrada. Como uma etapa a mais dessa incrível e apaixonante aventura a que chamamos de vida.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Teoponte - O Luis que foi e o que ficou

Três dias de trabalho com a equipe que vai produzir o filme Teoponte - Voltaremos às Montanhas. Aos poucos, tomo contato com histórias dramáticas de personagens muito próximos da minha geração. O fato da história ter acontecido ao lado do meu país, na Bolívia, e eu nunca ter ouvido falar dela me dá a ideia de quão separados, quão distantes estamos dos nossos vizinhos.

Aí embaixo, conto rapidamente uma história curta. Que me foi relatada por um dos protagonistas - o Luis que ficou. É só uma da centenas de histórias que formam o imenso quebra-cabeças dessa saga revolucionária e trágica.


Dia do embarque. Marca o reinício da guerrilha na selva.

Eram dois. Tornaram-se um. Um único, forjado no que restou da aventura do outro. Resignado a recolher fragmentos da história que lhe permitam responder a uma pergunta irrespondível – por que?

Carlos. O Luis que se foi.
Carlos era um estudante universitário boliviano, no final da década de 60. Um idealista. Um visionário. Para ele, a morte de Che não poderia ser um fim do sonho socialista. Por isso, decidira seguir, prosseguir na luta armada. Junto com um grupo de amigos. Idealistas e visionários, tal qual ele.

Luis (a quem todos chamam de Chino) tinha doze anos e era o irmão mais novo de Carlos. Quando decidiu ingressar na guerrilha, Carlos assumiu o nome do irmão como nome de guerra. Era uma homenagem, uma forma de tê-lo sempre junto, argumentava.

Os dois viraram um naquele instante. Para o bem e para o mal. Naquele exato momento. O Luis que partiu se foi para sempre. Dele restou a imagem difusa em uma foto do último dia. Tirada na hora do embarque, na praça. O Luis que ficou tem na mente a imagem do comboio sumindo na estrada e se perdendo entre as montanhas e as nuvens. Levava o seu Luis e muitos outros. Não imaginava que fosse para sempre.

Luis. O irmão que ficou.
Um dia, veio a notícia: O Luis que partira estava morto. Uma história mal terminava e outra acabara de começar. O Luis que partiu nunca foi em definitivo. Sua imagem e sua memória permanecem vivas no Luis que ficou.

Quarenta anos se passaram. Este insiste em resgatar o passado daquele. Insiste em dar dignidade a seu irmão e seus companheiros de luta. Mesmo sem compreender as razões que o levaram a Teoponte. O Luis que ficou aceita a história. Não aceita a saudade.

Para Chino (Luis Navarro)
Em memória de seu irmão Luis (Carlos Navarro)

domingo, 1 de maio de 2011

O resgate de Teoponte

Dia primeiro de maio. Amanhece em Cochabamba, Bolívia. Faz frio. Silêncio, sol, floresta e as montanhas ao longe me fazem perceber as diferenças de país. Há dois dias, divido as horas com pessoas determinadas a resgatar um pedaço perdido da história da Bolívia.

Há pouco mais de quarenta anos, um grupo de jovens decidiu dar sequência à luta iniciada por Che Guevara. Havia pouco que ele fora morto, na selva boliviana. A aventura desses meninos durou pouco. Cem dias. Mas só agora a jornada deles começa a ganhar o espaço que lhe é devido na História. Antes disso, prevaleceu o esquecimento.

Manter escondidos estes cem dias da história boliviana é o equivalente a manter apagadas 67 histórias de vida. Um hiato de tempo que pode ter custado uma geração inteira. Os que se aventuraram na selva boliviana há quarenta anos, sonhavam com uma sociedade socialista.

Morreram quase todos. Alguns de cansaço. Outros, de fome. Muitos, fuzilados sumariamente pelas forças militares. Com a partida deles, muitas histórias de amor foram interrompidas. Muitas famílias desfeitas.

O resgate desta história se deve em grande parte ao esforço do escritor e historiador boliviano, Gustavo Rodriguez Ostria. É da autoria dele o livro que serve de base para que a história vire um longametragem. Em breve, a tragédia de Teoponte vai ocupar as telas de cinemas da América Latina. Talvez de muitos outros cinemas no mundo. É uma história de morte e de vida. De razão e paixão. Um lapso de tempo, uma eternidade para quem viveu.

Porque hoje, é primeiro de maio!